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terça-feira, 24 de maio de 2016

E aí! Você sabia?: Uma lista de curiosidades sobre o filme "Titanic" de 1997

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Seja bem vindo ao Titanic em Foco

Lançado em dezembro de 1997 nos Estados Unidos e em janeiro de 1998 no Brasil, o filme "Titanic" foi responsável por trazer para a cultura popular a história do grande e luxuoso navio cujo desastre assustou e marcou época, quando de seu naufrágio em sua primeira e não terminada travessia atlântica em 15 de abril de 1912.

 A produção que faz um mix entre um evento histórico real e uma história de amor ficcional entre o casal romântico central "Jack e Rose" (vividos por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet), ainda hoje desperta curiosidade e uma infinidade de perguntas não ou mal respondidas, especialmente para o espectador que não tem interesse focado no assunto. Não é a toa, todas as produções de cinema que misturam realidade e ficção acabam deixando atrás de si um rastro de dúvidas que dificilmente se apaga, já que se torna difícil separar onde termina a representação da realidade e onde começa a ficção pura e simples.

Custando a bagatela de 200 milhões de dólares para ser feito e tendo arrecadado mais de 2 bilhões somadas sua estreia original de 1997 e sua reestreia em 3 D no ano de 2012, Titanic carrega ainda o feito de ter sido um dos mais caros filmes já gravados e o segundo lugar em arrecadação, perdendo apenas para o filme "Avatar", também obra do megalomaníaco e criativo diretor James Cameron.

Dentre os muitos títulos que carrega, as 11 estatuetas do Oscar que sustenta são também um testemunho da grandiosidade do esforço colocado em prática para recontar a curta e não terminada viagem do malfadado navio que sucumbiu à colisão com um iceberg na primavera de 1912. Não é exagero dizer que: "O século XX começou abalado pela maior tragédia da história da navegação, o Titanic em 1912. E o século XX terminou surpreendido pelo sucesso do maior filme da história do cinema, o Titanic em 1997". (Apresentadora Marília Gabriela em declaração sobre o Titanic para um especial do SBT Repórter)

Então... saiba um pouco mais sobre os segredos deste épico do cinema
 
Trabalheira que não acaba mais: uma réplica de respeito
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Para mostrar o Titanic no auge de sua glória e no caos do terror final, o cineasta James Cameron recorreu à uma vasta pesquisa histórica acerca dos fatos e dados da curta existência do famoso navio.

Entre centenas de colaboradores envolvidos no processo de produção, Cameron contou com o apoio de dois grandes historiadores do Titanic: Ken Marschall (área visual) e Don Lynch (área histórica), ambos grandes autoridades especializadas no assunto.

A dimensão do projeto de Cameron era tão inédita que obrigou que quase tudo fosse feito do zero, desde o imenso estúdio criado apenas para a produção até os cenários, aparelhos operacionais de gravação e iluminação, mobília, decoração e toda a volumosa logística envolvida para recriar o navio.

Construída apenas para as gravações do filme Titanic, a gigantesca réplica cenográfica foi montada dentro de um tanque com 64 milhões de litros de água (equivalente à 25 piscinas olímpicas), escavado às margens da praia do Rosarito, em Baja California, México. O Titanic cenográfico fora reconstruído sobre andaimes reforçados de aço (do meio até a traseira) e uma plataforma com elevação hidráulica (do meio até a área dianteira) para que fosse fisicamente afundado frente às câmeras.

Enquanto o verdadeiro Titanic media 269 metros de comprimento, a réplica cenográfica, obrigatoriamente encurtada como medida de economia, media ainda impressionantes 236 metros de uma ponta à outra.

O navio histórico real fora feito de aço e consumira exatos três anos para ser concluído, e o grande cenário foi construído num período de 100 dias com 500 trabalhadores utilizando aço (estruturas), compensado de madeira (casco e paredes), imitações de milhares rebites feitos com material plástico, botes salva-vidas e a grande maioria dos aparatos de convés reconstruídos com fibra de vidro. Um capricho histórico: os guindastes de suspensão dos botes salva-vidas do cenário realmente eram funcionais, foram reconstruídos pela empresa Welin Davit and Engineering Co., a mesma que fornecera os guindastes para os botes do Titanic em 1912.

