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segunda-feira, 25 de abril de 2011

RMS Titanic: do resgate dos sobreviventes à recuperação dos corpos

Seja bem vindo ao Titanic em Foco

A manhã da segunda-feira, 15 de abril de 1912, trouxe para New York a chocante revelação do naufrágio do RMS Titanic, que se sucedeu durante a madrugada, e que tomou de assalto a atenção pública e o movimento da imprensa da cidade: a viagem de estreia do maior navio do mundo estava prevista para terminar durante as primeiras horas da manhã do dia 17 de abril, quando o Titanic deveria aportar festivamente no porto da cidade, após sua primeiríssima travessia oceânica.

 Numa época em que a comunicação telegráfica caminhava em seus primeiros passos, as notícias da tragédia demoraram a tomar suas verdadeiras formas, e foi somente na noite de 18 de abril (quinta-feira), quando finalmente o navio RMS Carpathia - da Companhia de Navegação Cunard Line - desembarcou os pouco mais de 700 sobreviventes no cais Nº 54 em New York, que o mundo compreendeu a gravidade e dimensão da catástrofe que acabara de acontecer.

Acompanhe através deste texto revelador as consequências reais do naufrágio do Titanic. Reveja em impactantes imagens todo o processo do resgate dos últimos botes no meio do Oceano Atlântico Norte à posterior recuperação de corpos e funeral das vítimas.

Acompanhe
Rumores da tragédia , 15 de abril de 1912

Na redação do New York Times, os despachos telegráficos eram recebidos no 18º andar, sendo enviados para a redação dentro de uma caixa de madeira, que descia por um tubo. Quando apareciam notícias muito importantes, a pessoa que enviava os telegramas para a redação dava um abanão na caixa, que batia na parede do tubo.

Ao lado - A famosa Times Square e o edifício do The New York Times onde o jornal era editado.
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À 1:20, a caixa despencou ruidosamente do 18º andar, e a corda agitou-se com violência. O contínuo correu, entregando um pedaço de papel ao chefe de redação Carr Van Anda. Este franziu as sobrancelhas quando leu: “Cape Race, Terra Nova. Às 10:25 desta noite, o vapor Titanic, da White Star Line, lançou um pedido de socorro, que foi captado pela estação Marconi de Cape Race, informando ter colidido com um iceberg”.
Ao lado - Carr Van Anda.
Muitos dos editores dos jornais de New York não deram muita importância ao despacho. Alguns telefonaram para os escritórios da White Star Line, cujos funcionários asseguraram que tudo estava correndo bem. O pedido de socorro devia ser uma mitificação ou um engano. Realmente, nada demais fora captado – apenas aquela curta mensagem.
Van Anda, porém, conseguiu arranjar planos do navio, os quais mostravam que o rádio do Titanic tinha duas fontes de energia: uma na casa de máquinas, e outra, auxiliar, na própria cabina do radiotelegrafista. Assim, do navio podiam enviar mensagens, enquanto a superestrutura estivesse fora d’água. Para Van Anda, precisamente o fato de não se terem recebido mais mensagens é que era de mau agouro; ele tinha certeza de que o grande navio sofrera uma tragédia. Pôs jornalistas escrevendo descrições sobre o Titanic. Fez levantar da cama pessoas importantes, em New York e Londres, a fim de obter informações sobre a companhia, o navio e seus passageiros.
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Ao lado: The Evening Sun - "Todos a salvo no Titanic após colisão".
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Na manhã seguinte, o Times trazia muita coisa sobre o Titanic, mas os seus rivais pouco diziam. Um jornalista chegava a ridicularizar toda a “mistificação”. A White Star e sua proprietária, a International Mercantile Marine Corp., de John Pierpoint Morgan, estavam “absolutamente convencidas” de que não havia motivo para alarme. Por volta do meio-dia, chegou a Cape Race uma mensagem, via Montreal, dizendo que o Virginian estava rebocando o vapor Titanic para Halifax. A manchete do SUN, de New York, era perfeitamente tranqüilizadora: TODOS A SALVO NO TITANIC APÓS COLISÃO. O Wall Street Journal comentava, num editorial, o “quase desastre”, dizendo que “o importante é que o navio não afundou”. De manhã, a taxa de resseguro sobre a carga do Titanic subira para 50% e depois para 60%. Após as notícias tranqüilizadoras, os níveis desceram para 45%, e finalmente para 25%.
O Carpathia busca pelo Titanic
Enquanto isso o Carpathia prossegui
Enquanto isso o Carpathia prosseguia para o Titanic. “Apareceram icebergs, que ficaram para trás”, escreveu Rostron, comandante do Carpathia. “Nunca afrouxamos a marcha, embora por várias vezes tivéssemos de alterar a rota para evitá-los. Mal chegamos a uma distância em que era possível sermos vistos, começamos a soltar foguetes de sinalização a intervalos de cerca de 15 min, e, quando estávamos ainda mais perto, lançamos os foguetes próprios da companhia, para que soubessem que era o Carpathia se aproximava. Não havia sinal do Titanic. Naquele momento (eram cerca de 3:35) estávamos quase no local. Às 4:00 mandei parar as máquinas; tínhamos chegado."
Como que comprovando isso, vi uma luz verde mesmo diante de nós. Percebi que devia ser um bote. De lá de baixo veio uma voz: ‘Só temos um marinheiro no barco e não sabemos manobrá-lo muito bem’. ‘Está bem’, respondi, levando o navio para junto do bote. Então as pessoas começaram a subir para bordo. Estavam sob a responsabilidade de um oficial. Pedi para que ele, logo que estivesse a bordo, viesse falar comigo”. Sem mais delongas, Rostron perguntou, nervoso: “Onde está o Titanic?” “Afundou”, respondeu Joseph G. Boxhall. “Afundou as 2:20”. .

Nos instantes de silêncio que se seguiram, todos os tripulantes que se encontravam na ponte de comando do Carpathia começaram a ter consciência da extensão da tragédia, mas ainda não da sua totalidade. Eram então 4:20.
“Ficaram muitas pessoas a bordo?” 
“Centenas! Talvez 1.000, ou mais”. 

A voz de Boxhall estava embargada de emoção.

“Meu Deus, comandante, todos se afundaram com o navio”.
"O dia estava nascendo", escreveu Rostron, "e que visão ele ia revelando! Havia centenas de icebergs por todo lado; 25 tinham mais de 60 m de altura, havia dezenas deles com alturas que variavam entre 15m e os 45 m: e por entre o seu trágico esplendor, sob os primeiros raios do sol nascente, flutuavam os escaleres do navio perdido."

Junto ao horizonte apareceu a Lua, em quarto crescente. Lua nova, gritou alegremente o foguista Fred Barret, para a tripulação que remava no bote nº 13. Gritos de alívio rompiam de todos os barcos, enquanto os remadores aplicavam toda sua força, numa tentativa de chegar primeiro ao Carpathia. Alguns começaram a cantar, outros davam vivas em uníssono. Não vinha nenhum som do bote desmontável B, que estava virado. Lightoller, Gracie, Bride e outros tentavam manter-se a tona. Agitadas pela brisa matinal, as ondas varriam o casco do barco, fazendo-o oscilar para trás e para frente. Cada vez que era batido por uma onda, o casco deixava escapar um pouco mais de ar, e o barco afundava mais.

Com Lightoller gritando instruções, os homens se deslocavam de um lado para outro segurando no casco, e, após a noite toda nisso, estavam completamente extenuados.

A visão do Carpathia que chegava com o amanhecer pouco significava para estes homens. O navio tinha parado a quatro milhas de distância e eles não sabiam como poderiam agüentar até serem recolhidos; mas, quando a luz do dia começou a se espalhar sobre o mar, ganharam novas esperanças. A cerca de 800 m. encontravam-se os escaleres nºs 4, 10 e 12 e o desmontável D, todos em fila.

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Ao lado - O bote desmontável D e o bote Nº 14, ao aproximarem-se do Carpathia.
Lightoller tirou do bolso um apito e emitiu um som agudo. O ruído chegou até aos outros barcos, e informou as tripulações de que um oficial estava chamando. Foi necessária toda a perícia do contramestre Perkins para manobrar o barco e o pôr com segurança ao lado do bote desmontável virado. Lightoller advertiu seus homens para não se mexerem muito. Mesmo assim, a embarcação balançou perigosamente quando cada um deles saltou para o barco salvador.

Lightoller foi o último a deixar o desmontável virado. Depois de todos terem sido transferidos, içou o corpo inanimado do telegrafista Jack Phillips para o nº 12, saltou para dentro e assumiu o controle do barco. Para trás, em cima do bote, ficaram três vítimas que não suportaram a gélida noite. Eram 6:30 quando, finalmente, se afastou do bote emborcado e começou a se dirigir para o Carpathia.
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Às 8:15 já tinham chegado todos os botes, menos o nº 12, que ainda se encontrava a algumas centenas de metros. A brisa agitou-se e o mar se encrespou. As bordas do barco, apinhado de gente, estavam quase ao nível das ondas; nele havia, comprimidas, 75 pessoas. A multidão na amurada do Carpathia observava com ansiedade, enquanto Lightoller fazia cuidadosamente a abordagem.
Quando ele tentava colocar o barco junto da proa, a sotavento, uma súbita rajada de vento açoitou o mar. Primeiro uma onda depois outra rebentaram contra o barco; uma terceira falhou, por pouco. Momentos depois lá estava ele, em segurança, a brigado pelo grande navio. Às 8:30, o nº 12 (o último a chegar, dos 15 botes e dois desmontáveis do Titanic) lançou amarras e começou a desembarcar seus passageiros.

