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terça-feira, 5 de abril de 2011

"A Night to Remember", a noite em que o RMS Titanic naufragou

Seja bem vindo ao Titanic em Foco

No ano de 1926, quatorze anos após o desastre do Titanic, o pequeno garoto norte-americano Walter Lord, com então aos 9 anos de idade, viajara com familiares para a Inglaterra a bordo do RMS Olympic, o navio irmão do Titanic. O impacto causado pela beleza e enormidade do navio permaneceram na memória do menino, o que viria a explicar a sua fascinação pelo Titanic, o qual ele veio descobrir que havia naufragado 14 anos antes. Mais tarde Walter Lord tornou-se escritor e durante 28 anos coletou dados, pesquisou testemunhos oficiais e conversou com sobreviventes e seus familiares sobre o malfadado Titanic. O resultado desta intensa pesquisa foi a publicação do livro "A Night to Remember" em 1955, um dos relatos mais precisos a respeito do naufrágio, integralmente composto tomando por base as entrevistas e depoimentos pessoais daqueles que estiveram diretamente envolvidos na tragédia, incluindo-se muitos sobreviventes.

Walter Lord faleceu em maio de 2002 aos 84 anos na cidade de New York, Estados Unidos, mas sua dedicação, admiração e enorme legado a respeito do Titanic permanece como a maior e mais autêntica referência literária que se tem sobre este caso, sendo enorme referencial a produções cinematográficas e a todos os que se interessam verdadeiramente pelo famoso e trágico Titanic. Seu livro é hoje indiscutivelmente o verdadeiro trampolim responsável por catapultar a história do Titanic para as recentes gerações, considerando que desde seu lançamento em 1955, o legado do Titanic não mais deixou de estar sempre presente na cultura e interesse popular.
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Abaixo, esquerda - Em 1926 o pequeno Walter Lord aos nove anos de idade se diverte no RMS Olympic..Meio - O Livro publicado em 1955 "A Night to Remember" .Direita - Walter Lord e dois sobreviventes do Titanic, Eva Hart e Frank Aks.
O texto desta matéria é um resumo do livro “A Night to Remember” publicado em 1955 (ao lado), que fora a base pra o filme de mesmo nome de 1958, é o resultado dessa exaustiva investigação feita por Walter Lord, uma narrativa primorosa em pormenores dramáticos.

Pela primeira vez disponível na Internet, desde a tradução original para o português em periódico da década de 1950. Resta apenas desejar a todos uma boa leitura, da qual estou certo que ninguém sairá sem novas e boas informações, numa composição que verte toda a emoção, ironia e tragédia vivida em "Uma Noite Inesquecível" de abril de 1912.

OBS: Para ilustrar esta matéria foram utilizadas imagens do filme "A Night to Remember" (1958), "SOS Titanic" (1979), "Titanic" (1996), "Titanic" (1997), reproduções artísticas de diversas autorias e fotos reais de época, tanto do RMS Olympic quanto do RMS Titanic.

Acompanhe
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E assista também aqui ao célebre filme "A Night to Remember" de 1958, que fora baseado no livro de Walter Lord (com legendas)
Divulgação - Diogo Santos
A Night to Remember - Uma Noite para Recordar

Frederick Fleet (esquerda) e Reginald Lee (direita), os vigias que avistaram o iceberg as 23:40 de 14 de abril de 1912.
Quando o Titanic zarpou da Inglaterra em sua viagem inaugural, com os camarotes superlotados de gente rica e da alta sociedade, foi proclamado o navio “insubmergível”, verdadeira obra-prima da engenharia naval. Cinco dias depois naufragava, levando para o fundo 1.502 pessoas...
Lá em cima, no cesto da gávea do transatlântico Titanic, da White Star Line, o vigia Frederick Fleet perscrutava a noite. Era uma noite fria, mas clara, o céu brilhando de estrelas. O Atlântico parecia vidro polido. Houve depois quem dissesse que nunca o vira mais liso.
Era a quinta noite da viagem inaugural do novo barco para Nova York. Sendo o maior e mais famoso navio do mundo, o Titanic atraíra para aquela viagem a nata da sociedade rica e elegante. As 190 famílias que viajavam na primeira classe abrangiam gente espetacularmente eminente como os Astors, os Guggenheims, os Widerners, os Strauss.
Naquela noite de 14 de abril de 1912, entretanto, Frederick Fleet não estava pensando nos passageiros. Quando entrara de quarto às 10 horas da noite, fora lhe recomendado prestar atenção especialmente aos icebergs. O seu quarto de vigia estava quase terminado e ainda nada de anormal se verificara – só à noite, o frio cortante, o vendo assobiando entre o cordame enquanto o Titanic singrava a uma velocidade de 22 nós e meio ( 41 Km/h ).
Eis que pelas 11H 40 min Fleet divisa subitamente alguma coisa à frente. Era pequena (o tamanho lhe pareceu de aproximadamente duas mesas juntas ) mas de instante em instante ficava maior e mais próxima. Tocou prontamente o sino de alarme, tirou o fone do gancho e ligou para a ponte.

_ O que foi que você viu?_ Perguntou uma voz calma do outro lado do fio.
_ Um iceberg bem à proa_ respondeu Fleet.
_ Obrigado _ murmurou cortesmente a voz.

Nada mais foi dito. Durante os 37 segundos seguintes Fleet viu o iceberg se aproximar. Estavam quase em cima dele e o navio ainda não havia mudado de rumo. O iceberg, de uns 30 metros de altura, erguia-se úmido do castelo de proa. Fleet segurou-se ante a eminência de uma colisão. Mas, milagrosamente, a proa começou a guinar para bombordo.
No último segundo, o navio aproou para o espaço livre e o iceberg deslizou por estibordo. Fleet teve a impressão de que haviam escapado por pouco.
Lá embaixo, no salão de jantar da primeira classe, quatro taifeiros conversavam em torno de uma mesa. De repente, tiveram a impressão de um leve ruído rascante vindo de algum ponto bem no fundo do navio.
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O taifeiro James Johnson julgou saber do que se tratava. Reconheceu o estremecimento que sacode um navio quando se perde uma pá da hélice e sabia que isso representaria uma viagem de volta aos estaleiros em Belfast, com bastante tempo de folga no porto. Alguém concordou e exclamou alegremente:
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_Outra viagem a Belfast!
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Nos seus camarotes, os passageiros também sentiram o barulho. O Major Arthur Godfrey Peuchen, que começava a trocar de roupa para dormir, pensou que uma onda enorme tivesse atingido o navio. Lady Cosmo Duff Gordon teve a impressão de que alguém “correra um dedo gigantesco pelo costado do navio”. A Srª John Jacob Astor julgou que tivesse havido algum acidente na cozinha.
Joseph Bruce Ismay, diretor administrativo da White Star Line, o proprietário do Titanic.
O ruído pareceu coisa mais grave a John Bruce Ismay, presidente e diretor da White Star Line, que estava participando da viagem inaugural do Titanic. Acordando num sobressalto, Ismay teve certeza de que o navio batera em alguma coisa, não sabia em quê. Alguns passageiros já sabiam o que acontecera. George Harder e senhora, um jovem casal em lua de mel, ouviram “uma espécie de barulho ribombante e rascante” no costado do navio. Harder pulou da cama e correu para a vigia a tempo de ver uma parede de gelo que passava.
O que aconteceu a James McGough foi ainda mais perturbador. A vigia estava aberta e quando o navio se chocou com o iceberg, caiu gelo dentro de seu camarote.
No salão de fumar da primeira classe no convés A, jogava-se bridge. Quando ouviram o barulho vários jogadores saíram para o convés para ver o que acontecera. Hugh Woolner, filho do escultor inglês de mesmo nome, ouviu alguém gritar:
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_ Batemos num iceberg... Lá está ele!
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Woolner apurou a vista dentro da noite. A menos de 150 metros à ré, avistou uma montanha de gelo escura que desapareceu na escuridão.
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A agitação também dentro em pouco se extinguiu. O Titanic parecia firme como sempre e fazia muito frio para que se ficasse do lado de fora. O grupo voltou lentamente para o salão e o jogo de bridge recomeçou. O último que entrou teve a impressão, quando bateu a porta que dava para o convés, que as máquinas estavam parando. E estavam.
William Murdoch, Primeiro Oficial
No alto da ponte de comando, o Primeiro Oficial William Murdoch havia levado a manivela da casa de máquinas para a posição “Pare”.
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Murdoch estava no comando da ponte e competia-lhe tomar providência, dado que Fleet dera o aviso por telefone. Agira com rapidez, mas era muito tarde.
Quando o barulho da colisão se extinguiu, o Capitão Edward Smith, comandante do navio, correu de seu camarote para a ponte.
_ Que foi isso, Sr. Murdoch?
_ Um iceberg, comandante. Virei para bombordo, inverti a marcha das máquinas, mas estava muito perto. Não pude fazer mais.
_ Feche as portas de emergência.
_ Já estão fechadas comandante.
Estavam realmente fechadas. Em baixo, na casa das caldeiras Nº 6, o foguista Fred Barret falava com o segundo maquinista-assistente quando se acendeu a luz vermelha de emergência.

De repente, houve um barulho ensurdecedor e todo o estibordo do navio pareceu despedaçar-se. Enquanto o mar entrava em catadupas, cachoando em torno dos canos e das válvulas, os dois homens pularam para a saída e a porta de emergência desceu atrás deles como um machado. Nas casas das caldeiras mais à proa, os homens abalados pelo choque, gritavam uns para os outros querendo saber o que havia acontecido. Espalhou-se a notícia de que o Titanic havia encalhado nos Bancos da Terra Nova. Muitos ainda pensavam assim, mesmo depois que um encarregado da carga apareceu descendo as escadas gritando:
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_ Epa! Batemos num iceberg!
A cerca de dez milhas de distância (18, 5 km ) o Terceiro Oficial Charles Groves estava na ponte de comando do pequeno vapor Californian, em viagem de Londres para Boston. O vapor havia parado desde as 10h 30 min, completamente bloqueado pelo gelo flutuante.
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As 11h 10 min Groves avistou as luzes de um outro navio que vinha de leste. Quando o outro alcançou o Californian, a claridade das luzes no convés mostrou que se tratava de um grande navio de passageiros.
As 11h 30 min Groves comunicou ao comandante Stanley Lord, que sugeriu o contato com o outro navio por meio de Morse luminoso.Groves Preparou-se para fazê-lo.
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Depois, mais ou menos às 11h 40 min, viu o grande navio apagar de repente a maior parte das luzes. Não se surpreendeu com isso. Havia viajado durante algum tempo nas linhas do extremo Oriente, onde eram costume apagar a meia-noite as luzes de convés para insinuar que os passageiros se recolhessem. Nem lhe passou pela cabeça que talvez as luzes ainda estivessem acesas e que só parecesse terem se apagado porque o navio guinara vivamente para bombordo.
Quando o Titanic parou, todos os sons familiares de bordo cessaram – o ranger das madeiras, o pulsar das maquinas. O fantástico silêncio alarmou muito mais os passageiros do que qualquer estrondo. Dentro em pouco, as campainhas começaram a tocar chamando os comissários.
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_ Por que foi que paramos?_ perguntou a Srª Ryerson, de uma conhecida família de industriais da siderurgia.
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_ Ouvi falar num iceberg, minha senhora – respondeu o comissário. E nós paramos para não passar por cima dele.

Alguns dos passageiros se vestiram e subiram para o convés, mas não se podia ver muito. O Titanic estava parado no meio do mar, enquanto três de suas quatro enormes chaminés expeliam vapor com uma zoada que perturbava a noite tranqüila. Afora isso, tudo era normal.
Quando a notícia do acidente se espalhou, ninguém ficou alarmado.
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_ Sabe o que foi? – perguntou Harry Collyer à sua esposa, quando voltou ao camarote.
_ Batemos num iceberg, mas não há perigo. Um oficial me disse.
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A Srª Collyer perguntou ao marido se havia alguém amedrontado. Quando soube que não, tornou a deitar-se.
O casal Dickinson Bishop também não se perturbou. Quando um comissário de convés lhes assegurou que tinham apenas batido num pedacinho de gelo que já ficara para trás, os Bishops voltaram ao seu camarote e trocaram novamente a roupa.
O fato deu a alguns a oportunidade inesperada de distração. Quando o Titanic raspou pelo iceberg, algumas toneladas de gelo se desprenderam e caíram no convés C. Os passageiros da terceira classe que chegaram ao convés para saber o que tinha acontecido logo descobriram isso. Da janela do seu camarote, a Srª Natalie Wick os viu jogando alegremente pedaços de gelo uns nos outros.
Em outros pontos, porém, havia sinais perturbadores de que nem tudo estava como devia. Pouco depois da colisão, o eletricista Samuel Heming ouviu um curioso som sibilante que partia do compartimento mais próximo da proa.
Acercando-se, viu que era ar que escapava do porão da proa, onde ficavam as correntes da âncora. Muito abaixo, a água entrava com tal rapidez que o ar se precipitava para fora devido à pressão. No compartimento vizinho, o foguista Charles Hendrickson também teve a atenção despertada para um som estranho. Mas ali não era ar. Quando olhou para a escada de caracol que descia para a sala de fornalhas, viu a água verde espumejando em torno dos degraus. A água havia penetrado também no terceiro compartimento e já estava a uma altura de vários centímetros do chão.
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O correio do Titanic ocupava dois conveses no quarto compartimento. Dentro de cinco minutos, a água corria pelos joelhos dos funcionários postais, que procuravam levar as correspondências para a sala de manipulação que estava mais eca. Em cinco minutos, a água atingiu o alto da escada e os funcionários abandonaram por completo o correio.
No quinto compartimento estanque ficava a sala de caldeiras Nº 6, onde o foguista Barret e o seu companheiro haviam pulado pela porta depois da colisão. Ali a água já chegava à cintura e continuava a entrar.

