oncontextmenu='return false'>expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Dois brasileiros constroem maquete em escala do Titanic

Acima - Amigos construíram miniatura juntos ao longo de 2 anos, entre 2001 e 2003.. Seja bem vindo ao Titanic em Foco
 .
Que admirador ou entusiasta "hardcore" do Titanic nunca se pegou sonhando em ter ou construir uma maquete?

Este é seguramente um dos desejos mais elementares encontrados em praticamente qualquer um de nós, os "Entusiastas Titânicos" enquanto alimentamos o desejo de adquirir itens relacionados aos famoso e infame navio, que entrou para a história em 15 de abril de 1912, no que é hoje tido como o mais famoso naufrágio da história. Em ambos os hemisférios do nosso planeta milhares de entusiastas se dedicam com esmero a entender como realmente foi o Titanic e o que ele representa, enquanto dezenas de colecionadores se dedicam à criação de maquetes do Titanic, sejam elas do tipo "scratch build" (construídas do zero) ou na forma de kits de montagens em variadas escalas, comercializados em lojas de modelismo.

Munidos de admiração, talento e uma dose cavalar de paciência e atenção aos detalhes, dois brasileiros juntaram talento e disposição e deixaram de lado as facilidades dos kits pré frabricados, para criar desde o zero um belo modelo do Titanic em escala 1/100 (1 para 100), que hoje não vendem por menos de 500 mil dólares.

Acompanhe e, quem sabe, inspire-se você também
Dupla gastou R$ 10 mil para reproduzir todos detalhes em uma miniatura do Titanic
Matéria originalmente publicada por Mariane Rossi em http://g1.globo.com em 14/04/2014
.
Dois amigos de Santos, no litoral de São Paulo, construíram um navio em miniatura igual ao Titanic, que naufragou no Atlântico Norte há exatos 102 anos e resultou na morte de 1.514 pessoas. A peça foi feita há onze anos atrás e levou dois anos para ser concluída – entre 2001 e 2003 – e reproduz todos os detalhes da embarcação, considerada na época uma das maiores conquistas da engenharia moderna. O objeto já recebeu várias ofertas de venda, mas seus donos pedem alto para quem tentar levá-lo para casa.

O aposentado Manuel dos Santos, de 72 anos, viveu boa parte da vida a bordo de navios. Ele trabalhava como reparador, eletricista e instrumentista naval. "Comecei a trabalhar com embarcações quando tinha 17 anos, na costa brasileira. Fiquei uns 30 anos na área", conta. Após se aposentar, Santos quis "continuar" entre os navios. Por isso planejou construir um Titanic em tamanho reduzido.

Ao lado - José Antonio Frezza ajudou amigo a construir a miniatura do Titanic.

Na primeira tentativa, o aposentado fracassou. Isso porque ele não tinha as medidas do navio original e faltavam informações para deixar a maquete igual ao Titanic. Vendo o desejo do amigo, o comerciante José Antonio Frezza, de 65 anos, resolveu ajudá-lo nessa "brincadeira". Comprou livros que falavam sobre o famoso navio, nos quais era possível encontrar o tamanho dele e todos os detalhes de dentro e fora da embarcação, além da história do naufrágio, dos mortos e sobreviventes.

Ao lado - Manuel dos Santos construiu navio com base em informações de livros. Na foto Manuel segura um exemplar do livro "Por Dentro do Titanic", com dezenas de ilustrações gigantes criadas pelo ilustrador norte-americano Ken Marschall, famoso por seus desenhos perfeitos do Titanic.

Com base nas informações encontradas, os dois amigos construíram o Titanic em miniatura. "Fomos comprando material, uma prancheta de engenheiro, fizemos as medições certinhas, marcamos e fomos montando. A escala dele é 1:100, ou seja, é 100 vezes menor que o Titanic", explica Frezza.

 Ao todo, a miniatura tem 2,7 metros de comprimento e 30 cm de envergadura. Segundo Santos, que ficou responsável pela construção – enquanto o amigo se concentrou na pintura e no acabamento –, o navio foi todo feito em cedro e balsa equatoriana (tipos de madeira).

