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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O verdadeiro iceberg que afundou o Titanic

Acima, esquerda: Domingo, 14 de abril de 1912, 23:40, Oceano Atlântico Norte - Três badaladas fortes ressoam do sino do cesto da gávea. O Primeiro Oficial William McMaster Murdoch vê o perigo que se aproxima e grita para o contramestre Robert Hichens ao timão, dentro da casa do leme (Ilustração de Ken Marschall, 1992). Acima, direita: A 12 metros do piso do navio e a 27 metros do nível do mar, os vigias Frederick Fleet e Reginald Lee avistam o grande iceberg no cesto da gávea do Titanic, o imenso bloco flutua a cerca de 500 metros diretamente à frente.

Seja bem vindo ao Titanic em Foco

Mais de 100 anos depois que o Titanic afundou no Atlântico, provavelmente a primeira fotografia autêntica do iceberg fatal veio à tona, a imagem permaneceu não publicada sob propriedade privada, até que foi redescoberta em abril do ano de 2000. A fotografia mostra cicatrizes de danos causados à um iceberg fotografado nos arredores do naufrágio no dia 20 de abril de 1912, apenas 5 dias após a catástrofe com o Titanic. Combinando todas as indicações descritas no estudo abaixo, pode-se praticamente afirmar que esta fotografia de fato mostra o iceberg real. A cópia original da foto principal desta matéria agora é mantida segura em um cofre de um banco em Munique.
AcompanheO "iceberg fatal" fotografado por Stephan Rehorek
Um passageiro nascido na região da Boêmia, Europa, chamado Stephan Rehorek estava a bordo do navio alemão SS Bremen em 20 de abril de 1912, quando este, com destino a New York, Estados unidos, passou pela área do naufrágio do Titanic. De seus conveses as pessoas a bordo do Bremen avistaram parte dos destroços do Titanic, e os corpos de centenas de vítimas flutuando na água.
Acima - O navio alemão SS Bremen, de onde foram vistos corpos das vítimas e destroços do Titanic. Stephan Rehorek fez as fotografias dos icebergs a partir deste navio.
Nas águas circunvizinhas um iceberg foi avistado e os oficiais do Bremen suspeitaram de que aquele seria o iceberg no qual o Titanic havia colidido e afundado menos de uma semana antes. Fora cogitado um plano de resgate dos corpos pelos oficiais do Bremen, mas o plano foi cancelado com a informação de que o navio CS Mackay-Bennett já havia sido fretado para os trabalhos de resgate de corpos e que estava apenas a duas horas de distância do local.
Ao lado - O barco lança cabos CS Mackay-Bennett
Stephan Rehorek foi testemunha das consequências terríveis da tragédia e acabou tirando uma foto do iceberg avistado nas águas circunvizinhas. Depois de sua chegada em Nova York enviou um cartão postal para casa, carimbado com a data “25 de abril”. Na frente deste cartão havia uma imagem do Titanic, e atrás os seguintes dizeres:
"Querido Pai e Mãe, cumprimentos de Nova York. Estou lhes enviando uma foto de um transatlântico que afundou em sua viagem inaugural. Ele era o maior do mundo. A dois dias de distância de Nova York, ele colidiu com um iceberg e navio foi seriamente danificado em uma lateral. Quase 1.600 pessoas morreram e cerca de 670 foram resgatadas. Tenho uma fotografia do iceberg e vou enviá-lo para vocês (...) Eu também vi os corpos dos afogados e os destroços do navio. Foi uma visão terrível."

Algumas semanas depois ele revelou as cinco fotografias em forma de cartões postais, e de Cherbourg, França, enviou um deles aos seus pais, e escreveu:
"Querida Mãe e Pai, (...) Este cartão é uma visão do iceberg que colidiu com o navio e afundou o Titanic. Vou enviar um cartão ao Josef também."

