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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dentro do Titanic, uma visão geral

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1. Salão de Jantar da 1ª classe (convés D) .. 2. Salão de Jantar da 3ª classe (convés F) .. 3. Lounge da 1ª classe (salão de estar, convés A)... 4. Sala de Leitura da 1ª classe (convés A) .. 5. Convés de Passeio Particular das suítes B 51 B 53 e B 55... 6. Sala de Ginástica (convés de botes) .. 7. Cúpula de ferro, bronze e vidro da Grande Escadaria dianteira... 8. Banho Turco (sauna, convés F).. 9. Grande Escadaria dianteira (convés de botes, 1ª classe)...10. Recepção e Sala de Música da 1ª classe (convés D)...11. Convés de Passeio (convés A)...12. Piscina da 1ª classe (convés F).
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.  Seja bem vindo ao Titanic em Foco
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Os mais de 100 anos de fama e memórias relacionadas ao Titanic trazem consigo um gigantesco misto de arte, sonho, história, drama e tragédia. Ao citar a palava Titanic, a primeira imagem que vêm a mente da grande maioria de todos nós é a do grandioso navio e o triste fim encontrado por 2/3 das pessoas que nele embarcaram em 10 de abril de 1912.
As fontes documentais que registram os aspectos do Titanic são inúmeras, e estão espalhadas nos livros, documentários, filmes e na Internet; a parte trágica da história se estende em tantas direções quanto um punhado de poeira dispersa no vento. E apesar da imensa divulgação direcionada ao Titanic, não há uma grande quantidade de fontes fixas que registram especialmente os seus aspectos interiores, de modo que estas informações são fragmentadas na maioria dos casos.
Em uma tentativa de registrar os aspectos interiores do Titanic de modo sucinto e concentrado, o TITANIC EM FOCO traz a matéria a seguir, que faz um registro compacto de como eram as acomodações interiores do transatlântico mais famoso da história marítima mundial.
BOA LEITURA
IMPORTANTE - A maior parte das imagens nesta matéria é proveniente do RMS Olympic, o navio-irmão do Titanic. A histórica e frequente identificação incorreta das fotografias exteriores e interiores dos dois navios (Olympic e Titanic) não é algo que só acontece nos dias recentes, visto que até mesmo nos registros de época (jornais, livros e cartões postais) existem inúmeros casos de fotografias identificadas como pertencentes ao Titanic, que na realidade são provenientes do Olympic. Esta má identificação acontece ainda hoje até mesmo em algumas das melhores publicações e fontes online, o que contribui para acentuar ainda mais as muitas lendas e "meias verdades" criadas sobre o Titanic ao longo dos anos.

"A relativa raridade de fotos dos interiores do Titanic é causada tão simplesmente pelo atraso na finalização do navio que, quando já atracado em Southampton, Inglaterra, e faltando poucos dias para a viagem, ainda passava pelo processo de arremates na decoração e nos equipamentos. O atraso nas obras, a finalização de última hora, a falta de tempo para uma abertura ampla aos fotógrafos da imprensa e a curtíssima vida útil do Titanic, são os fatores diretamente responsáveis pela pequena quantidade de registro fotográfico de seus aspectos interiores".
Há dezenas de casos, inclusive, de fotografias do Olympic que foram manualmente (ou digitalmente) alteradas para representar o Titanic. Estas pequenas "fraudes" têm motivo evidente: A vida útil extremamente curta do Titanic impediu que ele fosse largamente fotografado, enquanto que seu navio-irmão, o Olympic, recebeu maior atenção da mídia e teve longa carreira de 24 anos de navegação, na qual fora fotografado em milhares de ocasiões.
Ao lado: Mais uma das dezenas de fotos do RMS Olympic manualmente alteradas para representar o Titanic. Esta fotografia fora publicada em jornais nos dias posteriores à tragédia do Titanic em 1912. A identificação correta da imagem pode ser feita pela simples análise da configuração das janelas do convés superior, que no Olympic era apresentado como uma longa varanda aberta para o mar, enquanto que no Titanic este convés tivera metade de sua extensão fechada com janelas de vidro. Neste caso especificamente, não foi preciso grande esforço para "maquiar" o Olympic: a palavra "Titanic" foi simplesmente reescrita por sobre o nome "Olympic" gravado na lateral de estibordo do navio. O mesmo efeito de "troca de identidade fotográfica" é igualmente válido para as fotos dos interiores do Titanic que, na sua maioria, em verdade são fotos dos interiores do Olympic.

No entanto é seguro dizer que grande parte das fotografias do Olympic servem como perfeita ilustração de como foram os interiores do Titanic, considerando que ambos os navios possuíam interiores extremamente similares. Em casos de fotos reais do Titanic nesta matéria, haverá uma clara indicação na legenda.
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Registrado o alerta, siga a matéria, onde todo o esforço foi feito para a correta identificação histórica destas imagens únicas.

Uma visão geral do Titanic .
Acompanhe na animação abaixo uma visão geral das acomodações interiores, aspectos técnicos e medidas do Titanic. A animação possui 101 quadros e termina após 7 minutos. Se deseja parar a animação, clique a tecla ESC em seu teclado. Para reiniciar a animação, atualize a página.
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Abaixo: Uma ilustração publicitária de época sobre os dois navios irmãos, Olympic e Titanic, divulgada pela Companhia White Star Line, proprietária de ambos. A ilustração foi totalmente reeditada pelo Titanic em Foco para uma visualização básica das acomodações interiores do transatlântico.
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Você sabia?

Você sabia que na decoração dos interiores do Olympic e do Titanic foram utilizados mais de 20 estilos arquitetônicos diferentes? 

Ao lado - (Arte original de Cyril Codus)
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Apesar da imensa mistura de estilos e elementos, os decoradores dos dois navios-irmãos conseguiram alcançar um balanço entre o “grandioso e o bom gosto”, o que fez com que ambos os navios estivessem a frente de seus dois concorrentes diretos, o RMS Mauretania e o RMS Lusitania, ambos propriedade da companhia Cunard Line. 

A imensa coletânea de estilos adotada no Titanic percorria centenas de anos em evolução arquitetônica, que se viam representados na decoração das cabines e salas sociais da 1ª e da 2ª classes. Seguem nomeados 20 dos estilos aplicados: Renascença Italiana, Luís XIV, Luís XV, Luís XVI, Adam, Tudor, Georgiano, Rainha Anne, Jacobino, Holandês Antigo, Holandês Moderno, William e Mary, Regência, Dórico, Jônico, Coríntio, Marroquino, Mouro, Sheraton e Grinling Gibbons.
Os interiores do Titanic
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As instalações para os passageiros da 1ª classe a bordo do Titanic tinham como objetivo atender os mais altos padrões de luxo da época. De acordo com os planos de arranjamento geral do Titanic, o navio podia acomodar 833 passageiros na 1ª classe, 614 na segunda classe e 1006 na terceira classe, totalizando uma capacidade combinada de 2.453 passageiros. Além disso, sua capacidade de hospedar membros da tripulação ultrapassava 900. A maioria dos documentos que registram a configuração original do Titanic afirmam que a capacidade total de transporte para os passageiros e tripulantes era de aproximadamente 3.547 pessoas ao total (número máximo permitido de pessoas a bordo).
Ao lado: Lawrence Beesley, passageiro da 2ª classe aproveita a oportunidade para pedalar em uma bicicleta estacionaria do Ginásio da 1ª classe do Titanic em 10 de abril de 1912. Nem na mais longínqua imaginação ele saberia da tragédia da qual ele sobreviveria 5 dias depois desta foto, tampouco que sua estadia no Titanic seria registrada em um livro de sua própria autoria, no qual contaria a sua experiência a bordo.

Na extrema direita da parede ao fundo havia uma porta que acessava diretamente a Grande Escadaria dianteira, possibilitando aos passageiros sair do Ginásio sem a necessidade de se expôr ao tempo no Convés de Botes. O Ginásio era um dos ambientes mais iluminados do navio, visto que as grandes janelas arcadas de vidro texturizado permitiam a entrada de muita luz natural.

Na fotografia pode-se notar a composição do piso, que era de linóleo com peças brancas, intercaladas com pequenos losangos pretos. À frente das duas bicicletas estacionarias um grande marcador que permitia aos passageiros a disputa de uma corrida de velocidade. À ré das duas bicicletas havia um saco de pancadas que pendia do teto, disposto ali para o treino de BOXE.

O design dos interiores do Titanic partia do mesmo princípio do encontrado nos interiores de outros navios de passageiros da época, que eram tipicamente decorados em estilos bastante pesados, como os de mansões ou casas de campo inglesas. No entanto o Titanic foi projetado com um estilo geral muito mais leve e moderado, semelhante ao das casas contemporâneas de alta classe e hotéis de luxo; o Hotel Ritz foi um dos muitos ponto de referência como inspiração para os decoradores.
Uma grande variedade de outros estilos de decoração, que iam desde o Renascimento ao estilo Vitoriano, foram usados para decorar cabines e salas públicas na áreas da primeira e segunda classes do navio. O objetivo era transmitir a impressão de que os passageiros estavam em um hotel flutuante ao invés de estarem em um navio. Exemplificando este sentimento, a seguinte frase foi utilizada como publicidade feita pela Companhia White Star Line (proprietária do Titanic) sobre um passageiro que entrasse no navio: "Nós deixamos o convés e passamos através das portas que nos levam ao interior do barco e, como por mágica, perdemos o sentimento de que estamos à bordo de um navio, a sensação é de que estamos entrando no saguão de uma grande casa em terra." 

Ao lado: Janelas arcadas do Ginásio de exercícios da 1ª classe do RMS Olympic, com padrão rigorosamente idêntico às instaladas no Titanic. A porta aberta que se vê ao fundo era a de acesso ao Ginário; o pequeno nicho-varanda situado na sequência protegia a porta de entrada para o mais alto patamar da famosa Grande Escadaria da 1ª classe. Sobre toda a composição destaca-se a enorme chaminé dianteira, com 19 metros de altura visível acima do teto dos alojamentos dos oficiais.

Os passageiros da terceira classe não eram tratados com todo o luxo como os de primeira classe, mas mesmo assim eles estavam em melhores acomodações do que os seus companheiros em muitos outros navios da época. As acomodações de terceira classe a bordo do Titanic eram fortemente representativas da grande mudança de padrões que a White Star Line havia tomado no que se refere as melhorias das acomodações direcionadas aos passageiros imigrantes da classe mais baixa.
Na maioria dos navios de passageiros que percorriam a movimentada rota de transporte do Atlântico Norte, as acomodações de terceira classe consistiam em grandes dormitórios abertos, nos quais dezenas de pessoas eram alojadas, muitas vezes sem uma alimentação adequada, confinados no interior de compartimentos localizados na extremidade dianteira dos navios. A White Star Line há muito tempo vinha enfrentando o desafio de quebrar essa regra. Como visto, a bordo do Titanic, e todos os navios da White Star, os passageiros da terceira classe se dividiam em duas secções, sempre localizadas nas extremidades opostas do navio. O acordo estabelecido foi que homens solteiros seriam hospedados nas áreas dianteiras, enquanto as mulheres solteiras, casais e famílias seriam alojados à ré da embarcação. Além disso, enquanto outros navios da época forneciam apenas dormitórios coletivos, os navios de linha White Star Line ofereciam aos passageiros de terceira classe cabines privadas, pequenas mas confortáveis, capazes de acomodar dois, quatro, seis, oito e 10 passageiros em cada uma delas.
Abaixo: Uma cabine de 2ª classe a bordo do navio SS Laurentic, também de propriedade da Companhia White Star Line. No Titanic as cabines da 3ª classe seguiam exatamente o mesmo tamanho, mobiliário e padrão. Ao invés de grandes salões dormitórios onde "amontoavam-se" emigrantes humildes, no Titanic havia a vantagem de poder dividir uma cabine com familiares ou amigos conhecidos. A popa era uma área reservada exclusivamente às famílias e mulheres solteiras, os homens sozinhos e/ou solteiros eram obrigatoriamente hospedados no extremo oposto do navio, na proa.

Como na maioria dos navios da época do Titanic, as instalações de primeira classe eram localizadas na parte central do navio, onde as vibrações e o balançar do navio eram minimamente sentidas. O navio tinha seus andares designados por letras (Convés A, Convés B, Convés C,...), com exceção do andar superior, chamado Convés de Botes. A primeira classe abrangia desde o andar superior (Convés de Botes) até o Convés E, enquanto que a maioria dos outros conveses possuíam acomodações da 2ª e 3ª classe, porém devidamente isoladas uma da outra. Neste panorama o convés A era uma exceção, uma vez que continha apenas instalações de primeira classe. Nos outros conveses a primeira classe ficava ao centro do navio, a segunda classe ficava nas bordas e a terceira classe se localizava na popa e na proa, onde o barulho e as vibrações eram mais evidentes.

As classes eram altamente isoladas, e era teoricamente proibido passar de uma classe para a outra. Haviam placas nos acessos que indicavam aos passageiros que eles eram proibidos de freqüentar determinada área. Na prática, era completamente impossível, por razões de saúde, um passageiro de terceira classe entrar em contato com as outras classes, porém as barreiras entre a primeira e segunda classe eram mais flexíveis.

Ao lado - Cenário do filme "Titanic" (1997): "AVISO PASSAGEIROS DA 3ª CLASSE NÃO SÃO PERMITIDOS ALÉM DESTE PONTO."

É sabido que um passageiro da primeira classe poderia visitar um amigo que estivesse viajando na segunda classe. Da mesma forma, antes do início da viagem, os passageiros de segunda classe poderiam visitar as acomodações da primeira classe antes da partida do navio. Assim Lawrence Beesley, um passageiro de segunda classe, foi fotografado em uma bicicleta no Ginásio do Titanic, um local reservado apenas para a primeira classe.
Ponte de Comando
Acima - A Ponte de Comando do RMS Olympic, o navio-irmão do Titanic, ilustra com muita proximidade a mesma área do seu navio-irmão, considerando que não existem fotografias conhecidas deste mesmo local no Titanic. Os dois objetos circulares instalados na parede, entre duas janelas, são os controles de acionamento dos apitos situados nas chaminés Nº 01 e 02; as únicas duas chaminés com apitos realmente funcionais. As nove janelas retangulares da Ponte de Comando ofereciam visão direta para o oceano. Ao redor do timão ("volante" do navio), contornando toda a circunferência do aro de bronze dourado, havia a seguinte inscrição gravada em baixo relevo :

BROWN'S PATENT TELEMOTOR - ROSEBANK IRONWORKS, EDINBURGH.


Direita: Um dos telégrafos de bronze que compunham a Ponte de Comando do Titanic, recuperado dos escombros do navio a quase 4 Km de profundidade.
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Esquerda: Uma bitácula (bússola de pedestal) resgatada dos escombros do Titanic, com parte da madeira de sua base incrivelmente preservada.
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A Ponte de Comando, no alto da superestrutura do navio, era o centro de comando da navegação do Titanic."Ponte de Comando", em sua descrição original, se refere a uma estrutura similar a uma passarela que atravessa a largura de um navio, permitindo que os comandantes tenham vista para a frente e para os lados da embarcação quando atracado ou em movimento. Por volta do ano 1900, as empresas começaram a instalar janelas de vidro nas pontes de comando dos novos navios, o que protegia os oficiais do mal tempo e do vento frio.
A fotografia mais acima foi tirada a bordo do RMS Olympic, o navio-irmão do Titanic, e exibe a variedade de instrumentos na Ponte de Comando. Os telégrafos retransmitiam ordens de velocidade para a casa das máquinas e para a plataforma de atracagem localizada no extremo final do navio. Na foto se vê o timão (volante do navio), os controladores de acionamento dos apitos, e uma das bússolas.
O Titanic tinha quatro bússolas, cada uma delas situada numa redoma de latão dourado acima de um pedestal de madeira chamado bitácula. O timão localizado nesta posição no navio era usado para a navegação em tempo bom e também ao entrar e sair do porto. O suporte do timão foi recuperado durante a expedição realizada pela RMS Titanic INC no ano de 2000.
Ao lado: O Capitão Edward John Smith fotografado à bombordo do Titanic, em frente a entrada para a ponte de comando. Pela vidraça vê-se o topo de um dos telégrafos que integravam as comunicações a bordo do navio. A foto foi tirada em Southampton no dia 09 de abril de 1912, um dia antes da partida, apenas seis dias antes do naufrágio do Titanic e a morte do Capitão Smith.

Ao lado: A casa do leme reconstruída para os cenários do filme "Titanic" (1997). Dentro da casa do leme o timoneiro poderia pilotar o navio sem estar exposto ao clima frio, tal como na ponte de comando situada diretamente à frente. A reprodução cenográfica é bastante próxima ao real visual da Casa do Leme do Titanic, porém contém vários erros; a mesma regra é válida para todos os demais cenários do filme.

Durante um tempo mais frio, o timoneiro se mudaria para a casa do leme, pequena e aquecida, que continha um timão adicional, uma bússola e um painel de telefones que ligava a ponte às estações importantes ao redor do navio. Uma dessas estações era o cesto da gávea, onde Frederick Fleet, sem a ajuda de binóculos, avistou o iceberg as 11:40 da noite em 14 de abril de 1912. Após tocar o sino três vezes, anexado ao cesto da gávea, telefonou para a ponte e exclamou: "Iceberg logo à frente!"
O Primeiro Oficial Willian Mc Master Murdock prontamente ordenou ao timoneiro Robert Hichens para virar o timão em uma tentativa desesperada de evitar a colisão com o iceberg. Nos próximos 37 segundos, a proa do Titanic virou 22 graus para bombordo (esquerda) e afastou-se do iceberg o suficiente para evitar uma colisão frontal no gelo, mas não o suficiente para impedir as perfurações fatais em sua lateral.
O Titanic possuía dois megafones de latão, ambos foram recuperados a partir do local do naufrágio​​para gritar ordens de ancoragem da Ponte para a proa do navio. No entanto, na noite do acidente, os oficiais usaram para coordenar o lançamento dos botes salva vidas.
Ao lado - Cena excluída do filme Titanic (1997) que reproduz o uso de um dos megafones do navio pelo Capitão Edward John Smith (Bernard Hill) ao chamar de volta para o navio o bote salva vidas Nº 06.
Convés de Botes

Acima - O Convés de Passeio da 2ª classe, ao lado da 4ª chaminé do Titanic, em uma fotografia tomada enquanto o navio esteve ancorado na cidade de Queenstown, Irlanda, em 11 de abril de 1912, sua segunda e última escala na Europa. Dezenas de espreguiçadeiras são vistas recostadas na plataforma elevada do teto da Sala de Fumantes. Estas cadeiras dobráveis eram locadas pelos passageiros através do balcão do Comissário de Bordo, no Convés C, e não poderiam ser levadas e trazidas para qualquer lugar no Convés, tinham marcação de local fixo onde deviam ser obrigatoriamente colocadas. Na esquerda da imagem se pode notar os botes salva-vidas Nºs 10, 12 e 14. As três pessoas caminhando sob pesadas roupas são as cunhadas Elsie Doling (18), Ada Julia Doling (34) e Edwin Frederic Wheeler (24), todos os três eram passageiros da 2ª classe. Edwin era criado particular do milionário norte-americano George Washington Vanderbilt, que cancelou sua passagem no Titanic, mas o enviou com passageiro da 2ª classe. Edwin pereceu na tragédia e seu corpo, se recuperado, jamais foi identificado. Elsie e Ada sobreviveram à tragédia. Acima, esquerda: Uma visão dos bastidores de "Titanic" (1997) que exibe precisamente o mesmo local visto na fotografia histórica acima.
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Ao lado - Uma cadeira autêntica do Titanic, que foi resgatada pelo navio CS Minia durante o processo de recuperação dos corpos no local da tragédia nos dias posteriores ao naufrágio. A cadeira foi então presenteada ao Reverendo Henry W. Cunningham, em reconhecimento ao seu trabalho no funeral e sepultamento das vítimas. A peça foi doada pelo neto de Henry ao Museu Marítimo do Atlântico, em Nova Escócia, onde estão enterradas a maioria das vítimas do naufrágio. A espreguiçadeira é feita de mogno, com uma estrela esculpida sobre o apoio da cabeça, uma marca registrada da empresa White Star Line, proprietária do navio; o assento de palha não é original, foi refeito. Hoje esta é uma das únicas cadeiras intactas do Titanic.
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O Titanic tinha a reputação de ser espaçoso, o que é evidenciado pela plataforma superior do navio com seu vasto passeio com piso revestido de pinheiro. Navios mais antigos eram cheios de equipamentos de ventilação, clarabóias, cabos de aço e botes salva vidas, mas os projetistas do Titanic mantiveram todos esses recursos em requisitos mínimos em virtude de liberação de espaços.
Lâmpadas elétricas iluminavam o convés superior. Tetos elevados sobre o Convés de Botes formavam terraços em que os passageiros podiam passear ou jogar. Se o exercício não estivesse nos planos, bancos foram estrategicamente colocados para descanso e contemplação do mar.
No vídeo abaixo: Um teste de som com um real conjunto de apitos resgatado dos escombros do Titanic. O som emitido possivelmente não é o mesmo que teria sido em 1912, devido ao fato que o artefato permaneceu por mais de 74 anos no fundo do oceano e o teste foi executado com um nível de pressão inferior ao que realmente era utilizado no início do século, quando o Titanic fez sua 1ª e única viagem.

Esquerda - Uma foto real da chaminé frontal do Titanic. Na madrugada da tragédia os 12 cabos de aço que sustentavam esta chaminé não resistiram à inclinação do navio, arrebentaram-se e a chaminé caiu sobre muitas pessoas que se debatiam na água causando a morte de várias delas..

Ao lado e abaixo - Momento trágico recriado 85 anos depois da tragédia, em 1997 o diretor canadense James Cameron põe a seu favor a moderna tecnologia do cinema e utiliza-se de grandiosos efeitos especiais nas cenas do filme Titanic. 

O momento da queda da enorme chaminé fora recriado através da mistura de filmagem em cenário do Convés de Botes com tamanho natural dentro de uma piscina, uma miniatura física da chaminé e um céu com horizonte gerado por computador. Curiosidade - A cena ao lado foi conseguida com duas técnicas diferentes: Na sequência inicial, uma chaminé em miniatura foi gravada em estúdio fechado separado, com uma estrutura metálica interna coberta por uma "pele de aço" feita com papelão, pintado com as cores da chaminé. Na sequência final, para simular a queda em dimensão mais próxima à realidade, fora utilizado um tanque de caminhão em formato cilíndrico com as cores da chaminé que, por sua vez, foi suspendido com cabos de aço sobre a piscina lotada com dublês e então derrubado, causando uma grande onda.
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Abaixo - Os apitos do Titanic tal como reproduzidos nos cenários do filme Titanic (1997), possivelmente um som muito próximo ao que realmente o Titanic emitiu em 1912 quando prestes à partir em sua primeira e única jornada em direção à América. (direita) Um conjunto de apitos reais resgatado dos escombros do navio.


Altamente visíveis nas áreas de passeio aberto estavam as quatro imponentes chaminés, três das quais eram totalmente funcionais, com uma chaminé extra adicionada para completar a simetria de design. Anexado a cada uma das chaminés havia um conjunto de apitos. Os apitos instalados nas duas chaminés da frente eram funcionais e eram operados eletricamente a partir da ponte de comando. Os apitos das duas últimas chaminés não eram funcionais, sua presença visava completar a simetria entre as quatro chaminés.

Estas imensas estruturas com altura máxima de 19 m e largura máxima de 7,30 m, tinham como função central a eliminação dos gases (fumaça) da queima do carvão nas caldeiras do navio, mas também carregavam as cores tradicionais presentes nos navios da Companhia White Star Line, uma espécie indefinida de marrom-alaranjado com topo pintado de preto. Era nelas também onde os potentes apitos (acima) foram instalados com escadas de acesso e onde haviam várias tubulações e canos de eliminação de vapor excedente.
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Ao lado: Entre as quatro chaminés, a 4ª delas (ultima, à ré) fugia às funções primárias, visto que não estava conectada às saídas das fornalhas de carvão e atuava apenas na eliminação dos gases da sala de máquinas, fumaça da lareira da Sala de Fumantes e fumaça das cozinhas; servindo também como duto de ventilação para várias partes do navio. Hoje conhecida hoje como "falsa chaminé" ou "chaminé decorativa", termos incorretos, visto que esta chaminé era tão funcional quanto as outras, apenas servia à funções diferentes das 3 primeiras. Seu grande e principal diferencial era de que ela não expelia uma grande quantidade da conhecida fumaça negra assim como as outras; no entanto em determinados momentos, quando a cozinha ou a lareira da 1ª classe estivesse em funcionamento, a 4ª chaminé expelia uma quantidade moderada de fumaça.
Acima: Ao contrário do que fora mostrado no filme "Titanic" de 1997 (na cena acima), as chaminés do Titanic na realidade não possuíam nenhuma iluminação noturna especial. A única luminosidade que recebiam era indireta, vinda das fracas lâmpadas que iluminavam o convés, portanto as quatro se apresentavam bastante obscuras durante a noite, difíceis até mesmo de serem vistas à distância. Curiosidade: A cena acima foi gravada com um modelo do Titanic (maquete) em escala 1:20, com 13,45 metros de comprimento. A maquete demorou 5 meses para ser concluída, incorporando extremo nível de detalhes técnicos. A cena fora gravada em estúdio fechado com uma câmera de movimento controlado por computador. Na pós-produção a tomada recebeu os toques da realidade com a adição da fumaça, céu, estrelas e mar gerados através de complicados métodos de computação gráfica e animação. Este grande modelo permanece até hoje como uma das maiores e mais completas maquetes do Titanic já construídas.
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Abaixo: A reconstituição gráfica ilustra de modo muito próximo como possivelmente seria a aparência do Titanic durante a noite, uma luminosidade muito inferior à que fora mostrada no filme Titanic, especialmente em relação às 04 chaminés.
Direita: Uma das chaminés do Olympic recebendo retoques na pintura nas docas da White Star Line, em Southampton, Inglaterra . A tubulação à esquerda e à direita permitia a eliminação de vapor excedente. À direita também se pode ver o conjunto de apitos com sua própria tubulação de vapor.

 

Ao lado: No detalhe da fotografia ao lado vê-se em 2º plano o mastro traseiro do Olympic e a chaminé Nº 04, com seu conjunto de apitos instalado na porção frontal. As quatro chaminés possuíam apitos instalados em seus topos, no entanto apenas os apitos instalados nas chaminés Nº 01 e Nº 02 eram funcionais, ou seja, apenas eles estavam conectados às saídas de vapor responsáveis pela emissão de som. Através da enorme abertura oval de 7,30 m de diâmetro máximo, seria virtualmente possível a passagem com folga de uma locomotiva por dentro das chaminés.

A área de passeio da primeira classe ficava no meio do navio no convés superior, enquanto que o passeio de segunda classe, ficava à ré, no final do convés de botes. Em 1912, as leis que regiam a capacidade de bote salva vidas estavam absurdamente antiquadas. Através de uma peculiaridade na regulamentação, o número de botes salva vidas dependia dos metros cúbicos do navio. Este regulamento exigia que Titanic tivesse capacidade para evacuar apenas 950 passageiros. Embora o Titanic estivesse equipado com mais botes do que a lei exigia, com seus 20 botes salva vidas ainda não se poderia evacuar todos os passageiros em caso de emergência.
Após a colisão com o iceberg às 11:40 h da noite de 14 de abril, foram perdidos minutos importantes no exame, avaliação e início do processo de evacuação. Finalmente, às 00:45, o bote salva vidas de estibordo nº 7 foi colocado para fora suspenso em um turco para iniciar a aterrorizante descida de sete andares para o mar. Neste bote estavam apenas 28 pessoas, muito longe dos 65 que tinha sido projetado para transportar. Nestes momentos, era difícil convencer os passageiros de que uma pequena embarcação em mar aberto seria mais segura do que o quente, bem iluminado convés do Titanic.
Sala do Telégrafo / Marconi Room
Acima: A única fotografia conhecida da Sala de Telégrafo do Titanic, de costas, operando o aparelho de telégrafo, está o operador Harold Bride. Harold sobreviveu à tragédia com os pés feridos pelo congelamento, mas perdeu seu companheiro de trabalho, Jack Philips

A sala de telégrafo era localizada no Convés de Botes, perto da ponte de comando do navio, nela trabalhavam dois operadores de telégrafo empregados da Companhia Marconi. Seus trabalhos principais eram de receber e enviar mensagens por ondas de rádio usando o código Morse.
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Ao lado: Uma reconstituição gráfica da Sala de Telégrafo do Titanic. Esta é uma recriação virtual com extrema atenção histórica e aos detalhes. 

