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terça-feira, 23 de setembro de 2014

A Grande Escadaria do Titanic


Acima: A mocinha da ficção, Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet), vai de encontro ao seu par romântico, Jack Dawson (Leonardo DiCaprio), que a aguarda sobre o lance central da famosa Grande Escadaria dianteira da 1ª classe, aqui vista em seu mais admirado patamar, situado entre o Convés de Botes e o Convés A [cena de "Titanic", 1997, dirigido pelo canadense James Cameron]. 
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Seja bem vindo ao Titanic em Foco
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Em 1912, para um passageiro que esteve hospedado na 1ª classe do Titanic, ou no seu navio-irmão, o Olympic, era inevitável percorrer os elegantes degraus de um dos ambientes que hoje nos é tão familiar, imortalizado nas cenas do megassucesso Titanic (1997), ou seja, a Grande Escadaria, nome pelo qual é conhecida a elegante escada que "cortava verticalmente o navio" entre o Convés de Botes e o Convés F. Dentre os numerosos ambientes do Titanic, certamente este em especial é o mais lembrado e referido, sendo reconhecido até mesmo por aqueles que não têm grande interesse pela história do navio.

Ao lado - Fotos naturais, fotos colorizadas e ilustrações da Grande Escadaria dianteira e da Grande Escadaria traseira do RMS Olympic, o navio-irmão do Titanic.
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Acima - Reconstituição gráfica/cenográfica da Grande Escadaria do Titanic.

"A imagem das belas escadas com uma luminária em forma de querubim e um relógio esculpido é instantânea, e está emocional e fisicamente ligada ao famoso e trágico Titanic."

Os gigantescos chaminés estão para o navio tanto quanto a Grande Escadaria está para os interiores do barco, ou seja, ambos são fortes ícones daquilo que integram, e ambos são marcas registradas deste, que é o navio mais famoso da história.

Abaixo - A Grande Escadaria dianteira reconstruída para os cenários do filme Titanic (1997). A reprodução quase 100% fiel foi possível graças às fotografias e às peças sobreviventes da escadaria do RMS Olympic, o navio irmão do Titanic, das quais foram feitas cópias em gesso artisticamente pintadas para se assemelharem à madeira de carvalho nobre esculpido. A excelência do trabalho de cenografia pode ser vista em cada detalhe fielmente reproduzido e, à exceção dos dois lances centrais que foram alargados em cerca de 50 cm em cada lado, praticamente todo o restante segue quase à perfeição a obra original.



O cenário foi construído sobre uma plataforma de elevação sobre um tanque com 19 milhões de litros de água salgada para que fosse fisicamente afundado frente às câmeras. Durante a tomada onde foram literalmente "despejados" 342 mil litros de água que estouram o domo de vidro, a secção de degraus repentinamente soltou-se de suas bases e imergiu violentamente sob os pés dos dublês, mas sem causar ferimentos aos presentes. Toda a reprodução foi muito danificada durante as repetidas tomadas, no entanto muitas peças da escadaria puderam ser salvas e hoje encontram-se sob posse de colecionadores, museus, sociedades históricas e esporadicamente surgem à venda em leilões virtuais. 

Ao lado - O ator Eric Braeden, que interpretou o passageiro da 1ª classe John Jacob Astor no filme Titanic (1997), relatou que atuar nesta cena, onde o domo da Grande Escadaria é implodido por uma imensa massa de água, foi uma das experiências mais assustadoras pelas quais já passou, visto que não houve qualquer possibilidade de ensaio prévio antes da tomada. CURIOSIDADE: Para fins de segurança na gravação desta perigosa cena da implosão, os painéis de vidro da cúpula da escadaria tiveram de ser substituídos por painéis de parafina (fáceis de se romper), considerando que o vidro estilhaçado causaria ferimentos aos atores e dublês que atuaram na tomada.

Ao lado - Um exemplo perfeito do trabalho de reprodução cenográfica realizado na Grande Escadaria reconstruída para o filme Titanic. Enquanto todo o trabalho de madeiramento e entalhes na Grande Escadaria do verdadeiro Titanic fora feito em madeira maciça esculpida, a peça ao lado é uma porção da base de uma das colunas da balaustrada da escadaria dos cenários do filme, que foi reproduzida com uma composição de compensado de madeira e madeira maciça. A reprodução dos entalhes foi composta com gesso "maquiado" com pintura que simula madeira nobre.
A deterioração parcial da peça foi causada pela prolongada imersão no tanque de água salgada e pelo desgaste provocado pelo stress mecânico durante as longas gravações. A reprodução dos entalhes segue quase à perfeição o visual das peças correspondentes que sobreviveram à demolição do RMS Olympic em 1935, que serviram como base de cópia.

A descrição da peça acima diz: "Um pedestal de 90 centímetros de altura que integrava a escadaria reconstruída para a enorme reprodução cenográfica do Titanic nos estúdios Fox Baja, na praia de Rosarito, no México, para premiado filme do diretor James Cameron. Composto de gesso e madeira pintada para assemelhar-se à madeira nobre entalhada à mão, esta peça foi desenhada pela equipe de James Cameron usando desenhos originais fornecidos pela construtora Harland e Wolff, para replicar o navio com uma precisão de detalhes sem precedentes. A peça foi recuperada dos Estúdios Fox após a conclusão das filmagens."
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Relembre os momentos finais da Grande Escadaria no filme "Titanic"
Divulgação - Newwaytoofeelthepain

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A extensa matéria que o TITANIC em FOCO traz hoje é o resultado de um longo interesse pessoal (do editor do blog, eu Rodrigo) e de uma pesquisa que percorreu mais de 30 fontes diferentes, selecionando apenas as melhores informações disponíveis.

Quer descobrir mais a fundo como era, o que era e como funcionava este atributo tão lembrado do Titanic?

Prepare-se para uma leitura que serve tanto à você que admira o Titanic quanto para você que têm interesse especial por design de interiores. Sem mais "trê-le-lês", o TITANIC em FOCO deseja apenas que esta matéria não seja tão cansativa de ser lida quanto foi para ser escrita e repetidamente editada.

A Grande Escadaria do Titanic

Informações Básicas

Nome - Grand Staircase ou Grande Escadaria. 
Localização - Primeira classe, na porção frontal do navio, atrás da chaminé Nº 1 e imediatamente recostada no duto da chaminé Nº 2. 
Altura - Sete andares transitáveis + a clarabóia externa de proteção, com cerca de 22 metros de altura total (considerando a altura desde o primeiro piso no Convés F ao extremo topo da clarabóia protetora externa).
Estilo
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Junção de 05 estilos diferentes. Estilo Coríntio (utilizado nos topos - capitéis - de todas as colunas), Estilo Wlliam and Mary (para os painéis das paredes), Estilo Adam (para a cúpula de vidro), Estilo Luís XIV (para os balaustres de ferro forjado e bronze) e o estilo de entalhes criado pelo escultor inglês Grinling Gibbons (estilo usado nas bases inferiores das colunas, no painel do relógio esculpido e nas molduras das telas instaladas nos lances medianos dos andares abaixo do Convés A). 
Função principal - Fazer a ligação e fornecer acesso entre as acomodações do Convés de Botes, Convés A, Convés B, Convés C, Convés D, Convés E e Convés F.
O Titanic possuía quantas escadarias da 1ª classe?

Da mesma maneira que o navio-irmão, RMS Olympic, o Titanic foi equipado com duas escadarias principais para a 1ª classe, conhecidas hoje como “Grande Escadaria dianteira” e “Grande Escadaria traseira”. Ambas as escadarias foram decoradas com uma junção dos mesmos estilos decorativos (William and Mary, Adam, Luís XIV, Coríntio e Grinling Gibbons), no entanto haviam entre elas pequenas variações de dimensões e área de cobertura. Siga quais eram algumas das diferenças.

A Grande Escadaria nas palavras da White Star Line
Acima - Ilustração e texto extraídos diretamente de um panfleto publicitário de época publicado pela Companhia White Star Line, antecipando a beleza e benefícios dos interiores do Olympic e do Titanic.


A Escadaria
"Nós deixamos o convés e passamos através das portas que nos levam ao interior do barco e, como por mágica, perdemos o sentimento de que estamos à bordo de um navio, a sensação é de que estamos entrando no saguão de uma grande casa em terra. Dignos e simples painéis de carvalho cobrem as paredes, enriquecidos em alguns lugares por trabalhos de entalhe, reminescentes dos dias quando Grinling Gibbon colaborava com seu grande contemporâneo, Wren.

No meio do saguão se ergue uma graciosa escadaria curva, sua balaustrada sustentada por leves volutas de ferro com ocasionais toques de bronze, na forma de flores e folhagens. Acima de tudo um grande domo de ferro e vidro verte uma inundação de luminosidade pelas escadas abaixo. No lance abaixo há um grande painel esculpido que contribui com seu toque de riqueza na sobriedade da composição das paredes de painéis simples. O painel contém um relógio, e em cada um dos lados há uma figura feminina, uma composição simbolizando a Honra e a Glória Coroando o Tempo.

Olhando por sobre a balaustrada, nós vemos as escadarias precipitando-se para os muitos pisos inferiores. Voltando-nos para o lado poderemos ser poupados do trabalho de descer os degraus ao entrar em um dos elevadores com seu suave deslizar que nos levará rapidamente a quaisquer outros dos inúmeros pisos do navio que queiramos visitar. A escadaria é um dos principais atributos do navio, e será muito admirada como sendo, sem dúvida, a mais fina obra deste tipo no mar." 

Ao lado - Um pequenino trecho de um vídeo publicitário, gravado na década de 1920, sobre as acomodações interiores do RMS Olympic. A cena mostra alguns passageiros da 1ª classe ao descerem os degraus do lance principal da Grande Escadaria, no Convés A, onde se localizava o belo querubim-luminária fundido em bronze. Estas são as únicas imagens em filme conhecidas da Grande Escadaria.
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O Relógio da Grande Escadaria do RMS Olympic, o navio irmão do Titanic.

 
Ao lado - O grande relógio de madeira esculpida que integrava a Grande Escadaria dianteira do Olympic, o navio irmão do Titanic; hoje preservado sob os cuidados do 'SeaCity Museum', na cidade de Southampton (Inglaterra), o museu é localizado próximo às docas de onde o Titanic partiu em 10 de abril de 1912.