O cartão postal enviado a seu irmão Josef também sobreviveu, mas mostra uma imagem do Titanic e não de um iceberg. A partir da mensagem do cartão parece que Stephan Rehorek só tinha uma única cópia feita da fotografia do iceberg, porque ele disse a seu irmão o seguinte:
"Caro Josef, estou lhe enviando, também, um cartão postal do navio que afundou (...) Da próxima vez que você vir à casa nosso irmão irei mostrar-lhe fotos dos icebergs que foram fotografados a partir de nosso navio. "

Stephan Rehorek manteve outras duas fotografias que mostravam um outro iceberg. Uma das fotos mostra parte do navio a partir do qual Rehorek fez as fotografias. Obviamente Rehorek não enviou as fotos com esse iceberg flutuando ao fundo no horizonte, nem a fotografia que mostra o iceberg nas proximidades, porque ele não achava que o iceberg por ele fotografado era o famoso que afundou o Titanic. Estes postais permanecem até agora em propriedade privada.
Ao lado - Uma das outras fotos feitas por Stephan Rehorek, vê-se parte do navio SS Bremen e ao fundo um iceberg à deriva.
O cartão com foto do iceberg suspeito mostra o lugar onde o gelo foi quebrado durante a colisão. Uma borda arrancada é visível exatamente do lado da colisão com o Titanic. É claro que os danos no iceberg foram maiores abaixo da linha de água, mas isso não é visível na fotografia. Apesar disso ainda não podemos deduzir com certeza o quão grande o iceberg era, não há qualquer referência comparativa na foto para que se possa entender qual é o real tamanho do iceberg na imagem.
Acima - O destaque à direita evidencia as "cicatrizes" de danos recentes, um grande indício de que este seja o exato ponto onde o Titanic colidiu. No entanto, a grande porção "lascada" do iceberg pode também ter sido ocasionada pela simples perca de massa durante o derretimento natural do bloco de gelo.Relatos de testemunhas oculares

Poucos dias depois da tragédia, na Comissão de Investigação do Senado que reuniu-se em Nova York para descobrir os detalhes do que aconteceu exatamente, uma após a outra, as testemunhas foram solicitadas a descrever o que aconteceu durante a colisão.
A maioria delas estava dormindo no momento e só muito poucas tinham realmente visto o iceberg. A colisão fatal em si durou apenas alguns segundos aconteceu em uma noite sem lua. Assim, as descrições do iceberg foram todas muito diferentes umas das outras. Foi Frederick Fleet, o vigia no cesto da gávea quem primeiro avistou o iceberg e, portanto, teve a melhor visão dele, mas ele falhou miseravelmente em seu depoimento quando foi convidado para descrever o iceberg à comissão de investigação.

Ao lado - Frederick Fleet (*1887 - †1965), o vigia que avistou o iceberg e o Senador Willian Alden Smith (*1859 - †1932)
Ele foi incapaz de fornecer respostas satisfatórias para a maioria das perguntas feitas pelo senador Smith:
Smith: Quanto tempo antes da colisão ou acidente você exclamou "Iceberg em frente!” ?
Frederick: Eu não tenho idéia.
Smith: Qual velocidade que o navio desenvolvia no momento?
Frederick: Eu não tenho idéia.
Smith: Quão grande o objeto era quando você o viu pela primeira vez ?
Frederick: Não era muito grande quando vi pela primeira vez.
Smith: Quão grande era?
Frederick: Eu não tenho idéia de distância ou espaço.
Smith: Era do tamanho de uma casa comum? Era tão grande quanto esta sala?
Frederick: Não, não. Não parecia muito grande.
Smith: Era tão grande quanto a mesa em que eu estou sentado?
Frederick: Seria tão grande quanto duas mesas juntas no primeiro momento em que o avistei.