Os operadores da sala de telégrafo eram contratados exclusivos, não eram considerados parte da tripulação normal. Os uniformes usados por eles eram diferentes dos uniformes dos demais tripulantes, possuíam emblemas próprios nos botões, mangas e no quepe. Os operadores não eram diretamente subordinados à qualquer um dos tripulantes do navio, tendo apenas determinadas obrigações para com os comandantes do barco. A maior parte do tempo destes empregados era gasto dentro da sala, com a exceção das refeições, que eram feitas em um salão de jantar reservado no convés C.
Abaixo: Uma das cenas excluídas do filme Titanic (1997), onde os operadores Jack Philips e Harold Bride são mostrados em pleno trabalho na Sala de Telégrafo do Titanic.
Ao lado: Uma reconstituição cenográfica da Sala de Telégrafo do Titanic. As mensagens escritas pelos passageiros e depositadas no Convés C (3 andares abaixo) chegavam a esta sala através dos tubos pneumáticos afixados na parede ao fundo. Foi de uma sala como esta que os pedidos desesperados de socorro do Titanic foram expedidos pelos dois operadores, Jack Philips e Harold Bride.

Na década de 1910 a telegrafia sem fio era ainda uma novidade e estava em seu estado de infância, era considerada uma maravilha tecnológica. Telégrafos em navios eram incorporações recentes na nova era. Muitos navios ainda não tinham aparatos de telégrafo e muitos capitães de navios ainda não haviam adquirido confiança nestes aparatos, outros viam estas comunicações como uma mera frivolidade direcionada apenas aos passageiros.

Acompanhe no vídeo abaixo uma reconstituição gráfica da Sala de Telégrafo

O Ginásio / Academia de Ginástica
Acima: Uma imagem original do Ginásio, fotografado por Robert John Welch em março de 1912 na cidade de Belfast, onde o navio foi construído, cerca de um mês antes da viagem inaugural. No painel envidraçado ao fundo havia um MAPA MUNDI com a inscrição "Tracks of White Star Line Steamers" (Trajetória dos navios da White Star Line). O painel mais à frente mostrava um corte longitudinal do Titanic e cinco cortes transversais que exibiam as várias acomodações à bordo. Abaixo do desenho a seguinte frase: "RMS Olympic and RMS Titanic, The Largest Steamers in the World" ( RMS Olympic e RMS Titanic, os Maiores Navios do Mundo)

O Titanic oferecia aos passageiros da primeira classe um ginásio totalmente equipado, localizado no lado estibordo do convés de botes. Havia uma máquina de remo, duas bicicletas estacionarias, saco de pancadas, o Titanic tinha um conjunto completo de equipamentos de exercício sob a supervisão do instrutor de academia Thomas W. McCawley.

Acima: Nesta cena excluída do filme "Titanic" (1997) a personagem Rose (Kate Winslet) visita o Ginásio do Titanic acompanhada do engenheiro Thomas Andrews (Victor Garber). O cenário foi reproduzido de modo bastante fiel à realidade, incluindo também os painéis com o mapa-mundi e o desenho dos cortes que exibem os interiores do Titanic. 

Acima, direita: Sentado na máquina de simulação de remo o instrutor do Ginásio, Thomas W. McCawley. O instrutor chegou a comentar com um passageiro que não usaria um colete salva vidas porque este o atrapalharia quando tivesse que nadar; acabou morrendo na tragédia. O sujeito sentado em um aparelho ao fundo é William Henry Marsh Parr, gerente-assistente do departamento elétrico da Construtora Harland and Wolff (a empresa que construiu o Titanic). Ele embarcou no navio a serviço da Harland and Wolff como membro do "Guarantee Group" (Grupo de Garantia), que tradicionalmente acompanhava os navios em viagens inaugurais com o intuito de observar e corrigir eventuais problemas técnicos que porventura surgissem. William Parr pereceu na tragédia e seu corpo, se recuperado, jamais foi identificado.  

*** O termo "Grupo de Garantia" definia o grupo formado por nove trabalhadores selecionados para participar das viagens inaugurais de navios construídos pela Harland and Wolff, a fim de registrar o desempenho e todos os problemas que pudessem surgir. Os membros do Grupo de Garantia eram sempre aqueles considerados os melhores em suas respectivas áreas naquela época. Este grupo de elite nunca era o mesmo e poderia mudar a cada viagem inaugural. A possibilidade de fazer parte do grupo era sempre uma grande motivação para os trabalhadores da Harland e Wolff de trabalhar duro e provar suas habilidades para a empresa. Os membros do Grupo de Garantia do Titanic incluíam: Thomas Andrews (o projetista do navio), William Henry Campbell, Roderick Chisholm Robert Crispin, Alfred Fleming Cunningham, Anthony Wood Frost, Robert Knight, Francis Parkes, William Henry Marsh Parr, e Ennis Hastings Watson. Todos eles morreram no naufrágio.

Ao lado - Cinco das sete janelas do Ginásio de Exercícios da 1ª classe a bordo do Titanic. As janelas eram de padrão idêntico às instaladas para na Grande Escadaria que situava-se ao lado, mas neste caso eram de vidro texturizado para dificultar a visão e preservar a privacidade de quem estivesse dentro do Ginásio fazendo exercício.  

O sujeito na imagem é Percival Wayland White (54), um fabricante de algodão norte-americano, que embarcou no Titanic na manhã de 10 de abril de 1912 acompanhado de seu filho, Richard, hospedando-se como passageiro da 1ª classe e ocupando a cabine "D 26"; pai e filho pereceram na tragédia. 

À direita de Percival White está o bote salva-vidas Nº 07, onde a famosa atriz Dorothy Gibson embarcou junto de sua mãe e foi salva na madrugada de 15 de abril, apenas 04 dias após esta foto (ela era passageira da 1ª classe, na foto ao lado) . Vinte e nove dias após o naufrágio Dorothy Gibson estreava o 1º filme sobre a tragédia "Saved from the Titanic" (Salva do Titanic), no qual ela interpretou a sí própria.

O piso era composto de um mosaico de linóleo branco com pequenos losangos pretos nas extremidades. Sete janelas arqueadas deixavam entrar muita luz natural, o que era um benefício adicional para o ginásio, visto que ele era localizado no convés superior.Dois cavalos mecânicos (um de sela lateral para senhoras) tinham um movimento motorizado que simulava o hipismo. Propagandas para o Ginásio do RMS Olympic mostram passageiros montadas nesses “cavalos” de exercício vestidos em plenos trajes de equitação. Havia também um "camelo" elétrico, seu movimento ondulante era voltado para o fortalecimento das costas e da tonificação dos músculos abdominais.

As horas de operação no Ginásio eram bem específicas, a fim de dar aos passageiros a oportunidade de usufruir dos exercícios de modo privativo com membros de seu próprio sexo ou da mesma faixa etária:
Homens - das 06:00 às 09:00
Mulheres - das 10:00 às 13:00
Crianças – das 13:00 às 15:00
Homens - das 16:00 às 18:00 

Foi nesta sala que o Coronel John Jacob Astor esperou com sua jovem esposa grávida Madaleine o lançamento do bote que a levaria em segurança. Impedidos de entrar juntos, ele entregou-lhe as luvas como proteção contra o frio e se afastou para encontrar seu destino, ele morreu no naufrágio.
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Ao lado: Um cavalo mecânico do Ginásio do Olympic em pleno uso.
Acima: O Ginásio do Olympic em uma fotografia voltada para a proa (frente do navio), o destaque mostra a porta de entrada para a Grande Escadaria na proa, que permitia aos passageiros transitar entre os ambientes sem a necessidade de expôr-se ao tempo no Convés de Botes. Tal como no Titanic aqui também havia o painel publicitário com as rotas da White Star Line, no entanto a imagem longitudinal que se vê no último painel não era um desenho com um corte do navio (como no Titanic), mas sim uma bela fotografia do Olympic em alto mar. Nesta foto se pode ver também o pequeno saco de pancadas suspenso no teto, à esquerda da porta ao fundo.

Acompanhe no vídeo abaixo uma reconstituição gráfica aproximada do Ginásio do Titanic


A Grande Escadaria dianteira
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Abaixo: A icônica Grande Escadaria dianteira da 1ª classe do RMS Olympic [navio-irmão do Titanic] numa foto de seu mais conhecido e admirado patamar, no Convés A. Iniciando sua cobertura no mais alto convés habitável do Titanic, o Convés de Botes, a bela escadaria percorria 07 patamares do navio, sendo 06 deles de luxo. A composição grandiosa seguia à risca a regra dos grandiosos interiores da 1ª classe, mas fora projetada especialmente para interconectar as acomodações como via principal de acesso para todos os conveses dos mais privilegiados passageiros a bordo. 

Ao lado: A Grande Escadaria dianteira do RMS Olympic. Não se conhece qualquer foto das escadas do Titanic, mas os registros históricos confirmam que entre os dois navios (Olympic e Titanic) estes ambientes eram idênticos.

Abaixo: um vídeo espetacular que "flutua" pelos interiores da Grande Escadaria de cima à baixo. A apresentação está entre as mais espetaculares recriações em computação gráfica, pois incorpora vários aspectos históricos e reais deste ambiente, porém ainda assim, não é perfeita, o que não diminui a beleza e o entendimento dimensional.
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O Titanic tinha duas escadarias na primeira classe(assim como o Olympic), uma localizada entre a primeira e segunda chaminé e a outra localizada à ré, entre a terceira e a quarta chaminé. A escadaria dianteira, ou Grande Escadaria, era a mais elaborada das duas, ligando seis conveses e encimada por uma cúpula de ferro e vidro. A decoração de ambas as escadas era uma curiosa combinação de estilos. Os painéis de madeira seguiam o estilo criado pelos mestres-artesãos ingleses do casal de monarcas William and Mary. Também foram instalados corrimãos de madeira e ferro com guirlandas de bronze dourado, as quais eram inspiradas pelas decorações da corte francesa de Luís XIV.
Em moda naqueles tempos, um querubim de bronze erguia uma lâmpada que iluminava o patamar principal da escadaria no convés A (proa) e um no convés C (escadaria traseira). Muitos anos antes, luminárias como estas eram colocadas aos pés das escadas dos escuros palácios e mansões como aparato de iluminação que contribuía com segurança, mas no Titanic os querubins eram apenas ornamentais, visto que as escadarias já eram plenamente iluminadas pelos lustres e pelo domo de vidro.

Ao lado: Uma reprodução animada do querubim da Grande Escadaria, esta é uma réplica construída para um museu nos Estados Unidos. O querubim do Titanic centralizava-se na base dos degraus da escadaria, no Convés A. A peça se tratava de uma escultura de bronze com cerca de 1,35 m de altura (da base ao topo da chama) com feições de uma criança com asas; a figura apresentava cabelos ondulados e fora representado seminu, onde apenas um pequeno manto recaia de cima de suas asas e cobria seu ventre, terminando envolvido em suas costas como se estivesse solto ao vento.

Acompanhe abaixo mais uma reconstituição gráfica da Grande Escadaria, aqui vista em seu mais alto patamar, no Convés de Botes. 


 Curiosidade

Ao lado: O ator Eric Braeden, que interpretou o passageiro da 1ª classe John Jacob Astor no filme Titanic (1997), relatou que atuar nesta cena, onde o domo da Grande Escadaria é implodido por uma imensa massa de água, foi uma das experiências mais assustadoras pelas quais já passou, visto que não houve qualquer possibilidade de ensaio prévio antes da tomada. 

Abaixo: A Grande Escadaria reconstruída para os cenários do filme Titanic. A reprodução fiel foi possível graças às fotografias e às peças sobreviventes da escadaria do RMS Olympic, o navio-irmão RMS Olympic, o navio-irmão do Titanic, das quais foram feitas cópias em gesso do Titanic, das quais foram feitas cópias em gesso artisticamente pintadas para se assemelharem à madeira de carvalho-nobre esculpido. A excelência do trabalho de cenografia pode ser vista em cada detalhe fielmente reproduzido e, à excessão dos dois lances centrais que foram "alargados" em cerca de 50 cm em cada lado, praticamente todo o restante segue quase à perfeição a obra original. 

O cenário foi construído sobre uma plataforma de elevação sobre um tanque com 19 milhões de litros de água salgada para que fosse fisicamente afundado frente às câmeras. Durante a tomada onde foram literalmente "despejados" 342 mil litros de água que estouram o domo de vidro, a secção de degraus repentinamente soltou-se de suas bases e imergiu violentamente sob os pés dos dublês, mas sem causar ferimentos aos presentes. Todo o cenário foi muito danificado durante as repetidas tomadas, no entanto muitas peças da escadaria puderam ser salvas e hoje encontram-se sob posse de colecionadores, museus, sociedades históricas e esporadicamente surgem à venda em leilões virtuais.




A Grande Escadaria nas palavras da White Star Line

Acima: Ilustração e texto extraídos diretamente de um panfleto publicitário de época publicado pela Companhia White Star Line, antecipando a beleza e benefícios dos interiores do Olympic e do Titanic.

A Escadaria
"Nós deixamos o convés e passamos através das portas que nos levam ao interior do barco e, como por mágica, perdemos o sentimento de que estamos à bordo de um navio, a sensação é de que estamos entrando no saguão de uma grande casa em terra. Dignos e simples painéis de carvalho cobrem as paredes, enriquecidos em alguns lugares por trabalhos de entalhe, reminescentes dos dias quando Grinling Gibbon colaborava com seu grande contemporâneo, Wren. 

No meio do saguão se ergue uma graciosa escadaria curva, sua balaustrada sustentada por leves volutas de ferro com ocasionais toques de bronze, na forma de flores e folhagens. Acima de tudo um grande domo de ferro e vidro verte uma inundação de luminosidade pelas escadas abaixo. No lance abaixo há um grande painel esculpido que contribui com seu toque de riqueza na sobriedade da composição das paredes de painéis simples. O painel contém um relógio, e em cada um dos lados há uma figura feminina, uma composição simbolizando a Honra e a Glória Coroando o Tempo.

Olhando por sobre a balaustrada, nós vemos as escadarias preciptando-se para os muitos pisos inferiores. Voltando-nos para o lado poderemos ser poupados do trabalho de descer os degraus ao entrar em um dos elevadores com seu suave deslizar que nos levará rapidamente a qualquer outros dos inúmeros pisos do navio que queiramos visitar. A escadaria é um dos principais atributos do navio, e será muito admirada como sendo, sem dúvida, a mais fina obra deste tipo no mar."

O relógio da Grande Escadaria do Olympic, o navio irmão do Titanic


Ao lado: O grande relógio de madeira esculpida que integrava a Grande Escadaria dianteira do Olympic, o navio irmão do Titanic; hoje preservado sob os cuidados do 'SeaCity Museum', na cidade de Southampton (Inglaterra), o museu é localizado próximo às docas de onde o Titanic partiu em 10 de abril de 1912.

***Legenda original da foto: "Uma mulher olha para uma fotografia original da Grande Escadaria do Olympic em Southampton, Inglaterra, terça-feira, 03 de abril de 2012. O novo museu será aberto no dia 10 de abril de 2012, cem anos após o malfadado Titanic ter partido do porto da cidade".


O belo relógio foi vendido na década de 1930, por ocasião do leilão de uma infinidade de peças decorativas do Olympic, que foram dispostas para venda após a demolição do navio; a peça esteve por décadas sob propriedade privada antes de ser doada ao antigo 'Maritme Museum of Southampton'. Originalmente o relógio não possuía qualquer tipo de tinta aplicada sobre a madeira de tom natural, mas foi primeiramente pintado quando o Olympic passou por uma reformulação da decoração de seus interiores no final de sua carreira (o relógio foi também repintado enquanto esteve sob propriedade privada). Em 1996, por ocasião da realização de pesquisas históricas sobre o visual do Titanic para a construção dos cenários do filme "Titanic", do diretor James Cameron, esta peça foi criteriosamente estudada, medida e fotografada, e deste modo permitiu a perfeição absoluta na recriação de uma réplica idêntica para os cenários do famoso filme Titanic.
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Acima: A icônica Grande Escadaria dianteira da 1ª classe do Titanic aqui vista em seu mais conhecido patamar, o Convés A (ambas as fotos voltadas para estibordo). Ainda hoje o sumiço da escadaria está entre os pontos físicos mais intrigantes do naufrágio, e não se sabe que fator causou o desaparecimento quase completo dos vestígios dos lances de degraus da escadaria; especialistas e historiadores ao redor do mundo cogitam que os lances teriam sido brutalmente arrancados de suas bases durante o naufrágio devido à força da água, tendo sido destroçados, flutuando livres em meio aos destroços. Hoje o que resta do aspecto interior mais icônico do Titanic é tão somente este grande "fosso" aberto do Convés de Botes até o Convés D, circundado por dezenas de colunas de aço e intensa formação de detritos ferruginosos formados pela decomposição do aço estrutural do Titanic. Ainda que não se saiba qual é a solução do mistério, a madeira da escadaria eventualmente poderia ter apenas se decomposto com o passar das décadas, seguindo a regra de quase toda a madeira nos interiores do navio, que se decompôs quase na totalidade ao passar dos anos. Pesquisas e gravações obtidas em 2001 para o documentário "Ghosts of the Abyss" demonstraram que nos interiores dos escombros do Titanic há ainda incontáveis casos onde a madeira segue relativamente bem preservada; em sua maioria são peças que receberam aplicação de tinta, que acidentalmente atuou como uma espécie de "repelente químico" dos microorganismos decompositores. A escadaria do Titanic era revestida em madeira de carvalho apenas polida e encerada, o que aparentemente não afastou os microorganismos decompositores, os quais ainda hoje seguem devorando com voracidade o ínfimo de madeiramento que ainda resta da rica decoração interior do Titanic. Apesar da quase completa descaracterização visual da escadaria devido à decomposição, notavelmente dezenas de lustres de bronze e cristal ainda pendem do teto, sustentados pela própria fiação em meio às estalactites de aço decomposto. [Crédito fotográfico: Ghosts of the Abyss (2001), recriação gráfica por Clément d’Esparbès, animação por Rodrigo, Titanic em Foco)
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Convés de Passeio da 1ª classe

Ao lado - Uma das raras fotos verídicas do Convés A do Titanic, tirada por um jornalista no dia 10 de abril de 1912 na cidade de Southampton, Inglaterra, dia em que o Titanic iniciou a viagem inaugural.
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As primeiras três janelas que se vê na imagem pertenciam à Sala de Fumantes da 1ª classe. Ao fundo pode-se observar discretamente uma janela e a porta de saída deste convés, alí instaladas como medida de proteção contra o mal tempo. Curiosidade - A 4ª e a 5ª janela que se pode observar muito discretamente nesta foto pertenciam à cabine A36 da 1ª classe, exatamente a suíte ocupada pelo projetista do Titanic, Thomas Andrews, durante os 04 dias da viagem, que foi interrompida pela tragédia na madrugada de 15 de abril de 1912.

Cabines da 1ª classe no Convés A

Abaixo, esquerda: Uma cabine de 1ª classe para uma só pessoa, localizada no Convés A do Olympic. Direita: Uma cabine da 1ª classe para duas pessoas, localizada no Convés C do Olympic. No Titanic as respectivas cabines seguiam o mesmo tamanho, estilo e padrão.

Todas as 37 cabines da 1ª classe instaladas no convés A do Titanic possuíam visual e mobiliário similares aos das fotografias acima, o que resulta em um grande constaste quando comparadas às cabines de luxo instaladas no Conveses B e C. As 37 cabines do Convés A eram todas cobertas com painéis de madeira inteiriços pintados de branco, livres de grande ornamentação.

Nenhuma das cabines localizadas a frente da Grande Escadaria dianteira neste convés possuía banheiro privativo; os banheiros eram de uso comunitário, localizados em ambos os extremos do grande conjunto de dormitórios. As cabines A 36 e A 37, junto da Grande Escadaria traseira, eram as únicas que possuíam banheiros privativos.

Curiosamente o projetista do Titanic, Thomas Andrews (na foto ao lado), hospedou-se na cabine de primeira classe A 36, junto da Grande Escadaria traseira. Apesar de ser uma das maiores deste convés e conter um banheiro próprio com uma banheira, a cabine A 36 era bastante simples, e muito similar à fotografia acima (direita).

Sala de Leitura da Primeira Classe

Acima: A Sala de Leitura do RMS Olympic, com design idêntico à do Titanic. Os grandes lustres de cristal no teto enfeitavam o ambiente, porém receberam críticas negativas dos primeiros passageiros do Olympic, os quais alegaram que a luminosidade no ambiente era muito exagerada, causando ardência nos olhos de quem estivesse lendo.
Ao lado: Uma réplica de uma das cadeiras utilizadas na Sala de Leitura do Titanic. Os móveis aqui eram estofados em seda estampada com um padrão de folhagens laços de fita e flores, casando-se perfeitamente com o tema leve feminino de todo o ambiente. Ilustrações publicitarias da época lançadas pela White Star Line sugerem que a sala era coberta por um carpete e cortinas róseas e que os estofamentos realmente teriam sido em amarelo.

No meio do Convés de Passeio e junto ao Lounge da 1ª classe ficava a Sala de Leitura da primeira1ª classe, decorada no estilo georgiano do final de 1770-1780 com painéis brancos e um mobiliário delicado e elegante que variava entre cadeiras, poltronas, sofás, mesas e escrivaninhas. Havia uma lareira recostada à parede de fundo onde se dispunha um relógio e acima um espelho oval emoldurado. As proporções geravam um ambiente acolhedor no qual se podia fazer uma leitura agradável, escrever, ou mesmo conversar entre amigos.
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Este ambiente era um contraponto à Sala de Fumantes, direcionada apenas para os homens, visto que este espaço foi planejado principalmente para as senhoras. Após o jantar, quando as convenções sociais ditavam que os casais se separariam em suas atividades, as mulheres poderiam se direcionar para este espaço aconchegante para tomar um café ou para uma conversa.
Ao lado: A Sala de Leitura a bordo do Olympic, de padrão idêntico à do Titanic. A grande janela à esquerda era voltada para o Convés de Passeio (Convés A) e para o mar. Ao fundo, através da grande janela, se pode observar uma dupla de janelas arcadas da Grande Escadaria, a qual ficava logo à frente. 

A grande luminosidade que se pode observar através da janela à esquerda e a ausência de janelas acima da amurada exterior, comprova que esta é realmente uma fotografia tirada no Olympic, onde a Sala de Leitura teve 100% de proveito da bela vista panorâmica voltada para o Convés de Passeio e para o mar. No Titanic a instalação de janelas basculantes em metade do Convés de Passeio prejudicou muito a vista do oceano através destas amplas janelas da Sala de Leitura. Se esta fotografia fosse tirada no Titanic, através da janela à esquerda da foto poderíamos observar com muita nitidez parte do conjunto de janelas basculantes de vidro (como na foto abaixo), além de que a luminosidade natural nesta sala do Titanic era bastante inferior.

As instalação de janelas basculantes de vidro (na foto ao lado) só veio ocorrer um mês antes de sua partida, elas só foram incorporadas no Titanic através de sugestões de passageiros do Olympic, que reclamavam de serem molhados em dias de mal tempo ao andarem pelo Convés de Passeio. Curiosamente apenas o Titanic recebeu estas janelas envidraçadas no Convés A. No Olympic elas jamais foram instaladas, devido ao fato que este já possuía um convés de passeio envidraçado (Convés B), que percorria toda a extensão das bordas do navio. No Titanic o Convés B, originalmente planejado como um enorme passeio, acabou sendo completamente ocupado por cabines adicionais.

Embora agradável aos olhos, a sala não era tão popular como o esperado pelos designers, os quais consideravam que ela fosse muito grande e foram feitos planos para eliminar a alcova lateral, convertendo o espaço em dois camarotes de primeira classe quando o Titanic entrasse para sua renovação no final de sua primeira temporada, o que não aconteceu, visto que o navio naufragou em sua primeira viagem.
Lounge da Primeira Classe / Salão de Estar
Acima: O Lounge do RMS Olympic, com mesmo design arquitetônico, dimensões, decoração e mobiliário do Lounge a bordo do Titanic. A foto foi tomada com a câmera voltada para a proa (frente do navio).
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Este ambiente fora planejado para acolher os passageiros de ambos os sexos hospedados na 1ª classe em ocasiões em que desejassem desfrutar de um chá, conversar entre amigos, ler um bom livro ou simplesmente descansar em suas poltronas e sofás revestidos em veludo estampado.

Ao lado: Uma arandela de bronze (luminária) em estilo francês de padrão exatamente idêntico às instaladas no Lounge do Titanic. Na sala haviam dezenas destas peças afixadas à meia altura das paredes, as quais foram equipadas com lâmpadas de formato "vela" que auxiliavam a vasta iluminação e embelezavam ainda mais o ambiente.

O Salão de Estar da primeira classe era localizado no meio do navio, no Convés A (Convés de Passeio). Ao contrário da Sala de Leitura à frente ou a Sala de Fumantes à ré, o salão foi projetado para ser usado por ambos os sexos desde cedo até a sala ser fechada às 11:30 da noite. Quatro grandes alcovas foram equipadas com janelas de grandes dimensões para proporcionar uma vista panorâmica para o Convés A e para o mar.
Inspirado no estilo Louis XV, muitos dos detalhes, como as luminárias de parede e maçanetas foram inspiradas pelo Palácio de Versalhes. A sala toda tinha um clima britânico, no entanto, os painéis de carvalho com entalhes seguiam o tom natural da madeira, ao invés de serem dourados, assim como a moda ditava em ambientes localizados em terra firme. A lareira era de mármore acinzentado, mas não era alimentada à carvão, era na verdade um aquecedor elétrico.

Acima: O Lounge do RMS Olympic, com mesmo design arquitetônico, dimensões, decoração e mobiliário do Lounge a bordo do Titanic. A foto foi tomada com a câmera voltada para a popa (parte traseira do navio). No andar superior externo, exatamente acima do recesso do grande lustre oval [esquerda da foto], fora instalada uma plataforma elevada em forma de "caixa" onde alocou-se uma pequena escada de acesso para a plataformada da bússola auxiliar do navio.
Várias escrivaninhas foram organizadas em torno do salão e os cartões postais podiam ser comprados através do atendente responsável. Uma caixa de correio foi colocada no canto da sala e os passageiros eram avisados que as mensagens deveriam ser depositadas ali ou entregues ao comissário no balcão de informações para serem postadas. Na parte posterior da sala havia uma grande estante

Ao lado - Uma animação gráfica do Lounge do Titanic, aqui visto em sua porção central, diretamente abaixo do grande lustre. (Crédito: Clément d'Esparbès)
Atrás do salão havia uma despensa para elaboração dos chás da tarde e para os cafés depois do jantar, além de sanduíches feitos sob pedido. Também havia uma despensa de onde eram servidas as bebidas alcoólicas. O Titanic não tinha um bar, assim como os bares americanos ou britânicos, mas as bebidas poderiam ser encomendadas na maioria das acomodações da primeira classe.
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Ao lado, o Lounge do Olympic transformado em sala de cinema. Durante a carreira ativa do RMS Olympic - em época não determinada - o lounge fora utilizado para um novo fim, o cinema. Devido às grandes dimensões da sala não foram necessárias grandes alterações, de modo que as cadeiras e poltronas foram reagrupadas entre a lareira elétrica e a estante de livros. Em uma das alcovas sobre duas janelas foi instalada uma tela de projeção de tamanho médio, e possivelmente no outro extremo da sala fora instalado o aparato projetor. Certamente este novo uso teria sido de grande sucesso, visto que a exibição de filmes a bordo de navios era algo raro no início do século XX.