Abaixo: Medindo 236 metros de uma ponta a outra, o Titanic cenográfico criado para James Cameron tinha 88% do comprimento do verdadeiro navio. Para conseguir encurtar o cenário, a equipe de engenheiros "retirou fatias" dos projetos originais do Titanic atrás de cada uma das quatro chaminés e uma fatia da área traseira na popa, eliminando ao todo 33 metros do comprimento do transatlântico sempre em pontos que não prejudicariam o visual geral. Cerca de 25 metros da área dianteira também não foi sequer construída como meio de contensão de gastos, sobrando na proa apenas uma fração do extremo frontal, onde aconteceram as gravações da famosa cena romântica entre Rose e Jack. Ainda durante a fase de projetos, observando que com o comprimento do navio encurtado as chaminés e mastros em dimensão original ficaram desproporcionalmente grandes, a solução encontrada foi de diminuir 10% da altura das chaminés e dos dois mastros para que se adequassem ao cenário sem distorcer a composição. A mesma solução foi usada para os botes salva-vidas e seus guindastes, que também foram diminuídos em 10% para que se adequassem ao espaço encurtado do cenário. Este curioso e estranho jogo de compressão de dimensões, aliado ao fato de que o casco negro do outro lado do navio não foi construído, resultou em grande economia sem prejudicar a ilusão de realismo necessária, a famosa "mágica do cinema". CURIOSIDADE: Toda a área do casco vermelho abaixo da linha d'água e uma grade porção do casco negro na área da popa do navio também não foi construído, ficando a cargo dos efeitos especiais o "preenchimento" destas áreas em cenas específicas. Assim então os interiores da réplica cenográfica não iam muito além de um gigantesco e complexo sistema de estruturas de aço, quilômetros cabos elétricos e uma infinidade de refletores para simular a iluminação interior do Titanic. Vale observar também que o mastro traseiro do cenário foi "cortado" pouco acima do meio, não foi plenamente recriado.
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Mais de 70 % da enorme piscina à céu aberto onde foi alocada a réplica era rasa (apenas 1,2 m de profundidade), mas contava com mais dois níveis de maior profundidade, que era bombeada diretamente do Oceano Pacífico situado ao lado. Boa parte do tanque funcionava apenas como um espelho d'água raso para completar a ilusão de realismo, apenas as áreas logo abaixo do cenário eram mais profundas, para permitir que o cenário fosse afundado frente às câmeras e para que os dublês pudessem pular para a água sem que se ferissem no fundo de concreto do tanque. Logo após o fim das gravações tudo foi completamente desmontado, e parte dos componentes virou sucata, enquanto milhares de outras peças se tornaram artigo de colecionadores ao redor do mundo. O estúdio ainda permanece ativo, e com o passar dos anos recebeu produções como James Bond, Pearl Harbor, Mestre dos Mares, As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada, entre várias outras produções menores.
 
  
Navio caro... filme caríssimo

Custando 200 milhões de dólares, o filme ficou mais caro que a construção do verdadeiro Titanic. O custo da construção do Titanic entre 1909 e 1912 foi de 1 milhão e 500 mil Libras, equivalente a 7 milhões e 500 mil dólares em valores de 1912, e entre 120 e 150 milhões de dólares corrigidos para 1997. Assim então o filme custou 50 milhões de dólares a  mais que o Titanic real.
 
Uma "pontinha" como figurantes

Tendo atuado como consultor histórico durante o processo de produção do filme, o historiador e fundador famosa "Titanic Historical Society" (Sociedade Histórica do Titanic), Ed Kamuda junto de sua esposa, Karen, foram convidados por James Cameron a fazer uma pequena aparição numa das cenas do filme. O casal é visto no convés de passeio atrás de Jack e Molly Brown (Leonardo DiCaprio e Kathy Bates), logo após a famosa cena onde o casal faz um treino de cuspe à distância na amurada do navio.