Essa última resposta, em parte, ainda é muito mal interpretada hoje. Em primeiro lugar, o que Frederick disse é geralmente considerado sua própria descrição, mas, na verdade, a idéia de compará-lo com o tamanho de uma mesa foi-lhe sugerida pelo senador Smith, as palavras foram mais ou menos postas em sua boca. E a interpretação que ainda persiste é de que a citação de Frederick, quando ele falou de "duas mesas juntas", estava descrevendo a forma do iceberg. Na verdade, o marinheiro estava se referindo ao tamanho aparente do iceberg, e ele não disse absolutamente nada sobre a sua forma.
O Senador Smith queria saber o tamanho exato do iceberg e continuou:
Smith: Quão grande ele era, finalmente, quando o navio o atingiu?
Frederick: Quando estávamos ao lado, era um pouco maior do que o castelo de proa.
Smith: E o quanto o topo da proa é elevado acima da água?
Frederick: 50 pés eu devo dizer. (cerca de 15 m.)
Smith: Assim a massa negra quando finalmente atingiu o navio, acabou por estar cerca de 50 pés acima da água?
Frederick: Cerca de 50 ou 60 pés. (entre 15 e 18 m.)
Abaixo - Composta através da fusão digital de duas fotos verídicas, a imagem abaixo  faz uma co-relação aproximada das proporções do iceberg discutido nesta matéria comparado ao tamanho do Titanic. De acordo com os depoimentos de Frederick Fleet o iceberg parecia pouco maior que o castelo de proa, entre 15 m e 18 m de altura acima da linha d'água, ou seja, o bloco de gelo não ultrapassava a altura do Convés de Botes (o Convés de Botes situava-se a exatamente 18.44 metros acima do nível da água).
Alguns outros também viram o iceberg passando e descreveram suas impressões à comissão de investigação. Joseph G. Boxhall, um dos oficiais à postos no momento da colisão foi questionado pelo senador Smith.
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Joseph Groves Boxhall (*1884 - †1967)
Smith: Você o viu? (o iceberg)
Boxhall: Eu não estava muito certo de estar vendo-o. Parecia-me ser apenas uma massa negra pequena elevada não muito alto para fora da água, um pouco à estibordo do navio.
Smith: Até onde você acha, em seu julgamento (...) Será que ele se estendia até o convés B?
Boxhall: Oh não, o navio o ultrapassava, ele parecia para mim ser muito, muito pequeno na água.
Smith: O quanto você acha que ele se elevava acima da linha da água? (...) Acima da amurada do navio?
Boxhall: Não.
Smith: E quão alta era a amurada acima da linha da água?
Boxhall: Provavelmente, cerca de 30 pés. (9 metros)
Um relato notável foi dado à Comissão britânica. O marinheiro do Titanic Joseph Scarrott tinha visto o iceberg naquela noite fatídica.
Joseph Scarrott (*1878 - †1938)
Mr. Butler Aspinall: Qual era a forma deste iceberg?
Scarrott: Bem, ele me surpreendeu no momento porque se assemelhava a Rocha de Gibraltar olhando para o rochedo a partir do Ponto da Europa. O iceberg parecia muito ter a mesma forma que o rochedo, só que muito menor.
Abaixo: O comparativo entre o iceberg fotografado por Stephan Rehorek e o Rochedo de Gibraltar (Estreito de Gibraltar, Europa) denota a grande semelhança entre ambos, tal qual foi relatado no inquérito Joseph por Joseph Scarrot.
Icebergs na área do desastre
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Não muito longe da cena da tragédia, em 15 de abril o navio alemão Prinz Adalbert passou por um iceberg com sinais de cor vermelha em sua base. A fotografia foi tirada apenas por curiosidade pelas incomuns marcas de tinta vermelha. Como se sabe, isto aconteceu depois que a tripulação descobriu que o Titanic, cuja quilha era pintada de vermelho, havia colidido com um iceberg. Isto significava que este iceberg se tornou um dos "principais suspeitos".
Acima - O iceberg fotografado a partir do navio Prinz Adalbert, a suposta marca vermelha em sua base chamou a atenção e fez com que este iceberg fosse considerado o "iceberg fatal" durante décadas.
Acima: O navio de passageiros alemão SS Prinz Adalbert.
Mesmo que o quebra-cabeça da tinta vermelha não possa ser resolvido, este dificilmente teria sido o iceberg com o qual o Titanic colidiu: sabe-se que o Titanic arrancou pedaços grandes do iceberg e não simplesmente deixou algumas cicatrizes de tinta vermelha. Não se pode dizer nada sobre a origem real da cor vermelha, talvez tenha vindo de um navio, talvez fosse uma camada colorida, visto que icebergs com camadas de cores diferentes (principalmente marrom) não são raros. Mas não há nada na fotografia do iceberg feita a partir do navio Prinz Adalbert que sugere o impacto de forças violentas.
O navio CS Minia foi fretado para pegar os corpos dos mortos e o outro iceberg foi fotografado a partir deste navio, mas também aqui não há nenhum dano de raspagem reconhecível, nem há qualquer semelhança com os desenhos das testemunhas e nem com os dados fornecidos pelo depoimento de Joseph Scarrott. O mesmo é verdadeiro para todas as fotografias previamente conhecidas de icebergs tomadas nas proximidades da cena da tragédia.
Ao lado - O iceberg fotografado pelo navio CS Minia, em nada se encaixa com as descrições e depoimentos feitos pelas testemunhas oculares.
Acima: O navio extensor de cabos anglo-americano CS Minia.
Quantos icebergs estavam na área da tragédia?