Sala de Fumantes da 1ª classe
Acima: A Sala de Fumantes à bordo do RMS Olympic com mesmo design, decoração e dimensões da Sala de Fumantes do Titanic. Acima da lareira pode se ver uma tela, cujo nome era "The Approach of a New World" ( A chegada ao Novo Mundo), com uma imagem da Estátua da Liberdade e de New York. No Titanic a pintura era diferente, chamava-se "Plymouth Harbour" (Porto de Plymouth) e exibia uma bela vista da costa da cidade inglesa de Plymouth, no condado de Devon, no sudoeste da Inglaterra, onde o Titanic faria escala em sua viagem de retorno à Europa.

Ao lado: Resgatado dos escombros do Titanic à cerca de 3.800 metros de profundidade no Oceano Atlântico-Norte, o lustre de bronze maciço demonstra as brutais forças geradas no momento da quebra do Titanic, por volta das 2:15 da madrugada de 15 de abril de 1912. A Sala de Fumantes se localizava próxima à área da ruptura do navio em dois. Durante a descida violenta ao leito do Oceano o navio se desintegrou parcialmente, lançando milhares de artefatos e objetos que desceram ao redor dos destroços da popa e da proa, incluindo este lustre, que perdeu todas as suas cúpulas de cristal lapidado, mas que ainda denota em si próprio parte da beleza que compunha a Sala de Fumantes.

Tradicionalmente encontrada nos navios britânicos, a Sala de Fumantes da primeira classe era um ambiente direcionado ao público do sexo masculinoluminárias de bronze dourado. A White Star Line concebeu a sala com ares modernos, eliminando a pesada clarabóia tradicional e, em seu lugar, instalou vitrais naturalmente iluminados e vitrais iluminados por lâmpadas interiores que cobriam o duto ao redor da quarta chaminé.
Acima: Outro ângulo da Sala de Fumantes à bordo do RMS Olympic. À esquerda os vitrais artificialmente iluminados que revestiam o duto da quarta chaminé e que exibiam figuras com trajes clássicos em cenas de trabalhos artísticos, como a dança, escultura e música. Haviam três vitrais com o mesmo design do grande vitral na esquerda da foto, todos eles com imagens de antigas embarcações à vela de propriedade da White Star Line.

Ao lado: Uma poltrona revestida com couro texturizado de padrão similar às instaladas na Sala de Fumantes do Titanic. Estudos recentes dão conta de que todas elas eram revestidas na cor vinho/vermelho, visto que deste modo combinariam perfeitamente com o piso que comprovadamente era vermelho e azul. A cor destas poltronas é hoje um dos fatores diferenciais entre Olympic e Titanic, visto que no 1º (Olympic) elas foram revestidas com couro texturizado verde.
Projetada para se parecer com os clubes de cavalheiros de Londres ou Nova York, a sala oferecia várias alcovas laterais para se desfrutar de uma conversa intimista, um charuto ou uma bebida. Ao longo da sala as mesas foram convenientemente instaladas para um jogo amigável de cartas. A White Star Line, durante a viagem do Titanic, alertou a presença de jogadores de cartas profissionais no navio, que se fizeram à bordo para poder ganhar dinheiro dos jogadores menos experientes.

Ao lado - Uma reprodução da tela "Plymouth Harbour", de Norman Wilkinson. Uma pintura idêntica à esta decorava a lareira da Sala de Fumantes do Titanic. Este versão foi pintada por Rodney Wilkinson, filho de Norman, o pintor da versão original que afundou com o Titanic. Esta tela encontra-se hoje exposta no SeaCity Museum, na cidade de Southampton, Inglaterra.
Ao contrário de outras salas a bordo, a Sala de Fumantes continha uma real lareira alimentada à carvão, a única lareira totalmente funcional do navio. Para completar a sensação aconchegante, haviam sofás curvos perto da lareira. Sobre o topo da lareira havia um relógio e na parede acima havia uma grande tela pintada pelo artista Norman Wilkinson denominada "Plymouth Harbour". Thomas Andrews, o projetista do Titanic, foi visto em pé em frente à lareira quando o navio estava prestes a afundar, e possivelmente ele próprio teria afundado com o navio no interior desta sala.
Conheça um pouco mais do visual da Sala de Fumantes da 1ª classe na simulação virtual abaixo, que é uma prévia para um futuro jogo para video-game. A reconstrução gráfica é primorosa em detalhes e contém excelente pesquisa histórica.

DIVULGAÇÃO: mrrrobville
Café Verandah e Palm Court (Petiscarias da 1ª classe)
Acima: O Palm Court de estibordo do RMS Olympic (direita do navio), de padrão semi-idêntico ao mesmo café do Titanic. Algumas das janelas arcadas aqui possuíam espelhos ao invés de vidros transparentes, oferecendo a falsa sensação de estarem voltadas para o ar livre, conferindo maior amplitude ao ambiente. Nesta foto a porta de saída do local aparece refletida nos espelhos das duas janelas arcadas centrais, situadas na parede ao fundo.

Ao lado - A protagonista Rose DeWitt Bukater (vivida pela atriz inglesa Kate Winslet) é vista enquanto almoça no Palm Court, do lado de bombordo do Titanic, em 11 de abril de 1912 [cena de "Titanic", 1997]. O cenário fora fielmente recriado pela produção do megasucesso dirigido pelo canadense James Cameron que, por uma questão de melhoria do visual, optou deliberadamente por não incluir a heras trepadeiras sobre as paredes desta petiscaria. Mais uma gafe do filme: No verdadeiro Titanic não eram oferecidos almoços completos neste local, aqui os passageiros poderiam pedir apenas lanches leves e refrescos. Refeições completas estavam disponíveis apenas nos outros três refeitórios da 1ª classe (Salão de Jantar, Restaurante A La Carte e Café Parisiense).

O Café Verandah e Palm Court eram duas salas localizadas à ré do Convés A (Convés de Passeio). Estas salas eram praticamente idênticas e decoradas de modo que se assemelhavam aos gazebos encontrados nos jardins das grandes casas de campo Inglesas.
Ao lado: O Palm Court de bombordo do RMS Olympic, semi-idêntico ao café localizado no Titanic. A porta giratória ao fundo acessava a Sala de Fumantes da 1ª classe. A porta branca que se vê à direita acessava o pequeno bar onde eram preparados e servidos lanches rápidos e bebidas aos comensais; o bar também possuía um pequeno balcão de atentdimento, voltado para dentro da Sala de Fumantes logo à frente.

O Café Verandah carregava a sensação de estar localizado ao ar livre. Enormes janelas davam uma visão ininterrupta do oceano, enquanto que as portas de correr abriam espaço para a brisa do mar. Um trabalho de treliças de madeira pintadas de verde predominava sobre as paredes cobertas de heras trepadeiras, embora as imagens do Olympic e do Titanic sugerem que a folhagem era artificial, em vez de plantas reais. Cadeiras de vime concluíam a ilusão de um jardim à beira-mar. O Café Verandah compartilhava uma despensa de serviço com a Sala de Fumantes da primeira classe localizada à frente, oferecendo aos passageiros a possibilidade de encomendar refeições rápidas e também bebidas. Durante a travessia do Titanic, o café Verandah de estibordo (direita do navio) tornou-se uma creche informal e parque infantil para as crianças de primeira classe que passaram parte do tempo a brincar nesta sala.
Ao lado: Uma das cadeiras de vime fielmente reconstruída para os cenários do filme Titanic (1997). A reprodução foi possível graças às referências obtidas através das fotografias do Palm Court do Olympic, que fora fotografado em diversas ocasiões durante os 24 anos de sua carreira de navegação.
Corredores da 1ª classe do Titanic

As instalações para os passageiros da 1ª classe no Titanic estavam distribuídas ao longo do Convés de Botes, Convés B, C, D, E e F. Em todos estes andares haviam instalações direcionadas para o mais privilegiado grupo a bordo do transatlântico. As cabines direcionadas para a 1ª classe se encontravam distribuídas em blocos separados (a bombordo e estibordo) por longos corredores longitudinais em cinco conveses: A, B, C, D e E; no entanto, as mais luxuosas cabines para a 1ª classe foram instaladas apenas nos conveses B e C; da mesma maneira, eram nestes conveses onde se encontravam os mais luxuosos corredores de trânsito para passageiros.

Os corredores localizados nos conveses B e C do Titanic basicamente percorriam o sentido do comprimento do navio, irterconectando dezenas de cabines e acomodações sanitárias (banheiros), que eram instaladas lado a lado no sentido do comprimento do transatlântico; estes corredores possibilitavam o acesso fácil direto entre as dezenas de cabines e também entre as duas escadarias: a Grande Escadaria dianteira e a Grande Escadaria traseira. Deste modo, partindo em linha reta do início de qualquer um dos corredores nos conveses B e C, era possível ir de uma escadaria a outra passando pelas portas das muitas cabines. *** As duas escadarias estavam localizadas a 63 metros de distância uma da outra. 

Abaixo: Uma recente reconstituição gráfica do longo corredor da 1ª classe localizado no Convés B do Titanic. A porta dupla ao fundo acessava diretamente a Grande Escadaria. O pequeno letreiro iluminado indica a localização de um pequeno conjunto de sanitários comunitários deste convés. Curiosamente, as cabines dianteiras à frente da Grande Escadaria neste andar não possuíam banheiro privativo, todas eram servidas por um bloco de banheiros comunitários.
Acima: Para o olho destreinado, o curioso acabamento decorativo abaulado junto ao teto não parece nada além de um elemento decorativo; na realidade estes eram importantes dutos que continham uma grande quantidade de fios elétricos e condutores de ventilação. O piso aqui era recoberto com placas de linóleo geométrico, um tipo de piso largamente utilizado em todo o Titanic. Os corredores no Convés C, logo abaixo deste andar, seguiam praticamente esta mesma disposição decorativa, com mesmo design de piso geométrico e o mesmo tipo de dutos decorados e paredes apaineladas em madeira pintada de branco.

Ao lado: recentemente descobertas, estas peças históricas que pertenceram ao Olympic, o navio irmão do Titanic, possibilitaram as várias recriações em computação gráfica dos corredores não fotografados dos dois transatlânticos irmãos. Nesta pequena coleção pode-se observar uma peça de linóleo geométrico que recobria o piso, e também alguns frisos dourados que integravam a decoração de "disfarce" dos dutos superiores ao longo do teto dos corredores.

Estas peças foram leiloadas após a demolição do Olympic em 1935, e reaproveitadas como elementos decorativos em propriedades privadas do Reino Unido. Recentemente elas foram redescobertas e novamente leiloadas, ou direcionadas a museus e instituições históricas. Apesar de serem simples e despretensiosas, estas são relíquias que hoje valem alguns milhares de dólares, especialmente aos colecionadores de objetos náuticos históricos ao redor do mundo.

Ao lado: Uma cabine em estilo decorativo Adam, do Olympic, fotografada em maio de 1911, enquanto o navio ainda passava por processo de equipagem (o que pode ser notado especialmente pela ausência de maçanetas nas portas). Através da porta semi aberta pode-se observar um banheiro adjacente; a porta fechada acessava um pequeno closet particular. No Titanic este era o visual correspondente das cabines C 64 e C 90, ambas localizadas no Convés C.

Esta fotografia têm sido constantemente citada nos livros e fontes virtuais como sendo um dos corredores do Titanic; a confusão de identificação é causada especialmente pela ausência de mobiliário. A comprovação de que este não é um corredor se dá pela simples observação da luz natural que se projeta pela lateral direita da fotografia, que entra através de uma das janelas da cabine ainda vazia.


Esquerda: Uma rara imagem de um dos corredores apainelados da 1ª classe a bordo do famoso RMS Mauretania, o navio de propriedade da Cunard Line, que era diretamente concorrente aos navios da White Star Line. A imagem certifica com clareza que os grandes navios da Cunard haviam sido também equipados com luxo e requinte.
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Direita: Um corredor do Convés B da 1ª classe do Titanic recriado para os cenários do filme "Titanic", de 1997. Muito curioso é notar que por conta da completa ausência de fotografias verídicas dos corredores luxuosos da 1ª classe do Olympic e do Titanic, a primorosa produção de arte liderada pelo perfeccionista cineasta James Cameron parece ter recorrido à fotografia do RMS Mauretania nas pesquisas históricas para fazer sua recriação adaptada dos corredores do Titanic. O único acréscimo feito ao corredor cenográfico foi a inclusão de um frontão decorativo sobre as portas das cabines; nos demais aspectos a versão cenográfica segue quase à perfeição os corredores do navio RMS Mauretania.
 
Considerando que os dois navios eram contemporâneos (apesar de serem concorrentes), a reprodução pareceu bastante apropriada. No entanto, apesar de belamente recriado para o filme, as recentes descobertas acerca do visual dos corredores do verdadeiro navio revelam que a versão recriada de James Cameron em verdade está bastante incorreta.
Suítes da Primeira Classe no Convés B
Acima: A suíte de primeira classe B 58, fotografada enquanto o Titanic ainda estava em Belfast, Irlanda do Norte, em março de 1912, antes de seguir para a cidade de Southampton. Nesta cabine hospedou-se o passageiro Quigg Edmond Baxter, que não escapou da tragédia, morreu no naufrágio.

Ao lado: Através da porta semi aberta do closet ao lado dos pés da cama, pode-se notar um pequeno rack de madeira onde estão armazenados alguns coletes salva vidas. O Titanic levava um total de 3.560 coletes salva vidas de modelo aprovado pela Câmera do Comércio Britânica, os quais ficavam estocados em locais muito acessíveis aos tripulantes e aos passageiros da primeira, segunda e da terceira classes. As peças foram colocadas nas cabines, em prateleiras e também eram encontrados em armários ao longo dos corredores da 3ª classe.
Ao lado: Banheiro de uma suíte da primeira classe (ilustração publicitária)
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As cabines da primeira classe do Titanic eram espalhadas ao longo de cinco conveses, no centro do navio, onde o movimento causado pelas ondas seria menos sentido. As acomodações variavam desde cabines para uma só pessoa até suítes com sala de estar que poderiam ser configuradas para acomodar várias pessoas, fazendo com que se pudesse embarcar de 689 a 735 passageiros na primeira classe.
Hoje, o termo "suíte" passou a significar acomodação de luxo, mas na época do Titanic, o termo refletia o seu significado original (francês) de cabines juntas, portanto, quando falamos de primeira classe do Titanic, a palavra suíte se refere a um conjunto de cabines com portas entre si, através das quais os ocupantes poderiam ir diretamente de uma sala para outra sem precisar acessar os corredores. A maioria das suítes localizadas no convés B seguiam exatamente esta disposição.
O Titanic foi equipado com duas suítes de altíssimo luxo, as quais eram compostas por quartos, salas de estar e banheiros privativos com pias de mármore, mas o mais importante eram os conveses de passeio privativo que ofereciam vista direta para o mar. A intenção era a de permitir que os hóspedes mais ricos viajassem em completo isolamento, se assim desejassem, com tudo arranjado para prover suas necessidades.
Ao lado: Umas das pias de mármore resgatadas dos escombros do Titanic. Esta peça segue o mesmo padrão do desenho publicitário na imagem acima.

Os quartos eram grandes, bem iluminados e equipados em uma variedade de estilos decorativos históricos. Os decoradores do navio tinham aprendido recentemente uma lição importante: menos era mais. Os estilos existentes nas cabines dos navios anteriores tendiam a ser exemplos do rococó e do barroco, como os encontrados nos palácios da Europa.

Estes densos estilos ficavam muito bons para um salão de baile, mas não para cabines de passageiros. Portanto, os decoradores do Titanic sabiamente escolheram variedades mais simples dos estilos decorativos. O estilo Adams, Chippendale, e até mesmo o estilo oficial da França de Napoleão, apropriadamente chamado de "Império", foram utilizados. O objetivo era fazer com que as suítes parecessem ainda maiores do que eram.
Ao lado: O convés de passeio particular das suítes B52, B54 e B 56, localizado à bombordo do Titanic (esquerda do navio). Havia apenas mais um passeio particular igual a este, localizado à estibordo (direita do navio) que integrava as suítes B 51, B 53 e B 55. Estes dois passeios particulares eram decorados no estilo TUDOR com mobiliário de vime, piso de pinheiro e vasos com plantas.

As 10 grandes janelas envidraçadas ( à direita) ofereciam vista direta para o oceano e podiam ser abertas através de manivelas de rotação, tal como o vidro de um automóvel. Estas cabines (3 à bombordo e 3 à estibordo) eram as mais caras de todo o navio e contavam com 2 quartos, uma sala de estar, 1 banheiro, 1 banheira, 2 closets e o convés de passeio. Foi precisamente nesta cabine da fotografia que hospedou-se Joseph Bruce Ismay (na foto ao lado), diretor administrativo da White Star Line, o "dono" do Titanic. DETALHE: às costas do fotógrafo (fora de quadro) havia uma porta dupla que acessava diretamente o saguão de entrada da Grande Escadaria.

 
 Ao lado: O Convés de Passeio particular das suítes B52, B54 e B56 (localizadas no lado de bombordo do Titanic) aqui reproduzido para as cenas de "Titanic" (1997). A reprodução cenográfica segue quase à perfeição a versão real, exceto por contar com cerca de 1 metro adicional em sua largura e pela substituição dos soquetes simples das lâmpadas no teto por uma versão incrementada. Nesta cena o protagonista Caledon Hockley (vivido pelo ator Billy Zane) observa o mar através de uma das 10 janelas envidraçadas. Na vida real, Joseph Bruce Ismay teria feito o mesmo após se acomodar nesta luxuosa suíte. As duas portas fechadas que se vê ao fundo acessavam o saguão de entrada da famosa Grande Escadaria dianteira.
A Grande Escadaria traseira
Acima, Convés A: A Grande Escadaria traseira do Olympic vista em uma foto tirada no seu mais alto patamar, no Convés A. O destaque na primeira foto indica a cabine de Thomas Andrews, o projetista do Titanic, por detrás destas janelas (que na verdade eram dois espelhos) ficava a cabine A 36, a qual Thomas Andrews ocupou na 1ª e única viagem do Titanic; a imagem é ilustrativa, visto que na verdade foi tirada à bordo do RMS Olympic, mas apresenta a mesma composição que havia no Titanic. O pequeno detalhe do projeto ao lado mostra a disposição da cabine de Andrews, ao lado da escadaria.

Ao lado, Convés B: A Grande Escadaria traseira do Olympic (virtualmente idêntica à do Titanic) seguia o mesmo estilo da escadaria na proa, com o diferencial de ser um versão ligeiramente mais compacta e de não possuir o grande relógio ornamental em seu patamar central, onde neste caso se localizava um relógio de menor porte e simplificado em suas formas.

As duas portas ao fundo da imagem (uma aberta e outra fechada) comprovam que esta não é uma fotografia feita no Titanic, visto que estas são as portas das cabines A 65 e A 67; ambas as cabines foram construídas/adicionadas em uma das muitas reformas do Olympic, realizada tempos após o naufrágio do Titanic. Originalmente aos pés da escadaria na popa (tanto no Olympic quanto no Titanic) ficava a Recepção do Restaurante À La Carte (que será explicada no tópico abaixo), e caso esta fotografia tivesse sido feita no Titanic (ou no início da carreira do Olympic), ao invés das duas portas de entrada das cabines A65 e A67, veríamos as mesas, poltronas e sofás da recepção do Restaurante à La Carte e uma bela parede apainelada na cor branca.
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*** Apesar de originalmente este patamar da Grande Escadaria traseira estar localizado no chamado "Convés B", no Olympic este convés foi posteriormente renomeado como "Convés A", por isto as duas cabines receberam a devida nomeação "A 65 e A 67".

A Grande Escadaria traseira era localizada entre a terceira e a quarta chaminés e se estendida por três conveses, A, B e C. Ela era caracterizada por balaustradas de madeira de carvalho de mesmo estilo da escadaria na proa e também contava com o mesmo modelo de cúpula de ferro forjado acima das escadas.
Abaixo: Colorização animada da....
Grande Escadaria traseira do Olympic.
Durante a expedição realizada pela empresa RMS Titanic INC em 1987, um querubim de bronze, considerado ter pertencido ao convés C da escadaria traseira, foi recuperado (na foto à esquerda). Ao contrário dos dois querubins grandes localizados na Grande Escadaria dianteira (no Convés A) e na escadaria traseira (no Convés B), este querubim resgatado em 1987 é bem pequeno, com cerca da metade do tamanho de seus "primos mais famosos".

As diferenças maiores entre esta escada e a escadaria dianteira eram de que em vez de haver um grande relógio esculpido no patamar central, nesta escadaria havia um relógio de formato quadrado menor e mais simples. A cúpula de ferro forjado acima desta escadaria tinha formato circular e foi instalada no Convés de Botes, enquanto que na Escadaria dianteira a cúpula era um pouco maior, tinha formato oval e foi instalada um andar acima. À ré da Grande Escadaria na proa havia um conjunto de três elevadores para a 1ª classe, o mesmo não se aplicava à esta escadaria, pois aqui não haviam elevadores. Enquanto que havia um piano vertical logo abaixo da cúpula da escadaria na proa, aqui não havia piano em nenhum dos três conveses por onde se extendia a escada.
Outro fator diferencial entre as duas escadarias eram suas áreas de cobertura: A escadaria na proa se extendia por 07 conveses (Convés de Botes, A, B, C, D, E e finalizava-se num lance muito simples no Convés F, ao lado do Banho Turco e da Piscina), enquanto que esta escadaria se extendia apenas por 03 conveses: Convés A, Convés B e finalizava-se no Convés C, onde ficavam a Barbearia e a Sala de Jantar das criadas e mordomos dos passageiros da 1ª classe.
Recepção do Restaurante À la Carte
Acima: Ilustração de panfleto publicitário da Recepção do Restaurante À la Carte. A porta dupla ao fundo da imagem acessava diretamente o Café Parisiense, enquanto que o acesso ao Restaurante ficava à direita das portas duplas, através de um pequeno corredor.

A Sala de Recepção era localizada fora do restaurante e aos pés da Grande Escadaria traseira. A decoração seguia o estilo georgiano e as paredes eram revestidas de painéis brancos com detalhes emoldurados. O piso era composto de mosaicos de linóleo, coberto por grandes tapetes elaborados. A sala era equipada com cadeiras e sofás de vime estofados com seda. A característica mais impressionante era a escadaria de carvalho com o relógio simplificado no patamar central e o querubim de bronze aos pés da balaustrada central.
Restaurante À la Carte
Acima: O restaurante À La Carte do Olympic, de padrão e decoração semi-idêntica ao restaurante do Titanic. Em 1911, quando o Olympic entrou em operação, o Restaurante À La Carte era uma completa novidade e provou-se extremamente popular; esta grande aceitação fez com que no Titanic o mesmo restaurante fosse equipado com mesas e cadeiras adicionais para acolher os passageiros. Enquanto que no Olympic havia um piano localizado em uma área de destaque do restaurante, no Titanic o piano não foi instalado.

Direita: Uma das arandelas de bronze em estilo Luís XV que compunham o Restaurante À La Carte que foi resgatada dos escombros do Titanic.

Além de tomar as refeições no Salão de Jantar principal, os passageiros da primeira classe poderiam fazer reservas em um Restaurante À la Carte, localizado na parte final do convés B. O que começou como um pequeno restaurante no RMS Olympic um ano antes, foi expandido em dimensões no Titanic, oferecendo 140 lugares, onde o luxo e exclusividade dos serviços virtualmente acabou criando uma “Primeira Classe dentro da Primeira Classe”.
Esquerda: Uma das cadeiras do Restaurante À la carte do RMS Olympic, que recentemente foi disposta para leilão. A peça é original e em bom estado de conservação, apenas o estofamento fora substituído por um novo tecido, perdendo o padrão original.

Observadores informais citaram:
"A introdução do Restaurante À la Carte parece estar criando uma nova classe de passageiros dentro do navio, que assumem um ar de superioridade e se mantém distantes do Salão de Jantar comum."

Por padrão as refeições para todas as classes do Titanic eram incluídas no preço da passagem e os passageiros poderiam selecionar as suas refeições em um cardápio generoso, mas fixo. No entanto, no Restaurante À la Carte os passageiros poderiam escolher cada prato separadamente a partir de uma seleção mais ampla do que a seleção disponível no Salão de Jantar principal. Lady Lucy Duff Gordon, uma modista de renome internacional, viajando com seu marido, Sir Cosmo Duff Gordon, escreveu sobre a experiência da refeição no restaurante: "Morangos frescos em abril, e em meio ao oceano. É estranho, porque você pensaria que estivesse no Restaurante Ritz.” (Ritz é o nome do restaurante em terra no qual o Restaurante à la Carte fora baseado).
Ao lado: O restaurante À La Carte do Olympic, de padrão e decoração semi-idêntica ao restaurante do Titanic. Na noite de 14 de abril de 1912, exatamente neste local do Titanic, fora dado um jantar especial em honra ao capitão Edward John Smith.

Com esse luxo também vinha um alto preço, os passageiros tinham que pagar por estas refeições, assim como em qualquer restaurante em terra. O Restaurante À La carte era abastecido por uma cozinha exclusiva (a qual também servia o Café Parisiense, adjacente ao restaurante), esta era totalmente independente da enorme cozinha que abastecia os Salões de Jantar da 1ª e da 2ª, ambos localizados no Convés D.
O restaurante era decorado no estilo francês Luís XV, com paredes formadas por painéis de nogueira com molduras e detalhes esculpidos que imitavam laços de fita; estes receberam aplicações douradas que engrandeciam ainda mais a beleza da composição. Guirlandas esculpidas embelezavam o teto e foram repetidas até mesmo nos desenhos das bordas dos pratos. No teto também haviam lustres de cristal, mas com uma diferença sutil dos lustres encontrados em terra: estes tinham sido construídos de forma rígida para que não demonstrassem o suave balanço do Titanic sobre as ondas.
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Ao lado: Réplicas exatas da louça utilizada no serviço luxuoso do restaurante À la Carte do Titanic. As reproduções foram feitas pela reconhecida empresa Royal Crown Derby em 2011, a mesma que fornecera as peças originais para o Titanic em 1912. A empresa Royal Crown Derby existe desde 1750 e é reconhecida pela sua cerâmica branca de alta qualidade. A réplica exata da louça só foi possível graças aos antigos arquivos da empresa, que mantinham ainda os projetos originais utilizados para a louça do Restaurante À la Carte do Olympic e do Titanic. 
O desenho aplicado nas peças era composto por delicadas guirlandas de folhagens verdes e bordas arrematadas com um minucioso filete dourado redesenhado. No centro das peças havia o logotipo da "Oceanic Steam Navigation Company", nome oficial da White Star Line.

Ao lado: Uma curta reconstrução gráfica do Restaurante A la carte do Titanic que ilustra de maneira muito próxima a real aparência do salão em cores. Painéis em nogueira francesa com detalhes esculpidos dourados, um belo carpete róseo e maciças cadeiras de madeira estofadas com tecido estampado num motivo floral. A animação gráfica exibe a área dianteira do restaurante, equipada com janelas arcadas com espelhos.