Ao lado - Archibald Gracie, passageiro da 1ª classe.
O coronel Archibald Gracie teve vontade de se ajoelhar e beijar o convés. Mais tarde viria a entender até que ponto suas orações tinham sido atendidas. 

Sua mulher relatou: “Estava em meu quarto, na casa de minha irmã, em New York. Não conseguia dormir, e perguntei à mim própria que é que estava acontecendo. Em resposta, tive a impressão de ouvir uma voz que me ordenava que me ajoelhasse e rezasse. Obedeci imediatamente; por acaso meu livro de orações abriu numa página em que havia uma prece pelos que se encontravam no mar, e compreendi que Archie estava rezando por mim”.

Ao lado - O Californian fotografado a partir do Carpathia.
O Californian (que durante toda a noite não reagira à tragédia do Titanic ) começou às 6:00 a se dirigir para o local onde fora anteriormente informado de que o Titanic tinha enviado um pedido de socorro. Pouco depois das 8:00, navegando cuidadosamente através do gelo, encontrava-se bastante perto do Carpathia, cuja bandeira flutuava agora à meia haste, como forma de sinalização. Do Californian, perguntaram que é que tinha acontecido; veio a resposta que o Titanic fora ao fundo. Mais tarde, o Californian recebeu do comandante Rostron uma mensagem por telégrafo: “Levo os sobreviventes para New York. Por favor, fique nas proximidades e recolha os corpos que puder”.
Antes de voltar para trás. Rostron não resistiu a dar uma olhada em volta. Pensou que seria apropriado haver um serviço religioso; por isso, mandou chamar o reverendo Anderson, pastor episcopal que se encontrava a bordo, e os passageiros do Titanic e do Carpathia se reuniram no salão principal do navio, a fim de prestar a última homenagem aos mortos. Enquanto as pessoas rezavam, o Carpathia navegava lentamente sobre o túmulo do Titanic. Havia poucos vestígios do grande navio. Às 8:50, Rostron teve a certeza de que era impossível existirem mais sobreviventes. Deu ordens para avançar a toda velocidade, rumo à New York.
Segundo o comandante do Californian, não foi encontrado nenhum corpo. Cerca de uma hora depois, o navio seguiu viagem. Houve quem afirmasse que era impossível que ele tivesse procurado devidamente, porque havia de fato centenas de cadáveres boiando nas águas. Contudo, alvitrou-se uma explicação plausível para o fato de não se terem encontrado mais cadáveres, podiam não ter sido vistos por haverem sido apanhados por uma enorme massa de gelo que se deslocava para nordeste. Os comandantes dos navios não se atreviam a chegar perto dela. Mais tarde, os cadáveres teriam sido dispersados, possivelmente quando o gelo se desfez, na corrente do Golfo.
As fotografias do resgate
Enquanto isso o Carpathia prossegui
Descubra como e sob que circunstâncias foi fotografado o processo de resgate dos náufragos do RMS Titanic na manhã de 15 de abril de 1912.

Por ocasião de seu aniversário de 17 anos, Bernice Ellis pediu uma câmera fotográfica. Seu pai comprou-lhe uma câmera Kodak Brownie, que fora seu presente de Natal de 1911 e de aniversário em 10 de janeiro de 1912. Naquele inverno, suas fotos foram tiradas com o maravilhoso presente recebido.

Ao lado: A câmera Kodak Brownie com a qual Bernice Ellis fotografou os botes salva-vidas do Titanic se aproximando do navio RMS Carpathia na manhã de 15 de abril de 1912. 
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Três meses depois, o Titanic colidiu com um iceberg ao largo da costa da Terra Nova, pouco antes da meia-noite de domingo, 14 de abril. O navio em sua viagem inaugural enviou vários sinais de socorro pelo telégrafo antes de afundar as 2:15 na manhã seguinte. Cerca de 1.500 passageiros e tripulantes pereceram no naufrágio.
 
Ao lado - O navio RMS Carpathia, da Companhia Cunard Line 

Apesar de vários navios responderam as chamadas de socorro do Titanic, o navio Carpathia da Cunard Line, foi o primeiro navio a aparecer no local do naufrágio um pouco depois das 03h30. Ele resgatou a tripulação e passageiros, num total de cerca de 700 pessoas.
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Bernice Ellis e sua mãe eram os únicos passageiros canadenses a bordo do Carpathia, estavam em cruzeiro a caminho do Mediterrâneo. Com a sua nova câmera, Bernice tirou fotos de icebergs que cercavam a área do naufrágio e também tirou fotos de alguns dos sobreviventes do Titanic nos conveses do Carpathia.

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Acima, esquerda - Um vasto campo de gelo fotografado à partir dos conveses do Carpathia. Direita - Sobreviventes do naufrágio repousam ao sol no convés do Carpathia. 
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O Carpathia então deu meia volta e retornou a Nova York, mas antes mesmo de chegar ao cais, jornalistas invadiram os conveses para coletar histórias. Desconhecendo o valor de suas fotos, Bernice vendeu os direitos exclusivos para Underwood & Underwood por apenas $ 10,00 e uma promessa de que seriam devolvidas impressas. Ela doou sua câmera e suas fotografias ao Museu Smithsonian em 1986.

O casal Fenwick

Acima, esquerda - O casal James e Mabel Fenwick. Direita - O bote salva-vidas Nº 14 se aproxima do Carpathia com a vela estendida. Atrás do bote está o bote dobrável D. 
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A viagem de lua de mel no Carpathia de James e Mabel Fenwick também tomou um rumo inesperado na manhã de 15 de abril de 1912. Mabel foi despertada por uma voz de homem gritando " o Titanic está afundando!". Vestiu-se apressadamente e foi para o convés trazendo consigo sua câmera. Sua primeira foto foi do bote salva-vidas 14. Por volta das 08h 30 min. Bem depois da conclusão do resgate o vapor Californian apareceu, perto do meio-dia também apareceu o navio Birma. Mais tarde Bernice também capturou Lawrence Beesley ( um sobrevivente da 2ª Classe ) em seu roupão, ao lado de duas outras sobreviventes. Dentre outras fotos, Bernice também fotografou os passageiros de Terceira Classe em fila para refeição.

Acima, esquerda - O SS Californian passa ao lado do Carpathia. Direita - O navio SS Birma também segue seu caminho.

Acima, esquerda - Lawrence Beesley, passageiro da 2ª classe, ainda em seu roupão posa ao lado de outras duas sobreviventes à bordo do Carpathia. Direita - uma fila de sobreviventes que aguardam por alimentação.Rumo à New York

Ao lado - Na entrada do escritório da White Star Line em New York a procura de informações inicia-se.
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Às 8:00, os jornalistas tomaram de assalto os escritórios da White Star Line na Broadway, em New York. O vice-presidente da companhia, P. A. S. Franklin, não levava as notícias a sério: mesmo que o Titanic tivesse se chocado contra um bloco de gelo, poderia flutuar indefinidamente. No entanto, os rumores eram cada vez maiores. Telegrafistas que apanhavam as mensagens provenientes do Atlântico conseguiam captar alarmantes comunicações. Às 18:15 toda a verdade foi revelada. As notícias chegaram de bordo do RMS Olympic: o Titanic afundara às 2:20; o Carpathia havia recolhido os sobreviventes. A mensagem tinha um atraso de muitas horas. Ninguém conseguia obter informações do Carpathia porque Rostron reservava o telégrafo exclusivamente para uso oficial e para as mensagens particulares dos náufragos. Então, os jornais inventaram sua histórias ou se vingaram do silêncio do navio salvador.
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O Evening Mail censurava:
OBSERVADORES FURIOSOS COM O SILÊNCIO DO CARPATHIA.