Kamuda e vários outros membros da sociedade histórica trabalharam como consultores para o filme, onde Kamuda auxiliou com os detalhes históricos do navio e da história em si. Depois de gravarem suas cenas, James Cameron apresentou o casal Kamuda à equipe técnica dizendo: "É por causa destas duas pessoas que nós estamos aqui hoje". Cameron também apresentou Kamuda para vários atores dizendo: "Aqui está o homem que fez isso tudo possível". Kamuda, que inicialmente estava relutante em aparecer nas telas, descreveu depois a experiência de estar no cenário do navio como: "Olhar para os livros por 40 anos e então caminhar pelos conveses do navio - era um sonho se tornando realidade". Ed Kamuda faleceu em 2014 aos 74 anos, deixando a Sociedade Histórica do Titanic em pleno funcionamento, a qual ele ajudou a fundar em 1963 e que ainda segue emitindo sua publicação em revistas chamada "The Titanic Commutator" para assinantes ao redor do mundo. Abaixo: Ed Kamuda e Karen posam orgulhosamente no convés do Titanic cenográfico durante a produção do filme em meados de 1996.
   
"Foi há 84 anos... 
e ainda sinto o cheiro da tinta fresca, da porcelana nunca usada, dos lençóis nunca usados... O Titanic se chamava O Navio dos Sonhos. E era, realmente era..." 

Para interpretar a versão idosa de sua jovem heroína Rose, James Cameron recorreu ao talento da veterana atriz Gloria Stuart (Gloria Frances Stewart) que na época das gravações da superprodução já contava com 86 anos de idade, o que fez da atriz a única pessoa de todo o elenco que já havia nascido em 1912, pois Gloria Stuart tinha quase 2 anos de idade quando o Titanic naufragou em 1912, tendo nascido em julho de 1910. 

Ao contrário do que muita gente pensa ainda hoje, mesmo 19 anos depois do filme Titanic ter sido lançado, a querida velhinha "Rose" não é uma personagem real, não representa nenhuma real passageira do Titanic, assim como Gloria Stuart também não tinha qualquer relação com o Titanic, e foi chamada para atuar no papel de Rose devido à sua idade e à carreira de sucesso no cinema. A idosa Rose no filme tem 100 anos de idade, e Gloria na época em que as cenas foram gravadas estava no auge de seus 86 anos, fato que obrigou a equipe de maquiagem e efeitos a forçar as marcas da idade na expressão da veterana atriz, criando através de maquiagem marcas e manchas na pele para que ela parecesse ter de fato os 100 anos de idade, ou seja, 14 anos mais velha atriz tinha de fato. Gloria Stuart faleceu em 2010 aos 100 anos de idade vítima de câncer de pulmão.
 
A arte que inspira a sétima arte

Para convencer os estúdios Fox a financiar o seu ambicioso projeto de gravar o filme Titanic, o diretor canadense James Cameron, ainda sem ter um roteiro definido, se reuniu com os executivos dos estúdios Fox em março de 1995 levando consigo um exemplar do livro "Titanic An Illustrated History", que trazia uma grande quantidade das ilustrações  realistas criadas pelo ilustrador norte americano Ken Marschall. Em determinado momento de sua reunião com o presidente dos estúdios, Peter Chernin, Cameron simplesmente abriu o livro, apontou para uma das ilustrações, e declarou como argumento para fazer seu filme: "Romeu e Julieta no Titanic" [pontuando qual era o ideal para sua história] e, num resumo, a permissão para levar seu projeto adiante foi concedida.