Café Parisiense
Acima: O Café Parisiense do Titanic, Belfast, março de 1912. Note a ausência parcial das heras trepadeiras artificiais sobre as treliças de madeira, algo que só foi completado após a tomada desta foto.
Outro novo recurso no Titanic era o "Café Parisien" (Café Parisiense), que localizava-se exatamente ao lado do Restaurante À la Carte. O Café Parisiense era uma inovação de luxo no Titanic, esta inovação foi depois incorporada também no RMS Olympic, no ano de 1913, após o naufrágio do Titanic.
Ao lado: O Café Parisiense do Olympic foi incorporado apenas em 1913, um anos após o naufrágio do Titanic, mas possuía exatamente a mesma decoração e localizava-se no mesmo local que o Café do Titanic, ao lado do Restaurante À La Carte. A diferença notória era de que no Olympic foram instaladas pequenas divisórias entre as mesas localizadas na borda exterior, propiciando um ambiente pouco mais privativo para o bate-papo. Ao fundo da sala, antes da porta de saída, também fora instalada uma passagem arcada, e isto fez com que o Café Parisiense ficasse virtualmente dividido em dois ambientes, diferente do Titanic, onde a sala era totalmente aberta e sem divisórias. Os lustres aqui também não seguiam o padrão dos soquetes simples tal como os anteriormente instalados no Titanic.

Passageiros sentados aqui poderiam escolher as refeições do menu do Restaurante À La Carte, mas no Café Parisiense haviam grandes janelas panorâmicas que ofereciam vista direta para o mar, algo que nunca havia sido feito em um navio britânico antes. Se o tempo colaborasse, as janelas poderiam ser abertas e os passageiros poderiam jantar ao ar fresco, outra exclusividade do Titanic. Em sua primeira e única viagem, o Café Parisien se revelou particularmente popular entre os passageiros mais jovens da primeira classe.
Ao lado: O Café capturava o estilo e atmosfera de um café de calçada em Paris. A publicidade da White Star Line descrevia: “Uma varanda encantadora iluminada pelo sol, belamente decorada com treliças francesas com heras e outras plantas trepadeiras ...”

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*** Note as heras trepadeiras artificiais nas treliças das paredes e o carpete no centro da sala, o que evidencia que esta foto foi tirada algum tempo após a tomada da 1ª  imagem, quando os trabalhos de equipagem já estavam em avançado estágio de finalização.

Ao lado: Um exemplar de pires e xícara idêntico à algumas raríssimas peças encontradas entre os escombros do Titanic. Estas peças eram decoradas com esmalte azul cobalto e filetes dourados, com o monograma da "Oceanic Steam Navigation Company" gravado no centro do pires. 

Este modelo refinado de louça foi empregado pela White Star Line no Olympic, no Titanic, no Majestic e esteve em uso até o final da carreira do Olympic em 1935, quando este fora demolido após a fusão entre as duas empresas (White Star Line e Cunard Line), formando então a Cunard White Star. 

Não há um consenso sobre em que local do Titanic esta louça cara foi utilizada. Alguns historiadores inicialmente acreditavam que teria sido no serviço do Café Parisiense. No entanto a descontração e leveza características do Café Parisiense, a extrema raridade destas peças nos escombros do navio e o alto valor da louça (a mais cara de todo o navio), levam a crer que teria sido utilizada apenas nas chamadas "suítes milionárias", localizadas nos dois lados do Convés B, ou então em serviços especiais relacionados ao comandante.

Na noite de 14 de abril de 1912 (a noite da colisão com o iceberg) o menu do Café Parisiense incluía ostras, salmão, pato assado, bife de picanha, patê de Foie Grass (patê de fígado de ganso), pêssegos em geléia Chartreuse (Chartreuse é um tipo de licor francês muito apreciado) e Éclairs de baunilha e chocolate (bombas de chocolate).

Acompanhe no vídeo abaixo uma reconstituição gráfica do Café Parisiense
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Sala de Fumantes da 2ª Classe
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Ao lado: A Sala de Fumantes da 2ª classe do Olympic. A porta à direita dava acesso direto às escadarias da 2ª classe. 

Localizada no Convés B, a Sala de Fumantes da segunda classe era uma acomodação direcionada apenas para os homens, suas paredes eram compostas de painéis de carvalho esculpido. Os móveis, também de carvalho, eram estofados com couro marroquino verde-escuro para aumentar ainda mais o ar masculino. O piso era composto de mosaicos de linóleo, a última moda em revestimentos em 1912, e situado à ré, num canto da sala havia um bar com bebidas e um lavatório para o conforto dos passageiros. Luzes simples em soquetes de cerâmica iluminavam o espaço.
Ao lado: A Escadaria da 2ª classe do Olympic. A porta à esquerda acessava diretamente a Sala de Fumantes. A porta ao fundo acessava o convés de passeio aberto da 2ª classe.

As mesas eram todas aparafusadas ao chão para impedi-las de mover-se quando o navio balançasse sobre o oceano. Salas de fumo como estas no início do século só eram abertas para homens e eram vistas como inadequadas para as mulheres freqüentarem, isso acontecia porque, em muitos aspectos, o hábito de fumar ainda era visto como algo grosseiro para as mulheres.
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Ao lado: A Sala de Fumantes da 2ª classe do Olympic. A grande janela arcada e a porta ao fundo estavam voltadas para a Escadaria da 2ª classe.

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Em todos os navios da época haviam salas especificamente destinadas para que os homens pudessem se recolher para fumar e para tomar bebidas. Eles também poderiam se encontrar neste ambiente para conversar com os colegas passageiros e se o mar não estivesse muito áspero poderia-se jogar cartas, xadrez ou um algo similar. A Sala de Fumantes da Primeira Classe era muito mais espaçosa e confortável do que a da segunda. Os passageiros de terceira classe não dispunham de uma sala de fumar, eles tinham uma "sala geral", que agia como uma sala de fumo / sala de estar.
Castelo de popa, ponte de atracagem e Convés de Passeio da 3ª classe
Acima: O Castelo de Popa do Titanic fotografado na cidade de Queenstown, Irlanda, em 11 de abril de 1912, a segunda parada do navio, apenas quatro dias antes da tragédia. Exatamente neste local uma grande multidão de passageiros se refugiou nos últimos momentos do naufrágio.

Ao lado: Parte do Castelo de Popa do Titanic em uma fotografia feita pelo passageiro Francis Browne no percurso entre a cidade de Cherbourg (França) e a cidade de Queenstown (Irlanda). A rasteira na água deixada pelo movimento do Titanic comprova os relatos de que o navio executou um trajeto sinuoso visando a execução de testes de manobrabilidade.

O Titanic foi o último grande navio de passageiros equipado com Castelo de Popa. Um Castelo de Popa é uma plataforma elevada na extremidade final de um navio, sua função original era a de ajudar a proteger a parte traseira do navio de ser inundada por grandes ondas vindas da ré. No entanto, na época em que os navios atingiram o tamanho do Titanic, este tipo de convés tinha perdido sua utilidade original e foi descartado como recurso de design.
Ao lado: O castelo de popa do RMS Olympic. O local servia de passeio para a terceira classe e abrigava a plataforma de atracagem, cabrestos de amarração, guindastes de carga, âncora reserva e continha oito grandes respiradouros responsáveis por suprir os pavimentos inferiores com ar fresco. 

Os passageiros da terceira classe do Titanic utilizaram este espaço para descansar nos bancos, passear ou jogar baralho. Estes, no entanto, eram obrigados a dividir o convés com as máquinas de carga, cabrestos de amarração, respiradouros e dezenas de outros aparatos. Também localizado na popa havia a ponte de ancoragem traseira. Esta era uma plataforma elevada que cruzava a largura do navio e continha um timão, telégrafos de comunicação, telefone, e outros equipamentos para auxiliar na ancoragem do navio junto aos portos.

Gabinete do Comissário de Bordo (central de atendimento e informações da 1ª classe)
Acima: A reconstituição gráfica mostra o Gabinete do Comissário de Bordo localizado aos pés da Grande escadaria da 1ª classe, no Convés C. ( Crédito fotográfico - Titanic Walkthrough)

Ao lado: O Gabinete do Comissário de Bordo do RMS Olympic. Apesar de muito desfocada, na imagem pode-se ver as arcadas do balcão de atendimento, as divisórias com mesmo padrão das balaustradas da Grande Escadaria e atrás do balcão também se vê as prateleiras.

Localizado aos pés da Grande Escadaria dianteira no Convés C, o Gabinete do Comissário de Bordo consistia em um escritório fechado e um balcão de atendimento dedicado à condução dos assuntos burocráticos do navio, especialmente os assuntos relacionados aos passageiros. Durante a viagem, os passageiros visitaram o balcão para comprar bilhetes para o Banho Turco, cadeiras de convés, e Piscina. E aqueles que desejam enviar um telegrama para localidades em terra, ou saudações do Titanic para amigos e familiares em outros navios, o fariam através deste escritório. Após o pagamento, a mensagem escrita pelo passageiro era transmitida à Sala de Telégrafo no Convés de Botes por meio de um sistema de tubos com ar pressurizado, fazendo com que a mensagem subisse os três conveses rapidamente e caísse dentro de uma pequena cesta metálica na escrivaninha do operador de telégrafo que se encarregaria de transmití-la.
Ao lado: O Comissário Chefe Herbert McElroy à esquerda do Capitão Edward John Smith. Mc ElRoy fechou o Gabinete durante a evacuação do Titanic e pediu para que os passageiros se preocupassem com os seus coletes salva vidas , e não com seus objetos de valor, e se direcionassem para os botes de salvamento.

Além disso, a White Star Line insistia para que os passageiros que viajassem com dinheiro, títulos e jóias depositassem no cofre do navio que ficava neste gabinete. Em troca, havia um recibo que registrava suas posses.

Na noite do naufrágio, os comissários habilmente removeram um grande número desses objetos de valor, colocando-os em bolsas de couro para a evacuação nos botes salva vidas do navio. As bolsas nunca chegaram aos botes e foram junto com o navio para o fundo do oceano. Uma destas bolsas foi recuperada pela empresa RMS Titanic, Inc. durante a Expedição de 1987. A escolha de bolsas de couro foi particularmente feliz, já que os produtos químicos utilizados no curtimento do couro atuaram como uma forte proteção aos delicados objetos, como notas de banco e cartões de visita, que em caso contrário teriam se deteriorado quando expostos à água do mar.
Sala de Estar C 55
Ao lado: A Sala de Estar C 57 do Olympic, de padrão idêntico à Sala de Estar C 55 do Titanic. Clique na foto e veja a reprodução cenográfica construída para o filme Titanic, 1997.

Esta cabine localizava-se exatamente junto da Grande Escadaria dianteira, no Convés C, ao lado do Gabinete do Comissário de Bordo. Esta sala, por sua vez, era decorada no estilo Regência com painéis feitos de mogno polido com apliques de arabescos feitos em bronze dourado. A lareira era, na realidade, um aquecedor elétrico, sobre a qual havia um relógio vertical de estilo Luís XV feito de madeira, também com apliques em bronze dourado.
Direita: Um relógio em estilo Luís XV de madeira com apliques em bronze, de padrão bastante similar ao que fora instalado sobre a falsa lareira da sala de estar C 57 do Olympic, e C 55 do Titanic.
Acima da lareira uma bela tapeçaria da marca Aubusson com uma romântica cena de um casal em meio às árvores. No canto esquerdo uma pequena escrivaninha com gavetas. As duas vigias (janelas) eram voltadas diretamente para o mar.
Foi precisamente nesta cabine (C 55 do Titanic, o navio real) que hospedou-se o famoso casal idoso Isidor Strauss e Ida Strauss, proprietários da loja de departamentos "Macy's" de New York, a qual até hoje existe. O casal Strauss não sobreviveu à catástrofe, ficando muito conhecidos após o naufrágio devido à recusa da Srª Ida de embarcar em um bote salva vidas sem o marido, Isidor.
Ida Strauss, ao ser convocada à embarcar sozinha no bote salva vidas Nº 08, disse a seguinte frase ao marido:
"Nós vivemos juntos há tantos anos, onde você for, eu vou"
Ambos morreram no naufrágio e apenas o corpo de Isidor Strauss foi recuperado.
A Sala de Estar C 55 hoje
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Acompanhe no vídeo abaixo quais são as condições atuais da cabine C 55 nos escombros do Titanic a 3.800 m. de profundidade no Oceano Atlântico-Norte. A gravação é um trecho do documentário "Last Mysteries of Titanic" (Os Últimos Mistérios do Titanic, 2005), dirigido por James Cameron (diretor de "Titanic" e "Avatar").
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A Sala de Estar C 55 reconstruída para o filme Titanic (1997)
 
Curiosidade: A cabine C 55 foi reconstruída cenograficamente para o filme Titanic em 1997 (foto ao lado), mas recebeu o nome B 52, algo totalmente incorreto, visto que a cabine B 52 do navio real possuía visual completamente diferente. A pesar de não representar o verdadeiro visual da cabine B 52 do Titanic (o navio real), que era equipada no estilo Luís XVI, o cenário representa muito bem a cabine C 55, localizada um Convés abaixo, a qual foi ocupada pelo famoso casal Isidor e Ida Strauss.

A reprodução cenográfica vista no filme Titanic (1997) é bastante próxima à fotografia real da cabine C 55, mas peca em muitos detalhes:


No filme, a Sala de Estar ( que é da personagem Rose DeWitt Bukater - Kate Winslet ) faz parte das "Suítes Milionárias" (B 52, B 54, B 56) quando, no navio real, a Sala de Estar com este visual e design ficava no convés C (um convés abaixo), fazendo parte de suítes luxuosas, mas não das famosas "Suítes Milionárias". / No filme, as arandelas (luminárias de parede) são idênticas às luminárias do Lounge (Sala de Estar da 1ª classe), com dimensões maiores e estilo muito diferente das luminárias da verdadeira cabine C 55. / No filme, acima da lareira há um espelho, quando na realidade na cabine C 55 havia a tapeçaria Aubusson / No filme, a posição da lareira é incorreta, sem as janelas nas duas laterias da lareira, as quais (no navio real) eram voltadas diretamente para o mar. / No filme, o acabamento interior da lareira é de mármore com uma proteção frontal de latão dourado, na cabine real o interior da lareira era apenas de metal. / A cabine mostrada no filme é bem maior em relação à verdadeira cabine C 55.
Ao lado: A verdadeira cabine B 52 do Titanic (mesmo design da cabine B 38 do Olympic, ao lado) foi ocupada por Joseph Bruce Ismay, o proprietário do Titanic, diretor administrativo da White Star Line.

Portanto, se o diretor James Cameron tivesse reconstruído a Sala de Estar B 52 com seu verdadeiro visual, ela teria ficado com o mesmo visual da fotografia ao lado. Consequentemente a personagem fictícia Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet) jamais poderia estar hospedada na cabine B 52, visto que na vida real quem a ocupou foi J. Bruce Ismay, o proprietário do Titanic.

Porém este é apenas um capítulo da liberdade de criação tomada pelo diretor James Cameron, visto que a personagem Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet) jamais existiu, ela foi criada pelo próprio cineasta, assim como toda e sua família e o parceiro Jack Dawson (Leonardo DiCaprio), são também personagens ficcionais, jamais estiveram no Titanic, o navio real.

Barbearia
Acima: A Barbearia a bordo do RMS Olympic, similar à Barbearia do Titanic, da qual não se conhece qualquer fotografia.

Ao lado: Reconstituição gráfica da barbearia a bordo do Titanic.
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Esta sala era situada no Convés C, ao lado da Grande Escadaria traseira, à bombordo.
Este ambiente tinha uma regra semelhante à Sala de Fumantes, pois era voltada apenas para os homens. Havia duas utilidades neste ambiente, tanto para oferecer um corte de cabelo de boa qualidade quanto para vender souvenires e outras recordações da travessia pelo Atlântico. A sala acomodava duas pessoas sendo atendidas ao mesmo tempo para um corte de cabelo ou barba. Haviam duas cadeiras reclináveis, lavatórios de mármore e também um sofá de espera.
Abaixo: Um aparelho de barbear e uma pequena embalagem de papel de lâminas Gillette, ambos recuperados dos escombros do Titanic. Estas peças possivelmente teriam pertencido à passageiros, não à barbearia do navio. Curiosamente na pequena embalagem de lâminas há o nome "Brazil" (nosso país), gravado entre a lista de países onde a marca Gillette estava sendo patenteada e vendida naquela época; a marca Gillette hava sido fundada em 1901, onze anos antes da viagem inaugural do Titanic.
Salão de Jantar das criadas e mordomos
Acima: Reconstituição gráfica do Salão de Jantar das criadas e mordomos dos passageiros da 1ª classe.

Esta sala era localizada no Convés C, precisamente junto da Grande Escadaria traseira, no lado estibordo. Esta sala era direcionada para as criadas e para os empregados dos passageiros da 1ª Classe, e tinha capacidade para 56 pessoas ao mesmo tempo. As paredes eram cobertas com painéis brancos com um padrão simples retilíneo. Havia seis longas mesas e cadeiras (que eram presas ao chão) e o piso era composto com mosaicos de linóleo.
Biblioteca da 2ª classe
Acima: A Biblioteca da 2ª classe do Olympic. A imagem mostra os detalhes do ambiente, tal como o carpete, as colunas frisadas, a estante de livros na parede ao fundo e as mesas redondas e quadradas. A porta à esquerda da imagem acessava diretamente as escadarias da 2ª classe.

Ao lado: A Escadaria da 2ª classe do Olympic. 

Localizada à ré do Convés C, a Biblioteca servia como o salão principal para os passageiros de segunda classe, era facilmente acessada ​​a partir da escadaria principal da segunda classe e ficava ao lado da área do passeio fechado.

A Biblioteca era decorada em estilo Colonial Adams, e tinha o diferencial de ser a única sala em todo o navio a ter uma decoração americana ao invés de decoração européia. Existem muitas histórias de passageiros que passaram um bom tempo na Biblioteca escrevendo cartões postais, verificando a localização do navio (que era disposta em mural), ou simplesmente relaxando. Entre aqueles que sobreviveram para contar suas experiências nesta sala, está o professor de ciências inglês Lawrence Beesley. Ele escreveu a seguinte observação sobre sua estadia no navio e suas horas passadas na Biblioteca na última tarde do Titanic:
Ao lado: Lawrence Beesley, passageiro da 2º classe
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"A biblioteca estava lotada naquela tarde, devido ao frio no convés, mas através das janelas podíamos ver o céu claro com o sol brilhante que parecia anunciar uma linda noite e uma manhã iluminada, e a perspetiva de desembarque em dois dias, com tempo calmo até chegarmos em Nova York, havia uma sensação de satisfação geral entre todos nós. Eu posso claramente me lembrar de cada detalhe da Biblioteca naquela linda tarde com o ambiente lindamente decorado, com sofás, poltronas e pequenas mesas espalhadas, escrivaninhas em torno das paredes e a estante de livros com portas de vidro que ficava em uma das extremidades. Toda a sala era de mogno e decorada com colunas estriadas de madeira branca que sustentavam o convés superior. Através das janelas se via um corredor coberto, reservado por consentimento geral como o parque infantil, e lá estavam brincando os dois filhos do senhor Navratil, totalmente dedicado a eles e que nunca os deixava."

(O senhor Navratil perdeu a vida mais tarde naquela noite, mas salvou os seus dois filhos, entregando-os para um bote salva vidas nos braços de pessoas estranhas).
Salão Geral da 3ª classe
Acima: Ilustração publicitária de época que mostra o aspecto da Sala geral a bordo dos navios da Olympic Class, o RMS Olympic e o RMS Titanic. O ambiente era desprovido de ornamentações, banhado pela luz solar que vinha das portinholas circulares voltadas para o oceano.
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Ao lado: Uma placa de linóleo com padrão "fleur-de-lis" resgatada dos escombros do Titanic. Este era o padrão de piso da Sala Geral da 3ª classe e estava presente em vários outros pontos do navio, incluindo também áreas na 2ª classe.

Localizada sob o Convés de Popa, a Sala Geral, era talvez a mais conhecida e popular entre os passageiros da terceira classe. E era realmente um local de encontro para a multidão de nacionalidades que embarcou no navio rumo à uma nova vida na América.
A sala ficava no lado estibordo do navio (direita), e foi revestida com madeira de pinho pintado de branco e equipada com bancos e cadeiras de teca aparafusadas ao piso. Não havia superfícies estofadas, pois se pensava que tecidos poderiam permitir a proliferação de piolhos entre os passageiros da terceira classe. No entanto, nas paredes haviam cartazes publicitários da White Star Line com anúncios dos portos de escala de seus navios.
Acima: A Sala Geral da 3ª classe em uma reconstrução gráfica (recente) em processo de finalização. Pode-se notar que o piso era composto por ladrilho de linóleo com um padrão de desenho denominado "fleur-de-lis", um design de revestimento bastante utilizado em todo o navio. Este Salão de Estar era um versão idêntica à Sala de Fumantes da 3ª classe, situada exatamente ao lado, no entanto aqui as paredes receberam pintura branca e havia um piano disposto recostado na parede traseira para quem quisesse tocar para animar as reuniões. (crédito fotografico: Yannick Allen)

Abaixo: Uma pequena porção do piso do navio, recentemente fotografado nos arredores dos escombros. O ladrilho colorido de linóleo surpreendentemente continua afixado à uma porção de sua base rósea de assentamento, conhecida como litosilo. Junto das peças pode-se observar uma bacia cerâmica, idêntica às instaladas em alguns dos gabinetes das pias nas cabines da 2ª classe.
Sala de Fumantes da 3ª classe
Acima: A Sala de Fumantes da 3ª classe a bordo do RMS Olympic. Situada ao lado do Salão Geral da 3ª classe, esta sala possuía exatamente o mesmo tipo de mobiliário e tinha as mesmas dimensões que o Salão Geral; a diferença entre as duas salas era de que aqui não havia um piano, as paredes foram revestidas com painéis de madeira polida sem pintura, e que às costas do fotógrafo havia um pequeno bar.

A Sala de Fumantes da terceira classe ficava na posição aposta à Sala Geral, à bombordo (esquerda do navio). A revista “The Shipbuilder”, numa publicação de 1912 descreveu a sala assim:
"A sala têm painéis emoldurados em madeira de carvalho, e é um espaço muito adequado e confortável. A mobília é de madeira de teca, semelhante à mobília da Sala Geral."
A Sala de Fumantes tinha o seu próprio bar escondido no canto e haviam escarradeiras para aqueles que mascavam tabaco. Visto que o hábito de marcar fumo e cuspir ainda era moda em 1912, as escarradeiras se proliferaram no navio. Sabiamente, na Sala de Fumantes o piso era de linóleo, o que facilitava a limpeza no caso de sujidades causadas pelo cigarro.
Cozinha da 1ª e da 2ª classe
Acima: Parte da cozinha da 1ª e 2ª classe do RMS Olympic.

A cozinha do Titanic, localizada no convés D, fornecia as refeições para a 1ª e para a segunda classe e ocupava uma enorme porção do convés. A demanda de refeições girava entre 6.000 e 10.000 refeições diárias, para uma lotação de aproximadamente 3.000 passageiros a bordo do navio.
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A cozinha foi equipada para preparar mais de 62.000 refeições durante a travessia e o espaço de trabalho foi cuidadosamente compartimentado de modo que uma quantidade máxima de alimentos pudesse ser preparada em áreas individuais concentradas. Os mais recentes equipamentos de restaurantes, como fornos, panelas, caldeiras de água quente, foram disponibilizados pela empresa Cooking Wilson de Liverpool. O piso era coberto com um ladrilho anti derrapante para a segurança da circulação do apressado pessoal que trabalhava freneticamente no preparo das refeições.
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A cozinha também se compunha de copas, dispensa, padaria, açougue, salas para a prataria e porcelana, salas para os vinhos, cerveja, ostras e também tinha compartimentos de armazenamento para toneladas de carvão.
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Entre os artefatos relacionados às cozinhas encontrados nos arredores do naufrágio está um vidro de azeitona ainda fechado, travessas de porcelana, panelas, pratos e garfos.
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Ao lado: A única fotografia conhecida da cozinha da 1ª e 2ª classe do Titanic.

Elevadores da 1ª Classe
Esquerda: O trio de elevadores da 1ª classe no Convés D do Olympic, de padrão semi-idêntico aos elevadores do Titanic. 
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Abaixo: Um dos raros lustres de bronze com tijela de vidro lapidado do RMS Olympic que ainda hoje existem. No Titanic este padrão também fora utilizado.
Atrás da escadaria se localizava um trio de elevadores que operavam entre os conveses A, B, C, D e Convés E, portanto não haviam elevadores no Convés de Botes ( onde estava instalado os motores do elevador) e no Convés F (onde estava localizado o último lance de escadas).
Nas palavras da publicidade da White Star Line:
"Podemos ser poupados do trabalho de subir ou descer as escadas, inserindo elevadores que levam-nos rapidamente a qualquer um dos inúmeros andares do navio que se pode desejar visitar".
Os motores de suspensão dos elevadores foram instalados em uma cabine localizada exatamente atrás da parede do relógio da Grande Escadaria. Cada elevador tinha capacidade para dez pessoas e só podia ser operado quando os portões internos estivessem fechados. Nas paredes frontais aos elevadores foram instaladas anúncios com letras fundidas em bronze dourado que identificavam cada convés.
Acima: Na reconstituição gráfica à esquerda, uma representação das paredes frontais aos elevadores. A imagem à direita mostra o letreiro em frente aos elevadores no Convés A em sua condição atual, nos destroços do navio. Surpreendentemente a madeira ao redor ainda resiste e também o letreiro de bronze, onde apenas a letra "A" se destacou e caiu em meio aos destroços.

Os elevadores tinham aparência idêntica em todos os conveses, e eram revestidos com painéis de carvalho e colunas frisadas dispostas nos dois lados de cada pórtico de entrada. Sobre cada porta um frontão esculpido em carvalho arrematava a composição; estes frontões, por sua vez, têm origem na arquitetura greco-romana. Na coluna frisada de cada uma das três entradas se dispunha um pequeno painel de vidro iluminado onde eram descritos os conveses nos quais os elevadores operavam: A DECK, B DECK, C DECK, D DECK, e E DECK, logo abaixo deste painel havia um pequeno botão de chamada.
Acima: À esquerda o mostrador de posições do elevador tal qual fora reproduzido nos cenários do filme Titanic (1997). *** A foto à direita pertence Olympic, porém apresenta design muito similar aos elevadores do Titanic.

Os interiores dos elevadores eram decorados com painéis no estilo EMPIRE, os quais eram pintados de branco e receberam inserções de delicados apliques dourados. Curiosamente este era o mesmo estilo decorativo que fora utilizado na cabine C 57 da primeira classe, localizada nos arredores da Grande Escadaria no convés C.
Acima: O comparativo mostra que os interiores dos elevadores foram equipados com o mesmo estilo decorativo encontrado na cabine C 57, marcado pela pintura branca enriquecida por apliques dourados. *** A imagem é da cabine C 59 do RMS Olympic, porém idêntica à cabine C57 do Titanic.

Dentro de cada elevador foi disposta uma poltrona estofada recostada à parede de fundo; nos painéis laterais e de fundo foram equipados três espelhos que ocupavam a meia altura das cabines.Cada elevador dispunha de dois pares de portas corrediças, as portas interiores eram pantográficas, enquanto que as portas exteriores eram de ferro forjado e continham um elaborado trabalho de design formado por barras e desenhos espiralados.
Acima: Os gráficos acima reconstituem o design dos portões dos elevadores, compostos por um portão interno de segurança e um portão externo ornamental.