O World recriminava:
CARPATHIA NÃO REVELA POR TELÉGRAFO SEGREDO SOBRE O DESAPARECIMENTO DO TITANIC.
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Na falta de dados concretos, os jornais tentavam publicar qualquer tipo de informação, e então descobriram algumas coincidências espantosas. A romancista Maryn Clew Garnett escrevera uma história em que pressagiava o naufrágio do Titanic. Depois se falou de outro romance, ainda mais estranho que a premonição de Mary Clew Garnett.
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Ao lado - Morgan Robertson e seu livro, Futility, de 1898.
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Escrito em 1898 por Morgan Robertson. Futillity descrevia a história de um navio de 250 m, chamado precisamente Titan. O enredo do livro de Robertson era espantosamente semelhante à tragédia do Titanic. Na terça feira, 18 de abril, foi noticiado que o Carpathia não tinha respondido a um pedido oficial do presidente dos Estados Unidos, que queria ser informado a respeito do Major Archibald Butt. A paranóia nacional aumentou graças à intercepção, pela marinha de guerra, de certas mensagens enviadas por Ismay a bordo do Carpathia, para P. A. S. Franklin, nos escritórios da companhia. Uma delas dizia: “Muito vantajoso que a tripulação do Titanic pudesse voltar para casa o mais rápido possível. Sugiro que retarde a partida do Cedric... Sugiro que eu próprio regresse nele – Yamsi (Yamsi é o nome do próprio Ismay invertido).
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Abaixo - Em New York a tragédia ia ganhando contornos mais precisos enquanto os jornais buscavam incessantemente por notícias concretas da tragédia. O jornal New York American publicava as últimas atualizações em um grande painel de divulgação escrito à mão para a ansiosa multidão que buscava por informações.
No painel da foto acima lê-se:
Últimas notícias: Navio da White Star "Titanic" - Justice Davidson de Montreal recebeu mensagem particular "TODOS DE MONTREAL À SALVO" - Entre as pessoas proeminentes que foram salvas estão a Srtª J.J. Astor, Condessa de Rothes, Cosmo Duff Gordon, ...
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Ao todo, foram enviadas três comunicações com o código que Ismay utilizava nas suas mensagens particulares: “Yamsi”, Ismay lido de trás para frente. Estas mensagens interceptadas foram entregues ao senador Willian Alden Smith, republicano de Michigan, que já tinha recebido a incumbência do Senado de dirigir um inquérito sobre a tragédia.
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Entretanto, o presidente Taft se lastimava. Archibald Butt tinha sido um intermediário, um elo de ligação entre ele e seu antecessor, Teddy Roosevelt, o qual disputava com Taft o lugar de candidato republicano às eleições presidenciais. A 14 de abril. Roosevelt vencera Taft nas primárias da Pensilvânia. Menos de 24 horas depois, Butt encontrava a morte no atlântico Norte.

Ao lado - O presidente dos Estados Unidos Willian Howard Taft ( de 1909 à 1913 ) e o Major Archibald Willingham Butt - 1909
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A tristeza do presidente evidenciava não apenas a perda de seu acessor, mas também o golpe em suas relações com Roosevelt, que Archibalt Butt tinha catalisado e, mais tarde, simbolizado. Com lágrimas nos olhos, Taft disse: “Não posso ir a lado nenhum sem esperar ver seu rosto sorridente ou escutar sua voz jovial e a me saudar”.
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Enquanto o presidente se lamentava, e Roosevelt, em sua campanha, se aproveitava politicamente o mais possível do desastre, a nação americana ia ficando cada vez mais perturbada. Na quinta feira a noite, a espera terminou. Quando o Carpathia passou pela Estátua da Liberdade, estavam lá 10 mil pessoas a observá-lo. Quando se aproximou do cais Nº 54, encontrou outras 30 mil pessoas a aguardá-lo na chuva.
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Abaixo - O RMS Carpathia ruma para a cidade de New York nesta típica cena gravada por volta da mesma época do desastre do Titanic.
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Ao lado - Uma das lanchas locadas pelos repórteres para ir de encontro ao Carpathia.
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Até o fim, Rostron não teve contatos com jornalistas. Enquanto o Carpathia navegava North River acima, no seu encalço roncavam os rebocadores, cheios de repórteres que berravam perguntas através dos megafones.

Às 20:37 o Carpathia ultrapassou o cais 54 da Cunard Line, sua companhia, e seguiu rio acima até o cais da White Star Line, onde arriou os botes que trazia pendentes no costado.

Durante a noite, caçadores de recordações roubaram tudo que era possível roubar de bordo dos botes salva- vidas. No dia seguinte, foram mandados operários para todos os botes, e o nome Titanic foi eliminado de todos eles. Às 21 h 30 min o Carpathia retornou ao cais da Cunard ( pier 54) para o desembarque dos 705 sobreviventes.

Acima, esquerda - Chelsea Piers, em New York, por volta de 1910, onde os gigantescos transatlânticos de variadas companhias de navegação aportavam e partiam durante décadas. A seta amarela aponta para o atracadouro Nº 59, de propriedade da Companhia White Star Line, onde o Titanic teria aportado na manhã de 17 de abril, caso não houvesse naufragado. Neste pier o Carpathia desembarcou os botes salva-vidas vazios do Titanic na noite de 18 de abril de 1912. Direita - Exatamente o mesmo local em sua configuração atual, transformado em um complexo esportivo de golf e estúdio de gravações. 
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Acima - O pier 59 da White Star Line em fotografia tirada a partir do Rio Hudson, onde os botes foram desembarcados do Carpathia.
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Acima - O Carpathia deixa os botes salva-vidas do Titanic nas águas do Rio Hudson, no pier 59 da White Star Line.
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Acima - Os botes salva-vidas, tudo o que restou do suntuoso Titanic.
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Acima - Uma visão aérea do píer 54 da Cunard Line. Na imagem, onde vemos o RMS Lusitania, fora onde atracou o Carpathia e onde desembarcaram os pouco mais de 700 sobreviventes do Titanic.
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Acima - O Carpathia atracado ao píer 54, da Cunard Line.
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Acima - A imagem de satélite dos locais em New York relacionados com o resgate, clique na imagem para ver os detalhes.
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No vídeo acima, a partir de 5:16 min, acompanhe as imagens do Carpathia ancorado no píer de New York, tripulantes exibindo-se para as câmeras dos cinegrafistas e do heróico Capitão Arthur Henry Rostron. Apesar de ser registrado como um vídeo verídico do Titanic, as imagens iniciais são, na realidade, do RMS Olympic, o navio irmão do Titanic.
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Acima - A arquitrave de entrada do antigo píer 54, onde desembarcaram os sobreviventes do RMS Titanic. Na inscrição ainda pode se ler "Cunard White Star", o nome assumido pela Cunard Line depois da fusão com a White Star Line em maio de 1934.

Ao lado - William Alden Smith.
Às 21:35, pouco depois de os passageiros do Titanic começarem a desembarcar, um homem de andar desembaraçado, vestindo um comprido sobretudo cinzento e chapéu coco, irrompeu em direção ao Carpathia; era seguido por mais cinco indivíduos. Após um momento de resistência da parte dos guardas, eles exibiram documentos, e o grupo foi autorizado a subir a bordo. Era o senador Smith e a comissão de inquérito, determinados a ouvir Ismay.
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Mais duas pessoas foram autorizadas a passar: Guglielmo Marconi, cuja invenção era responsável pelas vidas que tinham sido salvas, e um amigo que veio se verificar mais tarde ser Jim Speers, do New York Times.

Ao lado - Guglielmo Marconi e sua invenção, o telégrafo.

Encontraram Harold Bride, ainda na cabina de telegrafia do Carpathia, tentando despachar as últimas mensagens. Seus pés, queimados pelo gelo, agora envolvidos em ataduras, estavam apoiados numa cadeira. Marconi observou Bride por uns instantes e depois disse: “Agora já não vale a pena mandar mais mensagens, filho”. Bride só então reparou no visitante. Seus olhos se iluminaram quando ele reconheceu o célebre inventor, que rapidamente lhe apertou a mão, conservando-a calorosamente na dele. “Sr. Marconi”, disse Bride, “Philips morreu".
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Ao lado - Harold Bride, o telegrafista sobrevivente desembarca do Carpathia com os pés envolvidos em ataduras.

Speers sacou do bloco de notas e do lápis. O relato que Harold bride fez a Jim Speers encheu cinco colunas da primeira página do Times e constitui numa das mais sensacionais histórias do mar já contadas. Foi um exclusivo do Times, o qual pagou a Bride 1.000 dólares por ela; nenhum outro jornal podia citá-la. O senador Willian Alden Smith era um homem pequeno, que se comportava com impressionante autoconfiança e, freqüentemente, com arrogância. Era dotado de uma memória quase fotográfica, e seria capaz de se lembrar do mais insignificante pormenor nas 1.163 páginas de testemunhos que sua comissão, nas semanas seguintes, viria a reunir.

Na noite de 14 de abril de 15 de abril de 1912, o senador estava trabalhando em seus aposentos do quarto andar do edifício do Senado, absorvido no problema da construção de estradas de ferro no Alasca. De repente, ouviu um tumulto lá fora, nos corredores. As vozes subiram de tom, e Willian Alden saiu para ver o que estava acontecendo. De New York, tinha acabado de chegar a notícia de que o mais recente investimento comercial de J. P. Morgan, o luxuosíssimo vapor Titanic, se afundara, com uma catastrófica perda de vidas. Chegara a grande provação da carreira de Smith.