"Fui pegando todas as medidas, o modelo, as janelas; as vigas dos camarotes foram todas contadas, têm o mesmo número do original. Também há 16 botes, como no verdadeiro. Para fazer as janelas, usamos broca e lima. Deu trabalho. Os figurantes, os bonequinhos com a roupa da época, compramos em São Paulo", diz Santos. "Já a parte de pintura e o acabamento ficou por conta de Frezza. “O trabalho foi a pintura normal, tipo linha automotiva, igual faz em carros”, diz. Para finalizar, os amigos iluminaram toda a miniatura do Titanic, como se estivesse em alto-mar, à noite. Também colocaram um som no navio, como se partisse de um porto. "Para fazer, tem que ser completo. Só não colocamos a Rose e o Jack", brinca Santos.

"[Construir a peça] Foi um hobby e um desafio", comenta Frezza. Os amigos trabalharam durante fins de semana, gastaram tempo e dinheiro. Só de material, foram desembolsados mais de R$ 10 mil, segundo o comerciante. "Já tivemos várias ofertas, até de US$ 45 mil, mas não vendemos. O preço dele hoje é US$ 500 mil (R$ 1,1 milhão). Por menos que isso, não vendo", afirma Frezza.

Santos fica orgulhoso ao mostrar seu Titanic iluminado. O trabalho acabou sendo fruto de uma amizade, de sua adoração por navios e também serviu para reviver outros tempos. "Eu trabalhei em navios por muito anos. Foi para relembrar [esse período]", finaliza o aposentado.

Galeria

Acima - Com 2,7 metros de comprimento, o modelo em escala possui até mesmo iluminação especial por detrás de suas centenas de janelas e vigias, ressaltando o visual que o Titanic apresentava durante o período da noite. Ao lado - O verdadeiro Titanic, aqui fotografado no dia 01 de abril de 1912 em Belfast, Irlanda do Norte, dia em que sua construção fora finalizada após exatos três anos de obras.
Acima - No mundo do modelismo naval há uma grande gama de escalas de maquete disponíveis para venda, sendo as mais comuns em escala 1/144, 1/150 , 1/200, 1/250, 1/350, 1/700, dentre outras mais... Atualmente não há disponível no mercado kits de montagem do Titanic em escala tão grande quanto o modelo dos amigos de Santos; maquetes deste porte, em escala 1/100, são quase sempre construídas por iniciativa própria desde o zero de maneira artesanal. Ao lado - Fotografado a partir do cais de Southampton, o Titanic é vagarosamente rebocado nas águas do Rio Test, deixando a cidade em sua viagem inaugural.
Acima -  O letreiro "Titanic" aqui destaca-se na lateral de bombordo do modelo. Na vida real o enunciado com o nome do Titanic fora gravado em baixo relevo nas placas de aço que compunham o casco, onde cada letra media 45 centímetros de altura, e foram preenchidas com tinta amarelo cromo, a mesma cor aplicada na faixa decorativa divisória do casco negro. Nos destroços do Titanic, hoje a 3.800 metros de profundidade no Atlântico, o letreiro com o nome do navio ainda pode ser visto gravado no casco. Ao lado - A primeira "aparição" do Titanic nas cenas de "Titanic" (1997), que registra um ângulo similar ao da foto da maquete.
Acima -  O mais alto "convés habitável" do Titanic, nomeadamente o "Convés de Botes", aqui no modelo exibindo os botes salva-vidas Nºs 06 e 08. No verdadeiro Titanic foram instalados 20 botes salva-vidas divididos em 3 modelos e tamanhos distintos. Os dois botes na foto acima mediam 9,14 m de comprimento e podiam carregar 65 pessoas em cada um no navio real. Aqui na maquete as respectivas miniaturas medem por volta de 9 cm apenas. Ao lado - Uma curta cena excluída do filme "Titanic" (1997) que exibe precisamente a mesma área da foto da maquete dos amigos de Santos. Na animação é possível ver cinco botes instalados na área dianteira do Convés de Botes do navio cenográfico.
Acima - Um pequeno grupo de passageiros aqui relaxa no Convés de Passeio da 1ª classe... as miniaturas humanas na maquete tem no máximo 2 cm de altura apenas.
Acima -  O topo da popa do Titanic era utilizado como Convés de Passeio da 3ª classe, onde vários bancos de madeira estavam dispostos aos passageiros que desejassem admirar uma bela vista do oceano e repousar. A área estava repleta de equipamentos e dois guindastes de suspensão de carga, servindo também como área para passeio dos cachorros dos passageiros da 1ª classe.
Acima - Instalada no extremo final da popa do Titanic, a plataforma de navegação permitia que o navio fosse movido com ampla visão em locais que exigissem manobras delicadas, geralmente áreas junto aos portos e obstáculos. Aqui um tripulante em miniatura está junto dos aparatos de manobra, com o timão auxiliar do Titanic em destaque ao centro.
Acima - Entre as várias miniaturas humanas que "habitam a maquete" um casal se destaca: Eles dão um caloroso beijo enquanto estão sentados em um dos bancos... Cena que muito dificilmente teria acontecido em 1912, época de rígidas regras sociais e de um recato que hoje já não existem mais.