Acompanhe neste vídeo uma reconstituição gráfica dos elevadores

Saguão de Entrada da 1ª classe

Acima: Uma reconstituição gráfica do saguão de entrada da 1ª classe do Titanic, localizado a estibordo (direita do navio) no Convés D, junto aos elavadores e adjacente à Recepção do Salão de Jantar. As duas portas de aço com treliças de ferro ornamental que se vê na imagem foram instaladas no imenso paredão negro do casco do navio, e ofereciam acesso imediato ao exterior do barco; foi através de portas exatamente iguais a estas que os passageiros da 1ª classe embarcaram no Titanic na manhã de 10 de abril de 1912, vindos diretamente das passarelas de embarque do porto da cidade de Southampton. Numa situação hipotética, se um passageiro caísse por uma destas duas portas, a queda seria de 07 metros até a água. A cozinha e as dispensas ficavam bastante distantes daqui, e o armário ao fundo foi instalado com o propósito de apoiar o trabalho dos garçons que atuavam neste convés. No armário foram armazenados talheres, pratos, xícaras e pires auxiliares para agilizar o serviço de atendimento aos passageiros acomodados na Recepção da 1ª classe, antes e/ou após as refeições. Diferente de toda a área do Salão de Jantar, Recepção e Elevadores, aqui o teto e a iluminação era muito simples, deixando evidente o formato das vigas de sustentação do piso superior. (Crédito fotográfico: Titanic Lost in the Darkness)

Ao lado: O Titanic fotografado pelo passageiro Francis Browne em seu desembarque no dia 11 de abril de 1912, na cidade de Queenstown, na Irlanda (04 dias antes da tragédia). Na foto pode-se nitidamente observar as duas pesadas portas de acesso ao saguão de recepção no lado de estibordo do navio (o mesmo lado da colisão com o iceberg). Do outro lado do navio, à bombordo, a visão era exatamente a mesma, havia lá também mais duas portas de acesso precedentes ao outro saguão adicional.

Esquerda: A porta de entrada para o saguão no lado de bombordo (esquerda do navio) foi recuperada em 28 de agosto de 1998, ela havia permanecido fixa em sua posição original desde a madrugada da tragédia em abril de 1912, sendo observada por uma expedição aos escombros no ano de 1993 ainda presa em suas dobradiças na posição aberta; mas posteriormente a porta se desprendeu do navio e caiu junto ao leito marinho pela ação natural, devido à corrosão e ao seu próprio peso. A peça mede 1.85 X 1.42 e é construída em aço e ferro, com uma armação de bronze para os vidros de 2,5 mm de espessura, além de conter oito mecanismos de fechamento fundidos em bronze. A porta faz parte dos mais de 5 mil objetos resgatados dos escombros do Titanic pela empresa RMS Titanic Inc., (detentora judicial oficial dos direitos sobre os objetos resgatados do Titanic), e integra as exposições itinerantes organizadas pela empresa ao redor do mundo.

Os saguões de acesso ao Convés D no Titanic nada mais eram do que duas salas exatamente idênticas (mas de configuração espelhada, invertida) localizadas em ambos os lados do navio. Ambas eram instaladas de maneira simples e ampla, de modo a receber o fluxo de passageiros da 1ª classe vindos diretamente das plataformas de embarque no porto. As duas salas tinham piso revestido em linóleo geométrico (preto e branco) idêntico ao utilizado nas duas Grandes Escadarias. Os saguões possuíam duas robustas portas de comunicação com o exterior do navio, ambas construídas em aço, nelas haviam duas pequenas janelas retangulares protegidas com um vidro espesso. À frente das duas portas foram instaladas mais duas portas ornamentais internas protetoras, estas constituídas por um belo trabalho de treliças de ferro forjado.

Esquerda: Um close das portas de acesso. Direita: O mesmo local reproduzido para o gigantesco cenário do navio do filme Titanic (1997).

A real função do saguão, além de receber os passageiros, era a de distribuí-los às respectivas acomodações a bordo através de mais três portas adicionais: uma porta de acesso aos corredores das cabines da 1ª classe no Convés D, uma porta voltada para o trio de elevadores da 1ª classe e uma de acesso direto à Recepção do Salão de Jantar da 1ª classe, instalado aos pés da Grande Escadaria.

Abaixo: Uma reconstituição gráfica do saguão de entrada do lado de estibordo (direita do navio), numa visão a partir do mesmo ângulo daquele que estivesse embarcando no Titanic. Ao optar pela porta dupla à esquerda, o passageiro acessaria diretamente a Recepção aos pés da Grande Escadaria. A porta arcada ao fundo estava localizada junto ao trio de elevadores da 1ª classe. À direita pode-se observar o início do corredor contendo várias cabines da 1ª classe, sendo as primeiras delas "D 35" e "D 37" (estas eram as primeiras cabines encontradas após adentar o corredor). O armário de louça localizava-se à esquerda da imagem, junto à parede lateral (fora da visão nesta foto).( Crédito fotográfico - Titanic Walkthrough)

Ao lado - Em uma visita realizada aos escombros do Titanic em setembro de 2001, o cineasta James Cameron (de Titanic e Avatar), conseguiu obter acesso ao Convés D do navio naufragado, e através de um robô-câmera teleguiado através de controle remoto logrou êxito ao acessar o saguão de entrada localizado a estibordo do navio. O local que em 1912 sequer havia sido fotografado, revelou detalhes surpreendentes que até então eram parcialmente desconhecidos: o armário de madeira gravemente decomposto deixa à mostra uma pilha de pratos de louça notavelmente preservados, com o famoso design da louça utilizada nas acomodações da 1ª classe.

Ao lado: Igualmente surpreendente e revelador foi encontrar as portas ornamentais de ferro forjado ainda presas às suas posições originais e com todo o padrão ainda preservado. Este local do navio jamais havia sido fotografado (nem mesmo no navio irmão, o Olympic), e foi apenas nesta expedição que revelou-se a verdadeira configuração destas portas e do saguão de modo geral.

Abaixo: Curiosamente, para seu famoso filme "Titanic" (1997), o diretor James Cameron havia recriado o cenário deste saguão, mas à época devido a falta de dados concretos, reconstruiu o local sem o armário de louças, o teto
plano com lustres requintados, o piso recoberto com um carpete e as
portas interiores feitas com madeira (todos estes aspectos, hoje se sabe, foram recriados de modo incorreto); apesar da caríssima reconstrução, o cenário sequer chegou a ser plenamente explorado na "telona", considerando que esta área do estúdio só é discretamente mostrada em apenas uma cena, quando a passageira Molly Brown embarca no Titanic (Cena ao lado). Desde 1997 as novas descobertas sobre o verdadeiro design do Titanic não pararam e ainda seguem expandindo enormemente o que se sabe sobre o navio de tão breve vida.
Recepção da 1ª Classe

Ao lado: A Grande Escadaria dianteira do Olympic, aqui vista em seu lance localizado no Convés D, onde a escada se abria para a Recepção da 1ª classe, ao lado do Salão de Jantar. O belo candelabro de bronze com 21 lâmpadas fora fabricado pela empresa Perry e Co., de Londres. O topo da porta dupla que se vê ao fundo da imagem (entre o candelabro e a coluna) comprova que esta fotografia foi tirada à bordo do Olympic, visto que no Titanic a mesma porta foi instalada em outra posição, reposicionada à extrema esquerda, e estaria completamente fora de visão numa fotografia tirada neste mesmo ângulo.

Abaixo: O belo candelabro de 21 lâmpadas reconstruído para os cenários do filme Titanic (1997).
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Subindo a plataforma de embarque e entrando no navio através das grandes portas de aço no Convés D, os passageiros da primeira classe estariam na grande Sala de Recepção, ao pé da Escadaria Principal (ao lado).
Durante a viagem, esta vasta sala se tornou um lugar para ver e ser visto e, talvez, beliscar doces enquanto se esperava pelos acompanhantes para o jantar. Após o jantar os músicos se reuniam aqui para entreter os passageiros com uma seleção de músicas clássicas e populares até as 23:00 h.
Ainda que a Sala de Recepção fosse localizada numa parte relativamente baixa do navio, o ambiente parecia ensolarado e acolhedor, isto graças a uma fileira dupla de portinholas de vidro mascaradas por janelas vitrais, as quais eram iluminadas por trás para dispersar a luz em todo o ambiente. Assim como o Salão de Jantar, a Sala de Recepção era decorada no estilo Jacobino com detalhes copiados de muitas das grandes casas da Inglaterra.
A sala se extendia por toda a largura do navio, se prolongando desde as portas de entrada para o Salão de Jantar até os elevadores que ficavam atrás da escadaria. O piso era recoberto com um elaborado carpete de tom vermelho e o mobiliário era composto por poltronas e sofás de vime estofados com tecido verde estampado.
Ao lado: Na porção de estibordo havia um belíssimo piano de cauda com um elaborado trabalho de marchetaria (muito similar à reconstituição ao lado), este piano fora fabricado pela empresa Steinway e Sons e era tocado pela orquestra do navio entre as 16:00 e as 17:00 durante o chá da tarde, e entre as 20:00 e as 21:15.

Ao lado: A recepção do Olympic em uma foto voltada para o lado de bombordo. Na área central, exatamente de frente para a escadaria, havia uma grande tapeçaria Aubusson dentro de uma molduraC 55 que ficava um convés acima da Recepção. De frente para a tapeçaria pode se observar (desfocado) o candelabro de bronze na base das escadas. O piano de cauda se localizava à direita da imagem, fora da visão neste caso.

A Recepção era decorada com estilo Jacobino com paredes e teto pintados de branco e enriquecidos com painéis e molduras esculpidas. A iluminação era feita por dezenas de lustres idênticos aos encontrados no Salão de Jantar, estes eram feitos de bronze com uma "tijela" de vidro lapidado com formato octogonal.
Ao lado: A área de estibordo (direita do navio) da recepção da 1ª classe no Convés D do Olympic, de padrão idêntico à recepção do Titanic. As janelas vitrais permitiam a entrada de luz natural durante o dia e à noite eram iluminadas por trás. Ao fundo pode-se ver três das cinco janelas em arco de vidro transparente voltadas para o Salão de Jantar.

Abaixo um passeio em computação gráfica pela Recepção da 1ª classe no Convés D, ao lado do Salão de Jantar. Esta reconstituição, apesar da grande atenção histórica, não é perfeita em detalhes e apresenta muitas incorreções, ainda assim permite um bela visualização do ambiente de modo geral.

DIVULGAÇÃO: Hudzzle
Salão de Jantar da 1ª Classe
Acima: O Salão de Jantar da 1ª classe do RMS Olympic. Ao fundo vê-se o elegante aparador central com o piano; no Titanic havia também um piano de modelo idêntico, e que, por sua vez, foi tocado apenas no domingo (14 de abril) no serviço religioso matinal da 1ª classe. Contrariando a idéia exibida no filme "Titanic" (1997), por padrão não havia música na Sala de Jantar durante as refeições. Os concertos musicais eram oferecidos apenas na grande sala da Recepção da 1ª classe, aqui vista através das 04 janelas arcadas ao fundo. O diretor James Cameron em seu filme "Titanic" (1997), optou por reproduzir o Salão de Jantar completamente recoberto por um belo carpete com padrão froral; a realidade, no entanto, é que o verdadeiro Titanic ( e também o seu navio-irmão, o Olympic) não possuía um carpete no Salão de jantar, mas sim um colorido ladrilho de linóleo, facilitando enormemente o trabalho de limpeza e aceio deste ambiente tão movimentado (o detalhe do piso pode ser observado na foto acima).

Ao lado: Porta de entrada para o Salão de Jantar a partir da Recepção no Convés D no Olympic, porém com mesmo design aplicado no Titanic. As portas tinham molas de retorno e aberturas envidraçadas com uma treliça ornamental de ferro forjado.

Abaixo: O vídeo a seguir é uma ótima reconstituição em CG (computação gráfica) da Sala de Jantar, que apesar de não ser perfeita, apresenta um resultado muito belo.
Ao lado: Observa-se que na Recepção (nesta foto) o padrão dos lustres e da composição emoldurada do teto eram exatamente os mesmos encontrados dentro da Sala de Jantar, com o único diferencial de que na Sala de Jantar a finalização entre teto e paredes da ala central apresentava uma suave curvatura, enquanto que na Recepção a junção era reta, com 90º de ângulo, onde foram instaladas molduras (sancas) de acabamento.

Esquerda: Uma cadeira autêntica do Salão de Jantar da 1ª classe do Olympic; elas eram feitas com madeira maciça esculpida e estofadas com couro verde-escuro.

Direita: Uma das portas do Salão de Jantar em sua condição atual nos escombros do Titanic, incrivelmente preservadas e ainda fixa nas dobradiças em sua posição original.

Entre a Recepção e a Sala de Jantar haviam portas de madeira com uma abertura de vidro com treliças de ferro forjado ornamental. Do outro lado dessas portas ficava uma sala enorme, que ocupava toda a largura do Convés D e com capacidade de acomodar mais de 500 passageiros numa só refeição. Se nem todos os assentos estivessem reservados, as crianças tinham permissão para jantar com seus pais no salão. Sua localização entre as chaminés nº 2 e nº 3 não era apenas uma coincidência, esta localização oferecia aos passageiros o mais suave local disponível a bordo, onde as oscilações causadas pelo movimento do navio eram muito pequenas.
O Salão de Jantar foi equipado com um piso de mosaicos de linóleo estampados para se assemelhar a um tapete. O Salão era subdividido em alcovas semi-privativas, a sala tinha um ar intimista, um lugar para desfrutar de uma refeição suntuosa oferecida em um serviço de prata. Em 14 de abril de 1912, o menu incluía Filet Mignon, patinho assado, vinagrete de aspargos frios e pêssegos em Gelatina Chartreuse, servidos em porcelana com o logotipo da White star Line.
Ao lado: A única fotografia conhecida da Sala de Jantar da 1ª classe do Titanic. A foto foi tirada no início da viagem pelo passageiro Francis Browne, que escapou da tragédia ao desembarcar na cidade de Queenstown, Irlanda, levando consigo as últimas imagens conhecidas do Titanic. Apesar da pouca qualidade da imagem, se pode notar que a Sala de Jantar tinha exatamente o mesmo design nos dois navios-irmãos, RMS Olympic e RMS Titanic.
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Mais um passo na evolução dos navios daquela época foi a eliminação dos longos bancos e mesas nas salas de jantar. Em navios anteriores, o espaço era muito reduzido e só as melhores mesas tinham lugares para duas, quatro ou seis pessoas. A grande maioria dos passageiros se sentava em longas mesas, o que fazia a conversa difícil, exceto para as pessoas sentadas de frente ou lado a lado.
Com a construção dos novos navios da Star White Line, todas as mesas na primeira classe eram de tamanho modesto, garantindo conversa fácil com qualquer companheiro sentado à mesa. As cadeiras antigas e desconfortáveis vistas em outros navios também foram substituídas por cadeiras estofadas e confortáveis, que se harmonizavam com a decoração.
Ao lado: Um conjunto de chá com mesmo design da louça padrão encontrada na 1ª classe do Titanic. Este modelo específico é denominado "Wisteria" e estava largamente distribuído nas acomodações da 1ª classe e também no Salão de Jantar.


Abaixo: Imagem publicitária publicada em 1911, uma ilustração encomendada pela companhia White Star Line (proprietária do Titanic) que já demonstrava o aspecto opulento e luxuoso que teriam os Salões de Jantar do Olympic e do Titanic. Esta é, pelo que consta, a única referência de época em cores deste espaço, visto que nos dois navios este salão jamais foi fotografado em cores. A presença de abajures sobre todas as mesas evidencia que a White Star Line planejara instalá-los nos dois navios-irmãos, no entanto o Olympic e o Titanic jamais receberam a instalação dos mesmos. Isto teria sido uma possível consequência das reclamações feitas pelos passageiros mais antigos do Olympic, que relataram o exagerado aquecimento deste enorme ambiente provocado pela ostensiva quantidade de luzes instaladas no teto (relata-se que 404 lâmpadas iluminavam este espaço). O diretor James Cameron utilizou-se desta imagem referencial, entre muitas outras, para a reprodução cenográfica do Salão de Jantar de "Titanic" (1997), e adotou livremente os abajures como suporte de iluminação sobre as mesas onde os personagens "Jack" e "Rose" fazem uma de suas refeições (como visto na cena acima).


Cabines da 1ª classe no Convés D 

Abaixo: Duas cabines da 1ª classe do Olympic, localizadas no Convés D. No Titanic estas cabines teriam sido praticamente idênticas. A falta de ornamentos e o teto bruto, com suas vigas, dutos de ventilação e canalização expostos, são uma completa surpresa quando comparadas às suítes luxuosas; o que não significa que estas cabines das fotos estão inacabadas, visto que este era seu aspecto final. Para aqueles que guardam a imagem de que todas as cabines da 1ª classe do Titanic teriam sido de extremo luxo, estas duas fotografias depõem que a verdade não é exatamente o que se pensa.

Na esmagadora maioria das fontes ilustradas sobre o Titanic retrata-se apenas as cabines mais luxuosas, especificamente as localizadas nos andares superiores, e que, portanto, eram as mais caras do navio. Na realidade, apenas algumas das cabines de primeira classe no Titanic eram tão luxuosamente decoradas, como exemplo, os camarotes mostrados no filme "Titanic" (1997). As melhores cabines do Titanic se localizavam no meio do navio, nos conveses B e C. No entanto as cabines de primeira classe do Convés de Botes, e as situadas à frente da Grande Escadaria nos Conveses A, B, C e D, eram muito mais simples, com painéis semi planos e livres de decoração pesada. As cabines da 1ª classe instaladas no Convés E também seguiam esta tendência, e inclusive poderiam ser ocupadas pela 2ª casse em viagens que porventura tivessem maior lotação destes passageiros.
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 O Hospital

Acima: Uma das mais icônicas fotos do Titanic, tirada no dia 02 de abril de 1912, uma semana antes da viagem de inauguração, enquanto o Titanic é rebocado para o Mar da Irlanda para finalmente ser testado. O destaque amarelo situa com precisão a posição das janelas (portinholas) das instalações hospitalares do navio. Curiosamente o hospital estava localizado exatamente entre a enorme cozinha da 1ª e 2ª classe e o o Salão de Jantar da 2ª classe.

Ainda que a Câmara de Comércio ditasse uma regra prática básica para a existência de hospitais nos navios, havia uma necessidade elementar na inclusão de hospitais a bordo dos navios daquela época, com o intuito de atender quaisquer eventuais problemas de saúde entre as milhares de pessoas a bordo durante as viagens atlânticas. No Titanic o hospital estava alocado no Convés D, do lado direito do navio na direção da quarta chaminé. As instalações cirúrgicas (sala de cirurgia) estavam alocadas um andar acima, no Convés C. Havia apenas uma escada privativa a partir do Convés D para chegar  à sala de cirurgia, e esta escada única ligava os dois andares do hospital.

Ao lado - Um dos quartos das instalações hospitalares a bordo do navio RMS Aquitania, da Companhia Cunard Line. A foto ilustra de maneira muito próxima qual teria sido o visual geral do hospital a bordo do Titanic, que também estava localizado junto à borda do navio com a presença de portinholas circulares e também fora equipado com painéis de revestimento pintados de branco; todos estes aspectos faziam parte das regras básicas de padrão pré estabelecidas pela Câmara do Comércio, e se apresentavam de maneira muito similar nos hospitais dos navios daquela época.

O hospital consistia de 4 salas: 3 quartos para pacientes e um quarto para o atendente. Havia um sala de banho e dois banheiros que também faziam parte do conjunto. A ala de doenças infecciosas estava  completamente separada. O hospital de isolamento consistia de dois quartos projetados para 3 pessoas em cada, bem como uma sala de banho e um banheiro. O sistema de ventilação do hospital foi projetado de modo que o ar que saía das instalações através do duto da 4ª chaminé. Toda a ala foi revestida com painéis de madeira pintados de branco, e no chão havia um azulejo preto e branco. As camas nas alas eram de metal esmaltado, alternadas entre camas comuns e beliches.
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Espaço Aberto da 3ª Classe / Salão Geral dianteiro da 3ª classe

Acima: Uma reconstituição gráfica do Espaço Aberto da 3ª classe. A foto ilustra de modo muito próximo todo o visual do ambiente, substituindo a completa ausência de fotografias deste local no Titanic. A imagem mostra a porção de estibordo da sala, voltada na direção da proa, apenas 04 conveses acima do local onde aconteceu a colisão com o iceberg na noite de 14 de abril. Aqui pode-se notar a contínua corrente de contenção posicionada ao longo das aberturas dos porões, um local protegido devido ao risco de queda oferecido pelas duas aberturas que se precipitavam por vários conveses abaixo, como um poço. A porta ao fundo (no meio da imagem) seria utilizada para o desembarque de carga no porto de New York. Neste salão haviam 21 portinholas (janelas circulares, de aproximadamente 35 cm de diâmetro cada uma), todas voltadas diretamente para o exterior do navio. O salão media cerca de 23 metros de comprimento máximo e 24 metros de largura em sua porção traseira; na área dianteira, reduzida pelo formato "afunilado" da proa, o salão media 19 metros de largura máxima.
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Localizado exatamente abaixo do poço do convés C na área da proa, o Espaço Aberto da 3ª classe se tratava de um grande salão no convés D, disposto aos passageiros para se reunirem em suas atividades diárias de diversão, distração ou de repouso. A sala ocupava toda a largura do navio, mas era muito simples e desprovida de ornamentos, assim como a maior parte das acomodações direcionadas à 3ª classe; no entanto o ambiente dispunha de uma contínua fileira de bancos de madeira disposta ao longo das paredes, além de mesas e cadeiras aparafusadas ao piso, similares às encontradas no Salão Geral da 3ª classe, localizado na popa, no Convés C.

Ao lado: Localizado diretamente abaixo do Convés C e sob as duas aberturas de acesso aos porões de carga, o Espaço Aberto da 3ª Classe era rota obrigatória para o embarque de bagagens e da carga alojada nos porões frontais do Titanic através dos guindastes de suspensão.

O salão dispunha de quatro escadarias, duas na extremidade dianteira e duas na extremidade traseira, que forneciam acesso aos conveses inferiores e superiores. Na porção central se localizavam as duas grandes aberturas de acesso aos porões, assim como também no teto haviam duas aberturas que possibilitavam a suspensão de carga retirada ou depositada nos porões através de guindastes do navio ou do porto. Tanto as aberturas localizadas no piso quanto as localizadas no teto eram cobertas com um gradeado de madeira desmontável, que poderia ser removido nos momentos do trabalho de colocação ou retirada de carga e de bagagem.


Acima: Um belo exemplo do processo de embarque de carga através das duas aberturas para os porões frontais do navio (vistas à esquerda e à direita, sem o gradeado e a lona protetora). Nesta imagem nota-se o trabalho de acomodação das bagagens no Convés C do Olympic na cidade de New York, Estados Unidos. As montanhas de bagagens tinham de ser habilmente suspendidas e baixadas, fazendo passagem obrigatória por dentro do Espaço Aberto da 3ª classe.

Ao lado e abaixo: O Espaço aberto da 3º classe fora também reconstituído cenograficamente para as gravações do filme Titanic (1997). Neste cenário foram gravadas as cenas da grande festa da 3ª classe, onde o casal Jack e Rose (Leonardo DiCaprio e Kate Winslet) se divertem ao som da música irlandesa tocada pelos animados passageiros que rumavam para a América. Todo o cenário foi inspirado pelo verdadeiro salão, no entanto as dimensões são muito menores e o mobiliário está quase ausente. Aqui as duas aberturas para os porões de carga (à esquerda e à direita) aparecem desprotegidas e serviram como pista de dança para o casal protagonista, algo bastante improvável de ter ocorrido no verdadeiro Titanic, visto que estes porões se tratavam de área de risco, por isto teriam recebido barreiras de proteção acorrentadas ao seu redor para a prevenção de acidentes. (abaixo: cena excluída do filme Titanic)Abaixo, cena excluída: A protagonista Rose visita o companheiro Jack no Espaço Aberto da 3ª classe nesta cena excluída. Todo o ambiente é mostrado banhado pela luz solar que penetra pelas portinholas voltadas diretamente para o mar. Na cena pode-se ver um piano ao ser tocado por um dos passageiros, no entanto esta é uma das muitas falhas, visto que não há qualquer registro de que nesta sala haveria um piano, este instrumento estava disposto no Salão Geral da 3ª classe, na popa do verdadeiro Titanic, dezenas de metros distante deste local. Apesar de reproduzido de modo apenas próximo à realidade, a descontração e o movimento alegre dos passageiros da 3ª classe teria sido bastante similar no verdadeiro Titanic.


Acompanhe abaixo uma reconstituição gráfica de uma das cabines da 2ª classe (incorretamente nomeada no vídeo como "Cabine da 3ª Classe")



O corredor de serviço no Convés E, conhecido como "Scotland Road" ou "Park Lane"
Acima: Na planta do Convés E o destaque indica claramente a gigantesca extensão e a posição do corredor de serviço. Não há um consenso técnico histórico quanto ao início e o final do corredor, considerando que na verdade não tratava-se de uma linha única reta. No entanto ao longo da Scotland Road os únicos impedimentos à passagem eram as suas curvas e as cinco portas à prova d'água de fechamento horizontal, diferentes das utilizadas dentro das salas de máquinas e caldeiras. De maneira generalizada, a porção oficialmente apelidada como Scotland Road é a mais larga do destaque amarelo na imagem.

Ao lado: Nesta fotografia de extrema raridade, pode-se ver o corredor concorrente à Scotland Road, no lado de estibordo do navio; por estranho que possa soar, este era também um corredor da 1ª classe. A foto foi tirada com a câmera voltada para a frente do barco (no mesmo lado em que o Titanic colidiu com o iceberg). Esta foto é freqüentemente citada como a própria Scotland Road ou como um corredor da 3º classe do Titanic, algo completamente incorreto, visto que na realidade foi tirada à bordo do RMS Olympic, seu navio-irmão.

Este corredor percorria exatamente o mesmo sentido que a Scotland Road (que ficava do outro lado do navio, à bombordo), com o diferencial de que estava localizado no lado de estibordo; e neste caso o corredor era mais estreito e mais curto. Aqui também haviam portas à prova d'água e dormitórios (cabines da 1ª classe). A porta com parafusos nas bordas que se vê em primeiro plano era à prova d'água; a porta que se vê ao fundo (com venezianas de ventilação) pertencia à cabine "E 66" da 1ª classe. Curiosidade: A parede apainelada à esquerda da imagem escondia por detrás de si (a cerca de 10 metros à frente) o duto de passagem da chaminé Nº 03.

Localizada ao longo do Convés E, "Scotland Road" (Estrada da Escócia) é o apelido conferido pela tripulação ao gigantesco corredor de serviço que percorria praticamente toda a extensão do Convés E. Oficialmente esta longa passagem de trabalho não possuía qualquer nomeação oficial por parte da Companhia White Star Line ou pela construtora Harland and Wolff, e o apelido à ele atribuído pela tripulação vinha de uma referência à uma antiga rodovia ao norte da cidade de Liverpool, Inglaterra, que durante muitos anos foi o refúgio cultural e de moradia de comunidades de trabalhadores e imigrantes. Visto que o corredor era principalmente destinado ao tráfego e aos alojamentos dos trabalhadores do navio, o apelido Scotland Road parecia bastante apropriado.

Acima: Nesta fotografia tirada no dia 11 de abril de 1912, na 2ª e última escala do Titanic, em Queenstown, Irlanda, o destaque indica a localização e os extremos da cobertura da Scotland Road. Devido à sua enorme extensão, que iniciava-se na proa e finalizava-se na popa, a Scotland Road se ajustava à leve curvatura para cima das extremidades do navio. Em um cálculo aproximado, o corredor percorria de uma ponta à outra cerca de 220 dos 269,1 metros do navio, facilitando enormemente o acesso da tripulação à qualquer área, sem a necessidade de recorrer aos sinuosos e labirínticos corredores que percorriam as entranhas do Titanic.