Já durante a produção Ken Marschall foi então contratado para atuar como consultor histórico durante a construção dos cenários e recriação da miríade de artefatos necessários para trazer o Titanic de volta a vida, período no qual James Cameron usou com grande frequência as fantásticas ilustrações de Marschall como guia visual para as mais belas cenas recriadas com auxílio de efeitos especiais. Abaixo seguem alguns dos muitos momentos onde a arte de Marschall serviu de evidente inspiração para Cameron, onde as cenas finalizadas são na prática cópias ou releituras de sua arte ilustrada.
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Ilustrações de Ken Marschall ..............................................  Cenas do filme
 
A verdadeira "Madame Bijou"

Durante seu primeiro passeio junto do jovem personagem Jack (Leonardo DiCaprio) no convés de botes, a jovem Rose (Kate Winslet) após uma pequena discussão toma das mãos de seu companheiro de viagem uma pasta contendo vários dos desenhos feitos pelo viajante artista e aventureiro. Na pasta cheia de ilustrações com cenas do cotidiano e de prostitutas de Paris, Rose encontra uma ilustração de uma mulher de meia idade recostada num balcão com uma taça, sobre a qual Jack comenta brevemente: 

"Ah, essa senhora! Ela ficava sentada nesse bar todas as noites usando sempre as mesmas joias, esperando pelo seu amor perdido... a chamava de Madame Bijou. Vê a roupa dela comida por traças?"

O fato é que a simples ilustração foi de fato baseada numa pessoa real, no caso uma foto tirada pelo fotógrafo húngaro Brassaï (cujo nome real era Gyula Halász) no ano de 1932 no bairro boêmio Montmartre, em Paris, França. A foto verídica foi nomeada "Môme Bijou at the Bar de la Lune, France" (Algo como "Madame Bijou no Bar de la Lune, França"). O trabalho do criativo diretor James Cameron foi transferir e adaptar este registro histórico verídico para seu filme na forma de desenho. A foto inspiradora foi tirada 20 anos depois do naufrágio do Titanic.
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 Água neles!

O ator Eric Braeden, que interpretou o passageiro da 1ª classe John Jacob Astor, relatou que nunca esteve tão aterrorizado em sua vida do que quando estava se preparando para atuar na cena onde o domo da Grande Escadaria é implodido por uma imensa massa de água, visto que não houve qualquer possibilidade de ensaio prévio antes da tomada.

A cena foi planejada com muita meticulosidade já que não haveria chances de regravá-la porque parte da escadaria foi de fato destruída durante a tomada principal. O cenário da escadaria foi construído sobre uma plataforma de elevação sobre um tanque com 19 milhões de litros de água salgada para que fosse fisicamente afundado frente às câmeras. Durante a tomada onde foram literalmente despejados 342 mil litros de água que estouram o domo de vidro (três vezes mais água do que inicialmente planejado), a seção de degraus repentinamente soltou-se de suas bases e imergiu violentamente sob os pés dos dublês, mas sem causar ferimentos aos presentes. CURIOSIDADE: Para fins de segurança na gravação desta perigosa cena da implosão, os painéis de vidro da cúpula da escadaria tiveram de ser substituídos por painéis de parafina (fáceis de se romper), considerando que o vidro estilhaçado causaria ferimentos aos atores e dublês que atuaram na tomada.
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Arte de Picasso que nunca esteve no Titanic

No começo do filme a personagem Rose é mostrada manuseando vários quadros, alguns feitos por Pablo Picasso [que no momento da viagem inaugural do Titanic em 1912 ainda não era tão famoso]. Nenhum dos verdadeiros quadros de Picasso (ou nenhum outro retratado no filme como de Degas ou de Monet) estavam no navio real (assim como Rose também jamais esteve no Titanic porque é também uma personagem ficcional criada por James Cameron). A obra de arte retratada no filme chama-se "Les Demoiselles d' Avignon", que na verdade pertence ao Museu de arte Moderna de Nova Iorque. A sua inclusão no filme provocou reclamações sobre os direitos de Picasso tanto quando o filme foi lançado em 1997 e também durante o seu relançamento em 3D em 2012.