Acima -  A característica popa arredondada do Titanic aqui portando a bandeira do país do porto de origem, a Inglaterra. Atada às grades está a pequena placa vermelha que trazia o enunciado "NOTICE - THIS VESSEL HAS TRIPLE SCREWS, KEEP CLEAR OF BLADES" ("Aviso - Este navio possui três hélices, mantenha distância das lâminas"). O mesmo local aqui visto também ficara famoso nas cenas de "Titanic" (1997), nas cenas onde a protagonista "Rose DeWitt Bukater" [Kate Winslet] tenta se atirar do navio, mas é amparada pelo seu par romântico "Jack Dawson", vivido por Leonardo DiCaprio. Ao lado - Um grande grupo de passageiros da 3ª classe do Titanic se aglomera ao sol sobre a balaustrada da popa do navio em 11 de abril de 1912, enquanto o navio está atracado na cidade de Queenstown, Irlanda do Norte, para embarque e desembarque de passageiros e carga.

Acima - Gravado sob a popa do transatlântico, o enunciado "Titanic Liverpool" registrava a cidade sede dos escritórios White Star Line, na cidade de Liverpool, na Inglaterra. Do alto da popa do verdadeiro Titanic até a água haviam cerca de 13,5 metros de altura. Ao lado - Um dublê se atira para a "morte" durante as gravações das cenas do naufrágio do filme "Titanic" (1997). Firmemente seguros à balaustrada da popa cenográfica estão o ator Leonardo DiCaprio e a atriz Kate Winslet, intérpretes dos papeis principais da trama que mistura um romance ficcional dos protagonistas com a tragédia do Titanic como pano de fundo histórico.

Acima -  Duas das três hélices do Titanic. As duas hélices laterais de três pás do Titanic mediam 7 metros de diâmetro e pesavam 38 mil Kg cada uma. A hélice central media 5,2 metros de diâmetro e 22 mil Kg. Marcado em numeração decrescente entre a porção negra e vermelha do casco, os números "calado" serviam para indicar a imersão exata do Titanic. O leme do verdadeiro navio media 24 metros de altura, era formado por seis partes unidas e pesava 101 mil Kg. Ao lado - As enormes hélices e o leme do RMS Olympic, o navio-irmão do Titanic, aqui fotografado durante a etapapa final da construção do transatlântico na Doca Seca Thompson, em Belfast, Irlanda do Norte, no ano de 1911, cerca de 1 ano antes da viagem inaugural do Titanic. Ambos os navios foram construídos sobre o mesmo projeto geral, e a foto exibe um ângulo similar ao da foto da maquete dos amigos de Santos.

Acima - Com 2,7 metros de comprimento, a maquete apesar de bem grande tem apenas 1% do tamanho do Titanic real. Seriam necessárias exatamente 100 maquetes deste tamanho enfileiradas uma após a outra para que o comprimento do verdadeiro navio fosse alcançado. Ao lado - O real Titanic se prepara para deixar as margens da cidade de Queenstown em 11 de abril de 1912, sua segunda e última parada no continente europeu. Apenas quatro dias depois desta foto o grandioso navio e 1.500 de seus ocupantes se perderiam no que viria a se tornar a mais conhecida tragédia marítima da história.
mm
Crédito
Texto e fotos de Mariane Rossi - g1.globo.com
Reedição de texto - Rodrigo, Titanic em Foco