Se fosse possível viajar de volta no tempo e caminhar pela Scotland Road no Titanic, teríamos uma perfeita visão dos bastidores do árduo trabalho da tripulação de um grande transatlântico daquela ápoca. Enquanto as acomodações e serviços públicos nos andares superiores desses navios eram freqüentemente descritas em pormenores e ilustradas através de imagens fotográficas na abundante publicidade feita pela White Star Line, raramente esta publicidade exibia os arranjos oferecidos aos camareiros e abastecedores e o grande número de tripulantes necessários para servir às inúmeras salas públicas do navio e os passageiros dentro delas.

A Scotland Road, talvez mais do que qualquer outra área do navio, servia aos membros da tripulação que iam e vinham o tempo todo trabalhando contra os ponteiros do relógio. Ao longo da Scotland Road também se localizava a maioria dos alojamentos do departamento de abastecimento, o que incluía cozinheiros, camareiros, lavadores de prato, despenseiros, garçons, e assim por diante.

Acima: Uma reprodução em computação gráfica do corredor apelidado como "Scotland Road" que percorria a extensão do Convés E. A enorme cobertura deste corredor era tão pronunciada que até mesmo a leve curvatura do piso e do teto do navio poderia ser notada por aqueles que se pusessem a observar o seu comprimento (a leve curvatura do navio não é mostrada nesta reconstituição). (crédito fotográfico: Marconigraph)

Ao lado: O longo corredor situado no Convés E fora reproduzido para os cenários do filme Titanic (1997). O casal ficcional protagonista Jack e Rose (Leonardo DiCaprio e Kate Winslet) encontra a longa passagem após empreenderem fuga do furioso noivo Cal Hockley (Billy Zane). Na cena em questão o casal é fortemente repreendido por um tripulante ao arrombar uma porta de madeira que bloqueava a fuga de ambos.Acima: Apesar de reproduzido de maneira apenas próxima ao que realmente teria sido no verdadeiro navio, a visão do comprimento e a largura deste local teria sido bastante similar no Titanic, onde o corredor realmente teve partes de sua extensão recoberta com painéis de madeira pintada com tinta branca.
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Ao lado: O diretor e explorador marinho James Cameron (de Titanic e Avatar), por ocasião de um mergulho aos destroços do verdadeiro Titanic em 2005, tentou adentrar e percorrer este local utilizando-se de um robô-câmera teleguiado por controle remoto; a equipe conseguiu chegar à Scotland Road, no entanto não obteve sucesso em percorrê-la ao serem bloqueados por uma grande quantidade de detritos e destroços que impediram a passagem do veículo telecontrolado. Isto indica que o imenso peso do navio, somado à forte colisão com o leito marinho e os muitos anos de deterioração, possivelmente tenham causado o colapso total ou parcial deste longo corredor, que fora "partido ao meio" quando o Titanic se quebrou na madrugada de 15 de abril de 1912.

Gabinete do Comissário da 2ª classe  (gabinete de informações e central de atendimento da 2ª classe)
 
Acima: Uma rara imagem do balcão de atendimento do Gabinete do Comissário 2ª classe no RMS Olympic, localizado no lado de bombordo (direita do navio), no Convés E, junto à escadaria traseira da 2ª classe (o corrimão da escadaria pode ser discretamente visto no lado esquerdo da foto). Acredita-se que no Titanic o visual deste local teria sido exatamente o mesmo. CURIOSIDADE: A porta dupla fechada ao fundo, atrás dos pequeno grupo de passageiros, acessava diretamente o famoso e imenso corredor de serviço apelidado de "Scotland Road".

Este gabinete oferecia diversos tipos de atendimento aos passageiros hospedados na 2ª classe, como a resolução de dúvidas, recepção de cartas e mensagens telegráficas e também recolhia objetos de valor à pedido dos passageiros que poderiam guardá-los em dois cofres. Em suma o local funcionava como uma central de atendimento e informações, resolvendo questões e assuntos particulares relacionados aos passageiros da 2ª classe. Os passageiros da 1ª classe também contavam com um balcão de propósito exatamente idêntico, localizado dois andares acima, no Convés C, junto aos pés da famosa Grande Escadaria dianteira da 1ª classe..

Ao lado - Uma fotografia datada de 1998, da Casa do Leme (localizada na Ponte de Comando) nos escombros H.M.H.S. Britannic, o navio-irmão do Olympic e do Titanic, naufragado em 1916. O mesmo tipo de piso pode ser observado na fotografia acima. 

A presença deste tipo de ladrilho instalado no Britannic marca a sua larga utilização nos três navios-irmãos. Este tipo específico de ladrilho de linóleo chamava-se "fleur-de-lis", e fora assentado em áreas da 1ª, 2ª e 3ª classes, e também em locais de trabalho apenas da tripulação do trio de navios da White Star Line. 
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O Banho Turco no RMS Olympic, o navio-irmão do Titanic

Ao lado: A Sala de Resfriamento do Banho Turco à bordo do RMS Olympic.

O RMS Olympic, o navio-irmão do Titanic, também possuía um Banho Turco, o qual seguia exatamente a mesma decoração e o mesmo estilo dos banhos à bordo do Titanic. A grande e principal diferença entre esta acomodação nos dois navios era de que em cada um deles o conjunto de salas se localizava organizado de modo diferente, porém no mesmo local, o convés F.
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No Olympic a sala de resfriamento localizava-se recostada no casco, se um passageiro pudesse olhar pelas suas vigias (janelas) conseguiria ver o mar. Enquanto que no Titanic a sala de resfriamento situava-se afastada do casco, na porção mais central do barco, portanto de suas janelas não se poderia ver o oceano. A mudança de local e posição desta sala entre os dois navios, fez com que as três belas colunas esculpidas que sustentavam o teto do Banho Turco no Olympic se tornassem dispensáveis no Titanic, deste modo o Banho Turco do Titanic não possuía qualquer coluna de sustentação em seu interior.
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Projeto do Olympic (convés F) .......................... Projeto do Titanic (convés F)
Esquerda: O projeto do Olympic, onde o destaque mostra a localização da sala principal do Banho Turco, junto ao costado do navio. Direita: O projeto do Titanic, o qual mostra que a sala principal era localizada ligeiramente afastada do costado do navio.

Acompanhe abaixo uma simulação gráfica da Sala de Resfriamento do Banho Turco, a mais decorada e conhecida de todo o conjunto.

Segue uma simulação gráfica da Piscina do Titanic. Este vídeo é uma pequena prévia de um trabalho que está em desenvolvimento, mas já ilustra muito bem a aparência geral da área da piscina com seus vestiários e duchas para banho.

Divulgação: The 3Dhistory
A sala era simples, mas era pintada de branco iluminada pela luz natural que vinha das janelas exteriores e por lâmpadas em soquetes convencionais. Ao redor das paredes haviam dezenas de ganchos onde os passageiros poderiam pendurar os seus casacos e chapéus. O piso era composto por um simples revestimento róseo.
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Uma comida sem luxo, mas saudável era servida todos os dias, com pão e frutas em cada refeição. Em muitos casos esta era a melhor refeição que o passageiro emigrante já tinha comido.
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A louça também era simples e continha apenas o tradicional logotipo vermelho da White Star Line gravado em cada peça. Assim como em toda a louça do navio, o nome "Titanic" não era estampado nas peças, e isto possibilitava que a louça fosse utilizada em outros navios da companhia caso fosse necessário.

Acompanhe no vídeo abaixo uma reconstituição gráfica do Salão de Jantar da 3ª classe
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mmmm
A Quadra de Squash / Tênis
Acima: A Quadra de Squash do Olympic e do Titanic, aqui vista em uma ilustração de panfleto publicitário da época
A Quadra de Squash se situava no Convés G e era mais um incentivo de atividade física para os passageiros, podendo ser usada tanto para jogo de squash quanto para tênis. A sala era bastante ampla, ocupando a altura de dois andares do navio (Conveses F e G). Redes eram fornecidas para os jogos e havia uma varanda para os espectadores situada na no Convés F, na extremidade posterior da sala, onde os passageiros poderiam assistir as atividades. Competições poderiam ser realizadas e um técnico era disponibilizado para os novatos.

Diferente do Ginásio (no Convés de Botes), o uso da quadra custava 2 Shillings (50 centavos), que era pago no gabinete do Comissário de Bordo, no Convés C. O uso era limitado à 1 hora caso houvessem pessoas à espera.

Ao lado: O corte ao lado exibe a exata localização da Quadra de Squash, no centro do navio. Por se tratar de um corte transversal, a disposição da Quadra de Squash, ao lado da piscina, está incorreta, visto que na realidade a quadra se localizava à cerca de 18 metros para frente da piscina na direção da proa, porém realmente ocupava toda a altura entre os conveses F e G.

Acompanhe neste vídeo uma reconstituição gráfica da Quadra de Squash



Abaixo: A ilustração de um panfleto publicitário do Olympic destaca com mais precisão a localização correta da Quadra de Squash e da Piscina. A Quadra de Squash vista abaixo dos guindastes de carga instalados no Convés C e ocupando dois andares (Conveses F e G). A piscina ligeiramente deslocada do eixo de exaustão da chaminé frontal, ela ocupava virtualmente quase dois pavimentos (Convés F e Convés G), porém ela situava-se em um só andar, o Convés F. Apenas o próprio "fosso" da piscina se extendia abaixo do piso do Convés F para dentro do Convés G.
Gabinete do Correio

Ao lado: Esta fotografia, de um gabinete de correio em um navio, é registrada como sendo verídica do Titanic; no entanto isto não é confirmado, tendo em vista que gabinetes como estes eram muito similares entre os navios devido aos padrões das prateleiras, mesas de separação e sacos de lona.  
 

Embora não haja qualquer objeto recuperado do Gabinete do Correios, é justo registrar os esforços heróicos dos trabalhadores para salvar as correspondências embarcadas no Titanic. Quando o navio começou a afundar e a sala de correio começou a inundar, os cinco funcionários tentaram salvar 200 sacos de correspondências registadas, arrastando-as para o convés superior, um esforço que sem dúvida causou as suas próprias mortes. 

Como muitos navios rápidos no Atlântico Norte, o Titanic foi licenciado para transportar correspondências entre os Estados Unidos e a Inglaterra, daí a denominação R.M.S. (Royal Mail Ship – Navio do Correio Real) por um acordo entre a empresa Ocean Steam Navegation, controladora da White Star Line, e a Her Majesty's Postmaster General, da Inglaterra.

Escondido dos passageiros, o navio tinha salas de classificação e de armazenamento de cartas, as quais ficavam nos conveses mais baixos e isolados. Nestas salas os funcionários postais (três americanos e dois britânicos) abriam centenas de sacos de correio destinados para entrega nos Estados Unidos e no Canadá. Cartas e encomendas eram examinadas manualmente e então colocadas em um separador enorme, com cada casulo representando a cidade de entrega prevista. Esta triagem feita ainda no mar acelerava o serviço de entrega uma vez que o navio chegasse à terra. 

O grau de cuidado com as cartas e encomendas dependia do tipo de seguro adquirido pelo remetente. Correspondências comuns eram despachadas em sacos mantidos em compartimentos comuns, mas as correspondências seguradas ou inscritas eram mantidas isoladas em sua sala de armazenamento próprio. Uma sala especialmente reforçada, chamada desala de espécie”, foi equipada no Titanic caso ele fosse designado para levar o ouro ou dinheiro. Esta sala especial estava sob ordens do comissário chefe.
Sala das Caldeiras

Ao lado: Parte das 29 caldeiras do Britannic ainda dentro dos galpões de construção, antes de sua instalação definitiva no navio. O Britannic foi o "irmão mais novo" do Titanic, no qual foi utilizado o mesmo tipo de caldeira.

Dos quase 900 membros da tripulação que mantinham o Titanic em funcionamento, nenhum deles trabalhava mais pesado dos que os trabalhadores das caldeiras. Nos profundos recessos do navio, 29 caldeiras medindo mais de 4,5 m de diâmetro e divididas em seis salas distintas, as quais produziam o vapor de alta pressão necessário para impulsionar os motores do Titanic e o seu maquinário.

Ao lado: Uma sala de caldeiras de um navio da mesma época em que o Titanic foi construído. A imagem mostra as condições de trabalho da "gangue negra", os trabalhadores que alimentavam as fornalhas.


O combustível para estas caldeiras era o carvão, e a cada dia mais de 650 Toneladas deste carvão tinha de ser movida dos estoques para os carvoeiros e lançados aos fornos manualmente. Estes homens, conhecidos popularmente como a "gangue negra" devido à seus corpos cobertos de poeira de carvão, eram a verdadeira máquina que dirigiram o Titanic em direção à New York. 

Ao lado: Porta à prova d'água

Separando cada uma das salas de máquinas principais haviam portas de aço maciço que selavam os compartimentos um do outro, tornando-os impermeáveis​​; estas se chamavam watertigh doors (portas à prova d'água). Embora as portas fossem suspensas acima das cabeças e caíssem para fechar, um cilindro as prendia, impedido que se fechassem muito rápido e ferissem os tripulantes.

Abaixo: Uma das salas de caldeiras cenograficamente reconstruída para o filme Titanic (1997)
Os interiores do Titanic recriados para o filme Titanic (1997)

Siga abaixo uma apresentação dos cenários construídos para o filme Titanic, dirigido por James Cameron. Apesar da grande preocupação e cuidado nestas recriações cenográficas, a grande maioria dos cenários contém pequenos e grandes erros. Apesar disso este filme é, de longe, a melhor representação do Titanic já reconstruída para o cinema.


Os exteriores do Titanic em Computação Gráfica

Mais alguns fascinantes passeios pelos exteriores do Titanic, reconstituições formuladas para outros jogos de video-game ou versões de apresentação de trabalhos em CGI.

DIVULGAÇÃO: FunnyML
DIVULGAÇÃO: bangayo
DIVULGAÇÃO: mrrrobville


DIVULGAÇÃO: CJCA915


DIVULGAÇÃO: Hudzzle

DIVULGAÇÃO: The 3Dhistory channel

DIVULGAÇÃO: The 3Dhistory channel

DIVULGAÇÃO: 5050tv

DIVULGAÇÃO: anbrugger1
Crédito
Pesquisa, tradução, reedição, legendas e edição de imagens - Rodrigo, TITANIC EM FOCOic s

109 comentários:

Mário disse...

JÁ SOUBE DO NOVO TRAILER DA SERIE TITANIC PARA TV DE 2012?? http://titanicfans.blogspot.com/

André M. - Titânico disse...

Muito rica sua postagem! Adorei, mais uma para a lista das "Melhores que já li "

Titâncios em Ação

Luciano Spears disse...

Essa matéria ta ficando muito boa! super bem editada!
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mais uma para a lista das "Melhores que já li " +1

Rodrigo disse...

opa, obrigado pela atenção. Sempre quiz reunir em um só lugar os interiores do navio, é difícil ter um panorama mais correto, visto que a maioria das fontes é apenas cheia de fotos, sem legendas e uma descrição direta e objetiva. Esta matéria pode se prolongar muito ainda, isto conforme eu puder acrescentar novas informações precisas e novos interiores do Titanic.


Apesar de ficar tudo absurdamente longo, eu quero exatemente assim, pois só concentrando as informações para que haja um panorama claro e visível. Caso contrário eu poderia "estilhaçar" esta matéria em dezenas de pequenos posts... e não é esta a intenção do blog.

De mais a mais, para mim é sempre uma descoberta nova, as pesquisas que ando realizando me trazem informações que eu também não sabia..

Vamos em frente.

Tirano Sauro Rex disse...

Realmente, um grande Post (Em Ambos os sentidos)! Ricvo em imnformações muito iteressantes. Rodrigo sempre trazendo novas informações a cada post. Parabéns pelo seu blog, e que continue melhorando sempre!

Anônimo disse...

Aleguem sabe qual vinho e champanhe foi servido no titanic? Sei que tinha Moët & Chandon e o Mumm, mas não tenho detalhes.

Talia s2 Titanic disse...

EU AMO TITANIC E TUDO Q TEM A VER COM ELE,DESDE Q VI AQUELE LINDO FILME ME APAIXONEI POR ELE E PELA HISÓTIA INTEIRA PARABENS POR TUDO QUE VC POSTA NESSE SITE,E OBRIGADA POR ME ENSINAR AINDA MAIS SOBRE ESTE LINDO SÍMBOLO HISTÓRICO,A JANELA DO tITANIC fANS,tITANIC EM FOCO E tITANIC MOMENTOS FIKA ABERTA O DIA INTEIRA NA TELA DO MEU NOTEBOOK

Talia s2 Titanic disse...

EU AMO TITANIC E TUDO Q TEM A VER COM ELE,DESDE Q VI AQUELE LINDO FILME ME APAIXONEI POR ELE E PELA HISÓTIA INTEIRA PARABENS POR TUDO QUE VC POSTA NESSE SITE,E OBRIGADA POR ME ENSINAR AINDA MAIS SOBRE ESTE LINDO SÍMBOLO HISTÓRICO,A JANELA DO tITANIC fANS,tITANIC EM FOCO E tITANIC MOMENTOS FIKA ABERTA O DIA INTEIRA NA TELA DO MEU NOTEBOOK

Rodrigo disse...

Olá Talia, seja bem vinda ao TITANIC EM FOCO. Eu é que agradeço a atenção ao blog, pois o criei com o único intuito de dividir um pouco de minha admiração e pesquisa com as pessoas que ainda têm um atenção especial pelo Titanic. Este foi o meio que encontrei de ajudar a seguir desvendando cada vez mais esta história tão imortal. E se meu trabalho de divulgação é bem visto, isto paga todo meu esforço e me confirma que não estou falando às paredes.

Espero que encontre aqui pesquisas que a levem sempre um passo além na admiração pela história, onde o meu esforço é justamente este: A HISTÓRIA. Tento ser o mais realista e histórico possível, publicar do modo mais factual que eu puder, quer seja sobre a parte real ou sobre os filmes, eu sempre estarei em busca do que real pelo real.

Até mais, grato pela atenção.

Jlset disse...

Sem palavras...

Jlset disse...

Sem palavras...

Anônimo disse...

gostaria de saber quem ocupou a suite de luxo B51 53 55

Joyce Torres disse...

Seu blog realmente é muito completo e super-bem editado, admiro sua paixão pelo Titanic. Realmente muito bom nota 10, seu blog fica em 1° lugar em meus favoritos.
Parabéns!

Rodrigo disse...

Oi Joyce, seja bem vinda.

Obrigado pela atenção ao blog, fico satisfeito em saber que ainda há pessoas que têm especial atenção pela história do Titanic.

Editar o blog têm sido um desafio constante, pois não tenho experiência longa, mas aprendo muito á cada matéria que publico. Não sou especialista no assunto, mas sou um eterno curioso que têm um lugar reservado para esta história e, em primeiro lugar, tenho respeito por isto tudo. Afinal o Titanic é, em 1º lugar, uma grande tragédia que envolveu muitas pessoas.

Abraço.

Anônimo disse...

A história de Rose e Jack realmente existiu?

Rodrigo disse...

Não amigo, "Rose e Jack" são personagens da ficção, criados pelo diretor James Cameron e incorporados ao roteiro do filme.

Jamais houve duas pessoas com este nome no Titanic (o navio real), nem mesmo aconteceu qualquer história de amor similar à bordo do navio em 1912.

rander disse...

rodrigo a cúpula do titanic foi achada ? no fundo do mar ?

Rodrigo disse...

Oi Rander

Sim, uma pequena parte da cúpula que pertencia à Grande Escadaria da popa foi encontrada, numa área entre a secção da proa e a secção da popa. Porém pelo que consta esta peça não foi resgatada.

Mas já foi resgatado alguns dos medalhões e dos arabescos de bronze dourado que eram inseridos nas balaustradas da escada, o querubim de um dos lançes inferiores da escadaria da popa, peças do piso de linóleo com padrão de triângulos branco e preto, armações de alguns dos lustres.... coisas do gênero.

Assuero disse...

Oi Rodrigo vc poderia tirar uma duvida minha? Séra que daria certo um jogo do titanic? tipo assim com missãoes perigosas encontrar objetos escondidos (matar zunbis)kkkkkkk brincadeira com a invenção do jogo poderia amostrar mais a partes inferiores do navio. Então o que vc me responde? Até a próxima.

Rodrigo disse...

Oi Assuero

Olha, sou sincero em dizer que nunca fui fã de jogos de video game, e tampouco gosto de reconstituições virtuais de qualquer coisa que seja. A não ser que o padrão de qualidade de pesquisa e de imagem sejam de alto nível. Mas isto porque sou muito chato e exigente com imagem.

Mas penso que daria sim muito certo um jogo para video game que se passe dentro do Titanic. Com zumbis, missões, tiros e coisas do gênero faria muito sucesso, pois é disto que vive o giro de mercado para jogos virtuais.

No entanto é claro que considero isto de muito mal gosto,,, Ao mesmo tempo não dá para deixar de admitir que a junção do Titanic+missões, daria muito certo.

E sei que há um jogo exatamente deste tipo em fase de desenvolvimento (ou recentemente finalizado), nos EUA. Só não se ao certo qual é o estágio atual e o nome, mas sei que as reconstituições históricas dos interiores do navio e a qualidade de imagem são muito boas.

É de mal gosto? Ah, com certeza é sim, pelo menos em minha opinião. Mas faria sucesso, isto é inegável.
Só não faria sucesso comigo.

Kelvin Xavier disse...

oi Rodrigo

Estou simplesmente fascinado com o blog.Você está de parabéns

Agora as perguntinhas básicas:queria saber o que aconteceu com a grande escadaria de popa,se simplesmente sumiu como a de proa,se foram encontrados restos,porque em vários documentários que assisti só vejo falarem a respeito da escadaria de proa.Outra de minhas dúvidas é a respeito da piscina e da quadra de squash.Vi num documentário sobre encontrarem o banho turco,mas nada sobre a piscina e a quadra.
Obrigado.Kelvin

Rodrigo disse...

Oi Kelvin, obrigado pela atenção ao Titanic em Foco.

Vou te falar sobre o que sei, lembrando que sou apenas um curioso admirador, não sou perito.

Tudo que já vi de peças resgatadas da Grande Escadaria eram justamente da escadaria de popa. Dela já foram resgatadas peças de bronze decorativas douradas da balaustrada, um querubim pequeno (descrito nesta matéria) e secções de linóleo (piso) preto e branco. Também já foram avistadas (não resgatadas) secções da balaustrada ornamental de aço e também um pequeno fragmento central do domo decorativo.

O motivo é simples: a Grande Escadaria de Popa estava dentro da área onde o navio de partiu ao meio, e é por isso que as peças se soltaram e se espalharam no fundo do mar.
O mais estranho mesmo é que até agora não li, não assisti e nem vi qualquer peça que tenha sido avistada ou resgatada da Grande Escadaria de Proa. E um dos grandes mistérios dos escombros é justamente o paradeiro desta escadaria frontal.
Se a escadaria frontal simplesmente desabou e se diluiu com o passar dos anos, certamente há muitas peças (de metal principalmente) perdidas entre os destroços que estão no fundo do navio, entre os conveses D e E, como gravados por uma das expedições de James Cameron.

Sobre o Banho Turco e Quadra de Squash:
A única equipe de exploração que fez tentativa de chegar à piscina foi a de James Cameron, para as gravações do documentário "Last Mysteries of Titanic", em 2005. E foi nesta tentativa que conseguiram chegar ao Banho Turco, coletando as imagens impressionantes que conhecemos ( e que está na matéria "O Banho Turco, um luxo para a 1ª classe" aqui no blog).
A piscina ficava bem ao lado do banho turco, mas há uma porta à prova d'água entre as duas salas que foi fechada durante o naufrágio e que bloqueia a passagem completamente. Por isto é provável que a piscina esteja bastante preservada. no entanto possivelmente jamais à veremos.
A quadra de squash ficava à cerca de 20 metros à frente da piscina, na direção da proa. Como esta área é de passagem dificílima devido às estreitas escadas e passagens, creio que nem mesmo Cameron tentou chegar à ela, mas nada que impeça o "espírito aventureiro" das futuras expedições.

Isto é tudo o que sei, seja bem vindo ao Titanc em Foco.

João Pedro disse...

Estou admirado pelo seu otimo trabalho Rodrigo e também pela quantidade de informações que o bog contém.
Mas contenho algumas duvidas.
A comida que era servida no café parisiense era igual a de qual restaurante?
Como funcionava o Pal Court e o Café Varandah?
Onde posso encontrar as plantas baixas do Titanic?
Obrigado.João Pedro.

Rodrigo disse...

Oi João Pedro, grato pela atenção ao Titanic em Foco.

Sempre faço questão de registrar que não sou especialista no Titanic, tudo o que publico vêm de uma pesquisa atenta de minha parte, mas que é sempre muito limitada.

Segundo o que sei apenas no Café Parisiense eram sevidas refeições completas, enquanto que no Palm Court não eram servidas refeições, mas sim refrescos e possivelmente apenas lanches leves. O Palm Court de bombordo, junto à Sala de Fumantes era destinado também à fumantes e estava sempre lotado, enquanto que o Palm Court de estibordo era destinado aos não fumantes, e segundo depoimentos a sala permanecia praticamente vazia, por isso foi utilizada para as crianças brincarem.

Na noite da tragédia, 14 de abril, o menu do Café Parisiense incluía ostras, salmão, pato assado, bife de lombo, pêssego em geléia Chartreuse e éclairs de baunilha e chocolate, entre outros.

Quanto às plantas não tenho uma referência, mas na Internet ainda é possível encontrar algo que ajude, basta pesquisar utilizando os termos "Titanic plans".

Até mais, seja bem vindo.

João Pedro disse...

Rodrigo obrigado pela atenção dada as minhas perguntas. Mas você postou no seu blog que as refeições do café parisiense eram igual a do restaurante. O que eu quero saber é se eram igual ao restaurante da primeira classe(convés D) ou do restaurante a lá carte. João pedro

Rodrigo disse...

Oi João, desculpe, deixar passar o detalhe.

Sim, as pessoas poderiam selecionar as mesmas refeições do Restaurante À La Carte, que ficava exatamente ao lado do café Parisiense. O restaurante tinha uma cozinha exclusiva própria, totalmente independente da enorme cozinha que abastecia o Salão de Jantar da 1ª classe no Convés D.


As refeições no Salão de Jantar no Convés D já eram incluídas no preço da passagem, e o menu era fixo. No restaurante À La Carte elas eram pagas "por fora" e podiam ser escolhidas à dedo, pois o menu era mais amplo e mais refinado.

Até

Anônimo disse...

Rodrigo, seu blog está de parabéns! Pra quem é fascinado pelo Titanic aqui é um paraíso!

Tenho uma curiosidade: Sabe-se que o capitão morreu e seu corpo nunca foi encontrado. No filme do Cameron ele é retratado nos momentos finais na sala de comando, mas a verdade é que ninguém sabe ao certo onde e como ele morreu. Há relatos entre os sobreviventes que um homem de barba teria nadado e entregue um bebê a um dos botes, mas se esse homem era Smith ou não também não se sabe.
Como e onde vc acha que foram os últimos momentos do capitão?

Sydnei

Rodrigo disse...

Olá Sydnei

Agradeço a atenção ao blog, fico satisfeito em saber que encontrou conteúdo útil. Apesar de ser um simples admirador curioso, minha intenção é publicar bom conteúdo para quem se interessa pelo assunto.
..............
Nunca cheguei e encontrar nada que me fizesse crer totalmente em alguma hipótese sobre o "destino final" de Smith, os relatos são muito romantizados e alguns casos muito vazios, sem grandes informações.