É sabido que o Titanic afundou-se perto de um grande campo de icebergs. Arthur Rostron, o capitão do navio de resgate Carpathia, relatou à comissão de investigação dos EUA:

"No momento em que pegamos o primeiro bote estava amanhecendo o dia, e então eu podia ver os barcos restantes em uma área de cerca de 4 quilômetros. Eu também vi icebergs ao meu redor. Havia cerca de 20 icebergs que estavam na área, com alturas entre 150 a 200 pés e numerosos icebergs menores.” (entre 45 m e 60 m)

Arthur Rostron (*1869 - †1940)


Esta afirmação só parece estar em contradição com as imagens que temos da operação de resgate: em alguns retratos que mostram os botes salva-vidas e sobreviventes logo antes de seu resgate pelo Carpathia não há sinais de qualquer iceberg.
Acima - As imagens do resgate evidenciam a completa ausência de icebergs na área.
Deve ter acontecido simplesmente de que o fotógrafo estava de costas para o campo de icebergs, o que significa que o campo de gelo estaria do outro lado do Carpathia. Neste contexto, vale ressaltar uma observação feita pelo navio a vapor alemão Rhein: o navio cruzou a área alguns dias depois da catástrofe e relatou não apenas corpos e destroços à deriva na água, mas também apenas três icebergs maiores nas imediações do desastre.........................Desenhos feitos pelas testemunhas
 .
Dois desenhos mostram a forma básica do iceberg da colisão, uma vez que ele foi visto por testemunhas oculares. Um deles é um esboço rápido da memória de Joseph Scarrott. O que é característico do iceberg são os dois picos laterais e cada extremidade do iceberg cai abruptamente para a água.

Ao lado - O esboço feito pelo marinheiro Joseph Scarrott.

 Não é realmente possível identificar mais detalhes do desenho, mas a forma básica descrita neste desenho se aproxima de um dos outros desenhos testemunhais: na manhã após a tragédia, Colin Campbell Cooper, um passageiro do Carpathia, fez um desenho do iceberg com seus dois picos, tal qual reportado pelas testemunhas oculares. 
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Ao lado - O desenho feito pelo artista Colin Campbell Cooper.