No alto da ponte, o Comandante Smith procurava juntar todos os fragmentos do quadro. Ninguém podia estar mais habilitado para isso do que ele. Depois de 38 anos de serviço na White Star Line, ele não era apenas o comandante mais antigo da companhia, mas um patriarca barbado que tanto os tripulantes quanto os passageiros adoravam. Aquela ia ser a sua última viagem. Já poderia estar aposentado, mas comandava tradicionalmente os navios da White Star Line nas suas viagens inaugurais.
Smith voltou-se para o Quarto Oficial Joseph Groves Boxhall e disse-lhe:
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_Procure o carpinteiro e mande-o sondar o navio.
Boxhall acabava de descer as escadas da ponte de comando, esbarrou-se com J. Hutchinson, o carpinteiro, que já ia subindo às carreiras. Hutchinson, ao passar por ele, exclamou ofegante:
_ O navio está fazendo água muito depressa.
Logo depois chegou Bruce Ismay. Vestira um terno por cima do pijama e subira à ponte para perguntar se estava acontecendo alguma coisa que o presidente da companhia devesse saber. O Comandante Smith deu-lhe a notícia do iceberg.
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_ Acha que o navio está seriamente danificado? _ perguntou Ismay.
Houve uma pausa e afinal o comandante respondeu em voz lenta:
_ Creio que sim.
Não tardaria que soubessem com certeza. Haviam mandado chamar Thomas Andrews, construtor do Titanic, que fazia a viagem com o intuito de corrigir quaisquer defeitos que surgissem. Se alguém podia avaliar a situação, era ele.
Daí a pouco, Andrews e o comandante iniciavam a sua inspeção, descendo pela escada reservada à tripulação para não chamarem atenção... Pelo labirinto dos corredores bem abaixo... bem perto a água escachoava pela quadra de squash-ball, onde o mar agora batia de encontro a tabela. Voltando para a ponte, passaram pelo salão do Convés A, lotado de passageiros. Todo mundo observou a fisionomia dos dois homens, para saber se as notícias eram boas ou más. Ninguém pode perceber nada.
Major Arthur Godfrey Peuchen, passageiro da 1ª classe.
Enquanto isso, no Convés A, o Major Arthur Peuchen notou um fato curioso. Enquanto olhava os passageiros que se divertiam com o gelo, sentiu uma leve inclinação no convés.
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_ O navio está adernando! – exclamou ele para um companheiro.
_ Mas não é possível! O mar está perfeitamente calmo e o navio parou.
_ Ninguém pode afundar este navio – replicou placidamente o outro homem.
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Houve mais pessoas que sentiram a inclinação para a proa, mas parecia indiscrição falar nisso. Entretanto, na ponte de comando, os instrumentos mostravam que o Titanic estava um pouco inclinado para a proa e adernando cinco graus para estibordo.
Perto dali, Andrews e o Comandante Smith faziam os cálculos. Água no porão de proa... No porão Nº 1... no porão Nº 2...no correio...na casa de caldeiras Nº 6. Somando tudo, os fatos mostravam que havia um rombo de 90 metros, com os primeiros cinco compartimentos irremediavelmente invadidos pela água.
Que queria dizer isso? Andrews explicou calmamente. O Titanic podia flutuar com três dos quatro compartimentos inundados. Poderia flutuar até com os quatro compartimentos perdidos. Mas fosse qual fosse à maneira como se raciocinasse, ele não poderia flutuar com os cinco compartimentos cheios de água.
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A divisão entre o quinto compartimento e o sexto só ia até o convés E. Se os primeiros cinco compartimentos fossem inundados, a proa desceria tanto que a água do primeiro compartimento transbordaria para o sexto. Quando este estivesse cheio, transbordaria para o sétimo e assim por diante. Era uma questão de certeza matemática. Não havia solução.
Apesar de tudo, era inacreditável. Afinal de contas, o Titanic era considerado insubmersível. A revista técnica The Shipbuilder descrevera o seu sistema de compartimentos numa edição especial em que salientava: “O comandante, acionando um interruptor elétrico, pode fechar instantaneamente todas as portas e tornar o navio praticamente insubmersível”..

Todos os interruptores tinham sido acionados e o construtor disse que não fazia a diferença. Era difícil de aceitar. Há 0 horas e 5 minutos – 25 minutos depois do áspero estrondo – o Comandante Smith deu ordem para que os botes fossem descobertos e os passageiros acordados e reunidos. Depois, desceu pelo convés dos botes para a cabine do radiotelegrafista..
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O radiotelegrafista John Philips tivera um dia de muito trabalho.
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Em 1912 a radiotelegrafia ainda era uma novidade e os passageiros não podiam resistir à tentação de mandar mensagens frívolas para os amigos. Todo aquele domingo os radiotelegramas se haviam empilhado na cesta para serem transmitidos.
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Só uma hora antes – quando Philips conseguira afinal um bom contato com o Cabo Race, na Terra Nova – o Californian interrompeu rudemente com um aviso sobre gelo. Falava de tão perto que quase explodiu nos ouvidos de Philips. Não era de admirar que ele houvesse respondido:
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_ Pare com isso que estou ocupado!
O Comandante Smith apareceu e disse:
_ Batemos em um iceberg. Prepare-se para transmitir um pedido de socorro, mas não transmita enquanto eu não mandar.
Voltou daí alguns minutos e disse a Philips, entregando-lhe um pedaço de papel com a posição do Titanic:
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_ Transmita o pedido de socorro!
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À meia noite e quinze, Philips começou a manipular as letras CQD – naquela época o sinal regulamentar de socorro – seguidas de MGY. O sinal de chamada do Titanic. O sinal foi repetidamente lançado dentro da noite.
A dez milhas de distância apenas, Groves, Terceiro Oficial do Californian, estava sentado no beliche do radiotelegrafista, Cyril Evans. Groves gostava de passar por lá depois do trabalho para saber das últimas notícias e mexer no aparelho.
Evans ficava em geral satisfeito com a companhia de Groves, mas estava cansado naquela noite. Além disso, estava irritado com a rude reação que recebera quando tentara falar com o Titanic a respeito do gelo. Às 11h 30 min, a hora marcada para o encerramento do seu trabalho, ele desligou o aparelho e estendeu-se no seu beliche.
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_ Que navios está pegando telegrafista? –perguntou Groves.
_ Só o Titanic _ disse Evans, mal levantando os olhos da revista que lia.
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Groves colocou os fones. Infelizmente, não conhecia bem o mecanismo – o aparelho do Californian, por exemplo, era equipado com um detector magnético que funcionava por meio de um mecanismo de relógio. Groves não deu corda nele, e por isso, nada ouviu.
Desistindo, tornou a botar os fones em cima da mesa e desceu. Passava pouco da meia noite e quinze.
No salão de fumar do Titanic o jogo de bridge estava de novo em plena animação, quando um oficial de bordo, apareceu à porta, dizendo:
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_ Cavalheiros, vistam os salva-vidas. Há uma anormalidade.
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Em baixo, no alojamento da tripulação, o eletricista Samuel Hemming subiu para seu beliche, convencido de que o som sibilante que ouvira no convés de proa não tinha muita importância. Já estava quase pegando no sono quando o carpinteiro do navio se inclinou sobre o beliche dizendo:
_ Se eu fosse você, me levantaria. O navio está fazendo água nos porões 1,2 e 3 e a quadra de squash está enchendo.
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No seu camarote de primeira classe, a Srª Lucien Smith também adormecera. De repente, as luzes foram acesas e ela viu o marido de pé junto à cama, sorrindo. Informou sem pressa:
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_ Batemos em um iceberg. Isso não tem muita importância, mas por simples formalidade o comandante mandou que todas as mulheres e crianças fossem para o convés.
E assim se passavam as coisas. Não houve toques de sinetas, nem de sirenes nem alarme geral. Mas em todo o Titanic, desta ou daquela maneira, a ordem foi transmitida. Naquele tempo um comissário num navio de luxo se encarregava apenas de oito a nove camarotes e era cheio de cuidados com seus passageiros.
O jornalista William Thomas Stead, passageiro da 1ª classe.
No camarote C89, o comissário Andrew Cunningham ajudou William T. Stead a vestir o salva-vidas, enquanto o grande jornalista se queixava de que tudo aquilo era tolice.
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No B 84, o comissário Harry Etches trabalhava como um alfaiate paciente, ajustando Benjamin Guggenheim, o rei da exploração de minas, ao seu salva-vidas. Guggenheim queria ir para o convés vestido como estava, mas Eatches o fez enfiar um grosso suéter antes de mandá-lo que o homem que estava lá dentro pudesse sair. Nesse momento, apareceu um comissário com ameaças de prender todo mundo quando o Titanic chegasse à Nova York para cima.
Era difícil decidir entre a piada e a seriedade. A porta de um camarote emperrou e alguns passageiros arrombaram para que o homem que estava lá dentro pudesse sair. Nesse momento apareceu um camareiro com ameaças de prender todo mundo quando o Titanic chegasse a New York pelos danos materiais causados à companhia.
Aos poucos os passageiros foram se aprontando e subindo as escadas aos montes. Estavam vestidos da maneira mais disparatada. Por baixo do sobretudo, o jovem Jack Thayer vestia um terno de tweed com colete e ainda outro colete de pelo de cabra por baixo.
Robert Daniel, banqueiro da Filadélfia, estava apenas com um pijama de lã.

A modista Edith Louise Rosenbaum Russell, passageira da 1ª classe.
A Srª Turrel Cavendish usava um roupão e o sobretudo do marido. A Srª Hogeboom tinha uma casaco de peles por cima da camisola de dormir e a Srª Clark apenas a camisola.
Alguns dos objetos que levavam eram curiosos. A Srª Edith Russel tinha nas mãos um porquinho que tocava música; Lawrence Beesley abarrotara os bolsos de livros; a Srª Bishop deixou no camarote 11.000 dólares em jóias e mandou o marido voltar para buscar-lhe os casacos de pele.
No seu camarote, o Major Arthur Peuchen olhava para uma caixa de metal na qual levava 200.000 dólares em títulos, sendo 100.000 dólares em ações preferenciais. Pensava muito sobre aqueles valores enquanto tirava o smoking e duas mudas de roupa de baixo e roupas pesadas. Depois lançou um último olhar em torno e decidiu-se. Bateu a porta, deixando a caixa de metal.
A multidão corria dentro da noite gelada. Cada classe conservava-se no seu convés próprio – a primeira classe no centro do navio, a segunda um pouco à ré e a terceira na proa ou no convés das bombas, perto da proa. Todos esperavam em silêncio as ordens seguintes, confiantes, mas vagamente preocupados.
Havia algumas piadas um pouco forçadas. Quando o Coronel Achibald Gracie viu Fred Wright, profissional de squash do Titanic, lembrou-se de que havia reservado a quadra para as sete e meia da manhã.
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_ Não é melhor cancelarmos aquela reserva? – perguntou Gracie.
_ É sim – respondeu Wright sem entusiasmo. Ele sabia que a água já havia passado do teto da quadra de squash.
Enquanto os passageiros conversavam e esperavam, a tripulação se dirigiu prontamente para a coberta dos botes e começou a aprestar os 16 botes de madeira. Havia oito de cada lado. Os barcos de bombordo tinham números pares; os de estibordo, ímpares. Havia ainda quatro barcos dobráveis de lona, marcados com as letras A, B, C e D, que estavam apoiados sobre as cabines dos oficiais.
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Havia 2.207 pessoas a bordo do Titanic naquela noite. Todos os botes do navio poderiam transportar apenas 1.178. Essa desproporção não era do conhecimento de nenhum dos passageiros e poucos tripulantes estavam a par disso; de qualquer maneira, porém, a maioria não teria dado a menor importância ao fato.
Por isso, os passageiros estavam no convés dos botes, calmos embora confusos. Não se fizera um só exercício de salvamento. Os passageiros não sabiam a que botes se dirigirem. Os tripulantes tinham sido escalados, mas poucos se deram ao trabalho de olhar a lista. Entretanto, eles pareciam adivinhar onde eram necessários e, um por um, os botes foram colocados em posição.
Charles Lightoller, Segundo Oficial.
Mas o trabalho era lento. O Segundo Oficial Charles Lightoller, encarregado da parte de bombordo, gostava de seguir os canais competentes e o Oficial-Chefe Wilde gostava de atrasar tudo. Quando Lightoller lhe perguntou se podia carregar os botes, Wilde mandou que esperasse. Lightoller por fim foi à ponte de comando e obteve permissão diretamente do Comandante Smith.
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Com um pé no bote Nº 6 e outro no convés, Lightoller chamou as mulheres e crianças. A reação nada teve de entusiástica. Por que trocar os iluminados conveses do Titanic por horas de escuridão dentro de um bote a remos? Até John Jacob Astor criticou a idéia, dizendo:

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_ Estamos em mais segurança aqui do que dentro daquele pequeno bote.
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Quando a Srª White embarcou, uma pessoa amiga lhe disse:
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_ Quando voltar amanhã, vai ter que pagar passagem. Não se pode entrar novamente sem um passe.
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A Srª Constance Willard se recusou terminantemente a embarcar no bote. Afinal, um oficial exasperado desistiu, exclamando:
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_ Não percam tempo. Se ela não quiser entrar, que fique!
Também havia música para acalmar os passageiros. O maestro da orquestra Wallace Hartley reunira os seus músicos e a orquestra tocava números variados. O aspecto do conjunto era um pouco estranho – alguns estavam com os casacos azuis do uniforme, outros de paletó branco – mas a música era estrepitosa e alegre.
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Herbert John Pitman, Terceiro Oficial.
A estibordo as coisas corriam com um pouco mais de rapidez. O Terceiro Oficial Herbert John Pitman, encarregado do Bote Nº 5, chamava:
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_ Vamos, minhas senhoras!
E uma a uma elas subiam nos botes. Quando não havia mais mulheres e crianças que quisessem ir sozinhas, permitiu-se o embarque de alguns casais. Depois, embarcaram alguns homens sozinhos. A estibordo foi essa a regra durante toda a noite – primeiro mulheres e crianças – e os homens se ainda houvesse lugar.
À ré, o Primeiro Oficial Murdoch estava encontrando dificuldade em lotar o seu bote. Afinal, embora houvesse apenas cerca de 20 pessoas a bordo, achou que não podia esperar mais. Aos 45 minutos depois da meia-noite deu sinal para arriarem o Nº 7 – o primeiro bote a baixar.
Em seguida, o Nº 5 começou a descer rangendo. O presidente Bruce Ismay, da White Star Line, surgiu agitado; parecia for a de si.
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_ Desçam! Desçam! _ repetia ele desvairado, agitando um dos braços, enquanto que com o outro se agarrava ao bote.
_ Se deixar de atrapalhar, com todos os diabos – gritou numa explosão o Quinto Oficial Harold Lowe, que manejava o bote – talvez eu consiga fazer alguma coisa!
Envergonhado, Ismay afastou-se, sem dizer nenhuma palavra. Os veteranos da tripulação estavam estupefatos. Julgavam que a explosão de Lowe era o que de mais dramático poderia ter acontecido naquela noite. Um Quinto Oficial não insulta impunemente o presidente da companhia. Quando chegassem à Nova York haveria um ajuste de contas. E quase todo mundo esperava chegar à Nova York. Na pior das hipóteses, seriam todos transferidos para outros navios.
Cape Race (ao lado) é um cabo situado no extremo sudeste da Península de Avalon, na Terra Nova, Canadá.
Enquanto isso, na cabine de telégrafo, Phillips estava recebendo as respostas de socorro. As notícias eram animadoras. O primeiro que respondeu foi o vapor Frankfort, da North Deutch Lloyd, que transmitiu um seco: “OK. Fique na escuta”, mas não comunicou a sua posição. Dentro em pouco, chegavam outras confirmações.
A notícia da tragédia do Titanic se difundia cada vez mais. Navios que estavam fora de alcance recebiam a notícia dos mais próximos. O Cape Race ouviu a notícia diretamente e a transmitiu para terra.
Radiotelegrafista David Sarnoff.
No alto do Edifício Wanamaker, em New York, um jovem radiotelegrafista chamado David Sarnoff captou um sinal fraco e também o passou a diante. O mundo inteiro se levantou em atormentada expectativa.
Entretanto, bem perto, o vapor Carpathia, da Cunad Line, navegava para o sul na mais completa ignorância do que estava acontecendo.
Harold Cottam, operador de telégrafo do Carpathia.
Harold Cottam, o radiotelegrafista de bordo, estava na ponte de comando quando Phillips transmitira o seu CQD. Quando voltou ao seu aparelho, Cottam resolveu ser prestimoso. Perguntou displicentemente se o Titanic sabia que Cape Race estaca com alguns radiogramas para transmitir-lhe? O gesto cortês do Carpathia foi cortado pela resposta de Philips: “Venha imediatamente. Batemos num iceberg. Isto é um CQD, meu velho. Posição 41, 46 N 50, 14 W.”
Depois de um instante de atônito silêncio, Cottam correu para dizer ao comandante. Após alguns minutos, transmitiu boas notícias: o Carpathia estava a apenas 58 milhas (107 km ) de distância e navegava a todo vapor.
Enquanto Philips procurava apressar os navios mais próximos, o segundo radiotelegrafista Harold Bride teve uma idéia. CQD era o pedido de socorro tradicional, mas uma convenção internacional resolvera pouco antes usar de preferência as letras SOS, que eram mais fáceis de ser captadas pelo mais inexperiente amador.
_ Transmita um SOS – sugeriu Bride. – talvez seja sua última oportunidade de transmiti-lo.
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Philips riu e ligou o aparelho. À meia noite e 45 o Titanic expediu o primeiro SOS.
Joseph Groves Boxhall, Quarto Oficial.
Nenhum dos navios com que se havia entrado em contato parecia tão promissor quanto à luz que piscava a dez milhas da proa do Titanic. Compreendendo tratar-se de um navio, o Quarto Oficial Boxhall tentou entrar em contato com ele por telegrafia luminosa e em dado momento teve a impressão de que respondiam. Mas não podendo responder, chegou à conclusão de que devia ser a luz do mastro de outro navio.
A bordo do Californian, o aprendiz de oficial James Gibson observava o estranho navio que havia aparecido vindo do leste. Com o binóculo, podia divisar as luzes laterais e um facho de luz no convés de popa. Houve um instante em que julgou que o navio estava procurando comunicar-se com o Californian por telegrafia luminosa. Quis responder, mas logo desistiu. Chegou também a conclusão de que era a luz do mastro do outro navio que piscava.
No Titanic tomaram-se,dentro em pouco, providências mais enérgicas. À meia noite e 45, o primeiro foguete se elevou no ar e estourou num chuveiro de estrelas brancas. Até as pessoas a bordo menos familiarizadas com as coisas no mar sabiam o que queria dizer: o Titanic precisava desesperadamente de socorro.

A essa altura, não havia mais piadas nem demoras. Quase não havia mais nem tempo de fazer despedidas.
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_ Não há perigo, menina – gritou Daniel Marvin a sua esposa recém casada. _ vá que eu ficarei ainda um pouco aqui.
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E jogou-lhe um beijo enquanto ela entrava no bote.
Turrel Cavendish nada disse à esposa. Apenas um beijo, um demorado olhar, um outro beijo... E desapareceu entre os passageiros.
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Algumas das senhoras casadas resistira ainda à idéia de partir. O Sr. e Srª Meyer, de Nova York, sentiram-se tão envergonhados em discutir o assunto em público que desceram para o seu camarote. Ali resolveram separar-se, para o bem do filho.
Srª Lucien Smith, passageira da 1ª classe.

A Srª Lucien Smith, avistando o Comandante por perto, explicou que iria ficar sozinha no mundo e perguntou se o marido poderia ir com ela. O Comandante não respondeu. Levantando o megafone, gritou:

“Mulheres e crianças em primeiro lugar!”.
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_ Não se incomode, comandante. Vou tratar de fazê-la embarcar – disse Smith; e voltando-se para a mulher, disse pausadamente: _ Nunca pensei que tivesse de exigir-lhe obediência, mas chegou à ocasião. É uma formalidade o salvamento de mulheres e crianças em primeiro lugar. O navio está completamente equipado e todos a bordo serão salvos.
Beijaram-se em despedida, e quando o bote ia descendo para o mar ele ainda gritou:
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_ Fique com as mãos nos bolsos que está muito frio.
Ida Strauss e Isidor Strauss, passageiros da 1ª classe.
Não houve argumentos que pudessem convencer a Srª Ida Strauss, esposa de Isidor, o grande comerciante.
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_ Vivemos juntos há muitos anos – disse ela – Para onde você for eu vou.
Haviam na verdade percorrido juntos longa estrada; uma pequena loja de louças em Filadélfia, a transformação das Lojas de departamentos Macy’s numa instituição nacional americana, o Congresso e, por fim, o feliz outono que era o fecho das suas vidas vitoriosas – obras de caridade, distrações, viagens. O Senhor e a Srª Strauss sentaram-se juntos em duas cadeiras de convés.
A inclinação do convés era mais acentuada e o tempo estava visivelmente se esgotando. Thomas Andrews, o construtor naval, corria de bote em bote, apressando as mulheres.
_ É preciso embarcar quanto antes minhas senhoras. Não há um momento só a perder.
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Os botes foram descidos sucessivamente e com presteza – o Nº 6, aos 55 minutos depois da meia noite; o Nº 3 a 1 hora da madrugada; o Nº 8 à 1h 10 min. Na ponte, o Quarto Oficial Boxhall soltava mais foguetes, mas não acreditava ainda no que estava acontecendo.

 _ Comandante – perguntou ele – a situação é mesmo grave?
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_ Disse-me o Sr. Andrews – respondeu Smith calmamente – que dá ao navio de uma hora à uma hora e meia.
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No convés dos botes o ritmo do salvamento se tornara mais acelerado e... Mais desordenado.
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Uma linda moça francesa tropeçou e caiu ao embarcar no Nº 9, uma senhora mais idosa falhou por completo na sua tentativa de subir ao º 10, caindo entre o bote e o costado do navio. Enquanto todo mundo ficava boquiaberto, alguém conseguiu miraculosamente agarra-la pelo tornozelo. Ela subiu de volta ao convés para outra tentativa e, desta vez, foi bem sucedida.
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A falta de marinheiros experientes agravava a confusão. Alguns dos melhores marujos tinham sido utilizados para guarnecer os primeiros botes. Outros estavam ocupados em serviços especiais, reunindo lanternas, abrindo janelas dos conveses. Seis marinheiros desceram para abrir uma porta inferior. Nunca mais voltaram, ficando provavelmente bloqueados em baixo. Lightoller tinha de racionar os homens que restavam; apenas dois tripulantes para cada bote.
A estibordo o Primeiro Oficial Murdoch continuava a prmitir o embarque de homens nos botes quando havia espaço. Na ocasião de baixar o Nº 3, Henry Sleeper Harper, de uma conhecida família de editores, não só acompanhou a mulher, mas também levou o seu pequinês premiado Sun Yat-Sem e um guia egípcio, Hamad Hassah.
No Nº 1, acena era quase cerimoniosa. Sir Cosmo Duff Gordon, com esposa e a secretária desta, perguntou a Murdoch se podiam entrar.
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_ Claro. Será um prazer pra mim – respondeu Murdoch, conforme disse depois Sir Cosmo.
Murdoch ajudou os passageiros a entrarem no bote, recolheu ainda seis foguistas, colocou o vigia George Symons no comando e disse-lhe:
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_ Afaste-se do navio e volte quando eu chamar.
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Em seguida, fez sinal aos homens que manobravam os botes e eles baixaram o Nº 1, que tinha capacidade para 40 pessoas – com exatamente 12 pessoas a bordo.
Em baixo, na terceira classe, estavam aqueles que não tiveram nem a oportunidade de perder o Nº 1. Um enxame de mulheres se agitava nos pés da escadaria principal da terceira classe no convés E. Bloqueados uns pelos outros, barulhentos e aflitos, ali estavam desde que os empregados de bordo os haviam feito levantar-se.
À meia noite e trinta, chegou ordem de mandar as mulheres e as crianças para o convés dos botes. Não se podia esperar que acertassem sozinhos com o caminho por entre o labirinto de corredores que normalmente isolavam a terceira classe.
Diante disso, o comissário John Hart resolveu guia-los, levando-os em grupos. Organizou um grupo e levou até ao bote Nº 8. Mas logo que fazia as pessoas entrarem elas pulavam fora e iam pra dentro, onde não fazia frio. Só houve tempo para guiar mais um grupo. Depois disso, Murdoch deu ordem a Hart de embarcar num bote.
Muitos dos passageiros da terceira classe, com o acesso impedido ao resto do navio, estavam inteiramente entregues à sorte.
Como uma coluna de formigas, uma pequena fila deles subiu por um guindaste no convés C de ré e rastejou pelo mastro do guindaste até a primeira classe, de onde, transpondo a amurada, passou para o convés dos botes. Outros batiam nas portas, exigindo que os deixassem passar. Numa das portas, um marinheiro fechava a passagem de três moças irlandesas, quando de repente o passageiro de terceira classe Jim Farrel apareceu.
_ Por Deus, homem! – gritou ele. Abra esta porta e deixe as moças passarem!
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Foi uma soberba demonstração de puro poder da palavra. Com grande espanto das moças, o marinheiro obedeceu rapidamente. Mas para cada passageiro que conseguia subir, centenas se agitavam em torno, sem rumo. Alguns recorriam à oração. Quando o passageiro Gus Cohen passou pelo salão de jantar da terceira classe, viu muita gente reunida ali, muitos deles com rosários nas mãos.
Muitos dos botes já estavam no mar. Um a um, afastavam-se em remadas lentas, com os remos fendendo o mar espelhante. Em todos os botes, os olhos fitos no Titanic. Os tombadilhos iluminados e as longas filas de vigias resplendiam de luz.
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Podia-se ver a multidão apinhada nas amuradas e ouvir o com dos músicos cortando o ar tranqüilo. Parecia impossível que o grande navio corresse algum perigo. Entretanto, ali estava ele, com a proa já bem submersa, parecendo um bolo de aniversário que se desmanchasse.
Alguns dos botes começaram a dirigir-se para o vapor cujas luzes brilhavam a distância. Parecia próximo, tão próximo que o Comandante Smith disse ao pessoal do bote oito que fosse até lá, desembarcasse os seus passageiros e voltasse para buscar mais.
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Enquanto isso, Boxhall continuava a soltar foguetes. Mais cedo ou mais tarde, tinham de acordar o outro navio.
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Na ponte do Californian, o Segundo Oficial Herbert Stone contava os foguetes – seis até uma hora. À 1h 10 min, Stone comunicou o fato pelo tubo acústico ao Comandante Lord, que perguntou:
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_ São sinais da companhia?
_ Não sei – respondeu Stone. _Parece que são foguetes brancos.
O Comandante recomendou-lhe que procurasse entrar em contato com o navio pelo telégrafo luminoso.
Pouco depois, Stone entregou o seu binóculo ao aprendiz Gibson, dizendo:
_ Observe o navio agora. Está muito esquisito.
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Gibson olhou o navio atentamente. Parecia estar adernando e tinha, como ele disse “uma grande parte fora da água”. Stone notou que a luz vermelha lateral havia desaparecido.
A posição do Titanic estava realmente esquisita. O mar já batia acima do convés C na proa, marulhando em torno dos guindastes e das escotilhas, lambendo a base da superestrutura. Adernava acentuadamente para bombordo.
À 1h 40 min mais ou menos, o Oficial Chefe Wilde gritou:
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_ Todo mundo a estibordo para equilibrar o navio!
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Os passageiros e a tripulação concordaram e o Titanic virou-se lentamente de novo em posição de equilíbrio. O trabalho de salvamento nos botes foi reiniciado.
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Não havia mais dificuldade em convencer as pessoas a abandonarem o navio. Um passageiro da terceira classe pulou dentro de um barco que se balançava, juntamente com vários outros homens. Quase todos foram retirados à força, mas o primeiro escondeu-se ali, coberto por um xale de mulher. Disse ele depois que foi a Srª Astor que o cobriu com o xale.
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Em outro ponto, uma onda de homens tentou assaltar o bote Nº 14, mas o marinheiro Joseph Scarrott os rechaçou com a cana do leme. O Quinto Oficial Lowe puxou a pistola e gritou:
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_ Se alguém mais tentar isso, levará bala! – e disparou ao longo do navio enquanto o bote Nº 14 descia ao mar.
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Enquanto isso, o barco de lona C era ajustado nos turcos e estava sendo carregado. O presidente Bruce Ismay Ajudou a aprontar o bote para ser arriado. Já estava mais calmo e parecia sob todos os aspectos um membro da tripulação do Titanic. Mas, de repente, no último instante, pulou para dentro do bote – era mais um passageiro apavorado.