O relato que mais me chama atenção é o de Harold Bride, o telegrafista júnior do Titanic. Segundo Harold Bride o capitão Smith mergulhou para o mar a partir da ponte de comando alguns minutos antes do naufrágio.
Este relato é o que me parece mais sensato entre todos que li, pois Harold Bride realmente estava na extremidade frontal do Convés de Botes e pode realmente ter visto o capitão, pois estava trabalhando na retirada do Bote desmontável "B" em cima do teto dos alojamentos dos oficiais, ou seja, ele tinha visão total e panorâmica do que acontecia ao redor da ponte de comando (a não ser pela pouca luz, pois o navio não era tão iluminado quanto se imagina). Como Harold Bride não espetacularizou e nem romantizou o seu testemunho, pode ser que tenha acontecido exatamente isto mesmo.

O corpo de Smith nunca foi encontrado, e isto deixa algumas dúvidas, afinal se ele tivesse mergulhado (e morrido em seguida), certamente teria permanecido flutundo na área onde nos dias seguintes foram encontrados os corpos. Ressalto que não há nenhum depoimento ou relato de que ele tenha colocado colete salva-vidas, portanto se não sabia nadar, teria morrido rapidamente até mesmo por afogamento, visto a sua idade (62 anos) que não ajudava, e às pesadas roupas que provavelmente estava usando naquela madrugada fria.

Porém, há de se lembrar também que apenas pouco mais de 300 corpos foram encontrados, dentre um total de 1500 mortos, ou seja, cerca de 1200 corpos desapareceram. E o corpo de Smith pode simplesmente ter "desaparecido" junto aos outros 1200 corpos que também sumiram, quer seja levado pela maré, tragado junto com o navio, ou mesmo consumido por animais marinhos nos dias seguintes.

Enfim, também não teho conclusão concreta. E diante de tantas informações perdidas, tudo pode ter ocorrido: ele ter mergulhado por decisão própria, ter sido surpreendido e derrubado ao mar pela inundação que varreu o convés, ou mesmo inclusive ter se trancado na ponte de comando tal qual mostrado por James cameron... vai saber?. A história pode ser montada ao gosto de cada um....

Até mais, seja sempre bem vindo.

Sydnei disse...

Obrigado Rodrigo,

Eu também acho que a teoria mais viável é que o capitão tenha se jogado no mar da ponte de comando.

Outra figura emblemática é o sr John Jacob Astor, no filme do James Cameron ele é retratado na Grande Escadaria da proa nos seus últimos momentos de vida, mas aquilo foi uma licença poética do diretor.
A verdade é que Astor teria morrido esmagado pela primeira chaminé quando esta caiu no lado esquerdo do navio sobre a asa da ponte do convés, onde Astor e outros náufragos nadavam.
Entretanto eu lembro de também ter lido em algum lugar que Astor teria morrido pisoteado pela grande aglomeração de pessoas que se formou na popa do navio.
Não sei qual teoria é a mais correta, só sei que o corpo dele foi encontrado extremamente mutilado.


Parabéns pelo blog Rodrigo.
Sydnei

tedboy456 disse...

Simplesmente incrível Rodrigo. Muito bem organizado e detalhado cada ponto do navio. vou sempre acompanhar seu blog cara. abraço felipe campelo.

Rodrigo disse...

Olá tedboy456. Obrigado pela atenção ao blog, é bom saber que o conteúdo é bem visto. O blog não têm ritmo e nem frequência de atualizações, mas sempre que possível eu faço a expansão de informações.

Até, seja bem vindo.

Anônimo disse...

por favor vc coloca fotos de cabines da primeira classe no deck e e c pq eu não achei,tb posta o planos de deck do olympic por que eu tb não achei

Netsoft disse...

Rodrigo você tem a planta da Escadaria do Titanic ????? Cara sou fascinado nesse navio, ele era muito majestoso! Se eu fosse rico eu ia construir uma réplica do Titanic e o deixaria atracado em um porto só pra servir de museu!!! O Titanic é histórico e merece ser lembrado pra sempre !!!

Rodrigo disse...

Olá Netsoft, grato pela atenção ao blog. Também não possuo as plantas. Realmente, o Titanic foi um navio fantástico dentro dos limites e padrões de sua época; e isto também me encanta.

Dharana disse...

Oi,Rodrigo!
Muito interessante esse post!Achei bem detalhado e belíssimas fotos!Acho ótimo da forma que vc explica!Agora gostaria de tirar uma dúvida com vc: Convés A e Convés dos Botes é a mesma coisa ou são distintos?

Até e próxima!

Rodrigo disse...

Oi Dharana, fico satisfeito em saber que gosta do conteúdo.

O Convés de Botes é o "último andar" do navio, e o Convés A é o andar diretamente abaixo, ou seja "o penúltimo andar" do Titanic. No início da matéria há um grande gráfico descritivo das acomodações, um corte transversal do Titanic, e nele você pode conferir com mais clareza.

Até mais

Joaão Pedro disse...

Parabéns Rodrigo, o seu Blog é fantástico. Gostaria de saber se você não ira postar nada sobra a sala de máquinas do Titanic? Quero aproveitar para dizer que existem plantas disponíveis na internet no site www.encyclopedia-titanica.org,é só você entrar e clicar em DeckPlans, e dai é só ver em qual convés você quer entrar.
Gostaria de saber se você não gostaria que eu o enviasse por E-Mail fotos raras(mais de 30) sobre a construção do Titanic.
Obrigado pela atenção.
João Pedro

Joaão Pedro disse...

Parabéns Rodrigo, o seu Blog é fantástico. Gostaria de saber se você não ira postar nada sobra a sala de máquinas do Titanic? Quero aproveitar para dizer que existem plantas disponíveis na internet no site www.encyclopedia-titanica.org,é só você entrar e clicar em DeckPlans, e dai é só ver em qual convés você quer entrar.
Gostaria de saber se você não gostaria que eu o enviasse por E-Mail fotos raras(mais de 30) sobre a construção do Titanic.
Obrigado pela atenção.
João Pedro

Rodrigo disse...

Olá João

Agradeço a atenção ao blog. Não tenho previsão de novas matérias por enquanto. Edito o blog de maneira muito tranquila e de modo muito particular, visto que tenho pouco tempo e disposição para edição de pesquisas. Não conto com nenhum apoio financeiro, e isto dificulta a expansão do blog, que não é exatamente uma tarefa muito fácil. Só continuo porque gosto do assunto e não quero deixar minha curiosidade e admiração se acabarem.

Obrigado pela dica, já conheço o site faz alguns anos. Mas não pretendo publicar as plantas, tento evitar a "clonagem" de material, procuro editar e divulgar pesquisa geral, sem o famoso "copia e cola", que é tão comum na Internet hoje. Agradeço a contribuição com as fotos, mas já tenho um grande arquivo formado ao longo dos últimos 10 anos, que é de onde extraio dados e fotos para as matérias e pesquisas.

No demais agradeço novamente a atenção, e me desculpo pelas muitas falhas que o blog contém. É inevitável que isto aconteça quando a única motivação que tenho de mantê-lo é apenas meu carinho pela história e minha disposição limitada.

Lucas disse...

Rodrigo,sou fascinado pelo Titanic,principalmente pelos seus interiores de 1ª classe!
Seu blog é maravilhoso,com um ótimo conteúdo.
Eu tenho uma teoria de como a GRANDE ESCADARIA de proa sumiu:no filme de 1997 a escadaria,por algum motivo,se solta durante as gravações da quebra do domo.Outro fato que pode ajudar esse pensamento é que,um passageiro estava no mar e achou ter visto a proa submergir,mas era só um pedaço da escada.Mas com certeza nem todas as escadas de todos os andarem se soltaram!Com certeza as mais baixas se soltaram ou se quebraram durante a batida no fundo,ou sumiram pela corrosão.
A RECEPÇÃO de 1ª classe por exemplo está bem conservada.
Diferente da SALA de FUMANTES,que com certeza deve estar acabada,pela implosão da popa e pela batida no mar!
Mas há muitos mistérios no NAUFRÁGIO DO TITANIC.Como:por que a porta da recepção no DECK D estava aberta?Por que as janelas dos quartos dos oficiais estavam todas abertas,se a noite estava tão fria?Para onde foi aquela coisa que protegia o DOMO?Por que a parte de trás da proa desaba?E por que a parte da frente da popa também desaba?Por que o navio se quebrou inclinado a tão poucos graus?(19º para ser exato,e não 43º,como se achava antes)?
Por que o Titanic se inclinou a 9º para o lado contrário da batida?
Acho que são perguntas que ninguém pode responder...!

Rodrigo disse...

Oi Lucas, obrigado pela atenção à matéria.

Meu interesse primário, que começou muito antes de ter curiosidade pelo Titanic, é a arte. Sempre fui admirador da arte, e é por isto que a mior parte de minha atenção relacionada ao Titanic passa pela arte: quer seja a arte do próprio navio, dos filmes, das pinturas, das maquetes e assim por diante. A história toda me atrai, mas o aspecto visual de tudo isto é o que prende minha atenção com maior força.

O Titanic é recheado de pequenos e grandes mistérios, sua história possui tantos pontos intrigantes e não completamente respondidos, que é difícil quem não veja nesta trajetória algo de surpreendente e fascianante (ainda que extremamente triste e trágico).

É em parte graças a estas e a muitas outras perguntas não bem respondidas que o Titanic é hoje uma história de apelo amplo, de apelo mundial.


Leandro Marques de Assis disse...

Oi Rodrigo,mais uma vez estou aqui para parabenizá-lo por este blog maravilhoso que é o Titanic em Foco,mas a minha pergunta da vez é:Onde os mordomos e as criadas se hospedavam no navio,por exemplo a personagem Rose e sua família levaram consigo uma criada chamada Trudy,no exemplo deles que se hospedaram nas suítes milionárias,se caso precisassem da ajuda de Trudy durante a noite,como fariam para chamá-la?.Bom espero não ter feito uma pergunta muito difícil rsrs ,obrigado pela atenção desde já.

Rodrigo disse...

Oi Leandro, só posso agradecer a atenção ao blog.

Não posso responder tecnicamente, pois não tenho informação suficiente. Mas analisei 4 casos diferentes de passageiros ricos: Bruce Ismay, John jacob Astor, Benjamin Guggenheim e a família Allison.

Em todos estes casos as domésticas e mordomos/secretários foram hospedados em cabines frente a frente ou lado a lado com as seus patrões. Assim então teoricamente bastava um chamado durante a noite.

A única ressalva que encontrei nestes casos foi da família Allison, pois eles hospedaram apenas a doméstica Alice Cleaver em uma cabine adjacente à deles, e os demais (uma cozinheira e um motorista) foram hospedados na 2ª classe. O motivo parece lógico: durante a viagem eles não precisariam dos serviços de um motorista, nem de uma cozinheira.

Vale lembrar que em todos estes casos, as cabines dos empregados, apesar de também serem de 1ª classe, eram mais simples e menores que as de seus patrões, mas sempre junto às dels, ou pelo menos no mesmo convés.

Não tenho a menor noção se esta era a regra seguida por todos os milionários no navio, mas me parece um padrão muito simples e lógico.

*** E voltando às hipóteses do filme: Se a personagem Rose tivesse hospedado a criada Trudy Bolt neste mesmo esquema, é quase certeza que Trudy estaria na cabine B 62, que era uma cabine bem pequenina, e bem perto da cabine de Rose (Rose dormiu na cabine B 56). Ela poderia também hospedar Trudy na cabine B 58, que era ainda mais perto da sua. Mas neste caso ficaria sem muito nexo, pois a cabine B 58 era grande e requintada. (esta é uma soposição apenas ilustrativa, é claro, todos sabemos que "Rose" é uma personagem ficcional).

Bom, isto é minha conclusão. Não sou perito nem pesquisador. Sou apenas um curioso admirador, nada mais.

Até mais, novamente grato pela atenção ao Titanic em Foco.

Leandro Marques de Assis disse...

Obrigado Rodrigo pela atenção,você por acaso tem alguma foto da cabine B-62,ou alguma de estilo parecido,obrigado.E obrigado pela resposta esclareceu muito minha dúvida.

Rodrigo disse...

Oi leandro. A cabine B 62, pelo que sei, não foi fotografada, nem no Titanic, nem no Olympic. Mas o que tudo indica ela era similar (senão idêntica) às fotos das duas cabines que estão no tópico "Cabines da 1ª classe no Convés A", logo no início desta matéria. Ou seja, ela teria sido muito similar à cabine que o engenheiro Thomas Andrews ocupou no Convés A, ou à cabine que o padre Franscis Browne ocupou até desembarcar em 11 de abril, em Queenstown.

ERIC RAMALHO disse...

onde ficava a sala de recepção e música do Britannic?,pois na gravura esta sala tem vitrais diferentes e decoração diferente da do Olympic e da do Titanic,a sala de jantar da primeira classe tinha decoração diferente?

Rodrigo disse...

Olá Eric, grato pela atenção ao blog.

A Recepção e Sala de Música do Britannic (Convés D, junto à Sala de Jantar da 1ª classe) seria instalada no mesmo local que as do Olympic e a do Titanic. Não sei responder quanto à que decoração ela teria, visto que não existem fotos desta área do Britannic, e possivelmente nem mesmo os painéis e ornamentos foram completamente instalados antes de o navio ser requisitado pelo governo inglês.

A gravura à que você se refere pertence à Recepção do Restaurante A LaCarte (Convés B, à ré do Britannic). No Britannic esta recepção era maior e melhor do que as do Olympic e do Titanic, visto que ele foi construído com projeto semi-idêntico, mas recebeu centenas de melhorias, formuladas com o enorme aprendizado obtido na construção dos dois navios-irmãos anteriores.

No Britannic o Restaurante A LaCarte (junto à recepção da gravura que você mencinou) foi também melhorado e extendido por toda a largura do navio, algo que só foi possível porque o café Parisiense no Britannic foi eliminado deste local, e seria relocado em um andar superior.

O Salão de Jantar do Britannic (Convés D)era exatamente do mesmo tamanho e no mesmo local que os do Olympic e do Titanic. Não existem fotos deste salão concluído no Britannic, mas existe uma fotografia deste local feita um pouco antes de começarem os trabalhos de revestimento com painéis, ou seja, quando o salão ainda estava "crú", exibindo apenas piso, paredes e teto de aço. Esta foto está aqui no blog, na matéria "Sala de Jantar da 1ª classe".

Eu cheguei a ver uma foto de um pequeno fragmento de um dos painéis da Sala de Jantar do Britannic, que foi preservado nas mãos de um colecionador. Este painel possui exatamente o mesmo desenho esculpido que os painéis do Olympic. Assim então posso supor que o Salão de Jantar do Britannic foi projetado para ser bastante similar (ou então exatamente idêntico) ao dos seus dois navios-irmãos... A resposta definitiva não sei.

Lembrando que não sou perito, sou apenas um curioso admirador, nada mais.

Até mais, seja bem vindo.

Leandro Marques de Assis disse...

Olá Rodrigo,a cabine B-56,realmente era decorada no estilo Old Dutch,como é mostrado no filme "Titanic",ou Cameron e sua equipe "Copiaram" o estilo da cabine B-59,assim como copiaram o estilo de decoração da cabine C-55 para fazer a sala de estar do camarote B-52?

Rodrigo disse...

Oi Leandro, sua suposição está correta, James Cameron copiou a decoração da "B 59" para sua "B 56", e errou propositalmente em todas as cabines do "Cojunto Rose" (B 52, B 54 e B 56), sendo que a única área reconstruída com decoração correta é o Convés de Passeio Particular, onde Rose e noivo tomam café da manhã e discutem.

Eu não compreendia o motivo de tantos erros simples, e recentemente entendi: James Cameron queria mostrar o melhor do melhor do Titanic, ou seja, as melhores, maiores e mais bem decoradas cabines. O problema é que as cabines mais belas estavam espalhadas pelo navio... E o que ele fez foi usar as maiores cabines do navio (52, 54 e 56) e repaginá-las com os melhores visuais entre todas as cabines à bordo. O resultado todos sabemos, ficou tudo relativamente errado, mas sem dúvida de extremo bom gosto e relativo respeito histórico.

O resumo é que todas as "cabines de Rose" realmente existiram no navio real (bem similares), mas não no local e na ordem mostrados nos cenários do filme...

Cristian disse...

Eu amo modelos em escala de navios. Na verdade eu gosto de fazer várias coisas ao mesmo tempo com eles, como tê-los por perto quando. Felizmente eu poderia encontrar alguns restaurantes em sp que têm muitas réplicas dos barcos para um para comer e apreciar a vista de uma vez.

Anônimo disse...

fis um blog novo http://olympicclass.blogspot.com.br/

Maycon Lima disse...

Matthew J F
Olá à todos! Eu tenho uma dúvida a qual eu acho que o Rodrigo pode me esclarecer: Rodrigo, como em caso e chuva a água não penetraria pelas chaminés e talvez pudesse causar um problema interno. O que os construtores usaram para resolver esse problema, justamente o de infiltração pela chaminé?
Desde já agradeço!
M J F

Maycon Lima disse...

´Matthew J F.
Ah, e não esqueção de acompanhar as notícias e postagens do Blog: littleshiretea.blogspot.com .Lá você encontra tudo e é bem atendido. Peço a parceria com o digníssimo sir Rodrigo.
Desde já Agradecido M J F...

Maycon Lima disse...

Matthew J F
Olá à todos! Depois que responder à essas minhas perguntas eu lhe implóro para que visite o meu blog e dê um opinião, para mim ter a grande satisfação de chegar na ponta da unha do pé deste blog, pois talvez seja o máximo qe consiga perto deste obelisco da internet.
Desde já agradecido! M J F...

Rodrigo disse...

Oi Maycon, agradeço a atenção e crítica ao Titanic em Foco. Este blog é nada mais do que apenas mais um dentre os milhares à recontar a história do Titanic, não sou especialista nem pesquisador; sou apenas mais um admirador curioso, e utilizo o processo de pesquisar e editar para o Titanic em Foco como meio de manter meu interesse vivo e aprender um pouco mais.

CHAMINÉS - Eu não sabia ao certo sobre o meio de proteção contra água utilizado nas chaminés, mas levantei rapidamente que no Olympic o topo delas era coberto com uma enorme lona externa em períodos prolongados de inatividade, quando o navio estivesse atracado e com caldeiras igualmente inativas, apagadas. No Titanic o sistema teria sido exatamente o mesmo.

Quando em movimento as chaminés não eram cobertas com lona durante a chuva, pois todas elas possuiam um sistema de coleção de água interno, e esta água era eliminada por um simples duto (cano) que se encontrava na parte traseira inferior de cada chaminé (ou seja, a água descia pela abertura da chaminé, então era captada pelo sistema e "despejada" sobre a base do piso externo ao redor da chaminé, onde então era captada novamente pelos dutos ao redor do piso do navio e eliminada para o mar pelas "calhas" de expulsão de água). No entanto não sei dizer qual era exatamente o sistema interno de captação de água dentro da chaminé, não conheço e nem sei como funcionava este aparato.

Novamente agradeço a atenção ao blog, e lembro que sou apenas um curioso admirador, nada mais.

Muito boa sorte com o trabalho em seu blog, manter um trabalho assim só vale a pena quando se têm prazer em fazê-lo.

Anônimo disse...

Oi Rodrigo, sou um grande curioso da historia do Titanic, seus passageiros e a geografia do navio. Gostaria que voce me indicasse fotos ou sites que possuam uma reconstituição gráfica dos interiores do Titanic, principalmente os de segunda classe, que embora eu saiba quais eram, gostaria de ter uma reconstituição das cabines e áreas publicas.
Uma curiosidade, como eram as cabines de primeira classe do deck C no meio do navio? Sei que na proa e na popa elas seguiam o padrão mais simples das de primeira classe, mas e no meio? Elas eram luxuosas? Tinham banheiros privativos? Eram suntuosamente decoradas com painéis de Madeira e etc? Obrigado, abraços

Rodrigo disse...

Olá

O centro de minha atenção está na parte histórica, por isto não sei te indicar fontes de reconstrução gráfica.

A grande maioria das cabines da 1ª classe no Convés C eram básicas, revestidas com painéis brancos emoldurados e também em madeira natural com mobiliário de padrão simplificado. Neste convés não haviam cabines da 1ª classe na popa e nem na proa, pois estas áreas eram ocupadas pelo convés aberto da 3ª classe, pelo passeio coberto da 2ª classe, pela biblioteca da 2ª classe, pelo Salão de Estar e Salão de Fumantes da 3ª classe e , na proa, por áreas destinadas aos tripulantes e ao maquinário de convés.

No 'Convés C' apenas as cabines ao longo de quase toda a borda navio eram luxuosas, todas decoradas com alto padrão, mas nem todas com banheiro privativo e/ou banheira. Apenas um número limitado possuía banheiro, banheira ou sala de estar.

Para se localizar com facilidade, ao olhar pelo lado exterior do Titanic basta imaginar que (no Convés C), todas as janelas circulares que se vê abaixo e entre a chaminé Nº 02 e a chaminé Nº 04 eram de cabines de luxo da 1ª classe.

Até mais, seja bem vindo, grato pela atenção ao blog.

Anônimo disse...

Esse é um dos melhores site sobre tal matéria!!
Muitas informações e detalhes que não são fáceis de se encontrar!!
Parabéns pela iniciativa!

~H.M.

Rodrigo disse...

Obrigado "~H.M." pela atenção ao blog.

Quem realmente merece os parabéns são os milhares de meios que divulgam o Titanic de modo historicamente puro. Não fosse tantos pesquisadores e associações divulgando material em forma de páginas na Internet, livros, filmes e documentários, blogs como o "Titanic em Foco" não seriam possíveis.

O parabéns mesmo é pra história, pois ela segue viva de maneira impressionante, ultrapasando a barreira do tempo e deixando um grande legado.

ERIC RAMALHO disse...

oi rodrigo em resposta ao comentário do dia 10 de setembro de 2012,o café parisien no Britannic não foi relocado para o Deck A e para nenhum outro Deck,ele não foi colocado no Britannic é só vc checar os planos de deck

ERIC RAMALHO disse...

ah e entra no meu blog http://eradeourodosnavios.blogspot.com.br/

Rodrigo disse...

Olá ERIC RAMALHO

Realmente, os planos não mostram a realocação do Cafe Parisiense para nenhum local. Mas há uma citação na revista especializada "The Shipbuilder" (por volta de 1914) que sugere a construção de um "Winter Garden" (Jardim de Inverno) no Convés A do Britannic. A revista apenas sugere, ela não confirma nada.

Como o Cafe Parisiense foi eliminado do Convés B do Britannic (quando fazia extremo sucesso no Olympic e fez sucesso no Titanic) e havia um espaço perfeito para a instalação desde Jardim de Inverno no lado de estibordo do Convés A do Britannic, tudo leva a crer (na opinião dos estudiosos) que o proposto Jardim de Inverno seria construído como uma versão melhorada e expandida do Cafe Parisiense. Considerando que "Jardim de Inverno", "Cafe Parisiense" e "Palm Court" são acomodações de propósito similar e decoração similar, dá para crer que no Britannic ele seria similar às versões do Oympic e do Titanic.

E é por isto que citei que ele seria realocado. Eu acredito que sim, pois foi realmente sugerido pela revista, e era um atributo de grande sucesso, não havia motivo para simplesmente eliminá-lo.

Esta é uma conclusão obtida com discussão de terceiros, não estou afirmando nada, não sou estudioso do trio de navios, sou um admirador apenas. Descubro detalhes todos os dias, e o que parecia certo ontem, hoje é discutido e amanhã é corrigido. Assim caminha a história, de revisões, descobertas e correções.

Até mais.

Anônimo disse...

Bom dia Rodrigo! Ao descermos as escadas do convés A no nosso lado penso que esquerdo ficava o corredor de acesso a sala de leitura, e do lado direito, tinha corredor, e dava acesso ao que? As mesmas salas porém pelo outro lado? Gostaria de saber se você tem conhecimento de algum site onde posso encontrar o filme original TITANIC 1958 - Night to remember, pois tenho o de 1997, e na minha opinião o de 58 é o segundo, segundo melhor. Agradecido! Fernando Hybner

Rodrigo disse...

Olá Fernando

Ao descer a Grande Escadaria dianteira no Convés A, à esquerda estava o corredor de passagem para a Sala de Leitura e para o Lounge, logo na seqüência; você citou corretamente.

No lado direito do lance de escada não havia um corredor, mas sim apenas a parede frontal, com duas janelas em arco e, à extrema direita, o vestíbulo envidraçado de saída para o Convés A. Resumindo: Só havia um corredor de passagem entre a Grande Escadaria dianteira e o Lounge / e havia apenas um corredor entre o Lounge e a Grande escadaria traseira.

No meio de ambos os corredores (dianteiro e traseiro) havia uma porta giratória que aparentemente servia unicamente para um melhor controle da corrente de ar entre os ambientes.

Quanto ao filme não sei te indicar, pois adquiri o meu há anos em DVD. Fico devendo.

Anônimo disse...

O DVD apareceu na Submarino; =D

Anônimo disse...

Muito bom ! uma verdadeira aula sobre Titanic

Rodrigo disse...

Opa, se o conteúdo agrada, fico satisfeito. :)

Agradeço a atenção ao blog.

Anônimo disse...

adorei me interesso muinto pela historia do titanic

Rodrigo disse...

Opa, que bom. Se o conteúdo agrada, fico satisfeito. :)

Leandro Marques de Assis disse...

Oi Rodrigo,mais uma venho quero parabenizá-lo pelo blog "Titanic em Foco" eu posso dizer com clareza que é o melhor blog sobre o Titanic do Brasil!!...Bom a minha dúvida hoje é a seguinte,nos camarotes de luxo dos decks B e C haviam portas que davam acesso aos outros camarotes ao lado e até mesmo dois camarotes dividiam os banheiros privados,eu quero saber,por exemplo,quando uma pessoa se hospedava em um camarote de luxo a bordo do Titanic ou do Olympic,como faziam para manter a privacidade,ou seja,quando o passageiro do camarote ao lado não era uma pessoa da família,a porta que dava cesso ao outro camarote ficava fechada por chave,ou era uma questão de ética mesmo,não invadir o camarote ao lado?? Espero que a pergunta não tenha ficado difícil de entender rsrsrs...Desde já agradeço sua atenção e aguardo novas postagens no "Titanic em Foco".

Rodrigo disse...

Oi Leandro

Só posso agradecer pela consideração ao blog, sou também um entusiasta e aprendo coisas novas justamente enquanto edito ou expando o conteúdo. E gostaria de ter disposição para triplicar o material editado até hoje.

Bem, não tenho a informação sobre que tipo de "tranca" era aplicado às cabines intercambiáveis [suítes], mas posso palpitar que elas eram trancadas ou liberadas pela tripulação de acordo com as declarações dos clientes ao fazerem suas reservas. O termo "suíte", na época do Titanic, se referia à cabines com portas entre si (o termo suíte não tinha a mesma conotação de hoje).

No Convés “B” do Titanic havia aparentemente 10 cabines de luxo com portas entre si [ou seja, era possível percorrer 10 cabines sem sequer acessar o corredor]. No Convés “C” aparentemente eram 13 cabines com portas entre sí. No entanto havia mais conjuntos de cabines com portas em comum espalhadas pelo navio.

Na teoria, se um "time de futebol" resolvesse reservar estas cabines, poderiam optar por deixar todas as portas livres destrancadas, tornando tudo um imenso dormitório comum com portas livres.

No Olympic não havia cabines nas bordas do Convés “B”, pois esta área do Olympic era plenamente livre, como Convés de Passeio envidraçado da 1ª classe. Esta área do Olympic só foi parcialmente ocupada por cabines muitos anos depois, em uma das reformas pelas quais ele passou no meio da carreira. Apesar da ausência de cabines nas bordas deste Convés C, a regra de cabines com portas em comum é igualmente válida para o Olympic, pois seu projeto seguia quase rigorosamente o do Titanic.