Como Cooper era um dos pintores mais conhecidos da América, sua imagem pode ser tomada como uma descrição muito próxima da forma do iceberg. Não apenas os dois picos são claramente reconhecíveis em seu desenho, em seu esboço há ainda um detalhe pouco notado: na borda inferior do desenho de Cooper há uma área que mostra a parte do iceberg que foi lascada.
Conclusão

Finalizando a matéria, estes dados depõem com grande possibilidade de que estamos olhando para o iceberg mais famoso na história da navegação, cada pista descrita nesta pesquisa por si só não prova o suficiente, mas a soma de todas as pistas aponta fortemente para a conclusão de que a fotografia feita por Stephan Rehorek realmente mostra o iceberg fatídico com o qual o Titanic colidiu.
A forma e os detalhes do iceberg de Stephan Rehorek coincidem com os desenhos feitos por testemunhas oculares. E as formas combinam perfeitamente com o Rochedo de Gibraltar, que havia sido comparado com o iceberg pela testemunha ocular Joseph Scarrott. Além de que os danos vistos no iceberg da imagem coincidem com os relatos de que durante a colisão o Titanic arrancou uma grande porção de gelo. Portanto, pode-se afirmar que esta fotografia, que foi feita em abril de 1912, a partir do navio Bremen pelo passageiro Stephan Rehorek, têm importantes indícios de que realmente seja o iceberg com o qual o Titanic colidiu em 14 de abril de 1912, resultando na morte de mais de 1.500 pessoas.

Abaixo - Necessariamente desculpada por "licença poética" [devido ao fato público e notório de que a colisão do Titanic na realidade ocorrera durante a noite] a montagem abaixo ilustra de maneira aproximada as possíveis dimensões de "vilão e vítima"; analisando-se todas as circunstâncias e descrições apresentadas nos depoimentos, hoje acredita-se que estas eram as proporções aproximadas do iceberg com o qual o Titanic colidiu às 23:40 de 14 de abril de 1912. Cientificamente se sabe que apenas 1/7 da altura total dos icebergs aflora à superfície da água, 6/7 de sua altura, por regra, ficam sempre imersos. Considerando que historicamente calcula-se que o "iceberg  do Titanic" tinha aproximadamente 18 metros de altura acima da água, é possível que cerca de 108 metros de sua extensão estavam submersos... Estes dados fazem constar que possivelmente o bloco de gelo que causou o desastre do Titanic teria aproximadamente 126 metros de altura total desde o extremo final imerso até o extremo do seu topo visível acima da água.
As “muitas caras” de um mesmo iceberg
Ao lado: Cenas do documentário "Titanic: The Final Word with James Cameron", National Geographic, abril de 2012.
Desde a tragédia do Titanic, ocorrida entre a noite de 14 e a madrugada de 15 de abril de 1912, sua história vêm sendo recontada através das dezenas de dramatizações feitas ao longo dos anos, sejam elas no formato de filmes para o cinema, filmes para a TV, mini e microsséries. Estas produções obviamente variam entre projetos de baixo orçamento, à recriações com o mais alto padrão de pesquisa e qualidade; à exemplo de A Night to Remember de 1958 (no Brasil: Somente Deus por testemunha), e de Titanic, de 1997, que são reconhecidos hoje como clássicos, são os dois melhores e mais bem produzidos filmes sobre o Titanic. Ambos feitos para o cinema.
Cada uma destas produções dramatizadas (que hoje já chegam a dezenove) retrata a epopéia trágica do Titanic e de seus passageiros e tripulantes de um modo único e particular: algumas com teor altamente ficcional (como Resgatem o Titanic, 1980), outras deitando maior concentração sobre os aspectos verídicos da história. A despeito das muitas variações dramáticas e melodramáticas com que a trajetória do Titanic perenemente têm sido recontada à grande massa, há em todas estas produções 1 único ponto em comum: as dramáticas cenas em que o grande navio colide com o iceberg.
Acompanhe então as cenas de dois campeões, os dois maiores clássicos sobre o Titanic, que recebem ainda hoje o grande reconhecimento do público: A Night to Remember e Titanic (1997), que em suas recriações retratam, cada qual à sua maneira, “o início do fim”, o momento em que o Titanic colide com o iceberg às 23:40, de 14 de abril de 1912.
Abaixo: O comparativo entre o iceberg fotografado em abril de 1912, a partir do navio Prinz Adalbert e a cena de "A Night to Remember" demonstra que a produção artística deste filme baseou firmemente o formato de seu iceberg cenográfico na fotografia de 1912, que já era reconhecida há mais de 40 anos quando o filme foi gravado na Inglaterra.
.Confira a colisão em "A Night to Remember" (1958) 
A partir de 31:50 min
Abaixo: Em 1996, quando o filme "Titanic" estava sendo produzido e gravado, a fotografia de Stephan Rehorek aparentemente não havia ainda sido descoberta e/ou divulgada ao público. Pura coincidência do destino ou não, o formato do iceberg nas cenas da colisão no megasucesso do diretor James Cameron, segue quase à perfeição a fotografia principal apresentada nesta matéria.
.Confira a colisão em "Titanic" (1997)
video
Simulações da colisão e naufrágio