Outros se portavam diferentemente. O jornalista William Stead, independente como sempre, estava lendo sozinho no salão de fumar da primeira classe. O bombeiro George Kemish, ao passar, teve a impressão de que ele pretendia ficar ali acontecesse o que acontecesse.
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Benjamin Guggenheim dirigiu uma senhora que entrava num bote a seguinte mensagem de despedida:
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_ Se alguma coisa me acontecer diga a minha mulher que eu fiz tudo o que era possível para cumprir o meu dever.
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De fato, Benjamin Guggenheim quase se superou. O seu suéter e o seu salva vidas haviam desaparecido. Ele e o seu criado de quarto estavam impecavelmente vestidos a rigor.
_ Vestimo-nos da melhor maneira – explicou ele – e estamos prontos para ir pra o fundo do mar como cavalheiros.
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Archibald Gracie e mais uma dezena de outros passageiros de primeira classe trabalhavam juntamente com a tripulação, carregando os últimos botes. Quando ajudaram a Srª Constance Willard, sorriram e disseram-lhe que tivesse sorte e coragem. Ela notou que as suas frontes mostravam grandes riscos de suor.
Só restavam alguns botes. Os barcos de lona A e B estavam amarrados no alojamento dos oficiais e os homens estavam encontrando grande dificuldade em tirá-los de lá. Contudo, o barco D já fora ajustado nos turcos e estava pronto para ser carregado. Não havia tempo a perder. As luzes começavam a ficar vermelhas. Ouvia-se ao longe em baixo o barulho de louça que se quebrava.
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Lightoller não facilitou: 47 lugares – 1.600 pessoas. Mandou os marinheiros fazerem com os braços um amplo círculo em torno do bote, deixando as mulheres passarem.
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O Coronel Gracie apareceu apressadamente com a Srª Murray Brown e a Srª Edith Evans. Chegaram ao bote D quando este estava começando a descer. Edith Evans se voltou para a Srª Brown e disse:
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_ A senhora primeiro, que tem filhos que a esperam em casa.
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Ajudou prontamente a Srª Brown a transpor a amurada. Nesse momento, alguém gritou que baixassem e às 2h 5 min o bote D – o último bote que foi lançado ao mar – começou a descer. Evans ainda estava no convés.
Jack Thayer, passageiro da 1ª classe.
Depois que os botes se foram uma estranha calma caiu sobre o Titanic. As centenas de pessoas que haviam ficado conservavam-se calmamente nos conveses superiores, afastando-se da amurada. Jack Thayer, olhando para um par de turcos vazio, pensava em todas as alegrias que tivera na vida. Pensava no pai, na mãe, nas irmãs, no irmão. Sentia-se longe, como se estivesse vendo tudo de algum lugar remoto.
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Às 2h 5 min o Comandante Smith entrou pela última vez na cabine de rádio e disse:
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_ Senhores, já cumpriram plenamente o seu dever. Cuidem agora de salvar-se. Eu os dispenso.
Depois se dirigiu ao convés dos botes e disse a tripulação:
_ Muito bem, rapazes. Salve-se quem puder.
Alguns dos marinheiros seguiram literalmente as palavras do Comandante Smith, jogaram-se ao mar e foram recolhidos pelos botes. Mas a maior parte conservou-se a bordo. Espalhados pelo convés dos botes, cerca de 15 serventes da primeira classe estavam indolentemente à vontade. Pareciam contentes com o fato de ninguém se incomodar mais que eles fumassem. Perto da entrada para a Grande Escadaria, a orquestra com coletes salva vidas por cima dos sobretudos, continuava a tocar..
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No interior do navio, o pesado silêncio das salas vazias era um drama em si mesmo. Os lustres de cristal do restaurante estavam inclinados num ângulo impossível, mas ainda brilhavam firmemente, iluminando os lambris de nogueira e os tapetes róseos.
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O Lounge, em estilo Luis XV, com sua enorme lareira, estava silencioso e deserto. O Palm Court também estava deserto. Era difícil acreditar que apenas quatro horas antes estivesse cheio de senhoras e cavalheiros elegantemente vestidos a escutar música.
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O salão de fumar, porém, não estava completamente deserto. Quando um comissário espiou para dentro às 2h 10 min, ficou surpreso de ver Thomas Andrews ali sozinho.

O salva-vidas de Andrews estava jogado em cima de uma mesa de jogo. O homem tinha os braços cruzados sobre o peito e um ar de atordoamento. Quando o comissário perguntou:
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_Não vai tentar salvar-se, Sr. Andrews? – não houve resposta e nem sequer um sinal de que ele ouvira.
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Padre Thomas Roussel Davids Byles, passageiro da 2ª classe.
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Fora, nos conveses, a multidão esperava. Alguns rezavam em companhia do passageiro reverendo Thomas Byles. Outros pareciam perdidos em seus próprios pensamentos. Havia muito em que se pensar.
Para o Comandante Smith, havia os cinco avisos sobre gelo recebidos de outros navios durante o dia. O último dissera exatamente onde deveria se localizar o iceberg. Havia ainda o termômetro que caíra 6 graus acima de zero às sete horas para zero grau às 10h 30 min.
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O radiotelegrafista poderia refletir quanto ao sexto aviso sobre o gelo, quando o Californian havia interferido e Phillips o mandara calar-se. Esse último aviso nem chegara á ponte de comando.
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Numa ocasião como aquela havia também pequenas coisas que podiam atormentar uma pessoa. Edith Evans lembrava-se de um adivinho que lhe recomendara “cuidado com a água”. Charles Hayes lembrava-se. De que, poucas horas antes, profetizara para breve “a maior e mais pavorosa das catástrofes marítimas”.
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Em cima do alojamento dos oficiais alguns homens procuravam desesperadamente livrar os botes de lona A e B. No lado de bombordo, conseguiram empurrar o bote B até a beira do teto e faze-lo deslizar sobre alguns remos até o convés, onde ele caiu emborcado..

O bote A também estava dando trabalho. Alguém meteu algumas tábuas contra a parede e afinal o bote ficou solto e foi descendo de proa. Mas o Titanic estava tão adernado que não conseguiram empurra-lo para cima até a beira do convés.
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Wallace Hartley, líder dos músicos, registrado como passageiro da 2ª classe.

Os homens puxavam ambos os botes de lona quando às 2h 15 min a ponte de comando mergulhou dentro da água e o mar rolou para a popa ao longo do convés de botes. Neste momento, o maestro Wallace Hartley bateu seu violino. A música cessou e os acordes do cântico “Nearer My Good to Thee” ( Mais perto de ti Senhor ) flutuaram pelo convés e sobre o mar.
Nos botes, as mulheres escutavam com assombro. Havia a distância uma angustiosa majestade naquela hora. Mas a bordo do Titanic pouca atenção se dava a musica. Muita coisa estava acontecendo.
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Cada vez mais descia a proa do Titanic, ao mesmo tempo em que a popa se erguia vagarosamente. O navio parecia também mover-se para frente, produzindo uma onda que varria o barco.
Quando o comissário Edward Brown se esforçava para levar o bote A até a borda do convés, percebeu de súbito que já não era preciso. O bote estava flutuando. Brown pulou dentro, cortou as amarras e o bote foi imediatamente arrastado para o mar.
De cima do alojamento dos oficiais, Lightoller viu a onda viu a onda varrer a proa. Viu gente recuando ante ela. Os mais ágeis conseguiam livrar-se, os mais lentos eram alcançados e envolvidos.

Sabendo que a fuga só serviria para prolongar a agonia, Lightoller voltou-se para a proa e mergulhou. Durante um terrível minuto, ficou comprimido de encontro à abertura de um ventilador, pelo qual se derramava a água. Depois uma lufada de ar quente o arrojou à superfície. Ofegante e a cuspir água, afastou-se a nado.
Harold Bride também não perdeu a calma. Quando a onda passou, ele agarrou a borda do bote B e juntamente com uma dezena de pessoas foi arrastado com o bote.
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No turbilhão de cordas, equipamento náutico e águas em torvelinho ninguém sabia do que acontecera à maior parte dos outros. Podiam ser vistos dos botes, agarrando-se como enxames de abelhas às estruturas dos tombadilhos, aos guinchos, aos ventiladores. Mas de perto era difícil ver o que estava acontecendo, muito embora, por mais incrível que fosse, as luzes ainda estivessem acesas, lançando um clarão mortiço.

Ninguém sabe o que aconteceu ao Capitão Smith. Mais tarde se disse que ele se suicidara, mas não há a menor prova disso. Pouco antes do fim, o comissário Brown viu-o encaminhar-se para a ponte, ainda empunhando o megafone. Depois que o Titanic afundou, o foguista Harry Sênior o viu sobre a água segurando uma criança.
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A inclinação aumentou e a chaminé de vante caiu, batendo na água com uma chuva de fagulhas.
O Titanic estava agora em posição absolutamente perpendicular. Da terceira chaminé para a popa o navio se elevava no ar, com as três hélices brilhando.
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Vistos e não vistos, pessoas famosas e gente desconhecida rolaram num montão quando a popa elevou mais. Os acordes do hino episcopal “Outono” foram sepultados numa pilha de músicos e instrumentos.
As luzes se apagaram, brilharam de novo e cessaram de vez. Uma única lâmpada de querosene ainda bruxuleava do mastro de ré.
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Um barulho surdo reboava através da água, enquanto tudo se quebrava e desprendia. Nunca houve uma mistura como aquela – 29 caldeiras... 800 caixas de nozes descascadas... Grandes correntes de âncora ( cada elo pesava quase 80 quilos )... 15.000 garrafas de cerveja... Enxoval de Eleanor Widener... A caixa de metal do Major Arthur Peuchen... Dezenas de palmeiras em vasos... Cinco pianos de cauda.
Os que estavam nos botes mal podiam acreditar no que viam. Durante duas horas tinham visto, ainda animados por uma esperança que resistia à lógica, o Titanic afundar cada vez mais.
Quando a água atingiu os sinalizadores vermelho e verde, convenceram de que o fim não tardava. Mas ninguém sonhava que seriam assim – o fantástico rumor, o casco negro num ângulo de 90 graus, as estrelas brilhando ao fundo como numa paisagem de cartão de Natal.
Dois minutos se passaram. O rumor cessou e o Titanic desceu um pouco do lado da popa. Começou a afundar pouco a pouco, numa inclinação aguda.
De repente, pareceu ganhar velocidade. Por fim, o mar se fechou sobre o mastro da bandeira da popa.
Nos botes, as mulheres se quedavam aturdidas e silenciosas. No bote Nº 5, o Terceiro Oficial Pitman olhou o relógio e anunciou:
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_ São 2h 20 min.
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No Californinan, o Segundo Oficial Stone e o aprendiz Gibson viram o estranho navio lentamente desaparecer. Ele os havia fascinado durante quase todo o quarto de vigia – pelos foguetes que não cessava de soltar, pela sua estranha maneira de flutuar na água.

Rota do Titanic e local do naufrágio.