A investigação do Senado iniciou-se a 19 de abril, no salão leste do Hotel Wardolf Astoria, em New York. Dias mais tarde, foi transferida para Washington, e viria a terminar em 28 de maio, com um breve discurso de Smith no Senado.Depois disso, a Comissão Britânica de Investigações Comerciais chegou basicamente às mesmas conclusões: para um mar naquelas condições, o navio ia navegando muito rápido, não tinha botes suficientes e não se havia tomado precauções no que se dizia respeito a exercícios de salvamento e botes. Embora a companhia White Star Line o negasse, as estatísticas demonstravam claramente que tinha havido descriminação de classes no ato de ocupação dos botes.
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Ao lado - O Hotel Wardolf Astoria, onde deu-se o inquérito. Ao centro, vê-se Joseph Bruce Ismay durante sua participação nos depoimentos do inquérito. O hotel foi demolido para a construção do Edifício Empire State Building, famoso pelas cenas do filme "King Kong".
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Os resultados das investigações também faziam eco das observações de um sobrevivente, o editor americano Henry Sleeper Harper, que disse: “Os tripulantes do navio pareciam mais funcionários de um hotel do que homens do mar. Foram informados da existência de icebergs e, em vez de simplesmente mudarem a rota, aumentaram o calor das caldeiras, como o faria o gerente de um hotel perante uma vaga de frio, e depois enfiaram-se no iceberg”.
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Durante o inquérito do senador Smith, as relações entre os Estados Unidos e a Grã Bretanha foram submetidas a diversas tensões. Após o curto período de investigação em New York, Smith regressou a Washington a fim de se preparar para o reinício dos interrogatórios. Ficou surpreendido com o volume de correspondência que recebia. As cartas eram manifestações de apreço do povo norte-americano e, no que dizia respeito a Smith, constituíram como uma espécie de mandato para que prosseguisse com as investigações. No entanto, ao permitir que o conteúdo destas cartas influenciasse o inquérito, Smith iria agravar a já crescente crise anglo-americana, aumentar a batalha Taft-Roosevelt e fazer recair sobre sua própria cabeça uma torrente de críticas.
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Em suas memórias, Lightoller escreveu: “Logo à chegada, fomos recebidos com mandados de prisão. Foi uma tremenda irreverência. Sem qualquer propósito útil, e que trouxe à tona apenas um relato deturpado e incoerente do naufrágio; deveu-se, principalmente, a uma total falta de coordenação, aliada a uma enorme ignorância das coisas do mar”.

Ao lado - Charles H. Lightoller e a multidão que aguardava o desembarque dos sobreviventes.
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Na Grã Bretanha, o Daily Express chamava o senador de “caipira do Michigan deslumbrado pelas luzes da ribalta”. Falador, pomposo e às vezes ingênuo, o senador foi um tema caído do céu para os cartunistas britânicos.
A imprensa norte-americana, no entanto, louvava o desempenho de Smith; mas louvores não foram unânimes quando ele fez, para o The New York Times, uma revelação embaraçosa: a companhia Marconi concordara em vender em exclusivo para o Times aquilo que, inexplicavelmente, seus telegrafistas não tinham conseguido transmitir para o mundo.
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A marinha de guerra norte-americana interceptara duas mensagens enviadas pela Marconi para os dois telegrafistas que se encontravam a bordo do navio de salvamento. A primeira dizia: “Ânimo, meu velho, que a Marconi vai cuidar bem de você. Fique calado, e guarde sua história. Já estou combinado, e você receberá uma boa soma em dinheiro”. E a segunda: “Consegui para sua história exclusiva uma boa quantia. Tenho a concordância do Sr. Marconi. Não diga nada até me ver...”
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Ambas as mensagens aram assinadas pelo engenheiro-chefe da Marconi. Guglielmo Marconi compareceu perante a comissão de inquérito. Era um homem delgado, de estrutura mediana. Embora mantivesse a cidadania italiana, vivia quase sempre na Grã Bretanha, e falava inglês com muito pouco sotaque. Os repórteres acharam-no “vivo, esperto e sorridente”, parecendo muito mais jovem do que era: tinha 37 anos. Perante a comissão, Marconi realçou que as mensagens interceptadas haviam sido transmitidas apenas quando o Carpathia estava entrando no porto de New York; não podiam, portanto, ter induzido ao silêncio os telegrafistas de serviço. Smith não ficou convencido; ele sabia que a Marconi e o New York Times mantinham há muitos anos relações estreitas, e sabia que cerca de seis horas antes de o Carpathia entrar no porto, o chefe de redação do jornal, Carr Van Anda, convencera Marconi a ir ao navio com o repórter Jim Speers.
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Obedecendo as instruções de Guglielmo, o engenheiro chefe da Marconi tinha, então, enviado as duas mensagens interceptadas pela marinha. Entrar no Carpathia estava fora de alcance para qualquer jornalista, e Jim Speers só tinha conseguido acesso à bordo por causa do célebre inventor.
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Ao lado - Os jornalistas finalmente têm acesso ao Carpathia.
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Smith observou que não responsabilizava, de modo nenhum, os telegrafistas ou mesmo o Times; para ele, apenas a companhia Marconi estava em falta. Não conseguindo que Marconi revelasse toda sua história, Smith concentrou-se no desmentido público do inventor, de ser responsável pela decisão de manter os telegrafistas silenciosos, na expectativa da venda exclusiva de suas informações.
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A imprensa ficou furiosa com o conluio entre Marconi e o Times. A Associated Press, responsável pela divulgação das falsas informações sobre o rebocamento do Titanic para Halifax, foi direta:
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"A História do Titanic silenciada, por dinheiro."
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O grupo Hearst foi sensacionalista: "Jornal de New York manteve o mundo em agonia, enquanto negociava notícias do naufrágio."
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Antes disso, o Times tinha sido um dos mais leais defensores de Smith. Tendo de escolher entre dar o dito pelo não dito e mudar de tom, optou por mudar de tom. Num editorial intitulado “O absurdo de Smith” o Times perguntava: “ Será que Michigan o elegeu por brincadeira?”
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Mas a tentativa do jornal inglês para desacreditar Smith não resultou, e quando, em 28 de maio, o relatório do senador foi finalmente apresentado, mostrava-se surpreendentemente moderado nas conclusões a que chegava. “Está certo que se saiba toda a verdade”, escreveu o Economist britânico, e “todas as pessoas razoáveis deveriam estar agradecidas ao Senado norte-americano por sua investigação pronta e minuciosa”.
O resgate dos corpos
Uma semana
Ao lado - Corpos distribuídos no convés do Mackay-Bennet, o barco resgatou 306 vítimas.
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Uma semana depois do naufrágio, o navio lança-cabos Mackay Bennet, em serviço no Atlântico em busca de cadáveres, encontrou 306. À primeira vista, assemelhavam-se à um bando de gaivotas na água, vogando suavemente ao sabor das ondas. Todos flutuavam na vertical, como se estivessem andando na água; a maioria se encontrava num grande amontoado, rodeado de fragmentos de objetos.
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Muitos tinham os rostos contorcidos de horror, apertando em suas mãos roupas ou objetos que haviam agarrado em sua agonia. Outros apresentavam as pernas ou corpos mutilados como se por uma explosão. Praticamente todos os relógios tinham parado as 2:20. Em 20 de abril de 1912, enquanto o navio SS Bremen navegava de Bremen para New York passou pelo campo de destroços deixados pelo naufrágio.
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Ao lado - O SS Bremen.
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Passageiros e tripulação informaram ter visto centenas de corpos boiando na água, assim como cadeiras e muitos pedaços de madeira. Como a White Star Line já havia fretado o Mackay Bennet para o resgate, o Bremen não parou para recuperar nenhum deles.
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O relato de Johanna Stunke, uma passageira da 1ª classe a bordo do Bremen em 20 de abril de 1912, cinco dias após o desastre: "Era entre 16:00 e 17:00 h no sábado, quando nosso navio avistou à estibordo da proa um iceberg. Os oficiais haviam nos dito que passaríamos a poucas milhas da posição dada pelo Titanic quando ele afundou, então quando soubemos que o gelo foi avistado nós todos nos apressamos para as grades do navio. Era uma bonita tarde, e o sol reluzente no grande iceberg era uma imagem maravilhosa, mas quando nos aproximamos e notamos pequenos pontos flutuando no mar, um sentimento de temor e tristeza se apossou de todos nós, e o navio seguiu em silêncio absoluto. Nós passamos a cerca de 30 metros ao sul da maior concentração de destroços, e olhando para baixo nós vimos vários corpos tão nitidamente que podemos perceber o que eles estavam usando, e se eram homens ou mulheres. Nós vimos uma mulher em roupas de noite com um bebê apertado junto ao peito. Várias mulheres passageiras gritaram, e deixaram as grades a ponto de desmaiar. Havia uma outra mulher, plenamente vestida, com seus braços ao redor de um cão peludo que parecia ser um São Bernardo. Os corpos de três homens em um grupo, todos agarrados à uma cadeira do navio que flutuava por perto, e logo além deles estavam dezenas de corpos de homens, todos de colete salva-vidas, agarrados uns aos outros em uma última desesperada batalha pela vida. Estes eram os únicos corpos que passamos perto o suficiente para distinguir com perfeição, mas nós podíamos ver os salva-vidas brancos de muitos outros pontuando o mar ao redor do iceberg... As cenas comoveram todos nós a bordo a ponto de chegar as lágrimas, mesmo os oficias não fizeram segredo de sua emoção."
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O mar estava coberto de equipamentos de camarotes, espreguiçadeiras, grandes pedaços de cortiça. Durante todo o dia, os tripulantes do Mackay Bennet trabalharam, içando corpos gelados para o convés.
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Era uma tarefa dolorosa. Os crânios e membros de muitas das vítimas haviam sido esmagados; mulheres tinham seus filhos presos nos braços; alguns rostos estavam tão feridos que seria quase impossível reconhecer as pessoas. Os corpos das vítimas não identificadas foram preparados para o sepultamento no mar. Às 20:00 daquele domingo, as primeiras cerimônias fúnebres tiveram início. O maquinista do navio lança-cabos CS Mackay Bennet, Fred Hamilton, escreveu em seu diário:
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“O badalar do sino chamou toda a tripulação ao castelo da proa, onde se encontravam 30 corpos que iam ser lançados ao mar, cada um deles cuidadosamente envolvido em lona e com um peso, para ir ao fundo. Era um estranho espetáculo. A Lua em quarto crescente derramava sua luz tênue sobre nós, enquanto o navio rolava nas ondas. O serviço fúnebre foi conduzido pelo reverendo Canon Hind; durante cerca de uma hora, repetiram-se as palavras: ‘Pois é vosso desejo... entregamos seu corpo à profundezas’. Depois, à intervalos regulares, ouvia-se o ruído de um corpo que mergulhava no oceano, o qual, naquela zona, tem um profundidade de 3.000 m.”
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Ao lado - O processo de sepultamento no mar: depois de envolto em saco de lona, onde é acrescentado um peso de ancoragem ( geralmente peças de ferro) o corpo é apoiado sobre uma plataforma deslizante e, sob as preces de um clérigo ou do capitão, é entregue ao oceano. (Imagens ilustrativas, não se tratam de imagens diretamente relacionadas ao Titanic).
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Pouco antes, fora encontrado o cadáver horrivelmente mutilado de John Jacob Astor. Estava coberto de fuligem, o que fez supor que tivesse sido atingido pela derrocada da chaminé dianteira. A identificação foi possível graças à marcação de suas iniciais na camisa, ao grande anel de diamante engastado em platina em sua mão e ao dinheiro que trazia no bolso. O corpo foi levado para o continente, a fim de ser sepultado.