*Legenda original da foto: "Uma mulher olha para uma fotografia original da Grande Escadaria do Olympic em Southampton, Inglaterra, terça-feira, 03 de abril de 2012. O novo museu será aberto no dia 10 de abril de 2012, cem anos após o malfadado Titanic ter partido do porto da cidade." 
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O belo relógio foi vendido na década de 1930, por ocasião do leilão de uma infinidade de peças decorativas do Olympic, que foram dispostas para venda após a demolição do navio; a peça esteve por décadas sob propriedade privada antes de ser doada ao antigo 'Maritme Museum of Southampton'. Originalmente o relógio não possuía qualquer tipo de tinta aplicada sobre a madeira de tom natural, mas foi primeiramente pintado quando o Olympic passou por uma reformulação da decoração de seus interiores no final de sua carreira (o relógio foi também repintado enquanto esteve sob propriedade privada). Em 1996, por ocasião da realização de pesquisas históricas sobre o visual do Titanic para a construção dos cenários do filme "Titanic", do diretor James Cameron, esta peça foi criteriosamente estudada, medida e fotografada, e deste modo permitiu a perfeição absoluta na recriação de uma réplica idêntica para os cenários do famoso filme Titanic.Devido ao fato de que a matéria é muito extensa, o texto foi dividido em tópicos numerados para uma melhor acessibilidade:

1. Uma verdade importante
2. Construção, função e localização
3. Legendando a Grande escadaria
4. Acessos
5. Os painéis
6. As janelas
7. O aquecimento
8. Teto e lustres
9. A cúpula
10. O piano
11. As colunas de sustentação
12. O piso de linóleo
13. A balaustrada ornamental
14. Os pedestais
15. O querubim
16. Qual era a quantidade de querubins no navio?
17. A mobília
18. O relógio
19. Chegada na cidade de Southampton com o relógio ainda inacabado
20. Uma análise visual do relógio
21. Qual o significado geral do relógio?
22. A inspiração para a criação do relógio
23. As pinturas em tela e a tapeçaria de parede
24. O candelabro no Convés D
25.
Os elevadores
26.
Uma curta aparição em filme da escadaria do RMS Olympic
27.
Um vôo musical pela Grande Escadaria
28.
A Grande Escadaria "ontem e hoje" 
29. A Grande Escadaria traseira
30. Grandes Escadarias em outros navios

1. Uma verdade importante

Por estranho e curioso que possa soar, de 1912 até os dias atuais, seguramente não veio à público qualquer fotografia autêntica que mostre a Grande Escadaria do famoso RMS Titanic.Pesquisadores e especialistas ao redor do mundo, incluindo Ken Marschall (o maior historiador visual do Titanic), afirmam que se em algum momento a escadaria fora fotografada em 1912, esta imagem nunca veio à tona, ou seja, se existe qualquer imagem real que mostre as escadas do Titanic, esta imagem não veio à público durante estes 99 anos decorridos desde que o navio colidiu com o iceberg e naufragou na madrugada de 15 de abril de 1912.
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Como não existe uma imagem da escadaria?!
E as fotos que se vê nos livros, na Internet e nos documentários?!
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Todas as imagens que se conhece que mostram a Grande Escadaria, são na realidade imagens das escadas do RMS Olympic, em cujo qual historicamente se admite que esta era idêntica à do Titanic, seu navio-irmão. Ao longo dos anos muitas imagens registradas em livros, documentários e fontes ONLINE são erroneamente identificadas como autênticas do Titanic, chegando à discrepâncias grotescas, onde em cada um das fontes há uma legenda contrária à outra. Algumas com registro correto (como escadas do Olympic) e outras de modo errôneo (como escadas do Titanic).
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Ao lado - Uma típica colorização de uma das fotografias em P&B da Grande Escadaria dianteira do RMS Olympic, o navio-irmão do Titanic.

Não se têm uma clara conclusão sobre o motivo pelo qual a escadaria do Titanic não teria sido fotografada, ou mesmo porque não há uma foto divulgada. Mas a evidência maior é devido ao fato de que o Titanic aportou na cidade de Southampton, Inglaterra, com alguns aspectos da decoração ainda inacabados, incluindo detalhes da escadaria.

Robert John Welch, o fotógrafo especialmente contratado pela construtora Harland and Wolff e pela companhia White Star Line para fotografar o Titanic, ainda em Belfast, Irlanda do Norte, também optou por priorizar o gasto de suas placas fotográficas em locais considerados inovações no Titanic em relação ao Olympic. Considerando que as duas Grandes Escadarias eram atributos presentes em ambos os navios, e já haviam sido fotografadas extensamente em 1911 no Olympic, Robert Welch aparentemente não preocupou-se em registrar as duas Escadarias do Titanic, já tão familiares. Em compensação, Welch fotografou com maestria o Café Parisiense e as chamadas "Suítes Milionárias" no Convés B do Titanic, que eram atributos inovadores do navio, não presentes até então no Olympic, e tampouco em quaisquer outros navios até aquela data. Seguindo esta mesma aparente "regra", Robert Welch também não fotografou outras dezenas de importantes áreas do Titanic, por serem atributos anteriormente já fotografados no Olympic... Welch não fotografou a Sala de Fumantes da 1ª classe, o Longe, a Sala de Leitura, o Restaurante À la carte, a Recepção no Convés D... Também não fotografou nenhuma das áreas comuns internas da 2ª classe, tampouco quaisquer áreas comuns internas na 3ª classe.

Ao lado - Robert John Welch (*1859 †1936), o fotógrafo oficial da construtora Harland and Wolff. Foi ele o responsável pelas dezenas de fotografias da construção do Olympic, do Titanic e do Britannic, entre outras centenas de fotos de navios da mesma época e também das grandiosas oficinas da empresa. As melhores e mais conhecidas fotografias do Titanic durante a construção e as raras fotografias dos interiores do navio foram, na grande maioria dos casos, obras de seu talento notável com uma câmera fotográfica profissional.
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Ao aportar em Southampton no dia 03 de abril de 1912, sete dias antes de sua partida, os trabalhos de acabamento no Titanic continuavam a ser realizados freneticamente nos seus interiores, e o navio não chegou a ser aberto para uma grande visitação pública, (algo que chegou a ocorrer com o Olympic) e nem para uma grande massa de imprensa e fotógrafos, sendo timidamente fotografado em seus interiores por poucos jornalistas, pela família Odell e pelo futuro padre Francis Browne (na época ainda era estudante de teologia), o qual fez algumas das fotos mais conhecidas dos conveses exteriores do navio.
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Tanto a família Odell quanto o padre Francis Browne desembarcaram na 2ª escala do navio na cidade de Queenstown, Irlanda, portanto escaparam da tragédia e levaram consigo as fotos tiradas, as quais se tornaram públicas e muito conhecidas após o naufrágio.
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Acima - As últimas imagens que se conhece dos conveses do Titanic foram feitas pelas afortunadas mãos deste grupo de pessoas, passageiros "sortudos" que escaparam da tragédia ao desembarcar em Queenstown, Irlanda. À esquerda a família Odell posa no Convés de Botes do Titanic, ao lado da elevação do teto da Sala de Leitura e do Lounge (sala de estar). À direita o ex-passageiro Francis Browne (muitos anos após ter passado pelo Titanic) segura em suas mãos o objeto de seu hobby, uma máquina fotográfica.
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Acima - Inspeção pública ao RMS Olympic. A contínua fileira de botes salva-vidas no convés superior evidencia que esta é uma foto pós-desastre do Titanic, quando o Olympic foi reequipado com a adição de botes salva-vidas que ocuparam completamente o lado de bombordo e estibordo do Convés de Botes. Esta ampla abertura à visita da comunidade não ocorreu com o Titanic por uma simples questão: Falta de tempo.
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Registros seguros afirmam que nos 7 dias após o Titanic aportar em Southampton, o barco parecia uma “colméia de abelhas”. As duas imagens abaixo são datadas de 08 de abril de 1912, dois dias antes da partida. A falsa aparência de calmaria do porto escondia a grande movimentação nos interiores do navio.
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Acima - As imagens certificam que atracado no porto da cidade de Southampton, Inglaterra, faltando poucos dias para a partida, o Titanic passava por processos de acabamentos e arremates, o que é evidenciado pelos closes, onde se pode notar que os trabalhos nos retoques da pintura do casco e dos chaminés prosseguiam. Assim então é correto afirmar que haviam ajustes a serem feitos e que nem todos os detalhes do navio estavam plenamente concluídos, porém não se pode dizer qual era a extensão e importância destes "detalhes faltantes".
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Segundo o que consta, havia uma "enxurrada" de comerciantes e técnicos que vieram ao navio para realizar ajustes e entregas dos mais variados itens, que iam da instalação e ajuste final de carpetes, pianos e móveis, à entregas de peças de reposição e equipamentos de cozinha. Além do grande movimento gerado pelo processo de carga de suprimentos e das montanhas de bagagens e encomendas enviadas à América que ocuparam os porões de carga.
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Acima - Um belo exemplo da grande tarefa enfrentada pelos tripulantes nos momentos anteriores à partida do navio. Nesta imagem vê-se o trabalho de acomodação das bagagens nos porões frontais no Convés C do Olympic na cidade de New York, Estados Unidos. As montanhas de bagagens tinham de ser habilmente suspendidas pelos guindastes de carga do porto ou pelos guindastes do próprio navio e descidas à seus respectivos compartimentos nos porões de carga. Em determinadas situações este convés era completamente tomado pelas bagagens, obrigando a tripulação a andar por sobre as centenas de malas e baús.
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Assim então, os pesquisadores assumem que uma das duas situações possa ter acontecido:
A. A escadaria não foi fotografada em nenhum momento (menos provável).
B. A escadaria foi fotografada, mas a imagem seguiu sem ser divulgada, quer seja porque o ambiente ainda não estava concluído ou porque a imagem teria se perdido por algum motivo desconhecido.
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A única certeza gerada pelos registros documentais é de que escadaria era idêntica nos dois navios, ainda que até os dias de hoje não tenha surgido qualquer foto deste ambiente a bordo do Titanic. Para tanto é justo dizer que olhar para as imagens da Escadaria do RMS Olympic surte o mesmo efeito de estar olhando para uma imagem das escadas do Titanic, pois ambas eram iguais segundo o que consta historicamente. Este é um ponto muito importante a ressaltar, pois toda a matéria de hoje vai se utilizar de fotografias e closes de imagens da Grande Escadaria, mas é crucial salientar que absolutamente todas as imagens de época nesta matéria são provenientes do RMS Olympic, o navio-irmão do Titanic, as fotos que forem reais do Titanic serão especificadas nas legendas.
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Resta então pensar que realmente exista alguma foto da Grande Escadaria do Titanic, e que esta imagem esteja esquecida em algum arquivo, ou mesmo amarelada dentro de uma caixa de sapatos num sótão qualquer, à espera de alguém que a descubra e finalmente torne público esta imagem ainda inédita à comunidade de estudiosos, pesquisadores e admiradores. Assim como você leitor do blog e eu, que continuo um mero admirador curioso à procura de verdades sem mitos e sem invenções.
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Ciente dos fatos, daqui em diante tenha uma