O vídeo abaixo, que é uma simulação em computação gráfica, ilustra como se deu a colisão e o naufrágio do Titanic. Esta simulação foi apresentada no documentário "Last Mysteries of Titanic" de 2005, no Brasil "Os Últimos Mistérios do Titanic", produzido e protagonizado pelo diretor James Cameron (de Titanic e Avatar).
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A teoria abaixo é a mais recente de todas, foi formulada por uma junta de especialistas reunida e liderada pelo cineasta James Cameron (de Titanic e Avatar) e apresentada no documentário "Titanic: The Final Word With James Cameron", divulgado em abril de 2012. A simulação gráfica foi elaborada após grande levantamento focado no mais recente mapa fotográfico completo dos destroços do Titanic divulgado em março de 2012, e nos depoimentos cedidos pelos sobreviventes da catástrofe.

Destaques deste estudo 

1. Pode-se notar que o 1º Oficial William McMaster Murdoch ordenou rapidamente para o timoneiro Robert Hichens para que executasse uma manobra com intuito de contornar o iceberg, evitando a colisão das hélices com o bloco de gelo / 2. Durante o naufrágio o Titanic inclinou-se cerca de 9 graus para bombordo, causando a queda da chaminé frontal para o lado esquerdo, sobre a asa da ponte de comando / 3. A ruptura do navio deu-se logo à frente da chaminé nº 03; e não entre a nº 3 e a nº 4, como antes se pensava / 4. A inclinação vertical da popa ocorreu em um ângulo ligeiramente menor do que antes se acraditava. A popa então executou meio giro ao redor do sí antes de desaparecer sobre as ondas / 5. A proa se desprendeu da secção da popa e desceu em posição inclinada até o fundo do oceano, endireitando-se levemente antes de colidir com o leito marinho / 6. A popa sofreu uma explosão durante o início do mergulho e perdeu boa parte dos aparatos e parte do casco, arrancados pelo fluxo de água, chegando ao fundo do oceano depois da parte frontal do navio / 7. Enquanto a secção da proa desceu em queda livre quase na posição correta, a popa sofreu um contínuo processo de giro, lançando milhares de peças, secções estruturais e artefatos ao fundo do mar / 8. Ambas as secções, proa e popa, receberam uma potente onda de choque ao chegar ao fundo, provocada pela enorme fluxo de água deslocada durante a queda de pouco mais de 3.800 metros.
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Fonte
Texto original de Henning Pfeifer, para Encyclopedia Titanica, 28 de agosto de 2003.
Pesquisa, tradução, adaptação e reedição de texto e composição de imagens - Rodrigo, TITANIC EM FOCO

11 comentários:

Lucas Rubio disse...