Abaixo - A ficha do corpo de John Jacob Astor. Nela consta o número da ordem de resgate, descrição física, idade aproximada, roupas e pertences. Esta criteriosa numeração e descrição foi uma medida muito importante para a correta identificação.
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"Nº 124- idade estimada 50 – masculino, cabelos claros e bigode – Roupas: terno de sarja azul, lenço azul com “AV”, cinto com fivela dourada, botas marrons com sola de borracha vermelha, camisa de flanela marrom “JJA” na parte de trás do colarinho. EFEITOS: Relógio de ouro, abotoaduras de ouro, anel de diamante com três pedras; £ 225 em notas; 2440 dólares em notas; £ em ouro; 7 s em prata; 5 francos, caneta de ouro e caderneta."
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Por essa altura, era evidente que o que ocorrera fora, como disse o Times de Londres:

“UMA CATÁSTROFE SEM PARALELO NA HISTÓRIA DA NAVEGAÇÃO".

Ao lado - Uma fileira de corpos alinhados no convés de vante do barco CS Mackay-Bennet.


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DESCRIÇÃO ORIGINAL DO VÍDEO - "O retorno do Mackay Bennet para Halifax no dia 30 de abril de 1912. Este navio foi enviado para onde o Titanic naufragou para recuperar qualquer corpo que pudesse encontrar. Todos eles foram encontrados congelados. Os corpos encontrados foram fotografados, e muitos foram colocados em caixões de madeira e foram enviados para Halifax, onde foram enterrados no que é hoje o maior cemitério de vítimas do Titanic do mundo."

Ao lado - O bote desmontável B virado é averiguado pelos tripulantes do CS Mackay-Bennet. Na madrugada de 15 de abril ele foi abrigo de muitos dos sobreviventes.
 
Ao lado - O navio lança-cabos CS Minia resgatou 17 corpos.
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O navio lança-cabos CS Minia foi o segundo de quatro navios fretados pela White Star Line para atuar no resgate de corpos do naufrágio. Tão logo o Mackay-Bennett chegou à área de buscas ficou evidente que um segundo navio de recuperação seria necessário. O Minia pertencia à Western Union e navegava sob o comando do capitão William George deCarteret. 
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O barco deixou Halifax na segunda-feira 22 de abril e chegou na área de buscas na sexta-feira seguinte. O mau tempo prejudicou a busca, apenas 17 corpos foram finalmente recuperados depois de uma semana.
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Ao lado - Os membros da tripulação do Minia executam a árdua tarefa da recuperação dos corpos dias depois do desastre.
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Dois bombeiros não identificados foram sepultados no mar e os outros quinze corpos foram levados para Halifax, incluindo Charles M. Hays, presidente da Grand Trunk Railway, José Fynney, um passageiro de segunda classe, três passageiros de terceira classe, e membros da tripulação.



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Ao lado - O corpo de uma das vítimas (aparentemente um homem) à bordo do Minia ao ser preparado para ser colocado em um dos caixões.

O Minia retornou para Halifax na segunda-feira, 6 de maio, onde todos os seus caixões não utilizados e fluidos de embalsamamento foram transferidos para o terceiro navio que estava a participar nas buscas, o vapor CGS Montmagny.
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 Ao lado - Carros funerários e caixões alinhados no cais de Halifax à espera dos corpos recuperados pelo CS Minia.

O Montmagny, do governo canadense, foi o terceiro de quatro navios fretados pela White Star Line. O barco partiu de Sorel, Quebec para Halifax, onde embarcou suprimentos e pessoal. Ele deixou Halifax na segunda-feira, 6 de maio, para substituir o Minia e para continuar a busca por corpos. O mal tempo dificultou novamente os progressos na área do desastre. Apesar das condições precárias, o Montmagny recuperou 04 corpos, um dos quais foi sepultado no mar. Os outros três corpos foram entregues à Louisbourg, Nova Escócia, na segunda-feira, 13 de maio, e enviado para Halifax.

Ao lado - O Montmagny do governo canadense recuperou 04 corpos.

Após o reabastecimento e obtenção de mais suprimentos, o Montmagny voltou à cena para procurar mais corpos, mas a busca foi infrutífera, encontrando apenas pequenos pedaços de madeira muito dispersos, avistados a leste do local do desastre. O Montmagny encontrou o Algerine em 19 de maio de 1912 e retornou para Halifax em 23 de maio de 1912, onde retomou suas funções normais com o governo canadense. O vapor Algerine foi o último dos quatro navios fretados pela White Star Line para as buscas. O barco deixou St. John's na quinta-feira, 16 de maio de 1912 e, embora sua busca persistisse por três semanas, recuperou apenas um corpo, o do comissário James McGrady. Seus restos mortais foram trazidos de volta para Halifax em 06 de junho e embarcado para Halifax a bordo do navio Florizel, este era o fim das buscas oficiais.
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Ao lado - O RMS Oceanic resgatou 03 corpos.

Em 13 de maio de 1912, a White Star Line recebeu um telegrama do RMS Oceanic (um de seus navios) informando do resgate de três corpos, que foram recuperados do desmontável A; que havia sido abandonado com três cadáveres no dia 15 de abril, quando o Carpathia resgatou seus ocupantes.
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Do depoimento de  Shane Leslie, a bordo do RMS Oceanic na ocasião do resgate e funeral das três vítimas: 
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"O mar estava calmo após o meio dia quando o vigia alertou que havia algo flutuando à frente. O navio diminuiu a velocidade e ficou aparente que era um bote-salva-vidas aberto flutuando no meio do Atlântico. O que foi horrível é que ele continha três figuras prostradas. Foram dadas ordens da Ponte de Comando e um bote foi despachado com um oficial e um médico oficial. O que se seguiu foi medonho. Dois marinheiros podiam ser vistos, seus cabelos descoloridos pela exposição ao tempo e ao sal, e um terceira figura, usando uma roupa de noite, todos apoiados nos bancos. Todos os três estavam mortos e os corpos foram deixados no Atlântico e incharam sob o céu aberto desde que havia afundado o maior navio de todos os tempos. Os três corpos foram costurados em sacos de lona com uma barra de ferro na ponta de cada um. Então um após o outro foram envoltos na bandeira Union Jack (bandeira inglesa), e o serviço fúnebre foi lido, e eles foram então entregues ao mar".
Ao lado - Tripulantes do RMS Oceanic rebocam o bote desmontável "A" do Titanic com a ajuda de um dos botes do navio. A foto foi tirada em 13 de maio de 1912, 28 dias depois do desastre. Dentro do bote os três corpos resgatados permaneceram expostos ao tempo durante quase um mês.