Às duas horas, as luzes do navio pereciam muito baixas no horizonte e os dois homens julgaram que ele se estivesse afastando. Às 2 h 20 min, achou que devia comunicar o fato ao comandante. Deu a notícia pelo tubo acústico e continuou a observar a noite vazia.
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Quando o mar se fechou sobre o Titanic, Lady Duff Gordon observou à sua secretária:
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_ Lá se vai a sua bela camisola de dormir.
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Muito mais do que uma camisola desapareceu naquela noite de abril; mais ainda que o maior transatlântico do mundo e a vida de 1.502 pessoas. Havia, por exemplo, práticas que nunca deviam ter existido. Nunca mais homens lançariam um navio num campo de gelo, desatentos aos avisos. Daí por diante, os transatlânticos passariam a levar a sério os avisos de blocos de gelo e a se afastar para o mar livre ou navegar em marcha reduzida.
Por outro lado, os icebergs não circulariam mais livremente pelos mares. Depois do naufrágio do Titanic, os Governos Americano e Inglês criaram a Patrulha Internacional do Gelo, e atualmente os barcos da Guarda Costeira vigiam os icebergs errantes que derivam para as rotas dos navios. A própria rota de inverno foi transferida mais para o sul, como precaução adicional.
Foi também a última vez que um navio de passageiros de fez ao mar sem botes suficientes. O Titanic partira sob regras obsoletas. Uma fórmula absurda determinava que o navio tinha de levar botes para 962 pessoas apenas. Na realidade, havia botes para 1.178 pessoas ( a White Star Line se queixou de que ninguém gostava de suas precauções ). Daí em diante, porém, as regras foram simples – BOTES PARA TODOS.
Também se acabou a distinção entre as classes na lotação dos botes. A White Star Line sempre o negou, sendo mais tarde apoiada pelos investigadores, mas há provas conclusivas de que as classes inferiores foram sacrificadas. Da lista de mortos do Titanic constavam apenas quatro das 143 mulheres da primeira classe ( três por decisão própria ). Em contraste, 81 das 179 mulheres da terceira classe morreram. Uma apenas das 29 crianças da primeira e da segunda deixou de ser salva; só 23 das 76 crianças da terceira classe tiveram a sorte de escapar. A percentagem de mortes nas crianças da terceira classe foi mais alta do que entre os homens da primeira.
A situação especial da primeira classe nunca mais aceita sem discussão. De fato, quase imediatamente o pêndulo virou para o outro lado. Dias depois, Ismay era acremente censurado por haver abandonado o navio. Ao fim de um ano, uma sobrevivente ilustre se divorciou do marido – ao que parece apenas porque ele se salvara.
Por outro lado, alguns instintos mais nobres também se perderam. Os homens continuariam a ser bravos daquela mesma maneira. Aqueles homens do Titanic tinham um cunho especial – Benjamin Guggenheim vestindo-se a rigor, Howard Case jogando fora o cigarro ao mesmo tempo em que dava adeus a um amigo. Tais gestos seriam difíceis hoje em dia.
Mas, acima de tudo, o Titanic simbolizou o fim de uma era de confiança. Havia muitos anos que o mundo ocidental vivia em paz, a técnica progredira incessantemente e os benefícios pareciam distribuir-se satisfatoriamente pela sociedade. A maioria das pessoas achava que havia descoberto o segredo da vida organizada e civilizada.
O Titanic abalou essa gente. Do ponto de vista exclusivo da técnica, a catástrofe era um tremendo golpe. Aqui estava o “navio insubmersível” – talvez a maior realização da engenharia humana – indo a pique na primeira vez em que navegava.
Mas não era só isso. Se essa suprema realização era tão frágil, que poderia dizer do resto? Se a riqueza significava tão pouco naquela fria noite de abril, significaria mais no resto do ano? Dezenas de ministros pregaram do púlpito que o Titanic fora uma lição do céu para fazer o povo despertar de sua futilidade.
Não se pode culpar o Titanic pelos anos de incerteza que se seguiram. Mas foi o primeiro choque. Foi por isso que, para qualquer pessoa que tenha vivido naquela época, o Titanic, mais do que qualquer outro fato, marcou o fim dos velhos tempos e o começo de uma nova e inquieta era.
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Não havia tempo para tais pensamentos às 2h 20 min da madrugada de 15 de abril de 1912. Sobre o túmulo do Titanic pairava um tênue vapor fumegante, que manchava a noite clara. O mar liso estava cheio de caixas, cadeiras de convés e tábuas. Centenas de nadadores se debatiam na água enregelante, agarrando-se freneticamente aos destroços e uns aos outros.
Só algumas dezenas conseguiram conservar a inteligência e a coragem. Para estes, duas esperanças de segurança se apresentavam – os barcos de lona A e B, que haviam escorregado do convés dos botes. Os nadadores mais vigorosos se dirigiram para eles. Dentro em pouco, cerca de duas dezenas de pessoas se jogaram semimortas no fundo do Bote A.

Formavam um conjunto variado – o campeão de tênis R. Norris Willians Jr.,dois suecos, o foguista John Thompson com as mãos muito queimadas e um passageiro de primeira classe vestido apenas com a roupa de baixo. Os nadadores passaram a chegar com menos freqüência e por fim deixaram de chegar por completo. O bote boiava silencioso e isolado, com a água pela metade.
Enquanto isso, outros nadadores convergiam para o bote B, que estava virado. Um por um, suspendiam-se para a quilha – Lightoller, o jovem Jack Thayer, o Coronel Gracie e outros. Cada homem a mais fazia o bote baixar mais dentro do mar.
Quando o comissário Thomas Whiteley chegou, o bote B rolava sob o peso de 30 homens.
Enquanto assim se moviam dentro da noite, usando tábuas como remos, um dos marinheiros do bote B perguntou hesitante:

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_ Não acham que devíamos rezar?
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Todos concordaram. Um instante depois estavam rezando em coro o Padre Nosso.

Não era o único som que se espalhava sobre a água. Centenas de nadadores ainda gritavam por socorro. Fundindo as suas vozes individuais num clamor constante e dominante. Para o bombeiro George Kemish parecia uma algazarra de cem mil torcedores num jogo de futebol. Para Jack Thayer, estendido na quilha do bote B, aquilo se assemelhava ao estridente zumbido de gafanhotos numa noite de verão na floresta. Para o Quinto Oficial Harld Lowe, enérgico jovem inglês. Os gritos dentro da noite significavam apenas uma coisa: é preciso voltar e prestar socorro.
Depois de deixar o Titanic no bote Nº 14, ele havia reunido quatro botes mais e os amarrara uns aos outros. Depois organizou a sua flotilha para o trabalho de socorro.
Seria inútil a volta de todos, pois faltava gente, mas um bote com uma tripulação escolhida poderia prestar algum serviço. Lowe dividiu os seus 55 passageiros entre os outros botes e escolheu voluntários de cada um deles para dar ao Nº 14 alguns remadores destros.
Era tarefa extenuante esta mudança de botes em pleno Atlântico. Mas afinal, um pouco depois das três da madrugada, o bote Nº 14 se aproximou dos destroços do naufrágio.
Durante quase uma hora, a tripulação de socorro acorreu aos gritos e chamados dentro da escuridão. Era uma busca sem esperança. Recolheram apenas quatro sobreviventes, um deles morreu pouco depois. Mas ao menos Lowe voltou ao local do naufrágio.
O Terceiro Oficial Pitman no Nº 5 também ouviu os gritos. Virou a proa do bote e gritou:
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_ Agora vamos voltar ao local do naufrágio!
_ Convença o oficial a não voltar _ pediu uma mulher ao comissário Etches, que remava.
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Outras mulheres protestaram também. Pitman revogou a ordem. Na hora que se seguiu, o Nº 5 – 40 pessoas dentro de um bote que comportava 65 – balançava suavemente sobre as calmas ondas.
Quando se fez no bote Nº 1 a sugestão de voltar, Sir Cosmo Duff Gordon declarou que na sua opinião isso não deveria ser feito; o bote ficaria cheio de água. Com isso, abandonou-se a idéia. Os remadores do Nº 1 – capacidade para 40 pessoas e apenas 12 ocupantes – remaram sem rumo.
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Em outros botes, aconteceu coisa semelhante. Das centenas de pessoas que afundaram com o Titanic, apenas 13 foram recolhidas pelos 18 botes que flutuavam nas imediações. Quando os gritos se extinguiram, a noite ficou estranhamente calma. A angustiosa expectativa passara. O choque do que havia acontecido, a consciência de que amigos íntimos estavam perdidos para sempre ainda não havia penetrado nos espíritos. Uma curiosa tranqüilidade desceu sobre muitos.
Mas pouco a pouco a vida nos botes se reiniciou. No bote Nº 2, o Quarto Oficial Boxhall começou a soltar fogos verdes.
Isso despertou as pessoas do estupor em que se achavam. Os remos bateram na água e as vozes se elevaram com chamados de uns para os outros. Enquanto os botes singravam dentro da noite sobre um mar calmo como água de uma piscina, um foguista no Nº 13 exclamou:
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_ Que malfadado piquenique!
Mas nunca se fez um piquenique com tanto frio. A Srª Charlotte Colyer estava tão entorpecida que caiu para frente no bote Nº 14 e embaraçou os cabelos numa forquilha do remo. A Srª J. J. Brown enrolou sua estola de marta em torno das pernas de um foguista cujos dentes batiam. No Nº 5 um marinheiro tirou as meias e deu-as a Srª Washington Dodge, dizendo:
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_ Garanto, madame, que estão absolutamente limpas. Só calcei hoje de manhã.
Também ainda não houve piquenique em que tantas mulheres remassem. No Nº 6, a Srª Brown, um espírito indomável, organizou as mulheres aos pares para os remos. Dessa maneira, fizeram três ou quatro milhas num vão esforço por alcançar a luz que piscava no horizonte.
À medida que a noite passava, surgiam desavenças. As mulheres do Nº 3 discutiam por frioleiras, enquanto os seus maridos se conservavam num embaraçado silêncio. No Nº 1, o foguista R. Pusey estava indignado com os esforços de Lady Duff Gordon para consolar a sua secretária da perda da sua camisola.
_ Não se incomode – disse ele. – Poderá conseguir outras, mas nós perdemos nossos pertences e a companhia não os indenizará! O pior é que deixamos de ganhar a partir desta noite.
O casal Cosmo e Lucy Duff Gordon, passageiros da 1ª classe.
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Para encerrar as discussões, Sir Cosmo declarou:
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_ Está bem. Darei a cada marinheiro que está aqui cinco libras a título de indenização.
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Deu o dinheiro e se arrependeu pelo resto da vida. O quase monopólio do bote Nº 1 pelos Duff Gordon e o fato de não ter o bote voltado ao local do naufrágio deram ao gesto o aspecto de um suborno que Sir Cosmo teve muita dificuldade em desfazer.
Na água, vivia ainda um homem graças a uma notável combinação de iniciativa, sorte e álcool. Quando o chefe dos padeiros Charles Joughin ouviu dos padeiros o chamado geral, deduziu que, se havia necessidade de botes, também havia de provisões. Por iniciativa própria reuniu os seus 13 padeiros e varejou a despensa do Titanic à procura de pão. Os padeiros subiram carregando cada qual com quatro pães.
Feito isso, Joughin foi ao seu camarote para tomar um gole de uísque. Cerca de meia noite e trinta sentiu-se suficientemente fortalecido para subir ao Bote Nº 10, para cujo comando foi designado. Pensou, porém, que havia gente de sobra para manejar o barco. Por isso, saltou e ajudou a lançá-lo ao mar em vez de comandá-lo. Explicou que seguir com o bote “ teria sido um mau exemplo”.
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Já era 1h 20 min. Joughin voltou às pressas para seu camarote e sentou-se no beliche sem dar muita importância à água que já entrava pela porta do camarote.
Charles Joughin, chefe dos padeiros.
Quando voltou ao convés os botes já haviam partido, mas não desanimou. Começou a jogar as cadeiras de convés dentro da água para os sobreviventes. De repente, ouviu um estrondo como se alguma coisa houvesse estourado.
Joughin caminhava para a popa quando o Titanic deu um arranco violento para bombordo, derrubando as pessoas sobre as outras. Só Joughin manteve o equilíbrio. Alerta mas calmo, passou por cima da amurada de bombordo e caminhou pelo costado do navio até a popa que agora se elevava bem alto, cerca de 45 metros acima da água.
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Ali, Joughin apertou displicentemente o colete salva-vidas. Olhou o relógio – eram 2h 15 min – tirou-o e guardou no bolso. Sentiu que o navio começava a descer como se estivesse num elevador. Quando o mar se fechou em torno da popa, Joughin caiu na água.
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Começou a nadar dentro da noite, quase indiferente à temperatura da água, que era de dois graus abaixo de zero. Eram quatro horas quando ele viu o bote B virado. A quilha já estava cheia de gente. Assim, ele se apoiou no bote conservando o corpo dentro da água, quase sem ser notado pelos homens a bordo. E era natural que não fosse notado porque naquele momento todos os olhares estavam fitos no horizonte.
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Pouco depois das 3h 30 min foi que eles notaram um clarão seguido de um barulho surdo e distante. Afinal, uma luz apareceu, depois uma fileira de luzes. No bote Nº 9, o marinheiro Paddy Mac Gough gritou:
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_ Vamos todos rezar porque há um navio no horizonte vindo em nossa direção!
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Um grande vapor se aproximava a toda força e soltava foguetes para tranqüilizar o pessoal do Titanic. Da água subiram vivas e gritos de satisfação. Até a natureza parecia satisfeita, pois a sombria noite cedeu lugar aos tons de malva e coral de um belo amanhecer.
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Arthur Henry Rostron, Capitão do Carpathia.
Na ponte do Carpathia, o Comandante Arthur Rostron imaginava o que iria encontrar. Desde que o CQD fora recebido, o navio se dirigira para o norte, numa velocidade maior que qualquer pessoa o julgava capaz. Até o pessoal do quarto de vigia extraordinário saíra dos beliches para ajudar a jogar carvão nas caldeiras.
Ninguém sabia, porém, o que procurar. O radiotelegrafista não conseguia mais falar com o Titanic. À 1h 50 min tinha havido um apelo final: “ Venha depressa, meu velho. A casa de máquinas está cheia até as caldeiras”. Depois disso, silêncio. Às 2h 35 min o Dr. Frank Mc Ghee, médico de bordo, subiu à ponte e disse a Rostron que tudo estava pronto embaixo. Enquanto ele falava, Rostron viu de repente o clarão de fogos verdes no horizonte.
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_ Ali está o farol! _ exclamou ele.
_ Ainda deve estar flutuando!
Dez minutos depois um iceberg foi avistado à frente, do lado de bombordo. Depois, outro iceberg e mais outro. Fazendo curvas, o Carpathia passou entre os icebergs sem diminuir a velocidade em nenhum momento. Soltava foguetes de 15 em 15 minutos. Espalhou-se a bordo a notícia de que já estavam a uma distância de onde podiam avistar o navio. Nos portalós e nas estações de botes os marinheiros estavam a postos. Todo mundo se mantinha em ansiosa expectativa..