Muito interessante esta matéria! Fico pensando como deveria ser estar no meio do Atlântico alguns dias depois da maior tragédia dos mares até então. Eu já havia visto diversas fotografias de diversos icebergs e sempre batia aquela dúvida ou confusão com as fotos. A descrição do marinheiro do Titanic, comparando o iceberg ao Rochedo de Gibraltar foi incrível e bastante semelhante ao real!
Os desenhos das testemunhas mostram um iceberg com dois picos, e a suposta foto(suposta pois ainda não há a certeza) pode ser do mesmo,só que com os picos derretidos, já que foi fotografado dias depois da tragédia. O que acha?

Bom, um grande abraço e eu adorei a matéria!

Rodrigo disse...

Amigo, vc tirou as palavras da minha boca,,, eu pensei exatamente o mesmo sobre o derretimento do iceberg, afinal a foto foi feita cinco dias depois, e isto explica porque que nos desenhos das testemunhas os picos são mais evidentes do que na fotografia real.

Também não concluí com absoluta certeza se é ou se não é o verdadeiro iceberg, mas uma coisa é bem clara, as evidências são várias e são maiores do que as evidências que levaram a crer que o iceberg com marca vermelha era o real...

No fim de tudo a resposta ainda é aberta, sem um ponto final.

Notei uma curiosidade nesta pesquisa: no filme "A Night to Remember" de 1958 o iceberg segue exatamente o formato do iceberg com marca vermelha,,,, no filme "Titanic" de James Cameron o iceberg segue exatamente o formato do Rochedo de Gibraltar... Como em 1997 (ano em que o filme foi gravado) a fotografia ainda não havia sido descoberta, me veio a certeza de que James Cameron teve acesso aos depoimentos do inquérito e soube da comparação com o rochedo,,, o trabalho maior foi apenas de copiar o formato do rochedo para o iceberg do filme...

De mais a mais, os mitos ainda são muitos e a história nunca chegará a um consenso, deixando abertas as possibilidades de novas pesquisas que incorporam novas evidências.

Mário disse...

Olá amigo, gostei imenso da montagem apesar de achar que o icebergue fosse um pouco maior pelo testemunho de Edith Russel que o viu a partir do convés A como uma enorme massa cinzenta na sua frente, há uns anos também tratei sobre o assunto no meu blog, como deves saber, e já tinha notado as semelhanças entre o icebergue da foto e o do filme com o rochedo de Gibraltar. tens feito uma excelente pesquisa e um excelente trabalho.

Marlon Delano disse...

Amei demais essa matéria, e como foi citado ele a fotografia foi encontrada em 2000 e o interesante é que o iceberg do filme é muito muito parecido com o real, foi um dos posts mais interesantes.

Rodrigo disse...

Mario - Pois é, eu também fiquei surpreso com o depoimento de que o iceberg não era muito maior do que o castelo de proa, eu pensava que ele chegasse aproximadamente até o convés de botes,,, certamente devem haver muitas discrepâncias entre os tamanhos registrados nos depoimentos,,, não dá pra ter muita certeza, mas dá pra montar um panorama mais verdadeiro contraponto os depoimentos e as imagens... Cheguei a ler que não houve uma "montanha" de gelo que caiu sobre o convés, aquilo é mais uma provável fantasia, visto que algumas testemunhas registraram que havia pouco gelo sobre o convés depois da colisão,,,, mas vai saber? as informações são sempre muito conflitantes entre sí.

Abraço amigo

Criticas ao cinema Brasileiro e Internacional disse...

Oi Rodrigo.Eu tenho uma duvida que fica me martelando.Tempos atras eu li uma matéria falando que o Titanic poderia ter um destino menos cruel do que ele teve.Alguns especialistas tinha a seguinte teoria,se Murdoch colocasse a marcha ré(oque ele fez) e não virasse o navio a bombordo deixando ele seguir em frente para que ele se chocasse de frente,a parte mais resistente que e a proa seria danificada deixando a lateral livre de danos,os estragos seriam grandes mais o navio não viria a pique!
Na sua opinião você acha que se Murdoch tivesse tomado essa decisão ele evitaria o naufrágio?

Rodrigo disse...