 
Ops! Corredor errado, navio errado!

http://i40.tinypic.com/wqsltt.gifPara criar os cenários dos luxuosos corredores das cabines da 1ª classe, na ausência total de fotos verídicas dos corredores da 1ª classe do verdadeiro Titanic, a equipe de arte de James Cameron recorreu às fotos de época dos corredores do navio RMS Mauretania, de propriedade da companhia concorrente à do Titanic, a Cunard Line. Deste modo então os corredores luxuosos que se vê no filme não são baseados no Titanic. Este recurso de pesquisa em outros navios da mesma época do Titanic foi utilizado para vários aspectos dos cenários no filme, especificamente para aqueles sobre os quais havia um total ausência de informações de época.

Uma "banheira" muito pequena pra um "barquinho" muito grande

Para mostrar seu Titanic numa escala comparável comparável ao tamanho verdadeiro navio, o megalomaníaco diretor James Cameron optou por recriá-lo em tamanho quase natural, diminuindo sensivelmente o comprimento do cenário como medida de economia e para que sua réplica se encaixasse no enorme tanque criado especificamente para as gravações na praia do Rosarito, em  Baja California, no México. A questão é que sua réplica, mesmo encurtada em relação ao verdadeiro Titanic, não ficou plenamente alocada dentro do tanque, se projetando para fora dos limites da piscina escavada junto ao oceano Pacífico.

Quase a totalidade das cenas internas do filme foi gravada nos estúdios fechados construídos à margem do tanque, deste modo o interior da réplica do Titanic em si tratava-se muito simplesmente de um emaranhado de andaimes de aço que sustentavam um revestimento cenográfico de materiais muito variados. Apenas a ponte de comando, a casa do leme e a sala de mapas foram de fato construídas a bordo do navio cenográfico, e maioria das demais acomodações interiores que podem ser vagamente vistas através das centenas de janelas se tratavam simplesmente de simulações muito básicas dos luxuosos ambientes internos. Abaixo: A popa do Titanic cenográfico alojada fora do tanque onde o restante do navio foi assentado. Parte desta área inacabada cheia de andaimes pode ser vista durante uma cena muito rápida do filme quando o personagem Caledon Hockley (Billy Zane) desembarca do carro e admira o navio assim que chega ao porto junto de sua noiva Rose. Ao fundo da foto é possível ver parte do oceano Pacífico, visto que o estúdio todo foi construído na beira do mar.


Possante a bordo: Um Renault ano 1911 no Titanic

Tão logo o Titanic aparece na tela nas cenas de embarque em 1912, um belo Renault vermelho é mostrado sendo embarcado no navio suspenso por um dos guindastes do porto. O belo calhambeque realmente estava no verdadeiro Titanic e pertencia ao rico passageiro da 1ª classe William Ernest Carter, que havia comprado o possante na Europa e o estava levando para casa nos Estados Unidos embarcado no porão nº 02. Carter, esposa e filhos sobreviveram ao naufrágio, mas evidentemente perderam o carro, pelo qual o milionário pediu uma indenização alta o suficiente para comprar 10 carros Ford na época (!).

Quando James Cameron mergulhou aos destroços do verdadeiro navio em 1995 antes de iniciar as gravações do filme em si, sua ideia era de encontrar o carro e tentar usar a gravação numa de suas famosas transições de tempo, onde o carro apareceria decrepito no fundo do mar, para então ser mostrado em estado de glória tal qual em 1912. Cameron não conseguiu este feito, optando então por exibir o Renault brilhando como novo ao ser embarcado e posteriormente sendo abrigo para as cenas de amor entre Jack e Rose. O carro mostrado no filme trata-se muito simplesmente de uma réplica cenográfica que sequer tinha motor, e foi construída especificamente a pedido de Cameron. A recriação do carro de maneira muito fiel só foi possível porque a equipe de arte de Cameron conseguiu encontrar em arquivo os registros do seguro do carro histórico, que descreviam com riqueza de detalhes o visual do veículo naufragado a bordo do Titanic. Abaixo: Nesta foto dos bastidores de "Titanic" (1997), o famoso Renault vermelho que pertencera ao passageiro William Carter é mostrado durante o processo de embarque. Hoje os mais recentes estudos históricos sobre o verdadeiro Titanic apontam que o Renault de William Carter fora transportado nos porões do transatlântico semi desmontado e plenamente lacrado em uma caixa. O carro teria sido embarcado no navio no dia 06 de abril de 1912, quatro dias antes da partida, e não no dia 10 de abril como mostrado por Cameron.


