terça-feira, 14 de abril de 2009

97 anos... uma homenagem.


Eis que em primaveril noite de meados de abril levanta-se de um mar negro petróleo um colosso em direção ao céu, tal qual uma mão que se estende ao pedir socorro à um superior que nada faz...

Em seu redor, espalhados como estrelas no céu, estão centenas de almas a clamar por socorro num som agudo, constante e terrível, centenas de almas que ao lançarem-se à sorte sofrem de horrível injúria em meio à glacial água que à todos aflige... calma, verde, fria... MORTAL!

Caindo de alturas imprecisas, debatendo-se, agarrando-se às esperanças de vida encontram-se centenas... idosos, jovens... CRIANÇAS!


Misturados à multidão, assim como numa procissão macabra estão centenas... subindo em direção à popa.... ricos, pobres, famosos, anônimos... PESSOAS

Como platéia que assiste ato de horror, centenas contemplam tal fato ... minúsculos botes que muito inferiores à FABULOSA TÉCNICA são as ilhas de salvação para muitos.

Uns atônitos, impassíveis, outros aos prantos, horrorizados.

Deixa-se para trás escovas, perfumes, cartas, roupas...
Tragicamente: deixa-se para trás amigos, maridos... FILHOS

E como se para esconder dos olhos de muitos... apaga-se a luz de brutal demonstração de sofrimento...

Ouve-se, como um trovão que anuncia chuva , o rebentar de incontáveis materiais à partirem-se... aço, madeira, cortiça.... ESPERANÇA.


Milhares se debatem, o gigante se foi... consigo levou muito: esplendor, técnica, trabalho.... VIDAS INTEIRAS.

Aos que ficam, em desolação imensa em meio à gélida e sonora noite resta a resignação.... que fazer em meio à total atar de mãos?

ESPERAR, CHORAR
REFLETIR.

97 ciclos se vão.
Permanece o pesar, dor... ENSINAMENTO

Somos muito menores que o DESTINO.



RODRIGO APARECIDO PILLER