BOA LEITURA
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Se você gosta de arte ou têm interesse especial pelo Titanic, certamente aqui vai encontrar muitas imagens interessantes, curiosidades e algumas revelações.
2. Construção, função e localização
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Grand Staircase ou Grande Escadaria é o nome pelo qual é conhecida a escadaria dianteira que fornecia acesso para as acomodações da 1ª classe no RMS Titanic. A estrutura tratava-se de uma requintada escadaria de madeira de carvalho que “cortava verticalmente” os conveses do navio na porção dianteira da embarcação. A escadaria começava no Convés de Botes, o mais alto convés habitado do Titanic, e seguia pelos conveses A, B, C, D, E e terminava num lance único simplificado localizado no convés F. Porém o estilo luxuoso seguia apenas até o convés E, onde havia apenas num lance central de degraus cercados por uma balaustrada idêntica à dos conveses superiores, mas sem uma divisão central.
Acima - Os destaques situam a localização exata da Grande Escadaria, porém incluem não só os degraus, mas sim todo o entorno, incluindo a área dos elevadores. O gráfico à direita representa a Grande Escadaria até o convés E, o último lance luxuoso, porém não inclui o Convés F, onde se localizava a porção final das escadas. (Arte original de Cyril Codus)
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Por se tratar de um ambiente comum a todos os passageiros hospedados na 1ª classe, visto que era através dela que se tinha acesso a todas os conveses destinados a este público, e por ser uma obra que unia engenharia e design dos mais altos níveis em 1912, este atributo do Titanic tornou-se um símbolo icônico e emocional do próprio navio, e também do luxo alegado pela Companhia de Navegação White Star Line sobre seu grandioso transatlântico.
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Contrariando as impressões causadas pelas imagens de época, a escadaria não era uma obra plenamente construída em madeira, pois toda a estrutura principal era composta de aço, sobre a qual foram instalados os painéis e colunas de carvalho nobre polido, as quais ocultavam por detrás de si toda a base “bruta”.
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O “esqueleto” principal das escadas era composto por um enorme vão livre que descia em queda a partir do convés de botes, totalizando 7 conveses de escadas. Este vão livre, quando ainda em construção, era marcado pela presença de numerosas colunas de aço, responsáveis por sustentar o peso de cada piso superior. Desde os princípios da construção do Titanic já teria sido possível então identificar que entre as numerosas colunas que circundavam este “fosso”, seria instalada uma estrutura grandiosa.
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Acima - Uma foto do Titanic ainda em construção que exibe o "fosso" onde posteriormente seria instalada a chaminé de número 02; considerando que este não é o local da Grande Escadaria, a imagem oferece uma visão aproximada de como teria sido o vão livre das escadas ainda nos primórdios de sua construção, onde apenas as numerosas colunas marcavam o contorno de onde seriam instalados os pisos, degraus e toda a ornamentação de luxo. A área onde futuramente seria construída a famosa Grande Escadaria dianteira está a poucos passos diretamente às costas do fotógrafo.
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Acima - O trio de imagens ilustra um estágio mais avançado da construção. No dia do lançamento do casco do Titanic, 31 de maio de 1911 (esquerda e meio), a parede de bombordo da Grande Escadaria, situada no Convés de Botes, ainda não havia sido concluída, deixando a mostra as colunas de sustentação onde seriam instaladas as janelas.  A última imagem exibe o mesmo local do convés num estágio mais adiantado da construção, onde a parede já havia sido instalada e as janelas já tinham o seu formato cortado no aço. Observe que a chaminé nº 2 já havia sido instalada, pois acima das janelas arcadas se pode ver sua lateral.
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Assim como em grande parte dos ambientes construídos na 1ª classe, a Grande Escadaria era equipada com painéis e ornamentações de estilos já bem difundidos na Europa, e curiosamente foram aplicados quatro grandes nomes da arquitetura neste ambiente: os estilos Luis XIV, Willian and Mary, Adam e o estilo de entalhe do escultor inglês Grinling Gibbons. Estes estilos não eram inovações, visto que estavam presentes desde há muito tempo nos castelos e grandes casarões europeus, ou seja, já ditavam moda muito tempo antes do próprio Titanic ser idealizado.
3. Legendando a Grande Escadaria
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Ao lado - A Grande Escadaria dianteira aqui representada em computação gráfica criada para o "Centro Titanic Belfast".

1. Colunas de madeira esculpida à mão, com entalhes ao estilo do escultor inglês Grinling Gibbons (as colunas na realidade eram ocas, revestiam as pilastras de aço que sustentavam o peso dos pisos superiores). 2. Piso de aço revestido com uma uma base de assentamento denominada litosilo e recoberto com ladrilho de linóleo branco, intercalado a espaços regulares por peças com aplicação de desenhos triangulares negros, com formato de estrela estilizada. 3. Acesso para os três elevadores situados na porção traseira da escadaria, exclusivos para a 1ª classe. 4. Balaústres de madeira esculpida, com inserção de treliças espiraladas de ferro e peças decorativas fundidas em bronze dourado polido. Este design de balaústre de ferro e bronze fora inspirado pela decoração da corte do Rei Luís XIV, da França. 5. Último pavimento da escadaria, Convés de Botes. 6. Coluna esculpida com detalhes de flores, frutas e laços de fita (cerca de 1 m. de altura). 7. Luminária de bronze com formato de querubim que sustenta uma longa cornucópia de bronze dourado, com uma lâmpada protegida sob um cúpula de vidro translúcido branco em forma de chama. Possivelmente o querubim foi diretamente inspirado por uma peça idêntica que ainda hoje decora os jardins do Palácio de Versalhes, na França.
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* Esta é Grande Escadaria do RMS Olympic, historicamente registrada como idêntica à escadaria do Titanic. O lance de escadas aqui visto situa-se no Convés A, ou seja, um andar abaixo do topo do navio (um andar abaixo do Convés de Botes).
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8. Lustres de bronze dourado polido e pingentes de cristal lapidado, fabricados pela empresa Perry e Co., de Londres (cada um contendo 03 lâmpadas). 9. Painéis de Carvalho Nobre semi-planos ao estilo dos monarcas William and Mary. Exatamente atrás desta parede se situava uma sala contendo o maquinário de suspensão dos três elevadores da 1ª classe, que operavam entre o Convés A e o Convés E. 10. Conjunto de molduras de arremate para a clarabóia iluminada superior. 11. Painel manualmente esculpido em carvalho denominado "Honor and Glory Crowning Time" (Honra e Glória Coroando o Tempo). Esta peça de arte fora executada por Charles Wilson, um hábil escultor de madeira, que fez trabalhos idênticos para o Olympic e para o Titanic. 12. Degraus curvos com arremates frontais em latão dourado aparafusado. 13. Lance de escadas de acesso ao Convés B. 14. Arremate decorativo esculpido em carvalho, denominado Pineapple Finial .
4. Acessos
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Ao lado - A elegante entrada pelo lado de bombordo para a Grande Escadaria, através do Convés de Passeio, ou Convés A (cena de "Titanic", 1997)
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Os acessos principais para a escadaria estavam localizados a bombordo e estibordo ( esquerda e direita do navio) no Convés de Botes. À bombordo a escadaria era acessada por uma porta com uma grande vigia circular, a qual estava voltada para a popa do navio, a estibordo o acesso era feito por uma porta igual voltada para as bordas do convés de botes, esta porta estava localizada imediatamente à frente da entrada para o Ginásio, que era ao lado da escadaria.
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Convés de Botes, bombordo......................... . Convés de Botes, estibordo
Acima, esquerda - A entrada de bombordo para a Grande Escadaria (foto tirada do RMS Olympic no ano de 1921, 14 anos antes da aposentadoria do navio e de sua demolição); sentada na poltrona está a famosa cientista Marie Curie, ao lado de suas filhas. Direita - A entrada de estibordo para a Grande Escadaria (foto real do Titanic). A porta que está aberta é do Ginásio, enquanto que a entrada da escadaria era situada dentro do pequeno nicho-varanda logo à frente. Este lado do convés é o mesmo onde ocorreu a colisão com o iceberg. O sujeito na imagem é Percival Wayland White (54), um fabricante de algodão norte-americano, que embarcou no Titanic na manhã de 10 de abril de 1912 acompanhado de seu filho, Richard, hospedando-se como passageiro da 1ª classe e ocupando a cabine "D 26"; ambos pereceram na tragédia.
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Acima - Cena deletada de "Titanic" (1997)