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Mas Rostron estava perdendo o ânimo. Às 3h 35 min deviam estar aproximando-se da posição do Titanic e ainda não havia sinal dele. Às 3h 50 min deu ordem de “atenção” às máquinas. Às 4 horas, fez parar o navio. Haviam chegado.
..
Nesse momento, outro dos fogos verdes se acendeu. A luz bruxuleante mostrou o contorno de um bote a uns 300 metros de distância. Quando o Carpathia se dirigia para lá, uma voz gritou da escuridão:
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_ Temos apenas um marinheiro e não podemos manobrar muito bem.
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_ Está bem _ gritou Rostron em resposta, aproximando o navio suavemente até que a voz gritou de novo, mandando parar as máquinas. Era o Quarto Oficial Boxhall no bote Nº 2.
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Jogaram-se cabos e dentro em pouco o bote estava atracado. E às 4h 10 min a Srª Elisabeth Allen subiu lentamente a balouçante escada e caiu nos braços do comissário do Carpathia. Ele perguntou onde estava o Titanic e ela respondeu que ele havia afundado.

Na ponte, Rostron sabia sem ter necessidade de perguntar, mas achou que devia cumprir as formalidades. Mandou chamar Boxhall e perguntou ao Quarto Oficial que tremia:
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_ O Titanic afundou?
_ Afundou _ respondeu Boxhall com voz embargada _ afundou às 2h 20 min, aproximadamente.
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A dez milhas dali, com o romper da aurora, a vida começava a agitar-se de novo a bordo do Californian. O Primeiro Oficial George Stewart havia subido à ponte para fazer o seu quarto e ali soube pela primeira vez dos estranho navio, dos foguetes e da maneira pela qual o vapor havia desaparecido no horizonte. Stewart ficou com isso na cabeça a preocupá-lo e às 5 h 40 min acordou o radiotelegrafista Evans.
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_ Há um navio que tem soltado foguetes _ disse ele. _ Veja se consegue descobrir alguma coisa.
Evans passou a mão nos fones e os sintonizou. Dois minutos depois, Stewart subia a toda pressa os degraus da ponte, dando voz alta à espantosa notícia: “o Titanic bateu num iceberg e foi a pique”.
Stanley Lord, Capitão do SS Californian.
O Comandante Lord fez apenas o que faria um bom comandante. Mandou imediatamente acelerar as máquinas e rumou para a última posição do Titanic.
Quando o sol despontou no horizonte, revelou um espetáculo singular.
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Espalhados pelo oceano estavam dezenas de icebergs que cintilavam à luz matinal. Para o Norte, a perder de vista, estendia-se um plano e ininterrupto campo de gelo.
Os botes do Titanic, espalhados por uma área de quatro milhas ( 7,5 km ), dirigiam-se penosamente para o Carpathia. De alguns partiam gritos e exclamações, enquanto outros puxavam pelos remos. Outros ficavam em silêncio, dominados pelo alívio...  
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Não partiam vivas do bote de lona B que estava virado. Estava debaixo d’água, rolando lentamente enquanto as ondas lhe lavavam a quilha. Sabendo que só uma ação combinada poderia conservar o casco em equilíbrio, Lightoller organizara os homens em duas colunas, de frente para a proa. Quando o bote era sacudido pelas ondas, ele os mandava inclinarem-se para a direita ou para a esquerda.
Mas estavam todos tremendamente cansados. Poderiam agüentar-se até serem vistos pelo Carpathia parado a 4 milhas de distância? ( 7, 5 Km )
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Súbito, à medida que a luz se difundia sobre o oceano divisaram nova esperança. A cerca de 700 metros quatro botes estavam amarrados em fila. Lightoller puxou um apito do bolso e produziu um som estridente. Ouvindo o som, dois botes largaram as amarras e rumaram para eles. Chegaram quase no último momento.
Enquanto isso, o Quinto Oficial Lowe havia levantado uma vela no Nº 14 e se dirigia para o Carpathia, quando avistou o Bote A, completamente cheio de água. Das 30 pessoas aproximadamente que haviam alcançado o bote, muitos haviam caído ao mar, entorpecidos pelo frio.
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Só restavam 12 homens e uma mulher, metidos até os joelhos na água enregelante. Lowe transferiu-os todos para o seu bote, o Nº14.
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Um por um, os botes se arrastaram até o Carpathia. À medida que cada um deles atracava, os sobreviventes que estavam já a bordo os olhavam do convés à procura de rostos familiares.
Havia um estranho silêncio – mal se pronunciava uma palavra. Todo mundo notou isso e cada qual teve um explicação diferente.
Um passageiro do Carpathia achou que aquelas pessoas estavam excessivamente horrorizadas para poderem falar. Lawrence Beesley, que viera do Titanic, tinha a impressão de que eles estavam simplesmente na presença de alguma coisa grande demais para ser apreendida.

As 6h 30 min mais ou menos, Bruce Ismay chegou vacilante a bordo, murmurando:
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_ Sou Ismay... Sou Ismay.
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Trêmulo, ficou perto do portaló, encostado numa divisória de madeira. O Dr. Mc Ghee se aproximou dele, perguntando:
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_ Não quer ir para o salão e tomar um pouco de sopa ou beber alguma coisa?
_ Se puder me levar para algum lugar onde eu possa ficar sossegado, eu apreciaria muitíssimo – respondeu Ismay.
A moradia onde Joseph Bruce Ismay (dono do Titanic) se refugiou em seus últimos anos.
O Dr. Mc Ghee, que sabia reconhecer um homem desorientado, levou Ismay com cuidado para o seu camarote. Ismay de lá não saiu até o fim da viagem. Foi o começo de um exílio voluntário da vida ativa. Um ano depois ele se afastou da White Star Line, comprou uma propriedade na Irlanda e levou uma vida de recluso até morrer em 1937.
Às 8 h 30 min o último bote chegou e desembarcou os seus ocupantes. Nessa altura o Comandante Rostron não sabia para onde levar os seus 705 inesperados hóspedes.
Halifax era o porto mais próximo, mas havia gelo no caminho e ele achava que os passageiros do Titanic já haviam visto o bastante. Nova York era melhor para os sobreviventes, mas custaria mais à Cunard. Passou pelo camarote do médico, onde o Dr. Mc Ghee estava examinando Bruce Ismay. Este declarou que concordaria com tudo o que Rostron quisesse. Era então para Nova York que se iria e quanto mais depressa melhor.
A esse tempo, o Californian já estava presente e Rostron combinou com o outro navio para que se encarregasse das pesquisas no local. Antes de partir, porém, Rostron não pôde resistir à vontade de dar uma última vista de olhos também. Se havia qualquer esperança de recolher mais sobreviventes, Rostron queria que isso coubesse ao Carpathia. A caminho, lembrou-se de que seria conveniente uma breve cerimônia religiosa. Convocou um clérigo e o pessoal do Titanic e do Carpathia se reuniu no salão principal. Ali renderam graças pelos vivos e tributaram o seu respeito aos mortos.
Enquanto murmuravam as suas orações, o Carpathia passou lentamente sobre o lugar onde afundara o Titanic. Poucos eram os vestígios do grande navio – pedaços de cortiça amarelo-avermelhada, algumas cadeiras, várias pilastras brancas, salva-vidas, os barcos abandonados. Às 8 h 50 min Rostron deu-se por satisfeito. Ordenou “toda força avante” e aproou para Oeste.
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Em baixo, as máquinas do Carpathia zumbiam com um ritmo tranqüilizador. No alto, o vento assobiava nas cordas. À frente ficava Nova York. Para trás, o sol refletia nas vivas faixas brancas e vermelhas do indicador da barbearia do Titanic, que boiava no mar deserto.
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Em memória à Walter Lord, às 2.200 pessoas que embarcaram no RMS Titanic e às 1.500 vítimas do naufrágio

05/04/2011
Fonte
Revista Seleções do Reader's Digest, abril de 1956
Adaptação e reedição de texto e imagens - Rodrigo, TITANIC EM FOCOLink

49 comentários:

thiago disse...

Parabens por este post, está magnifico! Um tanto comovente na historia ... mesmo que tenhamos o conhecimento dos fatos, mesmo que se usam as mesmas palavras ao relatar novamente os fatos ocorridos ... jamais deixa de comover ... realmente supreende a cada vez que se le ou toma nota dos acontecimentos do grandioso Titanic!...

WANDER PUMA DJ disse...

TITANIC PRA MIM O " ETERNAL SHIP OF DREAMS ",SHOW ESSA POSTAGEM.HISTÓRIA DE PESSOAS QUE QUERIAM SÓ DESFRUTAR DE UMA BELA VIAGEM COM LUXO E TRANQUILIDADE MAIS QUE INFELIZMENTE TIVERAM UM FIM TRAGICO,DE HOMENS QUE SE DESLUMBRAVAM COM SUA PRÓPRIA OBRA TECNICA,VIDAS PERDIDAS MAIS QUE SEMPRE SERÃO LEMBRADAS,VIDAS A BORDO DO NAVIO MAIS FAMOSO DO MUNDO,SAUDOSO RMS TITANIC.

Rodrigo Piller disse...

Thiago - Concordo com você, mesmo que a história seja recontada inúmeras vezes, mesmo que já se saiba muito sobre ela, ainda assim ela prende a atenção, intriga, encanta, ensina... O RMS Titanic faz parte de uma "trama" tão atemporal que segue vivamente como um marco. Quem se interessa e consegue "encontrar" de verdade este navio é capaz de aprender muito. Obrigado pela sua visita!

Wander Puma DJ - Realmente, o Titanic foi feito acima de tudo por pessoas, e sua história envolve PESSOAS, e é nestas pessoas que encontra-se a verdadeira história, pois navios são substituíveis, objetos são substituíveis... Mas vidas são frágeis, não se substitui uma vida.. E estas pessoas merecem ser relembradas, sempre com respeito... Obrigado pelo coment e pela visita!

WANDER PUMA DJ disse...

VLWWW RODRIGO PELA RESPOSTA AO COMENTÁRIO QUE FIZ,SEU BLOG AGORA PRA MIM JÁ SE TORNOU REFERENCIA,POIS SEMPRE ESTOU BUSCANDO INFORMAÇOES NOVAS SOBRE O TITANIC E SUA HISTÓRIA,ESTAREI SEMPRE LIGADO NAS NOVIDADES E TBM DEIXANDO MINHA OPINIÃO AQUI SOBRE SEUS POSTS,TITANIC É CULTURA,UMA BELA HISTÓRIA PRA SE CONTAR,FORA A PARTE DA TRAGÉDIA,E TAMBÉM UMA BOA HISTÓRIA DE ONDE PODEMOS TIRAR UMA LIÇÃO: OS PROJETOS DO HOMEM SÃO FALÍVEIS E AS VEZES LEVAM VIDAS JUNTO COM ESSAS FALHAS.ABRAÇO DE WANDER PUMA DJ PRA VC RODRIGO.

Natalia disse...

Lindo post ... uma homenagem perfeita! 99 anos!

Rodrigo Piller disse...

Oi Natalia, obrigado pela visita ao TITANIC EM FOCO, seja bem vinda... O Titanic é assim, uma história real que intriga, encanta, ensina, surpreende. Uma história que nunca deixa de passar algumas boas lições, ninguém que admira ou se interessa por este navio, sáirá sem aprender algo.

Abraço

Rafael Limongi disse...

Gostei muito do seu post muito emocionante! Recentimente fui a exposição que teve aqui em Porto Alegre "Titanic História Real Objetos Reais" muito interessante. Tenho uma dúvida: como eu posso conseguir este livro A Night to Remember?

Rodrigo Piller disse...

Rafael Limongi - Olá amigo, obrigado por sua visita ao blog TITANIC EM FOCO. Imagino a grande impressão que esta exposição deva ter deixado, eu aguardo a vinda dela à Curitiba, será a 2ª parada.

O Livro A Night to Remember não foi lançado no Brasil, apenas em Portugal, também nunca o encontrei à venda nem mesmo em sites nacionais e lojas de livros usados, portanto creio que a única chance de tê-lo em português é importando de Portugal, onde sei que ele foi traduzido e relançado. A versão que postei no blog não veio diretamente do livro, mas sim de um resumo publicado numa antiga revista periódica. De qualquer modo, fiz questão de publicar a íntegra da revista.

É isto, grato pela sua atenção ao blog.

Rodrigo Piller disse...

*Correção - O livro, até onde sei, foi relançado em português apenas em Portugal. Originalmente o livro é inglês, potanto está disponível em países de língua inglesa, tal como Inglaterra e EUA.

di caprio disse...

BOA TARDE EU TENHO O LIVRO ORIGINAL E É RARISSIMO CREIO QUE SO 3 PESSOAS TEM O LIVRO ESCRIO POR Walter Lord,TEM O MENU DAS CLASSES O NOME DE TODOS FOTOS RARISSIMAS A CAPA JA ESTA AMARELADA A COSTURA JA NAO TA TÃO FIRME SE ALGUEM SE INTERESSAR MEU E-MAIL É ELLYASJACK@GMAIL.COM

.:JWSD:. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
.:JWSD:. disse...

Alguem sabe dizer se as pessoas do bote B sobreviveram?

Rodrigo disse...

.:JWSD, bem vindo ao TITANIC EM FOCO.

Olha, não tenho um registro preciso da quantidade de pessoas que "embarcaram" neste bote, mas em um dos livros está registrado que 17 pessoas foram resgatadas deste bote, sendo um deles o operador de rádio Jack Philips, que infelizmente não resistiu e morreu durante a noite, seu corpo ficou deitado sobre o casco emborcado enquanto os outros homens lutaram até o amanhecer para manter o bote equilibrado.

Entre estas 17 pessoas também está o 2º Oficial Charles Lightoller, e se diz que ele foi o último de todos à embarcar do Carpathia.