 
Fabrizio De Rossi: Dois finais diferentes...

http://i45.tinypic.com/28m24bq.gifO personagem italiano Fabrizio De Rossi (Danny Nucci), colega de viagem de Jack, encontra seu fim quando é atingido pela queda da chaminé dianteira do Titanic.

Originalmente James Cameron havia escrito outro fim para este personagem: Fabrizio seria morto por Caledon Hockley (Billy Zane), ao tentar subir para bordo do bote salva vidas onde o magnata noivo de Rose estava a bordo. Na cena original Hockley o acerta com um remo na cabeça, deixando-o agonizando para a morte à deriva em meio aos outros náufragos. A cena chegou a ser gravada, mas foi deixada de lado e refilmada como a conhecemos hoje (e ao que se sabe esta versão violenta jamais foi divulgada nem nos extras do filme). Abaixo: Os últimos momentos de Fabrizio após a pancada desferida sobre sua cabeça através de um remo portado por Caledon.
 
Esta cena é real... aquela outra não é...
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James Cameron optou por gravar os escombros verdadeiro Titanic a 3.800 metros de profundidade no Atlântico Norte para usar as cenas reais em seu filme e atingir um alto nível de qualidade e de realismo, feito que conseguiu após 12 mergulhos ao local dos escombros do Titanic no ano de 1995, onde coletou as assombrosas cenas do verdadeiro navio decrépito. Cameron usou de fato as cenas reais captadas do Titanic, no entanto parte das cenas de exploração exibidas no começo do filme foram feitas com cenários e maquetes do navio naufragado gravadas em estúdio. Mas a qualidade do trabalho e os cortes são tão rápidos e bem feitos que se torna difícil identificar "o que é real e o que não é". A cena abaixo - com visual muito realista - trata-se nada mais do que de maquetes (do navio e dos submarinos) gravadas com fumaça pesada para simular a distorção da água do mar.

  
Nada de se divertir no extremo da proa do Titanic!
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Você sabia que as famosas cenas com as exclamações empolgadas: "Eu sou o rei do mundo! / Eu estou voando..." do casal fictício "Jack e Rose" (Leonardo DiCaprio e Kate Winslet) jamais poderiam ter ocorrido na vida real?  

Utilizando-se de uma enorme dose de licença poética, James Cameron optou por colocar os personagens principais de seu filme numa das mais românticas cenas do cinema, locada no extremo frontal da proa do Titanic. Mas... O caso é que e proa do verdadeiro Titanic em 1912 era um local proibido aos passageiros, e havia inclusive uma nítida placa situada junto à mureta do quebra mar que proibia o acesso de pessoas a esta área do navio como medida de segurança. A placa trazia os dizeres: "NOTICE - PASSENGERS ARE NOT ALLOWED FORWARD OF THIS" (Tradução: "AVISO - PASSAGEIROS NÃO SÃO PERMITIDOS A PARTIR DAQUI". A proibição de tráfego e permanência de passageiros na proa do navio era uma atitude de segurança, visto que nesta área estavam localizados os mais pesados e perigosos equipamentos de manobra, que potencialmente poderiam ferir com gravidade os curiosos desavisados.

Recriando um gigante em "miniatura"

Para explorar o visual do Titanic com plena liberdade nas telonas, Cameron encomendou um enorme modelo do navio com 13,45 metros de comprimento, na escala 1:20, feito especificamente para as gravações das cenas de efeitos especiais.