Pequenos letreiros iluminados foram montados próximo das entradas para a escadaria do Convés de Botes, Convés A e Convés B. Estas pequenas "caixas iluminadas" possuíam a inscrição "1st CLASS ENTRANCE" (ENTRADA DA 1ª CLASSE) nos dois versos de vidro gravado. Havia um total de 6 letreiros iluminados como este na escadaria dianteira, dois em cada um dos três conveses superiores. Porém haviam mais peças iguais à esta com outras inscrições espalhadas pelo resto do navio.
Acima, no destaque - Um letreiro reproduzido para os cenários do filme Titanic (1997)
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Também no interior do Ginásio havia uma porta de acesso para a escadaria, a qual era usada para ir de um ambiente ao outro sem a necessidade de se expôr ao tempo no convés de botes.
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Acima - O destaque indica a porta de entrada para a escadaria que havia dentro do Ginásio, a foto foi feita com a câmera voltada para a proa (a parte da frente do navio). Este é o Ginásio do Olympic, mas apresenta o mesmo design e arquitetura da mesma acomodação a bordo do Titanic.
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Ao passar por qualquer uma das três portas de acesso no Convés de Botes, tanto as portas voltadas para o exterior quanto a porta localizada dentro do ginásio, o passageiro se veria dentro um elegante vestíbulo envidraçado, o qual era uma proteção à mais para as intempéries do clima externo. Para adentrar a escadaria, em todo caso, seria preciso abrir duas portas: a porta exterior e a porta do vestíbulo.
Acima - O destaque indica o formato do vestíbulo envidraçado que situava-se à frente da porta exterior. Este tipo de disposição arquitetônica beneficiava o aquecimento do ambiente, fazendo com que o ar frio exterior não pudesse entrar livremente pela porta. * A fotografia da direita é do cenário construído para o filme Titanic (1997)
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No Convés A também haviam quatro portas de entrada vindas do exterior, duas delas voltadas para a popa e duas delas voltadas para a lateral do navio, estas entradas eram destinadas aos passageiros que estivessem no Convés de Passeio, o Convés A. Do mesmo modo que no Convés de Botes, as portas voltadas para a popa eram seguidas de um vestíbulo envidraçado. Atrás da escadaria, junto dos três elevadores, haviam também dois longos corredores de cabines da 1ª classe. À frente dos degraus ( à esquerda de quem descia) se localizava um longo corredor apainelado que conduzia à Sala de Leitura e ao Lounge ( Sala de Estar).
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Acima, esquerda - As setas indicam as entradas da escadaria a partir do Convés A, onde havia um total de 4 portas com grandes vigias circulares com vidro. A foto foi feita no convés A do RMS Olympic, mas apresenta a mesma visão e design do Titanic.
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No Convés B estavam localizadas mais 2 portas de acesso, sendo que estas eram um dos acessos principais para a escadaria, dado que se localizavam à frente de quatro grandes portas de aço (2 à bombordo e duas à estibordo) que podiam ser vistas no costado do navio. Estas portas de acesso eram utilizadas para a entrada de passageiros vindos diretamente das plataformas elevadas do porto.
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Acima - As duas imagens destacam a entrada para a escadaria a partir do convés B. Neste convés haviam duas portas de aço no costado de cada lado do navio que eram seguidas de um pequeno convés fechado com piso de madeira e uma porta de acesso direto para as escadas. * As duas imagens são do Olympic, mas apresentam o mesmo design do Titanic. A foto da direita foi digitalmente alterada para representar com exatidão a entrada pelo convés B do Titanic.
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No Convés C a escadaria não era provida de portas de acesso vindas do exterior do navio, neste local ela estava totalmente rodeada pelas as cabines da 1ª classe, as quais ocupavam todo o entorno. Neste convés o trânsito se dava através de quatro terminais de corredores de cabines da 1ª classe e por quem estivesse subindo ou descendo as escadas.
Uma das entradas mais elegantes era localizada no Convés D, onde a escadaria era também acessada pelos passageiros vindos diretamente das plataformas do porto, assim como no Convés B. Ao passar pelas portas no costado do navio, o passageiro estaria entre duas opções: subir os elegantes degraus ou optar por tomar um dos três elevadores que se localizavam atrás da escadaria, os quais operavam entre o Convés A e o Convés E.
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Acima, esquerda - O enorme casco do Titanic (foto real) e as duas portas de entrada para o convés D. Direita - O mesmo local no gigantesco cenário do navio construído para o filme Titanic (1997).
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Ao atravessar as passarelas móveis do porto, o passageiro estaria na 1ª Classe, dentro de um amplo saguão de recepção que ficava ao lado da Recepção e da Sala de Jantar. Dentro do saguão poderia-se optar pela porta da esquerda, a qual acessava diretamente a Recepção e a Grande Escadaria; ou então seguir pela porta da direita, a qual dava acesso direto ao belo trio de elevadores decorados com arcadas e painéis esculpidos em carvalho, o mesmo revestimento de madeira encontrado na escadaria.
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Acima, topo e abaixo, esquerda - Os cenários de Titanic (1997). Direita - Os elevadores à bordo do RMS Olympic. * O padrão de desenho do carpete na fotografia superior e à esquerda é único e exclusivo do filme de 1997. No navio real o carpete na Recepção no Convés D seguia exatamente o mesmo padrão de carpete instalado no Olympic, tal qual na foto à direita. No verdadeiro Titanic, o hall de entrada para a Recepção (ilustrado na 1ª foto) era coberto apenas por um piso de linóleo idêntico ao padrão geométrico da Grande Escadaria, portanto não possuía carpete.
5. Os painéis
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As paredes da escadaria eram revestidas com painéis de Carvalho Nobre numa composição que seguia o estilo arquitetônico William and Mary. A cor caramelo-alaranjado enchia o ambiente de um tom espetacular quando as luzes acesas refletiam na superfície polida da madeira (possivelmente encerado, sem aplicação de verniz).
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Acima, esquerda - Um detalhe que destaca a sobriedade dos painéis em sua formas planas e retilíneas, livres de grandes ornamentos. Direita - Uma longa secção dos painéis reconstituídos nos cenários do filme Titanic (1997).
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Estes painéis eram livres de grandes ornamentos, onde as várias molduras retilíneas, e algumas colunas com frisos e desníveis de altura demarcavam os contornos do madeiramento de carvalho brilhante.
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Acima - O detalhe destaca uma das várias colunas inseridas ao redor das paredes, estas possuíam frisos verticais do topo até a base (as duas são fotos do Olympic).
6. As janelas
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No Convés de Botes, Convés A e Convés B foram equipadas grandes janelas com topo em forma de arco, feitas de madeira (teca) e vidro plano transparente. Havia um total de 23 janelas deste modelo distribuídas entre o convés de Botes, Convés A e no Convés B, mas não seguiam com mesmo modelo nos conveses C, D, E e F, nos quais as janelas eram menores e de outros padrões.
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Acima - O destaque exibe mostra a disposição das janelas no Convés de Botes, a entrada mais alta para a escadaria. Havia um total de 11 janelas como esta neste convés, 4 à estibordo (direita, o lado da colisão com o iceberg) e 7 à bombordo (lado esquerdo do navio).
7.O aquecimento
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A calefação (aquecimento) era feita por um conjunto de 25 aquecedores elétricos verticais, os quais eram instalados ao redor das paredes em cada um dos conveses. Estes aquecedores estavam estrategicamente distribuídos em posições que beneficiassem a uniformidade da distribuição do ar quente.
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A distribuição de aquecedores seguia deste modo:
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6 no Convés de Botes
6 no Convés A
8 no Convés B
5 no Convés C
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8. Teto e lustresAcima - Cenário subaquático artificial de "Titanic" (1997)
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O teto da escadaria era pintado de branco e constituído por longos nichos emoldurados, dentro dos quais se dispunha os lustres. Estes lustres foram fabricados pela empresa Perry & Co, de Londres. As peças eram circulares, compostas de um aro dourado de bronze trabalhado e uma “cesta” formada por um grande conjunto de cristais redondos facetados de tamanhos decrescentes, os quais eram unidos na parte inferior por um pequeno florão circular de bronze, arrematado com um cristal lapidado (ou uma pequena pinha de bronze). Cada um dos lustres continha três lâmpadas.
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Acima - As duas imagens são do RMS Olympic. O lustre em destaque é um dos raros que restam da demolição do Olympic no ano de 1935.
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Entre a junção das paredes e do teto (sancas) foram instaladas molduras de carvalho esculpido com pequenas flores e folhagens, ao longo da escadaria haviam centenas de metros deste tipo de moldura ricamente entalhada à mão pelos habilidosos artesãos escultores de madeira.
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Acima - A moldura esculpida faz parte do grande conjunto de peças leiloadas do Olympic depois de sua demolição, a peça denota o quão trabalhoso teria sido o trabalho de entalhe manual destas molduras..
9. A cúpula
 