O bote "B" foi o único de todos os 20 botes que foi deixado no mar (seus ocupantes foram resgatados), e com ele ficaram os corpos de 3 pessoas, e um mês depois da tragédia o RMS Oceanic, também da White Star Line, resgatou o bote e os três corpos...

Este bote B é o único dos 20 botes que caiu emborcado de cima do teto dos camarotes dos oficiais, exatamente do mesmo modo que vemos no filme "Titanic" de 1997. Todos os outros botes deixaram o navio na posição correta ( apesar de vários acidentes).

Bom, isto é o que está registrado nos livros.

Agradeço a visita.

.:JWSD:. disse...

Obg por tirar essa dúvida cara, é triste saber que nem todos sobreviveram apesar dos esforços de se manterem vivos. ;/

Julio Cesar disse...

Parabéns pela excelente análise!! Adoro o TITANIC! valeu!

Ana Caroline disse...

Oi, o post tá perfeito... Eu gostaria de saber se alguem sabe onde baixar o livro Uma noite para recordar - Walter Lord... já tentei comprar o livro e procurei muito um site pra baixa-lo, mas nada... se alguem souber de algo, me chamem por favor (ana-ddsteresa@hotmail.com). Bj

Anônimo disse...

Olá Rodrigo, sou fascinada pela historia do Titanic e procurando fotografias do interior do navio encontrei o seu blog.Tenho uma duvida, apesar de tudo que já li a respeito do naufrágio, não entendo porq o Californian apesar de ser o navio mais próximo não ajudou o Titanic,e porq não responderam aos pedidos de socorro.Obrigada.
Maira

Rodrigo disse...

Olá Maira

Olha, não posso também dar resposta definitiva, pois a história do capitão Stanley Lord e do Californian, que observaram imóveis o Titanic naufragar bem ao longe no horizonte, ainda é um tema que dá suas "cambalhotas" nas pesquisas históricas. E eu mesmo não cheguei a parar e ler com atenção profunda os fatos mais verídicos desta parte do caso.

Mas uma coisa é certa (não em minha opinião, mas registrado historicamente): O californian realmente estava próximo do Titanic, mas não o suficiente para vê-lo plenamente a olho nú. O Californian estava rodeado por gelo, preso desde antes do Titanic colidir. A tripulação observou os foguetes, não entendeu que aquele era o Titanic e não compreendeu os motivos dos foguetes.

A "imcompetência" neste caso foi a falta de atitude em tentar contactar o navio "misterioso" (o Titanic) por meio do telégrafo e entender o que se passava.

Enfim, na minha "burra" conclusão, o que se passou naquela madrugada foi uma mistura de falta de padronização nos sinais de socorro (ninguém entendia ao certo os que os fogos queriam dizer) e uma extrema falta de atitude e presença de espírito para colocar o telégrafo em funcionamento e procurar saber o que se passava àquele navio que se comportava de modo tão estranho no horizonte.

A equipe do Californian tentou entrar em contato por código morse luminoso, mas não obeteve contato do "navio misterioso", o Titanic.

O capitão Stanley Lord e a tripulação do Californian com certeza não fizeram por maldade, mas a falta de entendimento, falta de atitude e as condições em que a situação ocorreu, fizeram um simples "não socoro" se agravar ao pico quase máximo e se tornar uma tragédia sem paralelo na época.

Se tivesse prestado socorro imediatamente, indo da distância em que se encontrava, o Californian certamente teria passado por uma situação super perigosa na tantativa de salvar todos os ocupantes do Titanic, mas certamente muitos mais do que os 700 salvos poderiam ser resgatados às pressas.

Bom, é com uma história tão confusa como estas que nós notamos que as coisas não são previsíveis, e que um simples erro ou má interpretação podem agravar uma situação que poderia terminar de maneira bem mais feliz.

Isto é o que penso e o pouquíssimo do que sei através da fraca leitura que faço deste ponto da história, mas ainda vou me "debruçar" melhor sobre este asunto mais especificamente, eu mesmo sempre tive dúvida e ainda hoje não entendi nem 10 % do que é a história do Titanic.

Até mais, desculpe o texto, seja bem vinda.

kaue Viana viana disse...

Sou o maior fã do titanic, do olympic e do hmhs Britannic
E vivo procurando saber como eles são, a história completa. ADORO O TITANIC EM FOCO!!!

Rodrigo disse...

Oi Kaue

Então seja sempre bem vindo ao blog, é um prazer saber que gosta do conteúdo. Este trio de navios realmente possui histórias inesquecíveis, e o blog está aqui para divulgar de maneira simples aquilo que há de intrigante sobre suas trajetórias.

Até mais, sempre grato pela atenção ao Titanic em Foco.

kaue Viana viana disse...

Acabei ontem de ler Uma Noite Fatídica e agora já sei a história completa, mais antes de comprar o livro eu começava a descobrir a história no TITANIC EM FOCO.
Eu gostei da reflexão de Charles Burgess:
" Veja o salão de jantar, o Olympic nem tinha tapete, mais o Titanic, ah, agente afundava nele ate os joelhos" e através dessa reflexão eu observei que o Olympic, Titanic e Brittanic seriam mesmo os navios dos sonhos da White Star LIne, do mesmo jeito ainda gosto dos luxuosos da Cunard como o Queen Mary, o Mauretania e o Lusitania.

Rodrigo disse...

Oi Kaue

Que bom que comprou o livro, ele é uma das fontes primárias da história, quem gosta do assunto merece ler, pois há passagens e reflexões importantes ao longo do texto. Eu simplesmente sou fascinado pelo modo simplista e não exagerado que Walter Lord utilizou para descrever os fatos e o navio em si. O maior pecado dos autores é o de cometer exageros e tentar enfeitar a história, transformando o Titanic hora em circo, hora em lenda, hora em show.

Walter Lord enxugou tudo de maneira muito inteligente, colocando o leitor lado a lado das pessoas que viveram aquela noite.

A alegação de "Charles Burgess" já foi motivo de amplos debates há anos atrás, e hoje é vista apenas como um exagero dele, talvez na tentativa de enaltecer o quanto o navio foi belo e o quanto aquela viagem não terminada foi marcante. Hoje historicamente sabe-se que o Titanic não possuía carpete no Salão de Jantar da 1ª classe (Convés D), assim como o Olympic. Mas possuía um belo carpete no restaurante A La Carte (Convés B), exatamente da mesma forma que o Olympic.

Seja quais foram os motivos de Charles Burgess na hora da alegação, o fato é que o Titanic realmente foi um navio fantástico (como o Olympic foi também), e que certamente ele jamais saiu da memória daqueles que nele embarcaram e tiveram a generosidade da sorte e a dádiva do destino de se salvarem.

Até mais, abraço.

kaue Viana viana disse...

Rodrigo, e verdade que no deck A do Titanic, Olympic e Britannic não possuíam suites apenas o salão da 1 classe o salão de leitura, de fumar e o Café Verandah e Palm Court?

Rodrigo disse...

Oi Kaue

Na realidade no Convés A do Titanic havia 37 cabines da 1ª classe, todas elas de padrão simples, e apenas 2 delas com banheiro próprio exclusivo (nenhuma delas era de luxo, todas elas cobertas por painéis planos simples, numeradas de "A 1" até "A 37"). As demais 35 cabines não possuíam banheiros e eram supridas por um bloco de banheiros comunitários instalados no centro do Convés. Na cabine "A 37" ficou hospedado o engenheiro Thomas Andrews, na "A 36" ficou hospedado o passageiro Francis Browne até o dia 11, quando desembarcou em Queenstown. Estas duas cabines que citei, "A 36" e "A 37", eram as duas únicas com banheiro próprio, ambas situavam-se precisamente ao lado da Grande Escadaria traseira.

Além das 37 cabines, o Convés A possuía os salões que você mesmo comentou: O Lounge, Sala de Leitura, Sala de Fumantes e o Cafe Verandah e Palm Court. As cabines de luxo no Titanic estavam localizadas apenas no Convés B e no Convés C; em todos os outros conveses (A, D e E) as cabines da 1ª classe eram todas simples, de modelo padronizado.

Esta mesma regra vale também para o Olympic e para o Britannic, mas com uma pequena variação na quantidade de cabines (para mais e para menos).

Até mais.

kaue Viana viana disse...

E verdade que o HMHS Britannic ja antes de ser hospital ele era um navio de passageiro?
Eu olho fotos e observo o RMS Britannic, mais naquele convés coberto da terceira classe tinha aqueles turcos gigantes. Já na foto dele Hospital, naquele mesmo lugar, a um pequeno turco de um bote.
P

Rodrigo disse...

Oi Kaue

O Britannic foi originalmente planejado para ser um navio de passageiros, precisamente da mesma maneira que o Olympic e o Titanic. Ele se tornou navio hospital única e exclusivamente devido ao início da 1ª Guerra Mundial.

Não existem fotos do Britannic como navio de passageiros, pelo simples fato de que não houve sequer tempo de terminar o navio completamente, ele jamais transportou nenhum passageiro pagante, ele jamais cruzou o oceano em direção à New York (esta era a rota em que ele atuaria, a mesma rota do Olympic e do Titanic).

Absolutamente todas as fotos em que o Britannic aparece em cores normais (como as cores do Olympic e do Titanic) são produtos de alteração digital, feitas por pessoas com uma boa habilidade em Photoshop.

E é por isso que você se confunde: Pelo simples fato de que estas fotos são alteradas para representá-lo em seu possível visual se tivesse tido a oportunidade de transportar passageiros; algo que jamais aconteceu, pois ele atuou unicamente com as cores de navio hospital: branco com uma longa faixa verde interrompida por cruzes vermelhas e chaminés pardas da base até o topo.

LEMBRE-SE: Absolutamente todas as fotos em que o Britannic aparece com cores comuns são produto de alteração digital; absolutamente todas, sem excessão.

kaue Viana viana disse...

Você já assistiu o TITANIC(1997)?
Depois da colisão com o icebergue, Thomas Andrews foi caucular usando a planta, eu observo tudo aí, o erro, a planta usada para essa seqüência foi a do RMS Olympic pôs quando eu fui observar o convés A de passei ( que no Titanic uma parte de janelas e outra aberta) estava sem as janelas apenas um convés aberto.

Rodrigo disse...

Sim, o filme foi responsável por dispertar meu interesse pela história verídica escondida por detrás da dramatização.

Realmente, no momento em que os oficiais estão avaliando os danos, o projeto que está sobre a mesa pertence ao Olympic, este é um fato curioso. O filme inteiro, do começo ao fim, está repleto de momentos curiosos, erros, acertos, gafes, e toneladas de detalhes que passam desapercebidos para a maioria das pessoas.

Não é a toa que este filme é o responsável direto por ressucitar o interesse pela história verídica para as novas gerações: um filme repleto de erros e gafes, mas inegavelmente é um dos principais causadores do ressurgimento da palavra "Titanic" na boca das pessoas pelo mundo afora.

José Eduardo campos disse...

o estranho é que depois do naufragio do titanic todos os navios da white star line tiveram botes para todos os passageiros

Rodrigo disse...

Oi José,

depois do naufrágio do Titanic, toda a questão das leis em relação à botes e outros aparatos de segurança foi reformulada e obrigatoriamente aplicada aos navios daquele tempo. Não era apenas o Titanic que estava em débito com botes, mas a esmagadora maioria de toda a frota de todas as companhias de navegação.

E apesar de estar devendo em botes, o Titanic estava plenamente dentro da lei...

Neste caso quem estava errado quanto aos botes não eram os navios em si, mas sim a berrante inadequação das leis vigentes, que estavam absurdamente defasadas. A tragédia do Titanic foi na realidade um grande mau que veio para bem... custou 1.500 vidas mas, em contrapartida, milhares de outras vidas foram salvas depois que as leis foram rapidamente reformuladas, obrigando os navios a transportarem botes mais que suficientes para todos a bordo...

Não muito diferente do tipo de “tragédia e conseqüência” que ainda hoje acontece em todo o mundo. Infelizmente é em cima de grandes tragédias que acontecem importantes passos para a humanidade...

Anônimo disse...

Oi Rodrigo, gosto muito desse seu blog e considero como o melhor sobre o TITANIC que conheço. Admiro muito o navio mais tem um detalhe que não sei qual a função, O MASTRO. Apenas sei que tinha os fios que mandavam o correio mais gostaria de saber se tinha mais alguma função, pois vários navios da época tinha mastros. Obrigado e mais uma vez ótimo blog!

Rodrigo disse...

Olá, agradeço a atenção e consideração ao blog, se o conteúdo informa, fico satisfeito.

Bem, a função principal dos dois mastros era a de sustentar a antena do telégrafo, como você mesmo citou. Mas também neles estavam instalados postos de observação, suportavam luzes de navegação, suportavam para-raios e também portavam bandeiras no topo. O mastro dianteiro no Olympic e no Titanic ainda possuía uma função a mais: Nele estava instalado uma grua de carga para suporte de objetos pesados içados ou depositados nas escotilhas de carga dos porões do Convés C.

Bem, estas são as funções que conheço, mas pode haver mais que me passaram despercebidas... seja como for, a função central era a de suportar a antena telegráfica.

Até mais.

Anônimo disse...

Boa tarde Rodrigo, me chamo Gustavo.

De acordo os seus estudos, você sabe onde o RMS Mauretania estava no dia do naufrágio do Titanic? Pois pelo que li ele era um navio MUITO rápido, porém ele não deve ter recebido o pedido do socorro. Abraços.

Rodrigo disse...

Oi Gustavo,

não me recordo de ter visto citações sobre a posição do Mauretania na madrugada da tragédia... o que significa que ele estava bem longe do local.

Segundo duas fontes que acabei de consultar, o Mauretania saiu de Liverpool no dia 14 de abril carregando consigo uma cópia do manifesto de carga do Titanic (ato comum da época) e aportou em New York no dia 19 de abril de 1912, tendo passado ao sul do local do naufrágio do Titanic no dia 17 de abril.