Um corpo era aparentemente o de Thomas Beattie e os outros eram um marinheiro e um bombeiro. No barco estava também um casaco com cartas endereçadas a Richard N. Williams, uma lata com a menção "Dan Williams," e um anel com a inscrição ", Edward e Gerda."
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Ao lado - William Edward Cheverton.
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Em junho de 1912, dois meses depois do desastre, fora recuperado o último de todos os corpos, pelo navio Ilford. Era o corpo do camareiro William Edward Cheverton. Os corpos recuperados foram preservados e levados à Halifax, a cidade mais próxima do naufrágio. O legista de Halifax, John Henry Barnstead, desenvolveu um sistema detalhado para identificar os corpos e salvaguardar bens pessoais. Seu sistema de identificação foi tão eficiente que mais tarde seria usado para identificar vítimas de uma explosão em Halifax, em 1917.
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Ao lado - O coração do sistema de identificação das vítimas eram as bolsas mortuárias que guardavam os bens encontrados junto aos corpos. Estas bolsas eram numeradas, tal como também foram numerados os corpos por ordem de resgate; elas foram costuradas à bordo do Mackay Bennet e se mostraram muito eficazes em reunir e proteger os pertences das vítimas, tanto no navio como no necrotério em Halifax. As bolsas e seus conteúdos também serviram de apoio ao processo de identificação, dado que os pertences poderiam servir de evidências para que os amigos e familiares fizessem o reconhecimento com maior eficácia. No caso específico desta foto, a bolsa de nº 41 estava relacionada ao quadragésimo primeiro corpo encontrado pelo Mackay Bennet, o corpo de Edmond J. Stone, 31 anos.
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Ao lado - A procissão de carros funerários entra no pátio do Clube de Curling em Halifax. Populares assistem as cenas.
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Parentes e amigos de toda a América do Norte vieram para identificar e reivindicar corpos. Um grande necrotério temporário foi criado e empresários foram chamados de toda a região oriental do Canadá para ajudar. Alguns corpos foram enviados para serem enterrados em suas cidades de origem na América do Norte e Europa. Cerca de dois terços dos corpos foram identificados.

Ao lado - Wendla Maria Heininen, 23 anos, solteira de Turku, Finlândia. Estava viajando para a cidade de New York. Ela embarcou no Titanic em Southampton como passageira de terceira classe. Heininen perdeu a vida no desastre e alguns dias depois o corpo de uma mulher foi resgatado do mar pelos tripulantes do Mackay Bennet, o 8º corpo resgatado. O corpo foi enterrado sem reconhecimento em Halifax, apenas com o numeral 08 (ordem de resgate) e a data 15 de abril de 1912. Somente em anos recentes, através de pesquisas, finalmente Wendla Heininen fora identificada e teve seu nome acrescentado à pedra de sua sepultura.
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Vítimas não identificadas foram enterradas com números simples, baseados na ordem em que os corpos foram descobertos. Cento e cinqüenta foram enterrados em Halifax em três cemitérios, sendo o maior deles Fairview Lawn Cemetery seguido pelo vizinho Monte Olivet. Muitos destroços também foram recuperados com os corpos e estas peças podem ainda ser vistas no Museu Marítimo do Atlântico em Halifax.

 
Acima, esquerda - O funeral de John Jacob Astor em 4 de maio de 1912. Astor foi enterrado no cemitério da Igreja Trinity em New York. Entre os itens encontrados junto ao corpo estava um relógio de bolso em ouro, que alega-se que seu filho Vincent usou para o resto da vida. Direita - Uma placa indicativa dos túmulos das vítimas do Titanic em um dos três cemitérios da cidade de Halifax, Canadá.
A vida depois da tragédia
Frederick Fleet
Ao lado - Frederick Fleet, o vigia que avistou o iceberg.
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Frederick Fleet, o vigia do Titanic, foi condenado ao ostracismo pelos oficiais superiores que sobreviveram, por ter revelado a inexistência de binóculos no cesto da gávea do Titanic. Morreu em 10 de janeiro de 1965, com 76 anos.
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Ao lado - Joseph Bruce Ismay, diretor administrativo da White star Line, o proprietário do Titanic.
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Joseph Bruce Ismay demitiu-se da presidência da I.M.M. e da direção da White Star Line; retirou-se para um chalé em Costelloe, e pouco se ouviu falar dele. Morreu aos 74 anos, a 17 de outubro de 1937.

Ao lado - Stanley Lord, Comandante do SS Californian.
O comandante do Californian, Stanley Lord, sofreu o estigma dos comandantes que se recusam a socorrer um navio em apuros. Morreu em 25 de janeiro de 1962, com 84 anos. O comandante Arthur Rostron foi tão hábil na apresentação de desculpas por não ter dado grande importância à mensagem presidencial que, meses mais tarde, o presidente Taft o condecorou com a Medalha de Honra do Congresso, concedida pelo Senado norte-americano. De 1928 a 1931, Rostron serviu como comodoro da frota da Cunard. Aposentou-se em 1931 e morreu a 4 de novembro de 1940.
Ao lado - Molly Brown, passageira sobrevivente da 1ª classe, entrega ao Capitão Arthur Henry Rostron um prêmio por seu serviço no resgate dos passageiros do Titanic. Na foto a direita, Arthur Rostron e esposa recebem das mãos do Embaixador da Grã-Brtetanha uma medalha em reconhecimento aos serviços realizados no resgate dos náufragos.

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 Ao lado - Car Van Anda.
Car Van Anda, do New York Times, viveu tempo suficiente para ver seu jornal tornar-se o maior do mundo – proeza devida, em grande parte, à sua audácia de publicar a história do Titanic. Deixou o Times em 1925 e morreu em New York, a 28 de janeiro de 1945.

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Ao lado - Coronel Archibald Gracie, sobrevivente da 1º classe.

O coronel Archibald Gracie, depois de escrever suas memórias, teve muitos problemas de saúde, provocados por sua angustiosa experiência. Morreu em dezembro de 1912, apenas sete meses e meio depois de ter sido salvo.

Ao lado - Charles H. Lightoller

Charles H. Lightoller, segundo oficial, continuou a servir a White Star Line até se aposentar. Durante a Segunda Guerra Mundial, com 66 anos, Lightoller salvou 130 homens, retirando-os das praias de Dunderque, num navio da companhia. Desarmado, carregado de sobreviventes, simultaneamente bombardeado e metralhado, o navio chegou a salvo a Ramsgate somente graças à perícia e ao profissionalismo de Lightoller, que morreu a oito de dezembro de 1952, com 78 anos.
"O garoto jornaleiro"
Frederick Fleet
Talvez uma das imagens mais evocativas do desastre do Titanic é a do jovem vendedor de jornais fora dos escritórios da White Star Line e Oceanic House em Cockspur Street, Londres, segurando um cartaz Evening News anunciando:

"Desastre do Titanic - grande perda de vidas"

Aquele menino era Ned Parfett, sua curta vida não foi menos espetacular, e sua morte tão trágica, como a do Titanic. Seis anos e meio depois desta fotografia ser tirada, Ned foi morto durante um bombardeio alemão enquanto servia no exército inglês na França, poucos dias antes do Armistício. Ele tinha 21 anos. De acordo com o seu sobrinho-neto Dominic Walsh, o jovem Ned se alistou na Artilharia Real em 1916, primeiro como piloto de uma expedição antes de aderir à funções de reconhecimento. A juventude não impediu sua bravura. Ele foi mencionado nas expedições e condecorado com a Medalha Militar por sua conduta valente durante uma série de missões no fronte.

Ao lado - A Oceanic House, em Cockspur Street, Londres, escritório da Companhia de navegação White Star Line. Nesta foto, tirada em 1911, o edifício está decorado para a coroação do Rei George V (22 de junho). Acima da porta de entrada uma grande maquete do RMS Olympic (iluminada durante a noite) que faria sua viagem inaugural em 14 de junho daquele ano.O mesmo local que celebrava a construção do Olympic, navio-irmão do Titanic, seria o local de trabalho do pequeno Ned Parfett, anunciando com letras garrafais a tragédia acontecida com o Titanic em 15 de abril de 1912, apenas poucos meses depois desta fotografia. 
Ned era um dos quatro irmãos de Cornwall Road, Waterloo à alistar-se "pelo rei e pelo país". Só Ned não conseguiu ver o fim da guerra. Ele morreu em 29 de outubro de 1918, menos de duas semanas antes do fim da guerra. Ned foi morto perto de Valenciennes, quando um projétil foi lançado e explodiu no alojamento dos oficiais, exatamente quando ele estava a recolher algumas roupas antes de ir embora. Após sua morte, o oficial que o recomendou para os reconhecimentos especiais escreveu para um de seus irmãos:

"Em muitas ocasiões, ele acompanhou-me durante os graves bombardeios e eu sempre tive grande confiança nele."

Se Ned tivesse sobrevivido ao ataque, ele teria ido pra casa na Inglaterra, quando o armistício fosse assinado. Ele está enterrado no cemitério de guerra britânico na Verchain-Maugré na França.
Em memória às pessoas envolvidas na tragédia do RMS Titanic
Fontes
Revista Seleções do Reader's Digest, agosto de 1986 e "Titanic, an Illustrated History", 1992.
Pesquisa, traduções e reedição de textos e imagens - Rodrigo, TITANIC EM FOCO
Para ilustrar esta matéria:
Fotos originais de época / Titanic (1953) / A Night to Remember ( 1958 ) / Titanic ( 1996) / documentário Lusitania, Murder on the Atlantic / Titanic 1997 /documentário Titanic's Gosths / ilustrações de diversas autorias e imagens meramente referenciais.

30 comentários:

André disse...