Acima - Cena de "Titanic" (1997)
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O atributo mais impressionante da escadaria era uma imensa cúpula envidraçada, que estava localizada no teto do convés de botes, a porção mais alta da escadaria. Esta cúpula, juntamente com as janelas, permitia a entrada de iluminação exterior no ambiente.
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A cúpula media 5,8 m X 7,9 m, portanto ao contrário do que popularmente acredita-se, ela não era redonda, mas sim de formato ovalado (a verdade é que apenas o domo da escadaria traseira era circular). Esta enorme peça de arte fora fabricada em ferro forjado pintado de preto com amplos desenhos quadrangulares, ovais, circulares e arabescos. Para engrandecer a composição foram feitas aplicações de peças de bronze dourado que formavam festões ao redor do domo, esta composição seguia o estilo arquitetônico Adam.
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Durante o dia a luz do sol iluminava naturalmente a cúpula através dos painéis curvos de vidro translúcido leitoso, enquanto que durante a noite ela era iluminada por um grande conjunto de lâmpadas equipadas junto à base interna emoldurada na parte superior do domo (lâmpadas especiais ocultas pelo trabalho emoldurado ao redor da base da cúpula). Ao contrário do que é geralmente divulgado pela crença popular, a verdade é que não haviam lâmpadas externas para a iluminação da cúpula.
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Acima, esquerda - Uma visão exterior do domo protetor da cúpula em uma maquete em escala 1:144. Direita -  um reconstituição gráfica que mostra a disposição do domo abaixo da clarabóia; a iluminação artificial noturna da cúpula era feita por lâmpadas especiais internas instaladas ao redor da base do domo.
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O lustre central Acima - Cena de "Titanic" (1997)
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Do centro da cúpula pendia um enorme lustre circular feito de bronze dourado e cristais lapidados, o qual era equipado por um conjunto de 50 lâmpadas (!). Este era o segundo maior lustre em todo o navio (ficando atrás apenas do lustre da Sala de Estar, o Lounge) e seguia o mesmo estilo dos outros lustres menores da escadaria, mas se diferenciava pelo grande tamanho e pela disposição visual. Este lustre fora também fabricado pela empresa Perry e Co, de Londres.
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Acima - Não se conhece qualquer fotografia real do lustre da Grande Escadaria em nenhum dos dois navios. O desenho rico em detalhes é de autoria de Ken Marschall, o maior e mais conhecido ilustrador e pesquisador visual do Titanic.
10. O PianoAcima - Cena de Titanic (1997) *Piano cenográfico
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Ainda no Convés de Botes, abaixo da cúpula e recostado às janelas laterais de bombordo, estava localizado um belo piano entalhado com uma banqueta estofada retangular. Este era um piano de modelo vertical da famosa marca Steinway & Sons, que fabrica pianos de altíssima qualidade até os dias atuais. Este instrumento estava ali disposto para ser tocado pelos músicos do navio. Hoje pianos de marca Steinway chegam a custar 500 mil dólares e são considerados os melhores pianos do mundo.
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Acima - Apesar de estar fora de quadro, pode-se notar uma pequena lateral superior do piano vertical na foto de época do RMS Olympic. A imagem da direita é uma reconstituição gráfica.
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11. As colunas de sustentação
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Do Convés de Botes ao Convés E, havia na escadaria 64 colunas de carvalho esculpido, as quais eram ocas e revestiam as pilastras de aço que sustentavam o peso dos pisos superiores. Os entalhes da base quadrangular das colunas seguiam o requintado estilo do escultor inglês Grinling Gibbons (*1648 +1721), cujo qual é criador de uma espécie de entalhe muito profundo e minuciosamente trabalhado, o que resulta em relevos espetaculares de flores, folhas, frutos, laços de fita e arabescos. O capitel (parte de cima da coluna) seguia o luxuoso estilo coríntio, que têm sua origem na arquitetura greco-romana. Nem todas as colunas eram livres por todos os lados, algumas delas eram inseridas junto das balaustradas, mas ainda assim traziam entalhes em suas bases.
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Acima - A escadaria vista a partir do convés A. A pequena prancha esculpida à direita era parte de uma das colunas da escadaria real do Titanic e foi resgatada na área do naufrágio pelos navios fretados para fazer o resgate de corpos em 1912, hoje esta peça integra a coleção de um museu.
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As colunas estavam distribuídas na seguinte proporção:
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14 no convés de botes
16 no convés A
2 entre os conveses A e B
10 no convés B
2 entre o conveses B e C
10 no convés C
2 entre os conveses C e D
2 entre os conveses D e E
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No Convés D haviam 6 colunas quadradas com frisos verticais, as quais seguiam o mesmo padrão das outras, mas seu formato quadrangular e seus capitéis as tornavam mais robustas e ligeiramente diferentes em design.
Acima - Uma visão da imensa recepção no convés D localizada em frente à Sala de jantar e uma das colunas quadrangulares desta porção das escadas. 
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Não haviam colunas ornamentais no Convés F, dado que esta era a área final da escadaria, neste ponto os degraus eram simplificados nas formas, livre de decoração pesada. A finalização era feita por um corrimão simples com balaústres de carvalho torneado e um pedestal esculpido com uma pinha no topo, do mesmo estilo de pedestal presente nos pisos superiores. Este lance de escadas estava localizado junto dos acessos para a piscina e para o banho turco, ambas acomodações direcionadas apenas para a 1ª classe.
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Acima - A reconstituição gráfica acima representa como teria sido o último dos lances da Grande Escadaria, infelizmente não há um foto que registre este local, assim sendo a imagem acima é uma recriação aproximada. De frente para os degraus da escada se situava a porta de entrada para a sala de resfriamento do Banho Turco (sauna), hoje amplamente conhecida pela sua requintada decoração em azulejos verdes e azuis e apainelamento esculpido em Teca.
12. O piso de linóleo
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O piso da escadaria, assim como em grande parte do Titanic, era composto de placas de linóleo, um clássico e antigo revestimento composto por materiais orgânicos de alta resistência ao tráfego. As placas eram brancas e mediam 46 X 46 cm, dispostas lado-a-lado e interrompidas a intervalos regulares por peças com um desenho geométrico em branco e preto. O desenho das peças “estampadas” era formado por 12 triângulos pretos e um quadrado central, no contaste inverso o desenho formava outros 12 triângulos brancos. A composição fazia lembrar uma estrela estilizada.
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Acima, esquerda - Uma imagem publicitária da época que mostra o ambiente da Grande Escadaria, à direita uma reconstituição gráfica da peça de linóleo com padrão geométrico triangular.

Siga o diagrama geral da instalação do piso de linóleo na escadaria do Titanic
Ainda no piso de linóleo, aos pés das paredes havia uma contínua faixa negra que percorria todo o entorno do ambiente, esta faixa delimitava o contorno do piso e arrematava o design geral casando-se com a composição geométrica.
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Acima, esquerda - O detalhe do piso ao redor da escadaria, à direita o mesmo tipo de detalhe visto em uma reconstituição da Grande Escadaria de um museu norte-americano.
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Os degraus da escadaria também eram compostos de linóleo, porém não havia neles a aplicação de peças com desenho. Cada longo degrau curvo era interrompido pela balaustrada central, a qual era o corrimão de segurança. No topo frontal de cada degrau fora instalado uma longa faixa de latão dourado, cuja qual fazia o arremate visual e protetor dos lances da escada, estas faixas metálicas eram presas através de parafusos dourados aparentes.
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Acima, direita - O detalhe dos degraus vistos em uma reconstituição da Grande Escadaria de um museu norte-americano.
13. A balaustrada ornamentalAcima - Cenário de "Titanic" (1997)
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Ao redor da escadaria, e no centro das escadas, havia uma contínua balaustrada ornamental esculpida em carvalho, cuja função principal era de servir como aparato de segurança. Na parte superior (corrimão) fora aplicada uma moldura contínua de carvalho esculpido à mão, a qual simulava folhas de louro com pequenos frutos esféricos amarrados com fibra em forma de um X.
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Acima, direita -  detalhe de um dos corrimãos da Grande Escadaria do RMS Olympic, este corrimão encontra-se preservado em um hotel no norte da Inglaterra.
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O gradeado de ferro ornamental seguia o estilo Luís XIV e era pintado de preto, enriquecido pela aplicação de festões de bronze dourado, o qual simulava folhas de louro amarradas com fibra. Centralizados no meio dos arabescos de ferro espiralado foram aplicadas belos medalhões ovais com relevos que simulavam folhas de acanto. Nas extremidades dos quatro cantos dos requadros haviam pequenas rosetas também fundidas em bronze.
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1 - Roseta 2 - Medalhão oval com folhas de acanto 3 - Festão de folhas de louro amarradas com fibra 4 - Arabesco de folhas * Todos os detalhes dourados na imagem da direita são de uma reconstituição da Grande Escadaria.
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Este modelo de balaustrada seguia do Convés de Botes (a parte mais alta da escadaria) até o convés E, mas não seguia no convés F, onde a escadaria era livre de grandes ornamentações.
14. Os pedestais 
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Nos pontos de curvas bruscas e onde a sustentação vertical era dispensável, a balaustrada era interrompida por pedestais com entalhes de frutas e flores iguais às bases das colunas. No topo destes pedestais havia uma pinha de madeira entalhada que arrematava a decoração. Na arquitetura clássica as pinhas simbolizam a fertilidade e a renovação, seu uso como decoração é muito recorrente em vários estilos e materiais, tal como mármore, pedra e concreto, o que não é o caso da escadaria do Titanic, onde estas peças foram esculpidas em carvalho.
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Acima, direita - Uma das pinhas esculpidas da escadaria do Olympic, esta peça denota algum desgaste e sujidade, pois hoje integra a decoração de um hotel ao norte da Inglaterra. Medindo 38 cm de altura, a peça sugere a dimensão grandiosa da escadaria.
15. O querubim

Ao lado - Cena de "Titanic" (1997)
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Luminárias e candelabros com velas reais se faziam extremamente necessários em tempos onde a energia elétrica não existia e as escadarias de palácios e mansões necessitavam de iluminação para auxiliar na segurança de quem estivesse à descer ou à subir os degraus.
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Porém o querubim-luminária do Titanic era apenas decorativo, visto que a escadaria já era absolutamente iluminada pela clarabóia com seu grande lustre de 50 lâmpadas e pelas dezenas de outros lustres de cristal instalados no teto.
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O querubim ficava na base dos degraus da escadaria, no Convés A. A peça se tratava de uma escultura de bronze com cerca de 1,35 m de altura (da base ao topo da chama) com feições de uma criança com asas; a figura apresentava cabelos ondulados e fora representado seminu, onde apenas um pequeno manto recai de cima de suas asas e cobre seu ventre, terminando envolvido em suas costas como se estivesse solto no vento.
Acima - O querubim da direita faz parte da reprodução da escadaria de um museu norte-americano. Esta é uma versão com cores bem mais precisas do que a reprodução construída para o filme Titanic (1997), pois apresenta a tocha na cor dourada, algo que foi descoberto em tempos recentes, somente após as gravações do megassucesso do diretor James Cameron.
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A face do querubim era voltada para a direita e levemente para baixo. O menino se apóia na a perna esquerda, enquanto que mantém a perna direita flexionada, tocando apenas a ponta do pé sobre a base, a qual simula um pequeno monte de rochas.Nas mãos segurava um longa tocha recurvada com formato de uma cornucópia. No topo da tocha havia uma cúpula de vidro translúcido branco que simulava uma chama. Esta tocha era feita também de bronze, assim como todo o querubim, mas a tocha era fundida em bronze dourado polido, brilhava como uma peça de ouro.
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A imagem abaixo demonstra, através de um panfleto publicitário, que uma cornucópia (o formato da tocha do querubim) é um chifre estilizado. Cornucópia é um símbolo de fartura e se faz presente no meio artístico em forma de esculturas, pinturas, móveis e peças decorativas. Cornucópias são popularmente chamadas de "chifres da fartura".
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O querubim era afixado no topo de uma robusta coluna de carvalho esculpido com frutos, flores, folhas e um laço de fita, o mesmo tema de entalhes presente nas bases das demais colunas; esta coluna com o querubim media cerca de 1 metro de altura.
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Acima - A coluna encontra-se preservada na Inglaterra até os dias atuais, pertenceu ao Olympic e foi um dos itens leiloados após a demolição deste em 1935.
16. Qual era a quantidade de querubins no navio?
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Não há qualquer fonte documental definitiva que registre qual era a quantidade de querubins instalados aos pés das duas escadarias da 1ª classe no Olympic e no Titanic. No entanto, segundo informações recentemente levantadas por pesquisadores, no Titanic poderia haver um total de 6 querubins instalados aos pés das duas escadarias: quatro na Grande Escadaria dianteira e dois na Grande Escadaria traseira; no entanto este número não é definitivo, e há possibilidade de que possa variar de um total de 06 até 08 querubins. Porém, ainda que os números sejam incertos, apenas dois destes querubins eram grandes, todos os outros eram tamanho menor, visto que se encontravam em andares inferiores, onde as dimensões dos ambientes requeriam uma decoração reduzida em altura.
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Siga pelo gráfico 
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(O número levado em consideração aqui é de 06 querubins, de maneira apenas simbólica e não definitiva)
Acima - O querubim da esquerda (pequeno) foi resgatado dos destroços do Titanic em uma das expedições da RMS Titanic INC, a empresa que detém os direitos de controle sobre os artefatos. Este querubim pertencia ao convés C da Grande Escadaria traseira, e haviam mais dois deles na Grande escadaria dianteira, um no Convés B e um no Convés C. (Arte original de Cyril Codus)
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O querubim da direita (grande) media cerca de 1.35 m de altura e havia dois deles no navio, um na Grande Escadaria dianteira (convés A) e um na Escadaria traseira (convés B). A única diferença entre os dois querubins grandes das duas escadas era de que um era uma versão espelhada do outro, ou seja, em relação ao querubim da escadaria principal, o querubim da escadaria traseira era totalmente invertido em sua posição, mas ainda assim do mesmo tamanho e idêntico em sua aparência.
17. A mobília