Olá "Críticas", obrigado pela atenção ao blog.

Bom, não posso opinar muito sobre a parte técnica que envolve as consequências do naufrágio. Mas depois de vários anos, finalmente entendi que o maior e verdadeiro fator agravante do naufrágio foi um defeito nas subdivisões dos compartimentos estantes: as portas a prova d'água funcionaram muito bem, mas devido ao grande peso da água que penetrou nos compartimentos frontais, houve transbordo de água por sobre os compartimentos, que não eram devidamente projetados para suportar uma inclinação muito forte. Deste modo, o grave mesmo não foi a colisão em sí, mas a longa área afetada pelos danos.

Me parece uma equação + ou - deste modo: Colisão + danos extensos + peso da água + transbordo da água sobre os compartimentos = naufrágio.

E acredito bastante na teoria de que se houvesse colisão frontal o navio não afundaria, ou pelo menos levaria muito tempo para naufragar (penso que haveria mortes ainda assim, causadas pela violência do impacto).

Afinal, tecnicamente o Titanic foi projetado para resistir à colisões frontais, isto é fato, não é lenda. O Olympic, em 1911 quando colidiu com o navio de guerra HMS Hawke, foi uma bela prova disto. Ele colidiu à ré, foi super danificado, e as portas a prova d'água funcionaram primorosamente. Mas é claro, houve o enorme diferencial de que o Olympic foi danificado em apenas em um ou dois compartimentos; por isto mesmo não naufragou.

Este é uma burra conclusão de minha parte, visto que sou apenas um curioso admirador/entusiasta sem capacidade de análise técnica. Mas acredito muito na teoria de "não naufrágio" caso colidisse de frente.

Até mais, seja bem vindo.

Anônimo disse...

amo o titanic, e o site tbm! é muito informativo <3
más a coisa que eu mais gosto sao as maquinas a vapor *o*o*o*o*oo*o*
TUM F SIIIIIIW TUM FF SIWWWWWW

Unknown disse...

Olá rodrigo, me chamo Everton, sou fã do seu blog desde que o conheci, a 3 anos atrás. sempre passo por aqui para ler seus posts, acho-os incríveis, e muito confiáveis.
quanto a sua matéria sobre o verdadeiro iceberg que afundou o Titanic, achoi simplesmente fantástico.
você ja viu esse vídeo do youtube(http://www.youtube.com/watch?v=n-aB_Wq1rjY)??
creio que seja interessante a você também, assim como foi para mim.
novamente parabéns pelo blog, e espero por mais posts.
abraço

Rodrigo disse...

Oi Everton, agradeço a sua atenção ao blog, é um prazer saber que gosta do conteúdo. Como você nota, escrevo de maneira muito simples, mas tento ser tão correto quanto possível com relação à realidade; nunca livre de erros, mas sempre com respeito à história.

Mas olha só, você é a terceira pessoa que me indica o vídeo, isto é um sinal que o documentário vale a pena ser visto. Nesta semana eu baixei e estarei assistindo com calma nos próximos dias. Assim que o assistir deixo minha opinião por aqui. Até mais. ;)

Rodrigo disse...

Oi Everton

Assisti hoje ao documentário. Gostei do conteúdo, especialmente porque o levantamento foi baseado em fatos puros históricos. O objetivo central do documentário era o de reunir evidências que ajudassem a comprovar a teoria de Tim Maltin de que houve uma distorção causada por fenômenos atmosféricos que ocultou a visão do iceberg aos vigias no cesto da gávea.

Não fiquei totalmente convencido através das evidências que ele apontou, algumas delas me parecem à primeira vista meio "mancas". Mas de qualquer modo o documentário é muito bom, e me deixou sim com uma "pulga atrás da orelha".

Não sou capaz de entender de fato a verdade por detrás dos fatos ocultos, mas a teoria de "horizonte falso" para mim pode talvez ter algum fundamento e, quem sabe, ter contribuído para a tragédia...