Postagem muito interessante Rodrigo.
Chamou atenção a ironia dos britânicos nesse desástre, ao concluir o inquérito apontando erros como a falta de botes salva-vidas, a velocidade do navio etc. Isto porque o próprio regulamento britânico sobre os navios de passageiros determinava um número desproporcional de botes, dependendo do porte dos navios. Em outras palavras a quantidade de botes era determinada pela existência de anteparas de contenção da água á bordo e não pela quantidade de pessoas embarcadas.
Outro destaque é a falta de humanidade do SS Bremem em não resgatar os corpos avistados pela tripulação e passageiros. O fato da White Star providenciar unidades de resgate não justifica deixar de recolher os despojos. Imagine se isso acontecesse atualmente! Essa atitude alemã dá indícios de o quanto esse povo são cruéis, antes mesmo de iniciar duas guerras contra o mundo dois anos depois do naufrágio.
E finalmente, dinheiro! A obsceção humana por poder é insaciável, nem que para isso o salvador do mundo tenha que ser vendido (Judas). No caso do Titanic, a arrogância não é novidade e sim um ingrediente em sua ja terrível história. Esse caso do jornal foi apenas mais um acréscimo.
parabéns pelo trabalho Rodrigo!
Até a próxima

Rodrigo disse...

Olá André, obrigado pela atenção ao post.. Pois é, o que mais me impressiona é que o caso Titanic começa com erros, são erros que causam a tragédia e PIOR, até mesmo depois da tragédia os erros persistem e espantam... Quase tudo no pós tragédia beira o absurdo: punições erradas, falta de ouvir testemunhas corretas, discriminação na hora do resgate de corpos, "enterros no mar", indenizações mal pagas, a White Star Line abafando o caso, um verdadeiro circo de horrores... Mas o que seria das leis marítimas se não fosse o triste naufrágio? Infelizmente foi preciso um acontecimento horripilante como estes para que algo fosse feito e fosse dada atenção às devidas coisas... Não muito diferente do que vivemos hoje: um circo de horrores liderado pelo dinehiro e descaso... é o mundo, infelizmente.

Agradeço a visita.

André disse...

É Rodrigo. A história do Titanic começou ruim, piorou e terminou "horripilante". Mas na verdade, as providências em relação ao acidente (seguido de crime na minha opinião - negligência, tentativa de homicídio, genocídio, imprudência/caracterizando dolo eventual por expôr todas as pessoas a bordo á um desastre caso o navio se perdesse no mar e omissão de socorro) foi até tardia considerando o envolvimento da White Star Line. Isso porque essa empresa foi vítima de vários acidentes motivados por imprudências.
Existiu um veleiro da companhia chamado Tayleur (fascículo 14 da coleção de cem fascículos) que é um dos piores exemplos de como os cuidados com a navegação deveriam ser obrigatório.
O Titanic tinha mais visibilidade pela propaganda que lhe dava visibilidadee pela disputa acirrada da época dele (contra a dupla Mauretânia e Lusitânia por exemplo).
Quanto mais se sabe da história desse navio mais chocado fico. E quanto mais se sabe sobre Bruce Ismay, mais revolta sinto desse crápula.
É isso aí!

Don Salvatore disse...

Ja Jogo GTA 4 ja Viu Que La Em Algoquin(Manhattan)Tem Aquele Logar Que é Tipo Um Golf Club Seria O Antigo Porto 59?Pra Verificar To Aqui Instalando GTA IV Dnv Pra Ver Se Axo o Cunard Line Port 54

Rodrigo disse...

Olá

Não jogo video game, mas acredito que possa ser. Afinal de contas este tipo de jogo é baseado em locais reais, e os dois píers ainda existem, e todos os outros igualmente existem.

O pier 59 da White Star é hoje um complexo de golf e estúdio de gravações. O píer 54, da Cunard Line, é um ponto histórico, mas contém apenas a arquitrave frontal de aço e o piso do píer, que se estende para dentro do rio hudson.

Anônimo disse...

gostaria de saber se alguem sabe aonde estao os barcos salva vidas do titanic

Rodrigo disse...

Sua resposta está na penúltima curiosidade do blog, que está no extremo fim de qualquer página consultada aqui, basta rolar até o fim da página. É uma curiosidade bem longa, mas bem informativa. Ela está logo acima da montagem do "Olympic, Titanic e Britannic".

Só para adiantar: Ninguém hoje, nem os especialistas, sabe o paradeiro dos botes. Eles desapareceram por volta de 1913. As únicas peças que restam dos botes saão algumas das numerações metálicas e bandeirolas de metal, que foram retiradas ainda em 1912. Todas estas peças estão em mãos de colecionadores particulares e museus nos EUA e na Europa.

Até mais, espero que ajude.

Anônimo disse...

obrigada e eu descobri esse site do nada e ele esta ate nos meus favoritos

ALONSO disse...

O CAPITÃO SMITH FOI O ÚNICO CULPADO DO NAUFRÁGIO:
1. ERA MUITO EXPERIENTE,
2. HAVIA RECEBIDO VÁRIOS AVISOS DE ICEBERGS NA ROTA DO TITANIC, INCLUINDO UM COM A LOCALIZAÇÃO EXATA,
3. NÃO SE CERTIFICOU DA EXISTÊNCIA DE BINÓCULOS À BORDO (ISSO SIGNIFICAVA UMA VIAGEM SEGURA, UMA VEZ QUE ERA O ÚNICO RESPONSÁVEL POR TODAS AS VIDAS DO NAVIO QUE CONFIAVAM NELE)
4. PERMITIU QUE O TITANIC NAVEGASSE À VELOCIDADE PRATICAMENTE MÁXIMA EM,
5. UMA NOITE SEM LUA, TOTALMENTE ESCURA.
UM IRRESPONSÁVEL DE MARCA MAIOR, SEM DIFERENÇA DE UM MOTORISTA QUE RECEBE UMA FERRARI REPLETA DE SISTEMAS ELETRÔNICOS QUE EVITAM DERRAPAGEM, CONTROLAM TRAÇÃO, COM AIRBAG, ABS, EBD E MAIS UM MONTE DE COISAS E DIRIGE A 200 KM POR HORA
EM RUAS CHEIAS DE ESQUINAS. O CARRO TEM LIMITES... O TITANIC TAMBÉM TINHA. ERA FEITO DE AÇO QUE, SE COLIDIDO COM GELO DURÍSSIMO, IRIA ROMPER-SE.
CONFIOU DEMAIS NOS COMPARTIMENTOS ESTANQUES À PROVA D'ÁGUA...
O SS CALIFORNIAN FICOU PARADO DURANTE HORAS CERCADO POR BLOCOS DE GELO SEM PODER MOVER-SE.
NEGLIGÊNCIA PURA. ERA SUA ÚLTIMA VIAGEM E PRETENDIA APOSENTAR-SE E CURTIR OS FILHOS E NETOS COM HONRAS, MAS PREFERIU O SUICÍDIO COM MEDO DE SER PROCESSADO E PRESO, SE SOBREVIVESSE. SERIA UMA VERGONHA...

Julio Fernando disse...

Alguém sabe o que aconteceu com aquele carro que foi colocado à bordo do navio? ou aquilo foi só no filme?
obrigado.

Rodrigo disse...

Oi Julio

Aconselho que leia a matéria "Um carro no Titanic: O Renault de William Carter"; a matéria está na lista de links do lado direito do blog. O carro realmente exisitiu, mas o filme o mostra de maneira incorreta. A matéria conta tudo em detalhes. Até mais.

Julio Fernando disse...

Vlw Rodrigão!!! Vc é gente fina mesmo hein cara.. descubri esse blog por acaso, tem 1 ano e meio + ou -.. sou um amante do Titanic.
Pode parecer meio bobo, mas toda vez que assisto o filme de 1997, assim que ele acaba, sinto como se algo acontecesse na real.Como se os personagens fossem os verdadeiros tripulantes do navio na época. Sinto um vazio, parece que vivi naquela época ou tinha algum familiar,etc.. entende??! Acho que é por isso que me envolvi com o Titanic. E esse blog foi a porta para o conhecimento. Excelente Blog. Fica com DEUS irmão.

Rodrigo disse...

Oi Julio, obrigado. Fico feliz que goste do blog, eu criei o Titanic em Foco justamente para não perder meu interesse pela pesquisa e o contato com a história. É impossível se aproximar da história sem sentir alguma forte conexão pessoal; para cada pessoa realmente interessada isto ocorre de maneira diferente. Minha conexão direta é o legado de arte que a trajetória do Titanic vem deixando ao longo destes 101 anos.

Abraço, agradeço as palavras e a atenção ao blog; espero poder manter e expandir o Titanic em Foco por bons anos.

Julio Fernando disse...

Bom dia Rodrigo! Acabei de assistir um documentário do History Channel no Youtube. Não tinha assistido na tv mas vi no site; chama-se Titanic, dia após o desastre, é um documentário de 8 partes, se não tiver assistido ainda, entra no link e assista, vale a pena. Mais um conhecimento impressionante e triste.
http://www.youtube.com/watch?v=x_1l29lvVW0
No mais é isso ae.
Abraços..

Rodrigo disse...