A escadaria não era amplamente equipada com móveis, à exceção do convés D, onde as escadas se abriam para a Recepção, totalmente mobiliada com mesas e poltronas de vime. A escadaria em si era principalmente voltada para o trânsito de passageiros, e não para distração ou repouso, mas ainda assim haviam sofás e poltronas espalhadas ao longo dos conveses. Estas poltronas e sofás eram de madeira esculpida e o estofamento era feito com tecido de veludo estampado com relevos em dois tons de azul. Algumas evidências fotográficas e ilustrativas de época apontam que também haveria um número impreciso de cadeiras de vime espalhadas ao longo dos lances da Grande Escadaria, estas cadeiras seriam de padrão similar às encontradas na recepção da 1ª classe, no Convés D.
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Esquerda - uma reprodução de uma das cadeiras de vime fabricada para os cenários do filme "Titanic". Centro - Uma visão da Grande Escadaria do Olympic a partir do Convés de Botes, a imagem foi feita com a câmera voltada para a frente do navio, para o lado de estibordo, o mesmo da colisão com o iceberg. Direita - Uma reprodução em miniatura de uma das poltronas.
18. O relógioAcima - Cena de "Titanic" (1997)
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Localizado entre o primeiro e mais alto patamar de escadas, centralizado entre o Convés de Botes e o Convés A, havia um grande relógio ornamental de carvalho esculpido que ocupava quase toda a altura desde o piso médio da escadaria até o topo do teto, na junção entre a parede e a cúpula de vidro. O nome deste belo relógio esculpido era “Honor and Glory Crowning Time” (Honra e Glória Coroando o Tempo) e fora executado por Charles Wilson, um mestre entalhador de madeira.
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Acima - O relógio ficava entre o Convés de Botes e o Convés A e era voltado para a popa do navio (para a parte de trás). Apenas o retângulo onde se situa as duas figuras aladas (anjos) media cerca de 96 X 109 cm.
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Este era um relógio conectado ao sistema regulador de horas do navio, seu ajuste de horas não era feito no local, mas sim na sala de mapas, na ponte de comando, onde estava localizado o relógio mestre que gerenciava todo o grande conjunto de “relógios escravos” do Titanic.
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Quando um navio qualquer estava em viagem pelo mar (entre a Europa e os Estados Unidos , por exemplo) era necessário que se atrasasse ou adiantasse as horas (dependendo do sentido da viagem) conforme as linhas de fuso-horário eram cruzadas no meio do Oceano, este processo de atraso ou adiantamento no Titanic era feito apenas no relógio mestre da sala de mapas, mas afetava automaticamente todos os demais relógios conectados a ele.
19. Chegada em Southampton com o relógio inacabado
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Há relatos de que o Titanic partiu de Belfast, Irlanda, no dia 02 de abril (8 dias antes da viagem) e chegou na cidade de Southampton, Inglaterra, com parte do relógio ainda não concluída. Neste percurso um espelho fora instalado por sobre a “parte faltante” do relógio. Esta revelação foi feita no livro “Titanic Voices” dos escritores Donald Hyslop, Alastair Forsyth and Sheila Jemima, e têm gerado grandes discussões e uma polêmica entre os estudiosos estrangeiros.
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Acima - O livro "Titanic Voices, Memories from the Fateful Voyage", "Vozes do Titanic, Memórias da Viagem Fatídica" (não publicado no Brasil).
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Enquanto alguns consideram que a escultura toda não estava em seu lugar, outros consideram que apenas a máquina circular do relógio não estaria ainda instalada; ainda hoje não há um consenso sobre qual seria a verdade, mas acredita-se que o relógio tenha sido finalmente concluído nos sete dias em que o navio esteve atracado na cidade de Southampton, portanto se assim for, o Titanic partiu em 10 de abril de 1912 com o relógio completo, sem partes faltantes.
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Visto que não há relatos diretos onde os passageiros citam o relógio (cita-se apenas a escadaria como um todo) e não existem fotos conhecidas da Grande Escadaria do Titanic, não há uma prova conclusiva que finalize a polêmica, e as possibilidades e dúvidas seguem em aberto.
20.Uma análise visual do relógio
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A escultura do painel do relógio era formada pelas figuras de duas mulheres aladas (mulheres com asas, anjos) que personificavam as figuras alegóricas “Honra e Glória”. As duas figuras foram representadas com longas vestes de mangas largas, o que somado às asas, acentua o senso de se tratavam de serem divinos.
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A figura da esquerda, a Honra, escreve em uma tabuleta e apóia o pé esquerdo sobre um globo. A figura da direita, a Glória, segura em sua mão direita um ramo de palma sobre a cabeça da Honra. Ao lado de seus pés, recostada à coluna do relógio, está uma coroa de louros.
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No centro, sobre uma coluna ornamentada com arabescos e folhagens de louro, ficava o relógio circular com mostrador de algarismos romanos. Na parte inferior do painel do relógio haviam dois *Grifos que sustentavam sobre a cabeça e sobre as asas toda a composição do painel esculpido.
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*Grifos são seres mitológicos representados com a cabeça, asas e patas dianteiras de uma águia e com corpo de um leão, visto que a águia é tida como rainha das aves e o leão como rei dos animais terrestres. Na mitologia os Grifos são seres muito fortes e sábios, guardiões de tesouros inestimáveis.
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Ao lado - Cena de "Titanic" (1997)
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Uma guirlanda de flores, folhas e frutos (do mesmo estilo criado pelo escultor Grinling Gibbons), arrematava a parte inferior do relógio entre os dois Grifos e seguia o mesmo esquema nas bordas laterais e no arco superior do painel, gerando uma composição impressionante em detalhes.
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Duas colunas arrematavam o contorno do relógio, as quais eram finalizadas com capitéis esculpidos com um pequeno anjo cercado por folhas de acanto.
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Um arco emoldurado finalizava o topo do relógio e era ladeado por entalhes de flores, folhas e arabescos. No topo do relógio um suporte espiralado com entalhes de folhas (denominado ANCONE) fazia o arremate superior da composição, este por sua vez, estava recostado às bases da moldura branca que circundava a cúpula de vidro.
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Análise simbólica
21. Qual era o significado geral do relógio?
.*Interpretação pessoal
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As figuras alegóricas da “Honra e da Glória Coroando o Tempo” simbolizam os ideais corporativos da Companhia White Star Line, ou seja, o relógio era carregado de simbolismo e ideais da empresa, não era apenas um belo objeto decorativo sem sentido.
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O painel carregava em si todo motivo da criação do Titanic:
"A conquista do transporte de passageiros através de um luxo insuperável, onde o tempo (simbolizado pelo próprio mostrador do relógio) e a velocidade eram importantes, mas não mais importantes que a “Glória” de uma travessia com o mais alto padrão de luxo e de conforto".
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Para tanto, o anjo da Honra anota em sua tabuleta as conquistas e vitórias sobre os mares do mundo, cujo qual está representado como um globo terrestre sob seu total domínio, debaixo de seus pés. O anjo da Glória segura em sua mão uma ramo de palma, cuja qual simboliza a vitória sobre a concorrência nas travessias oceânicas. Enquanto que a coroa de louros, recostada aos pés da coluna do tempo, celebra a glória suprema, ou seja, o esplendor e luxo na travessia do Oceano Atlântico.
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Os dois grifos (na parte de baixo do relógio) sustentam o painel sobre a cabeça e sobre as asas. Estas duas criaturas mitológicas simbolizam a estrutura sóbria, forte e vigilante da Companhia White Star Line, ou seja, a raiz histórica bem estruturada da empresa, aliada a uma vigilância constante e sábia, que visava o que havia de melhor.
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Num resumo geral: o relógio não era um mero painel decorativo NON SENSE (sem nexo ou sem sentido), era na verdade a materialização visual artística das metas corporativas e qualidades alegadas pela White Star Line, ele era virtualmente um logotipo das metas e valores da empresa.
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Ainda assim é evidente que ninguém olharia para o relógio e identificaria qualquer meta corporativa ou significado empresarial na escultura, estes significados e “blá-blá-blás” se escondiam por detrás da beleza artística da obra. Beleza que estava muito à frente e muito mais evidente do qualquer frio pensamento empresarial, ou seja, o relógio era antes de qualquer outra coisa, uma genuína peça de arte.
22. A inspiração para a criação do relógio