A maquete levou 7 meses para ficar pronta com um batalhão de artistas trabalhando 7 dias por semana, e tinha um nível de detalhes fantástico, além de ter sido propositalmente envelhecida para que parecesse mais natural debaixo dos pesados holofotes das câmeras que captaram imagens que depois foram processadas por computador; a maquete tinha seus interiores plenamente iluminados além de contar com dezenas das famosas cadeiras de descanso espalhadas ao longo do convés de botes para completar a ilusão de realismo frente às câmeras. Ela é ainda hoje a segunda maior maquete do Titanic já criada, perdendo apenas para o modelo de 17 metros de comprimento feito para o filme "Raise the Titanic" de 1980 ("O Resgate do Titanic", no Brasil).

 
"Luz: Muita luz!"

A grande réplica cenográfica do Titanic foi construída às margens do Oceano Pacífico na costa do México, perto da fronteira dos Estados Unidos, e estava posicionada dentro de um tanque ao ar livre. Considerando o fato de que a maior parte das cenas externas de naufrágio foram gravadas realmente durante a noite a céu aberto, a equipe de arte reforçou a iluminação adicional do navio cenográfico utilizando gigantescos aparatos de luz rebatida para incrementar a nitidez das cenas.

O verdadeiro Titanic não era um navio  projetado para hábitos de passeio noturno (não havia este costume na época), portanto era bastante devedor em iluminação externa. Sabendo destas informações a equipe de James Cameron tratou de utilizar no cenário um porcentagem bem maior de potência e de lâmpadas adicionais para alcançar o efeito desejado frente às câmeras. Outra liberdade tomada em relação à iluminação foi a de acrescentar refletores nas bases das quatro chaminés do cenário para conferir-lhes um destaque... iluminação adicional que não existiu no verdadeiro Titanic em 1912, cujas chaminés não contavam com nenhuma iluminação própria. Abaixo: O convés de botes do cenário visto sem adição de iluminação adicional, algo bem próximo ao visual do verdadeiro navio. O erro proposital aqui é a iluminação nas bases das chaminés.
 
Dois navios "iguais"

Devido a notória escassez de fotos verídicas dos interiores do verdadeiro Titanic, que foi fotografado em apenas poucas ocasiões antes de sua viagem de estreia fatal, durante a produção do filme "Titanic" a enorme equipe de historiadores e artistas da produção do filme recorreu às fotos de época de seu navio irmão, o RMS Olympic, do qual existe uma quantidade e variedade muito grande de registros fotográficos obtidos durante sua carreira de 24 anos navegando na mesma rota em que o Titanic sucumbiu em sua primeira e não terminada travessia.

Olympic e Titanic eram considerados navios gêmeos porque foram construídos sobre o mesmo projeto geral, tinham o mesmo comprimento, mesma altura e mesma largura, além de que tinham o mesmo padrão de luxo, e suas decorações interiores, quando não idênticas, eram versões muito similares uma da outra. Ambos os navios foram construídos pelos Estaleiros Harland and Wolff, de Belfast, capital da Irlanda do Norte, ao mesmo tempo, pelos mesmos trabalhadores, com os mesmos materiais... a diferença é que o Olympic fez sua viagem inaugural em junho de 1911, dez meses antes da viagem de estreia do Titanic, que naufragou em sua primeiríssima viagem em abril de 1912. Com uma carreira de transporte de grande prestígio o Olympic navegou durante 24 anos na rota do Atlântico Norte até que foi demolido em 1935, e grande parte de sua decoração e objetos interiores foi a leilão. Abaixo: A Grande Escadaria dianteira da 1ª classe recriada para o filme, copiada diretamente das fotos de época do Olympic.

 
Uma vida feliz depois do naufrágio...


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Você sabia que boa parte das fotos nos porta retratos da personagem ficcional "Rose Calvert" exibidas no filme "Titanic" (1997) são apenas montagens? 