Bom dia Julio

Obrigado pela dica, eu vou fazer o download pra assistir com calma na TV, já percebi que o conteúdo é muito importante e cheio de informações dificilmente levadas em conta. Notei também que o autor do livro "E a Orquestra Continuou Tocando" presta seus depoimentos sobre seu avô. Eu li o livro e fiquei impressionado pelas boas informações sobre o pós-desastre. Uma pena o documentário estar dividido em partes, se tivesse sido postado na íntegra em um só video, eu faria uma matéria apenas para ele.

Estes documentários que abordam áreas não tão exploradas sobre o assunto são de extrema importância histórica, pois fazem entender a verdadeira significância do desastre e suas consequências.

Até mais, estarei assistindo logo mais. Abraço.

Julio Fernando disse...

Mais uma dúvida! os destroços do Olympic, onde estão?! como estão? ... nunca ouvi falar sobre. Vc não teria alguma informação?! Estava lendo as curiosidades no final da página e vi que os destroços do brittanic estão no mar Egeu, na costa da Grécia, mas e o Olympic?! se tiver algo à respeito e puder compartilhar, fica o meu Agradecimento.
Tenha uma bom dia.

Julio Fernando disse...

Não precisa responder,rsrs... não temos às vezes o costume de ler as coisas, acabei de ler a matéria sobre o olympic.
ótima matéria.
mesmo assim obrigado.
rsrs

Rodrigo disse...

Oi Julio

Não existem destroços do Olympic pelo simples fato de que ele não naufragou, ele foi demolido entre 1935 e 1937. Toda a sucata de metal resultante foi enviada à indústrias siderúrgicas, sendo então reciclada para outros fins. Parece estranho o ato de demolir um navio tão belo, mas isto é o destino totalmente normal para um navio já ultrapassado, que não respondia mais a contento à nova era de navios mais novos. Hoje o destino de grandes navios antigos é o mesmo, a demolição. O mesmo que aconteceu com centenas de outros navios ao longo dos anos: Aquitania, Mauretania, Ille de France...

Mas a ornamentação interior do Olympic (painéis, móveis, vitrais, objetos decorativos) foi leiloada através dos anos, e hoje uma quantidade indeterminada destas peças encontra-se sob posse de colecionadores particulares; e em aluns casos instaladas em locais abertos à visitação. Outras peças estão expostas em museus, especialmente na Europa. Os painéis no Lounge da 1ª classe do Olympic hoje formam uma sala de jantar no Hotel White Swan, em Alnwick, Inglaterra. Parte dos painéis do Restaurante ALa Carte do Olympic foi restaurada e hoje formam um restaurante temático a bordo do navio Celebrity Millenium.

Mas há ainda milhares de outros artefatos, grandes e pequenos, que estão escondidos nas mãos de colecionadores. Dezenas de peças surgem todos os anos, e geralmente são liloadas. Há cerca de 04 anos, por exemplo, parte dos painéis da Sala de Fumantes da 1ª classe surgiu para leilão no e-bay. O preço pedido foi tão alto que o leilão não aconteceu.

Enfim... O que pode ser reciclado do aço do Olympic foi reaproveitado ainda na década de 1930. O que fazia parte da decoração interior foi leiloado, e hoje encontra-se espalhado nas mãos de particulares pelo mundo afora.

Ricardo disse...

Muito legal o site...parabens
tem alguma coisa ai falando sobre oq aconteceu realmente com o capitão do titanic?

Rodrigo disse...

Oi Ricardo, obrigado. Não há nenhum texto aqui no blog referente ao "final oficial" do Capitão Smith, mas há uma menção aos seus últimos momentos na matéria "O Capitão do Titanic", que pode ser acessada na lateral direita do blog.

Anônimo disse...

olá rodrigo , eu quero saber se esse navio ue resgatou as pessoas do botes do titanic ainda existe eu acho que não né

Anônimo disse...

Correções
1.Se o bote B foi encontrado em abril de 1912, Archibald Gracie IV morreu 7 meses depois de ser resgatado, nao foi 8.
2.Joseph Ismay morreu no dia 17(segundo a Wikipédia), não foi 16.
Davi

Rodrigo disse...

Oi Davi, agradeço as correções. Se sua atenção é tão grande a ponto de você perceber estas discrepâncias, é sinal que você gosta e respeita a história.

Archibald Gracie morreu quando faltavam 11 dias para completar 8 meses do naufrágio. Arredondando para fim textual, é correto dizer que ele morreu 7 meses e meio depois da tragédia. Nem 7 meses, nem 8. Quanto à data de falecimento de Ismay, já está corrigido.

Toda correção é bem vinda.

Até mais.

"Anônimo"... Creio que seja uma pergunta sua também, Davi. Com relação ao paradeiro dos botes, está na penúltima curiosidade ao rodapé do blog. Sugiro que leia, a informações é extensa, mas interessante.

Até mais.

Anônimo disse...

Oi, parabéns pelo blog! Muito completo.

O que eu não consigo compreender é esta sequencia de erros tão grande de todas as partes. Binóculos, capitão, telegrafista não passar informação, navio ignorando SOS e etc. Também não acredito nestas conspirações, mas não tem como não achar que houve algo errado nessa história. Este acidente, em termos de catástrofe e descaso, é um dos maiores absurdos que já vi.

Rodrigo disse...

Oi, agradeço a atenção e consideração ao blog.

Pois é, realmente não há quem não fique impressionado pela quantidade enorme de fatores naturais, humanos e incidentais que vieram causar o desastre do Titanic. O encadeamento destes fatores parece uma assustadora conspiração para que o desastre viesse a ocorrer.

Se a história do Titanic fosse ficcional, e tivesse sido escrita por alguém qualquer, pareceria uma autêntica tragédia grega... A questão é que não é uma ficção, é realmente uma tragédia real, com todos os requintes de uma ficção cheia de exagero.

Ainda que ao custo de tantas vidas e de tantos sonhos, é importante lembrar que tragédias como esta sempre deixam um legado importante. O Titanic não deixou apenas um legado "pop" como hoje tanto vemos, pois as mudanças que ele causou nas leis e na mentalidade das pessoas certamente foram responsáveis por salvar milhares de vidas desde então e até hoje.

É em cima de grandes acontecimento que o mundo evolui. Nem sempre para melhor... O fato é que o passado, quando estudado, deixa lições eternas que nos fazem ser sempre melhores.

Até mais, Feliz Ano Novo.

Miguel Ramirez Zepeda disse...

Conforme publiquei e compartilhei com meus amigos no Facebook, esta foi a página mais completa e melhor organizada sobre o assunto Titanic.
Trata-se de um documento histórico de grande importância.
Eu cá comigo, nascido em 1951, carrego a sensação de ter participado dessa tragédia em minha vida anterior. Talvez um simples limpador de convés, mas estou quase certo de que estive lá. Quando tive crises de síndrome de pânico, perto de 50 anos, tinha sonhos recorrentes e, num deles, eu lia meu nome numa lista de mortos do Titanic. Um dia vou fazer regressão de memória para tirar isso a limpo.

Rodrigo disse...

Oi Miguel, agradeço a atenção ao blog. O blog existe porque a história é para mim fascinante, intrigante, misteriosa, surpreendente, inspiradora, irônica... E é por querer continuar e expandir o conhecimento sobre o assunto que criei o blog, que é uma maneira muito interessante de aprender mais.

Eu próprio sempre quis fazer regressão, e demorei anos para entender porque eu tenho tanta atenção sobre o assunto. Acabei entendendo que são motivos menos espirituais que me fazem tão conectado, mas ainda assim é difícil entender plenamente.

Seja como for, o intuito é tentar registrar aqui de uma forma simples - e profundamente amadora - esta atenção consciente pelo assunto. O conteúdo está aqui apresentado porque tenho prazer em editar as matérias e a cada nova matéria que entra no ar, estou sempre tentando melhorar a forma e o conteúdo. Um desafio grande para quem apenas tem carinho pelo assunto, mas conhecimento mais do que raso sobre o mundo virtual.

Enfim, fazer algo por diletantismo é também algo muito bom.

Até mais, agradeço o apoio ao blog, é sempre um prazer receber o comentário de quem tem real interesse pela história.

Abraço.

MONTE CINCO disse...

É verdade a frase: "Nem Deus afunda o Titanic" ou é apenas mito? Excelente blog sobre o assunto!

Rodrigo, Titanic em Foco disse...

Opa, agradeço o apoio ao blog. Bom, ao que se sabe hoje, é mito. Na matéria abaixo há um texto bem explicativo, é a primeira de todas as curiosidades.

http://titanicemfoco.blogspot.com.br/2015/01/voce-sabia-uma-lista-de-curiosidades.html

Adail C. Távora disse...

ATENÇÃO: existe um excelente documentário no youtube a respeito do resgate dos corpos, em cuja reportagem eles mostram o excelente trabalho do tabelião de Fairview, que facilitou sobremaneira o reconhecimento dos corpos. Mostram, ainda, a chegada do navio Mackay-Bennett, com os corpos, alem de outros assuntos relacionados ao tema. O problema é que perdi esse documentário e não sei o título. Vamos encontrá-lo, para abrilhantar, ainda mais o "TITANIC EM FOCO".