Em 1882 foram demolidos os últimos vestígios do enorme Palácio das Tulherias, em Paris, capital da França, bem próximo do conhecido Museu do Louvre atual. A enorme obra fora a morada de vários reis, como Henrique IV, Luís XIV, Luís XV e Luís XVIII, e tratava-se de um imenso palácio com uma longa fachada de 266 m. de comprimento (!).
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Neste palácio havia uma luxuosa sala denominada “O Grande Gabinete do Imperador”, cuja qual fora retratada em 1865 na tela “A conclusão do Louvre” de Jean Baptiste Ange Tissier. A tela retrata o imperador Napoleão III junto de uma pequena comitiva, os quais estão dentro do “Grande Gabinete do Imperador” no Palácio das Tulherias, no ato da aprovação das plantas propostas para a construção do Palais du Louvre (atual Museu do Louvre, um dos mais importantes museus do mundo, o qual abriga a tela da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci).
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Abaixo a tela "A conclusão do Louvre" de Jean Baptiste Ange Tissier
Ao analisar com atenção, pode-se notar claramente que no canto superior direito da tela, disposta sobre uma lareira, há uma grande escultura de duas figuras seminuas voltadas uma para a outra, e entre as duas figuras há um grande relógio circular sobre uma coluna dourada.
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Ainda que as cabeças das figuras tenham sido omitidas da tela, fica claro que aquela é uma escultura que guarda muita semelhança com o painel do relógio do Titanic. A composição geral é muito similar ao relógio da Grande Escadaria, onde a grande ressalva é de que o relógio que integrava o extinto Palácio das Tulherias era esculpido em mármore branco e bronze, e as duas figuras alegóricas estavam seminuas, enquanto que o relógio do Titanic era esculpido em carvalho (madeira) e as duas figuras estavam plenamente vestidas.
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O relógio do palácio (foto real) ...........Ilustração do relógio do Palácio........Relógio do Olympic (idêntico ao do Titanic)
O nome do relógio do Palácio das Tulherias era “A História Escreve Sobre os Ditos da Vitória”, cuja qual fora feita por Auguste-Marie Taunay, um escultor francês nascido em 1768 que se mudou para o Brasil em 1816 e faleceu em 1824, no estado do Rio de Janeiro. Portanto, se as evidências se confirmam, o relógio da Grande Escadaria fora inspirado pelo trabalho de um famoso escultor francês que migrou para o Brasil e aqui faleceu em 1824.
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Frisa-se o fato de que não há nenhum registro preciso de que o relógio da Grande Escadaria do Titanic tenha sido diretamente inspirado na obra do escultor Auguste-Marie Taunay, que integrava o extinto Palácio das Tulherias, em Paris. Mas os aspectos visuais e a composição de ambas as obras são tão similares que torna-se inevitável pensar que os arquitetos e escultores da Harland and Wolff, de Belfast, Irlanda, tenham se baseado na bela escultura de Auguste Taunay, visto que o palácio das Tulherias fora construído muito tempo antes do Titanic .
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Há registros de que os móveis, pinturas e esculturas do extinto palácio das Tulherias estejam protegidas nos grandes arquivos de obras não expostas do Museu do Louvre, portanto possivelmente o relógio esculpido em mármore branco e bronze do Palácio das Tulherias pode ainda existir. A dúvida sobre a inspiração para a criação do relógio do Titanic segue, mas a similaridade entre as duas obras é notável e inegável, e apenas um atento estudo histórico poderia revelar a veracidade das suspeitas, por enquanto trata-se apenas de uma grande curiosa coincidência artística.
23. As pinturas em tela e a tapeçaria de parede

Ao descer os degraus da Grande Escadaria (na parede central no meio de cada lance da descida), em cada convés havia uma bela tela dentro de uma moldura de carvalho entalhada com folhas, flores e frutos do mesmo estilo de trabalho encontrado nas bases das colunas e ao redor do relógio. Estas telas seguiam temas descritos como “paisagens italianas”. Uma das telas que se encontrava em grande destaque estava instalada no topo do 1º lance de escadas do Convés D. Esta tela poderia ser vista por aqueles que estivessem descendo em direção à Sala de Jantar ou para aqueles que subissem as escadas a partir da Recepção do Convés D, cuja qual ficava aos pés da escadaria.
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Acima - Uma reconstituição gráfica do lance de escadas do convés D, onde a Grande Escadaria era cercada pela Recepção ao lado da Sala de Jantar. À direita uma das telas emolduradas do Olympic, a pintura branca e verde mais recente escondeu os tons originais da madeira de carvalho polido. Esta peça encontra-se preservada sob propriedade desconhecida, na Inglaterra.
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Havia também um quadro com tapeçaria da marca Aubusson na parede de frente para quem descia o último lance de escadas no convés D. No navio haviam apenas duas tapeçarias deste tipo, a outra ficava sobre a lareira da suíte C 55, que era a sala de estar de um cabine localizada no convés C.
Acima, esquerda - A recepção do Convés D do Olympic e à direita uma tapeçaria bastante similar à que integrava a parede frontal da escadaria do Titanic no convés D, porém é apenas uma visão aproximada, visto que a peça original afundou com o navio e não há registros de que a tapeçaria do Olympic tenha sido preservada.
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Os documentos e registros históricos revelam que o desenho desta tapeçaria no convés D representava uma cena de caça em meio à mata de uma floresta, porém não há uma fotografia suficientemente nítida que revele este detalhe, nem mesmo a bordo do Olympic.
24. O candelabro no convés DAcima - Cena de "Titanic" (1997)
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Na base central da escadaria no convés D, acima de um pedestal de carvalho esculpido ( com mesmo tema do pedestal do querubim e das colunas) fora instalado um grande candelabro de bronze com 21 lâmpadas em formato que simulava velas. Este candelabro fora fornecido pela empresa Perry & Co., de Londres, Inglaterra. A peça se tratava de uma grande “taça” com 21 braços de castiçais, na qual os relevos da base simulavam folhas de acanto. A base quadrangular era também ornamentada com folhas, flores e frutas fundidas no bronze. As imitações de velas eram brancas, (possivelmente feitas de baquelite, um “ancestral” do plástico) apoiadas dentro de pequenos castiças em forma de arabescos com folhagens. Estes braços eram unidos à peça principal através de uma imitação de corda, a qual era fundida diretamente no bronze.
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Acima, esquerda - O candelabro do Olympic, à direita o mesmo candelabro (reprodução cenográfica) pode ser visto nos cenários reconstituídos para o filme Titanic (1997).
25. Os elevadoresAcima - Cena de "Titanic" (1997)
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Atrás da escadaria se localizava um trio de elevadores que operavam entre os conveses A, B, C, D e Convés E, portanto não haviam elevadores no Convés de Botes ( onde estava instalado os motores do elevador) e no Convés F (onde estava localizado o último lance de escadas). Os motores de suspensão dos elevadores foram instalados em uma cabine localizada exatamente atrás da parede do relógio da Grande Escadaria. Cada elevador tinha capacidade para dez pessoas e só podia ser operado quando os portões internos estivessem fechados. Nas paredes frontais aos elevadores foram instaladas anúncios com letras fundidas em bronze dourado que identificavam cada convés.
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Acima - Na reconstituição gráfica à esquerda a representação das paredes frontais aos elevadores. A imagem à direita mostra o letreiro em frente aos elevadores no Convés A em sua condição atual, nos destroços do navio. Surpreendentemente a madeira ao redor ainda resiste e também o letreiro de bronze, onde apenas a letra "A" se destacou e caiu em meio aos destroços.
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Os elevadores tinham aparência idêntica em todos os conveses, e eram revestidos com painéis de carvalho e colunas frisadas dispostas nos dois lados de cada pórtico de entrada. Sobre cada porta um frontão esculpido em carvalho arrematava a composição; estes frontões, por sua vez, têm origem na arquitetura greco-romana. Na coluna frisada de cada uma das três entradas se dispunha um pequeno painel de vidro iluminado onde eram descritos os conveses nos quais os elevadores operavam: A DECK, B DECK, C DECK, D DECK, e E DECK, logo abaixo deste painel havia um pequeno botão de chamada.
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Acima, esquerda - O mostrador de posições do elevador tal qual fora reproduzido nos cenários do filme Titanic (1997). * A foto à direita é do Olympic, porém apresenta design muito similar aos elevadores do Titanic.
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Os interiores dos elevadores eram decorados com painéis no estilo EMPIRE, os quais eram pintados de branco e receberam inserções de delicados apliques dourados. Curiosamente este era o mesmo estilo decorativo que fora utilizado na cabine C 57 da primeira classe, localizada nos arredores da Grande Escadaria no convés C.
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Acima - O comparativo mostra que os interiores dos elevadores foram equipados com o mesmo estilo decorativo encontrado na cabine C 57, marcado pela pintura branca enriquecida por apliques dourados.*A imagem mostra a cabine C 59 do Olympic, porém idêntica à cabine C57 do Titanic.
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Dentro de cada elevador foi disposta uma poltrona estofada recostada à parede de fundo; nos painéis laterais e de fundo foram equipados três espelhos que ocupavam a meia altura das cabines. Cada elevador dispunha de dois pares de portas corrediças, as portas interiores eram pantográficas, enquanto que as portas exteriores eram de ferro forjado e continham um elaborado trabalho de design formado por barras e desenhos espiralados.
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Acima - Os gráficos acima reconstituem o design dos portões dos elevadores, compostos por um portão interno de segurança e um portão externo ornamental.
26. Uma curta aparição em filme da escadaria do RMS Olympic
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O filme a seguir trata-se de uma publicidade gravada em película de filme da década de 1920. As imagens exibem as acomodações interiores do Olympic, o navio-irmão do Titanic. As cenas iniciais mostram um casal de passageiros tomando um dos elevadores com a ajuda de um jovem ascensorista. Aos 0:29 segundos vê-se também três casais de passageiros ao descer os degraus da Grande Escadaria em rumo à Sala de Jantar, numa visão de câmera tomada no convés A, onde se situava o "querubim grande", o qual fora explorado anteriormente nesta matéria. O vídeo todo é carregado de imagens valiosas. Os trajes das damas (vestidos curtos) evidenciam por si só que estas são imagens feitas por volta de 1920, quando a moda feminina passava por alterações evidentes, deixando os longos vestidos formais para dar lugar à peças mais ousadas e curtas.
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27. Um vôo musical pela Grande Escadaria