Bem, desculpe não responder a contento. Sem a informação concreta sobre este sistema, eu só posso palpitar que a privacidade era garantida através de portas trancadas pelos camareiros (à pedido dos hóspedes); pois as pessoas educadas naquela época eram mesmo mais respeitosas, mas também eram tão ou mais exigentes com relação à privacidade quanto as pessoas de hoje.

Até mais, sempre grato pela atenção ao blog.

kaue Viana viana disse...

Gostaria de ver em modelo ao vivo o café parisiense e o A La Carte , pois tem um belo carpete e uma ótima localização.

Leandro Marques de Assis disse...

Oi Rodrigo,sou eu novamente,com mais uma perguntinha! (Espero não estar sendo inconveniente! rsrsrs).Bom a pergunta da vez é a seguinte,outro dia eu estava lendo sobre o estilo de decoração dos camarotes de primeira classe do Titanic,e eu li que alguns camarotes do Convés C eram decorados no estilo chamado de "Harland and Wolff",eu queria saber se você sabe,como era esse estilo de decoração,se era simples ou extravagante! e se voc~e sabe quais seriam esses camarotes! Bom espero que não tenha ficado difícil a resposta!Mais uma vez de parabenizo pelo blog que é simplesmente esplêndido...extraordinário!! Parabéns!!

Rodrigo disse...

Oi Leandro

Na realidade o estilo "Harland and Wolff" era dividido em 02 tipos de cabines: O primeiro era um estilo similar ao Luís XV, com painéis esculpidos simples / o segundo era composto por painéis semi-planos, com a metade superior da parede pintada de branco e a metade inferior em carvalho polido natural, sem pintura.

Estes dois estilos são chamados de "Cabines Especiais", "Estilo Harland and Wolff", ou simplesmente estilo "A" e estilo "B". Todos estes nomes estão corretos. Eram chamados assim porque foram fabricados pela Harland and Wolff, diferente das cabines de luxo, que foram fabricadas por empresas de decoração terceirizadas.

Estes dois estilos “Harland and Wolff” foram instalados apenas no Convés B e no Convés C, misturados às outras cabines de alto luxo (as cabines de luxo só estavam nos conveses B e C). Os dois estilos não eram de alto luxo, especialmente o estilo "B", que era dos mais simples de todos na primeira classe. Pode-se dizer entre as cabines de luxo, o estilo "A" era um dos mais modestos.

Aí seguem fotos dos dois estilos.

Estilo "A" (também chamado de "estilo francês" ou "Luís XV simplificado" (esta foto é do Olympic). Você verá que os painéis possuem entalhes relativamente simples, pouco exagerados. O material utilizado foi carvalho. *Não existem fotos de nenhuma cabine neste estilo no Titanic.
http://farm8.staticflickr.com/7400/9531994597_8368100f7a_z.jpg

Estilo "B", com painéis de duas cores (esta foto é do Olympic). Aqui você vai ver que o estilo é bem simplificado, com meia parede branca e meia parede em carvalho natural.
http://cs411427.vk.me/v411427582/2656/tZjVKxVCphA.jpg

Eu não tenho como nomear e enumerar a quantidade total de cabines nestes dois estilos, mas no Convés B, por exemplo, eram 22 cabines dividadas entre "A" e "B" no centro do navio; todas estas 22 cabines estavam misturadas com as outras cabines de luxo, sempre situadas na borda externa lateral do navio, com janelas retangulares grandes voltadas para o exterior do navio.

Espero ter esclarecido algo.

Anônimo disse...

Ola Rodrigo admiro muito suas matérias mas algumas informações estão errada como a quadra de Squash que era do conveses F e G e não E e F como foi posto.A piscina também ficava no convés F próximo ao banho turco convés G era apenas a parte funda.Revise isso e ira ficar mais perfeito ainda este blog desculpas se fui inconveniente e obrigado por ótimas informaçoes

Rodrigo disse...

Olá, gostaria de saber com quem falo... É sempre importante indicar seu nome.

Se toda incoveniência viesse de quem gosta do assunto e deseja ver a história tão bem contada quanto possível, seria excelente. Agradeço a dica, já corrigi os pontos do texto onde as informações estavam erradas.

Se é que me serve como desculpa, a questão é que eu trabalho com uma quantidade e variedade tão grande de informações, que muitas vezes os erros acontecem justamente pelo volume de fontes a serem editadas.

Até mais, agradeço a atenção ao Titanic em Foco. É um prazer corrigir o conteúdo orientado por quem gosta do assunto.

Guilherme Martins disse...

Ola Boa noite sou Guilherme Martins que falou sobre os assuntos da Quadra e Piscina sou grande adorador do titanic desde que vi o filme em 2011.Tenho replicas e dvds e conheço variedade de sites com plantas e quantidade de cabines mas adoro seu site por relata como era os interiores de tao esplendido que achei ate fiz uma replica do titanic no jogo minecraft misturando conteúdos dos interiores seus com planta baixa de outros sites.Seu Blog e ótimo e adoro sempre ler novas matérias visito todos os dias mas se quiser acrescentar mais mateias lhe passo os sites com os decks e sobre as cabines
Desde já agradeço pela atençao

Rodrigo disse...

Bom dia Guilherme, obrigado por ter indicado os pontos de correção.

Se você quiser enviar os links, pode fazê-lo através do meu e-mail que está no item "CONTATO", na aba direita do blog.

Não lhe garanto que vou utilizar o material enviado porque já tenho um acervo de referência muito grande, montado nos últimos 11 anos de coleta. A expansão do blog se dá de maneira extremamente tranquila e lenta, não tenho pretensão de acelerar as postagens. Publico apenas quando estou muito disposto e quando encontro material que considero de interesse geral.

Até mais, seja sempre bem vindo ao blog, agradeço a consideração.

kaue Viana viana disse...

Rodrigo, perto da. Grande escadaria havia um tablado mais alto esse tablado e o telhado das salas.

kaue Viana viana disse...

Rodrigo quero falar os erros da minissérie: eu assisti um vídeo que eles criam o cenário, de certeza eles mostram
As plantas. Eu observei na grande escadaria: desde a entrando da 1 classe, janelas: 4 ou 3, do ginásio, janelas 5. Na minissérie : desde a 1 porta, janelas 1, da segunda porta, janelas 5.
Obs: a grande escadaria criada no cenário Titanic 2012
E apenas uma escada que leva a segunda classe e terceira. A placa B Deck e falço. Esse corredor e situado no convés A de passeio.

Rodrigo disse...

Oi Kaue,

eu acompanhei todos os capítulos da minissérie e notei os pontos bons e ruins. Prestei atenção especialmente nos cenários e, é claro, vi toneladas de erros. Seja como for já não ligo para estes erros, meu centro de atenção está na história verídica e nas representações artísticas do Titanic.

Até mais.

Eric Santos disse...

Caraca..... que blog massa...!! nunca tinha encontrado tanta informação sobre o Titanic... gosto muito da história historia dele, desde quem teve a ideia até o naufrágio. ah só uma dúvida ao ver os dois filmes do titanic, um do tempo do ronca e o de 1997, vejo uma enorme diferença de luminosidade do navio tanto na parte interior como fora, depois que vi o que você disse sobre a luminosidade do navio durante a noite. Gostaria de saber se ele era mesmo iluminado em todo canto como mostra o filme de 1997.

Rodrigo disse...

Oi Eric, agradeço a atenção ao blog.

A quantidade numérica de lâmpadas mostrada no filme "Titanic" (1997) está bem próxima da realidade; o Titanic realmente tinha quase a mesma quantidade de lâmpadas tal qual mostrado no filme ( o cenário tinha cerca de 30% mais lâmpadas do que o navio real, segundo uma entrevista que eu li)... mas o efeito exagerado de luminosidade no filme está muito, mas muito errado mesmo. Segundo os estudos que li, o Titanic era um navio relativamente obscuro durante a noite. A luminosidade, especialmente no Convés de Botes, era bastante deficiente.

James Cameron precisou mostrá-lo exageradamente iluminado por motivos óbvios: quanto mais luz, mais belo é o "espetáculo". Em absolutamente todas as cenas exteriores noturnas, James Cameron utilizou aparatos gigantescos de luz “rebatida”, para incrementar ainda mais a iluminação do cenário. Não satisfeito com a “bola de fogo” que ele criou... James Cameron posicionou uma contínua fileira de lâmpadas incandescentes até mesmo sob o piso do navio, atrás da amurada do Convés A do cenário. Evidentemente esta fileira de lâmpadas não pode ser vista durante as tomadas do filme... mas cumpre seu papel. Se os figurantes não tomassem o cuidado necessário, tropeçariam nas lâmpadas colocadas sobre o chão do Convés A.

E há dois fatores ainda mais errados quanto a iluminação do navio no filme: 1º - Na vida real as 04 chaminés não possuíam absolutamente nenhuma iluminação especial, isto não era característica de nenhum navio naquela época, tampouco do Titanic. 2º - Durante todas as tomadas exteriores noturnas do filme, o Titanic é mostrado com praticamente todas as suas janelas acesas, como se estivesse plenamente lotado naquela viagem... Isto é também um erro, pois o navio tinha capacidade para 3.547 pessoas, mas levava apenas 2.200 pessoas naquela viagem... Portanto grande parte das janelas certamente estaria apagada, pela ausência de ocupantes.

Ainda no filme, todas as cenas após a quebra do navio em duas partes estão igualmente erradas em relação à iluminação. A madrugada de 15 de abril de 1912 foi, na realidade, absolutamente escura, a ponto de passageiros não saberem sequer quem eram seus companheiros de bote por não enxerga-los durante a madrugada. Novamente aqui, James Cameron precisou criar um efeito de “pseudo-iluminação” para poder mostrar os desdobramentos da tragédia durante a madrugada. Na vida real foram raros os passageiros que sequer conseguiram enxergar o navio se partindo em duas partes.

Bem, por estas e por outras, o efeito "bolo de aniversário" mostrado no filme "Titanic" está bastante errado. Evidentemente se James Cameron tivesse mostrado o Titanic com tão pouca iluminação quanto ele realmente tinha em 1912... o efeito teria sido bem sem graça e o navio certamente perderia beleza.

Bem, é isto. Estas informações que te passei vêm de pesquisas feitas por terceiros. Eu mesmo fiquei surpreso há alguns anos, quando descobri sobre isto. Desculpe o texto longo.

Até mais, mais uma vez agradeço a atenção ao blog.

Anônimo disse...

Eu sou Maurício Rafael Brisolara Cruz, e-mail: mauriciorbcruz@gmail.com
eu coloquei em Anonimo por que não consigo postar em conta do google.
Adoro descobrir todas as novidades sobre Titanic, muuuito legal, eu gosto muito quando vem os clipes gráficos dos interiores do navio,eu olho todos e pretendo fazer a copia mais fiel possível usando o Scketch up, e vou postar algum dia no Titanic em Foco, mas para isso terei ainda muuuito que estudar sobre o Navio, e também é muito dificil achar um mapeamento completo do Titanic, se voçê conseguir estruturar um mapa completo de todos os conveses do Titanic, pode postar numa dasguias laterais, isso vai ajudar muito para uma identificação do todo do Titanic.
É MUITO LEGAL OS ESTILOS E AS TEXTURA DOS AMBIENTES INTERNOS DO TITANIC!!!! É O QUE MAIS ME IMPRESIONA, CADA UMA DA UMA INSPIRAÇÃO MELHOR QUE A OUTRA!!!

Ricardo disse...

Oi Rodrigo, como já disse em outros comentários, adoro seu site.
Tenho uma pergunta a te fazer: O "restaurante Gatti" e o Restaurante à la Carte são o mesmo restaurante? E é verdade que o povo da mesa principal jantou no À la Carte em 14/04/1912?

Rodrigo disse...

Oi Ricardo, obrigado.

Sim, trata-se do mesmo restaurante, cujo nome oficial era simplesmente "A La carte Restaurant". O apelido "Restaurante Gatti" [utilizado algumas poucas vezes em determinadas fontes] é devido ao fato que ele era dirigido pelo chefe Gaspare Antonio Pietro Gatti, que dirigia dois restaurantes em Londres com seu próprio nome "Gatti". Contanto o nome oficial e correto do restaurante do Olympic e do Titanic é simplesmente "A La Carte Restaurant". E por falar no chefe Gatti.... ele morreu na tragédia e seu corpo foi resgatado pelo navio Minia sob o número 313º; ele está enterrado no Cemitério Fairview, em Halifax, Canadá.

Eu não sei se as pessoas que costumeiramente jantavam na mesa principal no Convés D (Salão de Jantar comum) são as mesmas que jantaram no restaurante na noite de 14 de abril... mas nesta noite o casal Widener ofereceu um jantar em honra do Capitão Smith no Restaurante A La Carte, onde também foram convidados os Thayers, o Major Archibald Butt, Clarence Moore e William Carter e Lucile Carter. Um pouco antes das 21:00 h, o Capitão Smith deixou a homenagem e se dirigiu à Ponte de Comando para cumprir seus deveres

***Coletei estes dados todos que te passei na Encyclopedia Titanica.

Espero ter esclarecido algo. É justamente em busca de respostas que acabo respondendo questões para mim mesmo. Toneladas de coisas que eu jamais memorizo vêm à tona justamente enquanto pesquiso.

Anônimo disse...

Oi Rodrigo, adorei a matéria e o blog, sei muitas coisas sobre o titanic graças a vc.
Na parte em que mostra o saguão de entrda da primeira classe, tem uma cena famosa da entrada de Molly Brown do filme titanic de 1997, onde os primeiros a entrar são os Thayers, depois vem o Guggenheim e a madame Aubert, logo atrás o sr e a sra. Asdtor, mas qum são as duas moças e o cara q entram após eles (antes da sra. Brown)? Vi num outro blog q eles também são conhecidos como os outros passageiros q embarcaram em chenborg, mas quem são?
Obriogado.

Rodrigo disse...

Oi, obrigado. O Titanic em Foco foi criado justamente para informar.

Bem, faz anos que não concentro mais minha atenção nos personagens "satélite" do filme de James Cameron. Mas a sua questão é muito interessante, fiz questão de analisar. Eu jamais prestei atenção neste trio de "personagens" (1 homem e 2 mulheres), e segundo o que eu pude consultar, eles podem ser os três empregados de John Jacob Astor.

Se você reparar atentamente a cena, irá notar que o trio está atento aos passos de Astor e Madaleine, eles usam roupas que denotam serem empregados e entram na mesma cabine do elevador onde também entram Madaleine e Astor. Muito discretamente também é possível notar que Astor entrega seu chapéu ao "sujeito" com a mão direta... O que confirma a possibilidade de se tratar de seu empregado particular.

Chequei rapidamente na "Encyclopedia Titanica" e confirmei que Astor embarcou com um empregado pessoal (Victor Robbins, 42 anos, morreu no desastre), uma enfermeira particular e uma criada para Madaleine [Caroline Louise Endres, 38 anos e Rosalie Bidois, 42 anos], estas duas últimas sobreviveram.

Novamente voltando à cena: Se você reparar, o trio de pessoas aparenta ter a mesma idade dos empregados que citei acima... Por isso, acredito eu, que é grande a possibilidade que Cameron se preocupou até com este pormenor histórico. Se você reencontrar a fonte onde leu sobre a identidade do trio, será um prazer analisar.

É apenas meu palpite, baseado no que eu levantei rapidamente. Parabéns pela atenção, é uma questão bem interessante.

Anônimo disse...

Olá, gostaria de tirar uma dúvida.
Quando o Titanic partiu em sua primeira e única viagem sendo tido como o maior navio naquele momento, O RMS Aquitania e o SS Imperator já estavam sendo construídos não foi ?
Podemos dizer que a White Star Line deu o inicio da ousadia do homem em construir navios gigantes para a época? E que logo depois que o Olympic foi lançado, já existiam vários projetos para navios maiores como o : aquitania e Imperator ? sendo assim o Titanic não seria o maior do mundo por mais de 2 anos. né isso ?

Rodrigo disse...

Olá.

Exatamente, já estavam em construção e seriam ligeiramente maiores e mais luxuosos.

Todas as suas afirmações estão corretas até onde eu posso consultar. O Olympic e o Titanic eram grandes avanços, mas que seriam vencidos pelo avanço ligeiro da competição.

O Titanic suportaria o Título de "maior navio do mundo" por não mais que 14 meses, apenas até junho de 1913, quando o Imperator (alemão) fez sua viagem de estréia.

Há um texto exatamente referente à isto no final da matéria "Qual era o tamanho do Titanic", que pode ser acessada pela lateral direita do blog.

Anônimo disse...

Oi Rodrigo, você poderia me informar qual foi o maior navio construído pela companhia White Star Line? foi o Titanic?

Rodrigo disse...

Olá.

Bem, até onde eu consigo consultar, o maior navio construído para a White Star line foi o Britannic. O Britannic era ligeiramente mais largo que o Olympic e o Titanic e pesava mais que os seus irmãos mais velhos.

Porém o maior navio operado pela White Star Line foi o RMS Majestic (291,4 metros de comprimento). Só que há um porém: Ele não foi originalmente feito para a empresa, mas sim para uma empresa alemã. O Majestic só foi parar nas mãos da White Star como compensação de guerra, a título de reparo pela perca do Britannic, naufragado por uma mina alemã.

Oficialmente o maior navio feito especificamente para a White Star foi o Britannic.

Anônimo disse...

George.

Oi Rodrigo, tenho duas dúvidas que acho que você pode me ajudar.
1º O titanic era o navio mais rápido da época??
2º Caso o Allure of the seas, sofresse uma colisão como a do titanic, existe tecnologia suficiente para suportar aquele nível de água ou ele afundaria do mesmo jeito??

Rodrigo disse...

Oi George,

nenhum dos três navios-irmãos entraria na disputa por velocidade, Olympic, Titanic e Britannic não foram feitos para velocidade, mas sim para conforto com velocidade condizente, mas não para disputas com rivais. O navio mais rápido de 1909 até 1929 foi o Mauretania, da Cunard Line, com 48.26 Km/h. Ele só perdeu o título para o Bremen em 1929 (alemão). O Mauretania sustentou o título por impressionantes 20 anos.

Sobre o Allure só posso palpitar, pois não pesquiso os navios atuais, não tenho interesse por eles.

Considerando toda a gigantesca carga de pesquisa e aprendizado obtido em centenas de anos de história da navegação e milhares de acidentes no mar, acredito que o Allure possivelmente deve estar preparado para um dano do tipo sofrido pelo Titanic. O Titanic não sofreu um dano gigantesco, mas sim uma série de 06 rupturas no casco que, somadas, não resultariam num rombo gigante.

Se o Titanic possuísse compartimentos 100% estanques (até o teto), teria demorado muito mais para naufragar... Os navios atuais certamente já levam em séria consideração o mesmo tipo de dano sofrido pelo Titanic, portanto creio eu que devam estar muito mais preparados, com compartimentos e portas estanques tão seguras quanto a moderna técnica permite. Evidentemente não são feitos para todo tipo de dano, mas certamente são mais seguros no quesito segurança do que foi o Titanic.

Apenas meus palpites... Meu interesse não é "naval", mas sim relacionado especificamente ao contexto geral do Titanic, sua época, e os fatos que o envolvem e seu legado. Navios atuais são imponentes, são grandes, são luxuosos, mas não atraem minha atenção.

Até mais, abraço.

Anônimo disse...

Oi pessoal, me chamo Caio.
acho que esse seu ponte vista que o titanic não sofreu um dano gigantesco, está errado cara.
pode ser em consideração pelo tamanho das rupturas nos 5 compartimentos,mais independente do tamanho a quantidade de água que passou a entrar a bordo era de umas 25 mil toneladas por hora e nem hoje existe navios com capacidade para bombear essa tamanha quantidade de água.
Já em consideração ao Allure of the seas que é um navio atual, não podemos dizer que ele por ser do século 21,suportaria os danos que o Titanic sofreu. Principalmente tirando o Costa Concordia como exemplo, que sofreu um dano muito inferior ao do Titanic e tombou, impossibilitando de lançar muitos de seus botes salva-vidas e olhe que não estava em mar aberto. Acredito que nenhum navio teria se saído tão bem naquela ocasião como o Titanic se saiu, mesmo tendo aquele defeito com os compartimentos que você citou. seu construtor lhe deu 1h 30 de vida e ele durou 2h e 40 minutos e se manteve instável tendo todos seus botes lançados. ao contrário do que muitos dizem, o Titanic salvou 700 vidas e Naufragou porque foi submetido a tensões que estrutura nenhuma poderia suportar. meu ponto de vista. Abraço!

Rodrigo disse...

Oi Caio.

Estou mantendo o blog há 5 anos... Fui, sou e vou continuar sendo nada mais que um entusiasta comum. E faço questão de deixar claro que sou apenas um admirador curioso. Meu ponto de interesse relacioonado ao Titanic não está nos aspectos técnicos, por isso tudo o que eu posso fazer nestas "conversas virtuais" é expressar minha opinião de leigo, que é o que eu sou.

Jamais considere minhas respostas como fatos concretos pelo simples fato de que eu não sou um estudioso. Tudo o que posso fazer na maioria dos casos é expressar minha opinião manca limitada, baseado no pouquíssimo que aprendi.

Até mais, agradeço a expressão de seu ponto de vista e atenção ao blog.

Ricardo disse...

Oi Rodrigo.
Hoje eu quero fazer uma pergunta. Nunca, em nenhuma fonte encontrei a resposta para ela, vamos ver se vc pode me responder: na sala de jantares, havia a mesa principal, com 12 cadeiras (segundo a planta, o filme...), quem eram as pessoas que se sentavam lá?
Nas várias reproduções do Titanic, pessoas diferentes se sentavam lá. Exemplo: no filme de 1997, sentavam-se, além dos personagens ficticios, o sr. Guggenheim e sua amante, a condessa de Rothes, sir cosmo e lady Gordon, a sra. Brown, o sr. Ismay, o coronel Gracie e o sr. Andrews.
Abraço

Rodrigo disse...

Oi Ricardo,

segundo uma antiga discussão entre especialistas em 2002 no site "Encyclopedia Titanica", o livro "Last Dinner On the Titanic" cita que na mesa central sentaram Hugh Walter McElroy (comissário-chefe do Titanic), William Thomas Stead, Frederic Kimber Seward e Eleanor Genevieve Cassebeer, todos estes últimos eram passageiros... Aparentemente o livro não lista os demais nomes, e em 2002 os pesquisadores não sabiam quais eram os outros 8 ocupantes. Também não tenho informação sobre se os assentos eram sempre fixos ou não. Acredito que eram sempre pré marcados.

Segundo a biografia do comissário Hugh Walter McElroy, ele era muito comunicativo e simpático, quase tão querido quanto o Capitão Smith; a ponto de que alguns passageiros reservavam passagens em navios onde ele estivesse. E isto pode vir a explicar a sua mesa de destaque.

Sabe-se que o Capitão Smith jamais sentou na mesa central. A mesa de Smith era uma retangular na extrema dianteira central do salão, para 6 pessoas. Ismay aparentemente sentou-se junto com Smith em 12 de abril... Exceto por este dia, Ismay sempre fez suas refeições em uma das alcovas laterais do salão, nunca na mesa central. Ismay também fez refeições no Restaurante A La Carte, assim como Smith também fez.

Por isso, ainda sem todos os 12 nomes, é possível concluir que os filmes "A Night to Remember" (1958) e "Titanic" (1997) fizeram a livre adequação dramática dos "ocupantes" destas mesas. Ambas as representações estão erradas.

Em 1958 entre os ocupantes estão Ismay e Smith... Em 1997 não é preciso grandes descrições.

Bem, isto é o que pude consultar, nunca parei para pensar especificamente sobre isto. A discussão que eu citei ocorreu em 2002, e eu não sei se dentro destes 12 anos soube-se mais sobre este detalhe. Pode ser que sim, os estudos sobre o Titanic cresceram de maneira “cavalar” nos últimos anos...

Até mais, espero ter contribuído com algo.

Anônimo disse...

ola rodrigo tenho curiosidade em saber qual a altura exata dos conveses a,b,c,d,e,f,g

Rodrigo disse...

Oi, desculpe... preciso ao menos saber seu nome.

Anônimo disse...

oi rodrigo meu nome e gabriel e eu gostaria de saber qual era exatamente a altura dos conveses a,b,c,d,e,,g

Rodrigo disse...

Oi Gabriel,

Convés A - 2,89 m
Conveses B, C e E - 2,74 m
Convés D - 3,20 m
Convés G e os dois conveses inferiores - 2,43 m

Vale lembrar que a altura dos conveses não era uniforme, ela variava em determinados pontos do navio, especialmente na proa e na popa. Aparentemente quase nenhum dos conveses do navio possuía altura uniforme de uma ponta à outra.

Trocando em poucas palavras: O Titanic não era uma "caixa uniforme", as medidas eram muito variáveis.

Até mais.

Anônimo disse...

Ola você pode me dizer o que era compartimentos ou câmeras semi-estanques,li um artigo sobre isso mais não entende.

Rodrigo disse...

Oi, desculpe, para te responder preciso ao menos saber seu nome...

Rafael Lima disse...

Muito bos as matérias Rodrigo,parabems .

Rafael Lima disse...

terminei minha miniatura do titanic,em breve te enviarei fotos

Rodrigo disse...

Oi Rafael, obrigado. Pode enviar, e se quiser eu posto seu trabalho na matéria "Envie sua arte, o Titanic em Foco exibe". Aguardo, até mais.

Filipe Dreyer disse...

Ola, meu nome é Filipe. Queria te parabenizar pelo blog. Conteudo mais completo que ja achei ate hoje sobre o Titanic, cujo me intriga e me deixa admirado desde que era guri. Hoje possuo 30 anos! É uma pena que o ciclo do Titanic tenha se "fechado" com a morte da Millvina Dean, que era a unica sobrevivente viva do naufrágio e faleceu em 2011, pois ela tinha apenas 9 semanas de vida e era a passageira mais nova a bordo. Mas isso não afeta em nada a grandiosidade dessa fatalidade. Esse navio ainda é cheio de misterios que não foram desvendados. Como a piscina que não tem como ser acessada pois a porta a prova de agua impede a passagem! Entre outras coisas... Parabens mesmo pelo Blog. O Titanic me tirou o sono por muitas e muitas noites, e ainda segue me deixando pensativo sobre diversos fatos! Abração!

Rodrigo disse...

Oi Filipe, obrigado pelo apoio, se o conteúdo que edito aqui serve de alguma forma, fico satisfeito. É a forma que encontrei de pelo menos não deixar meu interesse morrer sem ao menos registrar meu respeito pela história.

O legado do naufrágio do Titanic é realmente impressionante, quem é que diria que um desastre seria capaz de manter o nome de um navio presente na sociedade de tão variadas formas por mais de 100 anos? O desastre do Titanic deixou realmente um legado sem par... seja na religião, ciência, arte, cinema, sociologia, psicologia, história, e tantos outros meios.

A parte do legado que eu "abracei" foi justamente a arte, porque sou fascinado por arte. Eu não conseguiria seguir com meu interesse se estivesse focado especificamente no lado trágico. O desfecho da história é pesado demais; ela merece ser explorada em todos os ângulos, mas na medida certa.

Os mistérios que ainda rondam este navio e esta história são um atrativo a mais, não dá para negar que alguns dos pontos obscuros fazem com que ainda hoje tantas pessoas estejam atentas, ou mesmo tenham um interesse superficial.

Explorar, entender, desvendar, expandir informação... estas são as atividades mais atraentes para quem tem interesse especial pelo assunto.

Até mais, mais uma vez grato pela atenção. Um blog não é nada sem leitores, sem as críticas e sem as trocas de idéias... Abraço.