E isto significa que ele estava entre 2.500 e 3.000 Km do Titanic quando ele naufragou... Completamente impossibilitado de alcançá-lo.

Bem, isto é o que consegui consultar.

Hevandder Olmo disse...

Meu interesse pelo história do Titanic foi despertada, logicamente, pelo filme de Cameron de 1997. Mas meu interesse pelo navio vai muito além disto! Uma história como esta nos comove, chama a atenção e nos intriga, despertando cada vez mais interesse em conhecer e estudar os reais fatos que aconteceram não só naquela noite, mas sim desde a construção do navio até seu trágico fim em 15 de Abril de 1912. E, em seu blog, pude esclarecer também muitos pontos que até então eu não conseguia compreender. Obrigado e parabéns, vou acompanhar cada dia seus posts!

Rodrigo disse...

Oi Hevandder,

somos estão da mesma "safra" de curiosos, meu interesse começou com o filme em 1997, e daí em diante segui sempre descobrindo mais. Obrigado pelo apoio ao blog. Estou neste momento com a expansão do Titanic em Foco estacionada porque há 6 meses que estou construindo uma nova maquete do Titanic (1 para 100), mas acredito que por volta de março vou publicar sobre este trabalho que acredito que vai estar concluído.

O Titanic merece ser lembrado... Pela grandiosidade da obra, pela beleza do navio, por ter marcado uma época, por ter deixado um grande legado que nunca para de se expandir, por ter deixado importantes mudanças em relação a segurança no mar... Enfim, há muito que ser preservado.

Anônimo disse...

Olá Rodrigo, Sou George e estou aqui mais uma vez pra tirar uma dúvida. Sei que te incomodo demais cara, mas é porque sou um grande admirador do TITANIC. Ontem me veio uma dúvida, acho que você já pode ter pensado nisso também. Caso o Iceberg tivesse atingido apenas 4 compartimentos do TITANIC, acredito que ele não iria poder navegar com o peso e também não afundaria, mas, o que fariam a seguir? rebocariam o navio ou expulsariam a água com as bombas? desculpa mais uma vez cara, pode ser até que não tenhamos essa resposta,mas, tava refletindo sobre isso! abraço!

Rodrigo disse...

Oi George,

não é incômodo conversar sobre questões que tem coerência. Só se torna ruim quando não há nexo ou sentido dentro da conversa. O Titanic em Foco foi criado também para troca de ideias, já que eu não tenho intenção de me tornar estudioso do assunto.

Eu não cheguei a pensar sobre este panorama, mas lembro de ter lido que devido a uma confusão de comunicação, um jornal americano chegou a publicar que o Titanic estava sendo rebocado pelo Virginian para Halifax...

Sobre sua questão posso apenas palpitar, já que não me recordo de discussões recentes com este tipo de panorama.

Vamos lá.
Se o Titanic não pudesse navegar com estas câmaras alagadas devido ao peso exagerado na parte frontal do navio [que provavelmente afetaria a eficiência das hélices, talvez deixando-as para fora d'água], acredito que o navio seria colocado imóvel à espera de socorro, ao mesmo tempo que certamente iria ocorrer uma tentativa de bombear esta água, para equilibrar o peso, e impedir que a situação se tornasse mais grave.

Porém... se a navegação não fosse afetada, e se fosse constatado que a vida dos passageiros não correria risco se o navio fosse colocado em marcha... acredito que a tripulação tentaria certamente alcançar o mais próximo porto que oferecesse condições de receber estes passageiros. Acredito que o porto mais próximo em condições era o de Halifax no Canadá.

De toda forma a preocupação primária, antes da preocupação com o navio em si, certamente seria com os passageiros. E o que fosse necessário para garantir a segurança dos mesmos, certamente seria feito. Quer seja imobilizar o navio à espera de reboque / levá-lo adiante ao mais próximo porto / ou até mesmo lotar os botes com passageiros e tentar um transbordo dos mesmos para outras embarcações para garantir a segurança.

Bem... Tudo isto é apenas palpite montado com os muitos cacos de história que populam minha memória. Como minha concentração sobre o assunto é muito limitada, em grande parte eu só posso palpitar mesmo.

Até mais, abraço.

Steh_OliNehls disse...

Olá Rodrigo é a Stephanie e sou nova aqui no blog e amei continue fazendo esse trabalho lindo que muitos admiram tenho o CD de músicas do Titanic e o DVD dele e fui até na exposição dele que veio aqui em CURITIBA. Simplismente sou viciada e apaixonada pela história e pelo navio. Bom andei pesquisando no google e acabei de ver uma noticia que acabaram de encontrar a placa do Titanic que veio parar na Espanha.Você poderia fazer uma matéria sobre isso aqui no blog? E me tire uma dúvida aqui : Como a placa foi para lá? Será que muitos objetos do Titanic estão em outros oceanos? Isso é meio estranho..Bom espero que leia e me responda.
Até mais, abraço

Rodrigo disse...

Oi Steh, obrigado pela atenção ao blog.

A placa que você menciona originalmente foi artigo de notícia no site de notícias britânico "Mirror" no último 09 de julho.

AQUI http://www.mirror.co.uk/news/world-news/lost-piece-titanic-history-finally-6037743

Na matéria alega-se que a placa teria sido presenteada à William James Pirrie, diretor dos estaleiros Harland and Wolff, que construiu o Titanic. A placa teria sido presenteada a ele em 09 de abril de 1912, um dia antes da partida do Titanic. Por isso a placa não esteve no Titanic, não pertencia ao navio. Ela supostamente teria sido forjada como presente de comemoração apenas.

Assim que a notícia foi divulgada o assunto virou objeto de discussão entre vários especialistas nas redes. A conclusão é de que a placa trata-se de um objeto falsificado devido a vários indícios:

Nela lê-se que o Titanic partiria do píer nº 10 em Southampton...
E era fato público que o Titanic partiria do píer nº 44... Inclusive em 09 de abril (data na qual a placa supostamente teria sido presenteada à Pirrie) o Titanic estava atracado precisamente no píer 44.

O estilo das várias letras (fontes) no texto da placa é mais recente, não são fontes de 1912 ou anteriores à esta data. Fontes são registradas com patente quando criadas, e é possível rastrear a data de criação de uma fonte apenas analisando o seu formato. Apenas por este aspecto já se poderia alegar sobre uma falsificação. E pelo que se sabe, os falsificadores sempre são vítimas de sua própria desatenção à este tipo de detalhe.

Isso que acabei de relatar não é conclusão minha, mas sim de terceiros, pessoas com olho clínico para estas fraudes. Artigos falsificados sobre o Titanic sempre surgem, e na falta de documentação comprobatória de autenticidade, uma história mal contada sempre cai como uma luva... porém não engana todos.

Por isso e por outros motivos eu não poderia escrever sobre o assunto. O principal deles é que estou há 14 meses construindo um modelo 1/100 iluminado do Titanic que está consumindo vorazmente todo o meu tempo e disposição... Além de que eu só tenho me dedicado a postar matérias que sejam uma larga oportunidade de explorar aspectos que são diretamente relacionados ao Titanic, ou de maior interesse direto para o leitor.

Eu publico notícias também, mas apenas as que considero as melhores. Como o blog é amador, preciso me ater apenas a postar aquilo que para mim seja um prazer editar. O combustível para o blog, além do apoio do leitor e amigos, é o prazer que tenho de editar este ou aquele conteúdo. Só entram aqui as matérias que me atraem por algum motivo especial.

Bem, é isso. Agradeço o apoio, dentro de mais alguns meses retorno ao blog, e vou postar uma longa matéria sobre a conclusão de meu trabalho em minha maquete, que está sendo uma aventura absolutamente inesquecível sob todos os aspectos.

Aí está uma fração de meu trabalho, que postei no site "TRMA", o mais reconhecido site relacionado à modelismo sobre o Titanic. Todas as fotos desta página são de meu trabalho. Acredito que eu vou concluir até o fim de setembro.

http://titanic-model.com/dc/dcboard.php?az=show_topic&forum=123&topic_id=8280&mode=full

Daniela disse...

Ola Rodrigo!
Primeiramente gostaria de parabeniza-lo pelo lindo site! Aqui existem todas as informações detalhadas sobre o Titanic. Fiquei mto satisfeita, pois após o filme surgiram muitas dúvidas sobre o Titanic e aqui podemos encontrar as respostas para todas as perguntas..Imagino todo o tempo dispensado para a construção do site e todas a informações que teve que buscar para nos dar o prazer de encontra-las tão facilmente aqui....Nossa parabéns mesmo!!!
Mas tenho uma dúvida e gostaria se possível que pudesse me dizer, sou leiga no assunto,mas tudo o que diz respeito ao Titanic me encanta muito...Você já leu algo ( procurei no seu site e não achei o tópico) sobre a conspiração de não ter sido o Titanic que afundou e sim o Olympic? Que a empresa estava na falencia e outras coisas? Desculpe se estou sendo inconviniente, mas como não conheço muito sobre a história do Titanic ( aprendi aqui com vc) gostaria que pudesse se pronunciar a respeito, pois sua opinião é muita importante, vide o conhecimento expansivo que tem. Segue o site se quiser saber mais a respeito...http://super.abril.com.br/historia/titanic-e-o-olympic-o-navio-que-nao-estava-la
Obrigada pelo blog maravilhoso!!

Rodrigo, Titanic em Foco disse...

Oi Daniela, agradeço a visita e as palavras, fico feliz em saber que o blog agrada. Tudo aqui no blog é amador, mas mantenho o conteúdo porque foi a forma mais interessante que eu encontrei de me manter ligado ao legado do Titanic. Movimentar um blog amador, por mais simples que seja como o Titanic em Foco, me ensina coisas bem legais, o processo de edição é também um prazer.

Apesar de eu estar por aqui recorrentemente respondendo à perguntas, eu não sou e não pretendo ser especialista do assunto. Minha intenção é levar o blog adiante lentamente por diletantismo. E sinceramente, se eu pudesse reformularia o blog inteiro para melhorar a qualidade.

Sobre sua questão...

Nos grupos sérios e sociedades históricas do Titanic não há sequer espaço para discussão a respeito destas teorias, visto que não há espaço para nenhuma dúvida neste ponto. Mas a Internet é aberta para qualquer bobagem que se queira publicar, por isso este tipo de texto está por todo lado.

Eu não sei em que ano precisamente nasceram estas lenda urbanas que alegam uma troca de navios, mas foi com o livro "Titanic: The Ship That Never Sank?" ("Titanic: O Navio que Nunca Afundou?"), publicado na década de 1990, que a história maluca acabou se popularizando. O autor deste livro se aproveitou de vários pontos curiosos e mal explicados da história para tecer uma lenda de que existiu mesmo uma conspiração que envolveu a troca de identidade dos dois navios irmãos. Quem leu o livro e não tinha intimidade com a história verídica e seus pormenores acabou acreditando na teoria sem fundamento.

Evidentemente tudo isto não passa de mera ficção oportunista para gerar dinheiro com a venda de livros e documentários (e gera lucro grande, pois o Titanic é nome de reconhecimento mundial). Todas estas histórias (digo histórias porque são várias, uma mais sem nexo que a outra) já foram mais que desmentidas através de provas encontradas por todos os lados: em documentos, fotos de época e até mesmo nos escombros navio, que estão crivados por todos os lados (fora e dentro) de provas factuais de que é realmente o Titanic naufragado.

O livro "Olympic & Titanic: The Truth Behind the Conspiracy" (Olympic e Titanic: A Verdade por trás da Conspiração"), publicado em 2004, desmente e derruba cada palavra do mito, provando que foi realmente o Titanic que naufragou, e que a história sobre a troca de navios é pura abobrinha. Outro livro que derruba 100% da teoria maluca é "Titanic or Olympic: Which Ship Sank?" ("Titanic ou Olympic: Que Navio Afundou?), publicado em 2012.

Bem, é isto. Eu me recuso a publicar sobre o assunto aqui no blog porque é perca de tempo, coisa de quem quer texto para gerar algum comentário ou discussão barata.

Ambos os navios foram fantásticos em seu tempo, Olympic e Titanic eram realmente navios encantadores... A diferença está no destino de cada um: Um quase no esquecimento por ter sido um navio admirável e duradouro... e o outro no status de "o mais conhecido navio do mundo" por ter sido palco de uma catástrofe.

Até mais, abraço, espero ter esclarecido algo, seja bem vinda sempre.

Daniela disse...

Ola Rodrigo,
Fico muito agradecida com sua explicação e mais ainda pelo carinho e paciência em responder tão prontamente a minha pergunta.
Você é uma pessoa muito especial, além da sensibilidade em fazer um blog com tanto conteúdo como este, transmiti carisma nas respostas.
Sucessosss!!!
Muito obrigada

Anônimo disse...

Hey Rodrigo,

Dá onde você tirou essa imagem do filme do Cameron do "Desmontável B" com os passageiros? É de uma cena deletada? De algum documentário a respeito do filme? Achei ela bem interessante.

Rodrigo, Titanc em Foco disse...

Olá, preciso ao menos saber seu nome colega. ;) Até.

Anônimo disse...

Meu nome é Hector.
Esqueci de assinar a mensagem anterior

Rodrigo, Titanc em Foco disse...

Boa noite Hector,

a foto veio dos extras do DVD quádruplo de 2005, faz parte da galeria de fotos do DVD 4. A cena foi realmente gravada, mas não foi utilizada, sendo então depois usada no CD-Room "Titanic Explorer", lançado depois do filme. Tentei encontrar o vídeo no YOU, mas sem sucesso.

Até mais, agradeço por citar seu nome.

Davi Lima disse...

sou muito fã do Titanic, esse blog é muito bom.

Rodrigo, Titanic em Foco disse...

Opa, obrigado Davi, aproveite o conteúdo, tem muito assunto aqui ;)