Para facilitar o entendimento de como eram os espaços e a decoração na Grande Escadaria, fica um vídeo espetacular que "flutua" pelos interiores das escadas de cima à baixo. A apresentação está entre as mais espetaculares recriações em computação gráfica, pois incorpora vários aspectos históricos e reais deste ambiente, porém ainda assim, é repleta de incorreções, o que não diminui a beleza e o entendimento dimensional. A animação não percorre todos os conveses onde a escadaria estava presente, deixando de lado o pequeno lance de escadas simplificadas que havia no Convés F.
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28. A Grande Escadaria "ontem e hoje"Acima - Cena de Ghosts of the Abyss (2003)
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Na gigantesca "onda" midiática sobre o Titanic, não há qualquer melhor referência sobre as condições atuais da Grande Escadaria do Titanic do que as ricas imagens apresentadas no documentário "Ghosts of the Abyss" ( Fantasmas do Abismo ) do diretor James Cameron, produzido em 2003.
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Neste documentário, que executa a exploração visual e histórica dos escombros do Titanic, as imagens captadas por robôs-câmera teleguiados por controle remoto exibem as condições atuais dos interiores do navio. De modo muito inovador, James Cameron utiliza-se de um tipo de "efeito fantasma" que funde ações tomadas em estúdio às imagens verídicas do Titanic naufragado, resultando numa espetacular apresentação de quais são as condições atuais do local onde antes situava-se a Grande Escadaria. Acompanhe uma das cenas no vídeo abaixo.
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. Duas visões da Grande Escadaria no convés A
Tal qual foi em 1912                                       e sua situação atual
Acima - Hoje a majestosa Grande Escadaria do Titanic não vai além de um gigantesco buraco vazio, por onde as dezenas de equipes de exploradores conseguem fazer imagens dos interiores do navio naufragado através da utilização de robôs-câmera, teleguiados remotamente pelos submarinos que "pousam" sobre as bordas deste "precipício", onde antes ficava a bela escadaria de madeira de carvalho polido e grades de ferro forjado e bronze.
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O próximo vídeo faz uma revisão visual da Grande Escadaria através da edição de dezenas de imagens e vídeos de expedições aos escombros do Titanic e de filmes e documentários produzidos ao longo dos anos. A apresentação é longa, mas perfeita para se entender o que houve com as escadas desde que o Titanic naufragou em 15 de abril de 1912. A música Marble Halls da cantora Enya enriquece as imagens.

29. A Grande Escadaria traseira.
 Acima - A Grande Escadaria traseira do Olympic vista em uma foto tirada no seu mais alto patamar, no Convés A. O destaque na primeira foto indica a cabine de Thomas Andrews, o projetista do Titanic, por detrás destas janelas (que na verdade eram dois espelhos) ficava a cabine A 36, a qual Thomas Andrews ocupou na 1ª e única viagem do Titanic; a imagem é ilustrativa, visto que na verdade foi tirada à bordo do Olympic, mas apresenta a mesma composição que havia no Titanic. O pequeno detalhe do projeto ao lado mostra a disposição da cabine de Andrews, ao lado da escadaria.
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Ao lado - A Grande Escadaria traseira do Olympic (virtualmente idêntica à escadaria correspondente do Titanic) seguia o mesmo estilo da escadaria na proa, com o diferencial de ser um versão ligeiramente mais compacta e de não possuir o grande relógio ornamental em seu patamar central, onde neste caso se localizava um relógio de menor porte e simplificado em suas formas. A fotografia ao lado foi tomada a partir do Convés B.
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As duas portas ao fundo da imagem - uma aberta e outra fechada - comprovam que esta não é uma fotografia feita no Titanic, visto que estas são as portas das cabines A 65 e A 67; ambas as cabines foram construídas/adicionadas em uma das muitas reformas do Olympic, realizada tempos após o naufrágio do Titanic. Originalmente aos pés da escadaria na popa (tanto no Olympic quanto no Titanic) ficava a Recepção do Restaurante À La Carte (que será explicada no tópico abaixo), e caso esta fotografia tivesse sido feita no Titanic (ou no início da carreira do Olympic), ao invés das duas portas de entrada das cabines A65 e A67, veríamos as mesas, poltronas e sofás da recepção do Restaurante à La Carte e uma bela parede apainelada na cor branca.
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*Apesar de originalmente este patamar da Grande Escadaria traseira estar localizado no chamado "Convés B", no Olympic este convés foi posteriormente renomeado como "Convés A", por isto as duas cabines receberam a devida nomeação "A 65 e A 67".
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A Grande Escadaria traseira era localizada entre a terceira e a quarta chaminés e se estendida por três conveses, A, B e C. Ela era caracterizada por balaustradas de madeira de carvalho de mesmo estilo da escadaria na proa e também contava com o mesmo modelo de cúpula de ferro forjado acima das escadas.
Abaixo - Colorização animada da....
Grande Escadaria traseira do Olympic.
Durante a expedição realizada pela empresa RMS Titanic INC em 1987, um querubim de bronze, considerado ter pertencido ao convés C da escadaria traseira, foi recuperado (foto ao lado). Ao contrário dos dois querubins grandes localizados na Grande Escadaria da Proa (no Convés A) e na Escadaria da Popa (no Convés B), este querubim resgatado em 1987 é bem pequeno, com cerca da metade do tamanho de seus "primos mais famosos".
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As diferenças maiores entre esta escada e a escadaria dianteira eram de que em vez de haver um grande relógio esculpido no patamar central, nesta escadaria havia um relógio de formato quadrado menor e mais simples. A cúpula de ferro forjado acima desta escadaria tinha formato circular e foi instalada no Convés de Botes, enquanto que na Escadaria dianteira a cúpula era um pouco maior, tinha formato oval e foi instalada um andar acima. À ré da Grande Escadaria na proa havia um conjunto de três elevadores para a 1ª classe, o mesmo não se aplicava à esta escadaria, pois aqui não haviam elevadores. Enquanto que havia um piano vertical logo abaixo da cúpula da escadaria na proa, aqui não havia piano em nenhum dos três conveses por onde se estendia a escada.
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Outro fator diferencial entre as duas escadarias eram suas áreas de cobertura: A escadaria na proa se estendia por 07 conveses (Convés de Botes, A, B, C, D, E e finalizava-se num lance muito simples no Convés F, ao lado do Banho Turco e da Piscina), enquanto que esta escadaria se estendia apenas por 03 conveses: Convés A, Convés B e finalizava-se no Convés C, onde ficavam a Barbearia e a Sala de Jantar das criadas e mordomos dos passageiros da 1ª classe.
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Acima - Ilustração de panfleto publicitário da Recepção do Restaurante À la Carte, instalada aos pés da Grande Escadaria traseira, no Convés B. A porta dupla ao fundo da imagem acessava diretamente o Café Parisiense, enquanto que o acesso ao Restaurante ficava à direita das portas duplas, através de um pequeno corredor.
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A Sala de Recepção era localizada fora do restaurante e aos pés da Grande Escadaria da Popa no Convés B. A decoração da recepção seguia o estilo georgiano e as paredes eram revestidas de painéis brancos com detalhes emoldurados. O piso era composto de mosaicos de linóleo idênticos aos da Grande Escadaria dianteira, e era coberto por grandes tapetes elaborados. A sala era equipada com cadeiras e sofás de vime estofados com seda. A característica mais impressionante da recepção era a escadaria de carvalho com o relógio simplificado no patamar central e o querubim de bronze aos pés da balaustrada central.
30. Grandes Escadarias em outros navios

Escadarias à bordo de navios, sejam eles gigantescos transatlânticos de luxo ou navios de menor luxo e de menor porte, integram parte das vias cruciais no que diz respeito à facilitação de trânsito através dos conveses (andares), cabines, restaurantes e às áreas de lazer de um barco de passageiros. Em resumo: uma escadaria à bordo de um navio é algo que está além de apenas um mero atributo de luxo e de decoração, pois escadas são, antes de qualquer coisa, extremamente necessárias no que se diz respeito ao tráfego de passageiros nos interiores de um barco.
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Ao longo das décadas, acompanhando a sempre crescente disputa comercial do transporte de passageiros pelos mares do mundo, as escadarias deixaram de ser apresentadas como "tímidos" degraus cercados por um corrimão de madeira para se tornarem parte integrante das melhores e mais decoradas áreas de um navio de passageiros, tornando-se um atributo de grande destaque, um ponto de ostentação onde os passageiros poderiam se reunir para ir de encontro aos luxuosos jantares e às várias outras áreas de lazer instaladas à bordo.
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Os ANOS de OURO da navegação transatlântica ficaram para trás com o surgimento da era da aviação, os grandes e clássicos transatlânticos de luxo "evaporaram-se" quase por completo dos mares do mundo, mas as escadarias marcaram história e evoluíram em suas dimensões e no estilo decorativo, assim como também evoluíram as formas dos navios e o clássico e saudoso transporte de passageiros cedeu lugar para os frívolos e descompromissados cruzeiros marítimos que hoje cruzam os mares de nossa época.
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Acompanhe pelas imagens abaixo a evolução deste ponto de encontro através dos anos, as mudanças e as diversas apresentações das "Grandes Escadarias" em alguns dos mais conhecidos navios que cruzaram ( ou que ainda cruzam) os mares do mundo.
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Dedicatória
Dedico esta matéria às pessoas que trazem quente e fervente nas veias o sangue artístico, aqueles que entendem o que a arte representa e os reais valores da arte na vida de nós todos, os seres humanos. 

"A arte e a emoção são duas das manifestações que nos diferenciam dos demais seres caminhantes."
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Em memória
. Esta matéria fica em respeitável memória aos trabalhadores e artistas que transformaram o frio "barco de aço " batizado de Titanic, em um navio belo de verdade. E em memória às mais de 2.200 pessoas que embarcaram no RMS Titanic em 10 de abril de 1912 e às mais de 1.500 que pereceram na tragédia na madrugada de 15 de abril.Crédito 
Pesquisas, composição de texto, edição, organização, correções, traduções e reedição de imagens