De maneira muito inteligente o cineasta canadense James Cameron conseguiu demonstrar em seu filme "Titanic" (1997) que a sua personagem ficcional, Rose De Witt Bukater (Kate Winslet), teria levado uma vida feliz e plena depois da tragédia... O recurso para sinalizar a vida feliz de Rose é que ela já idosa (interpretada então pela atriz Gloria Stuart) carrega junto de si para onde quer que vá suas antigas fotos em porta retratos, tiradas enquanto ainda era jovem, depois de se tornar uma sobrevivente do Titanic.

Nas fotos em questão a personagem aparece em variados momentos, sempre feliz e sorrindo, levando uma vida de aventuras, aparentemente realizando todos os sonhos sobre os quais conversara com seu par romântico Jack Dawson (Leonardo DiCaprio) enquanto se conheciam no Titanic. 

Grande parte destas famosas fotos trata-se nada mais do que montagens, feitas através de alteração digital com a inclusão da atriz Kate Winslet em antigas fotos de arquivo. As fotos de Kate foram pré planejadas e tomadas de maneira com que ela se encaixasse perfeitamente nos retratos pensados por James Cameron.
 
Um Titanic feito em módulos

Em favor de mostrar o Titanic sendo engolido ao vivo frente às câmeras sem a ajuda de efeitos de computador em algumas das cenas, James Cameron optou por construir o cenário em módulos desmontáveis para que parte do navio fosse alojada sobre um potente sistema de elevação e rebaixamento hidráulico.

As mais notáveis cenas externas onde este efeito foi utilizado foram os momentos em que a água invade violentamente a área dianteira do convés de botes, tomando conta da ponte de comando, e engolindo literalmente centenas de atores e dublês frente às câmeras. Para atingir este efeito realístico a seção dianteira do navio de mais de 50 metros de comprimento foi suspensa diretamente sobre um sistema de elevação capaz de afundar o cenário no ritmo necessário num tanque com 12 metros de profundidade. Nas primeiras tentativas efetuadas, já com utilização de água, notou-se que o cenário estava absorvendo o choque, e naufragando de maneira lenta demais, o que obrigou a equipe de técnicos a remover do navio os componentes que estivessem atrapalhando o afundamento da maneira adequada, e assim então o efeito realístico rápido foi alcançado.
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Um filme com muito oceano... mas oceano real só mesmo no fim

Ao lado - As dramáticas cenas do resgate dos sobreviventes da tragédia. Para representar o Carpathia nas telonas, Cameron optou por inserir o navio no horizonte através de uma pintura digitalmente inserida por computação na pós produção; para as cenas de convés, onde os sobreviventes são brevemente mostrados em estado de choque após o resgate, a habilidosa produção de arte reconstruiu com esmero de detalhes uma fração dos conveses dianteiros do Carpathia, onde então as cenas foram rodadas sem acréscimo de efeitos gráficos.
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Apesar da ação se passar quase 100% no oceano, apenas uma das últimas cenas do filme foi gravada realmente no mar, nomeadamente a cena em que os poucos botes salva-vidas remam em direção ao navio de resgate, o Carpathia, que é visto no horizonte rodeado por vários icebergs no amanhecer da tragédia. Apesar de ter sido gravada de fato no oceano, esta cena recebeu retoque digital com a adição de um novo céu com as cores do amanhecer do dia e inclusive o navio salvador, o Carpathia, foi introduzido por efeitos através de uma pintura. À exceção das cenas do navio de pesquisa "escarafunchando" para encontrar o colar no fundo do oceano no começo do filme e as cenas dos escombros reais do Titanic, todas as demais cenas foram gravadas exclusivamente nos Estúdios Fox em Baja California. Abaixo: O navio de resgate, o Carpathia, e o passo a passo da cena que foi composta através de computação.
 
Crédito 

Edição de texto e imagens por Rodrigo, Titanic em Foco