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terça-feira, 17 de julho de 2012

Titanic: As “muitas caras” de um mesmo iceberg

Acima, esquerda: 14 de abril de 1912, 23:40, Oceano Atlântico Norte - Três badaladas fortes ressoam do sino do cesto da gávea. O Primeiro Oficial William McMaster Murdoch vê o perigo que se aproxima e grita para o contramestre Robert Hichens ao timão, dentro da casa do leme (Ilustração de Ken Marschall, 1992). Acima, direita: A 12 metros do piso do navio e a 27 metros do nível do mar, os vigias Frederick Fleet e Reginald Lee avistam o grande iceberg no cesto da gávea do Titanic, o imenso bloco flutua a cerca de 500 metros diretamente à frente.Seja bem vindo ao Titanic em Foco

Ao lado: Cenas do documentário "Titanic: The Final Word with James Cameron", National Geographic, abril de 2012.

Desde a tragédia do Titanic, ocorrida entre a noite de 14 e a madrugada de 15 de abril de 1912, sua história vêm sendo recontada através das dezenas de dramatizações feitas ao longo dos anos, sejam no formato de filmes para o cinema, filmes para a TV, mini e microsséries, a lenda verídica do Titanic jamais deixou a mídia no decorrer dos 100 anos desde seu trágico desaparecimento.

Estas produções obviamente variam entre projetos de baixo orçamento, à recriações com o mais alto padrão de pesquisa e qualidade; à exemplo do filme A Night to Remember de 1958 (no Brasil: Somente Deus por Testemunha), e do filme Titanic (1997), que são reconhecidos hoje como clássicos, os dois melhores e mais bem produzidos filmes sobre o Titanic. Ambos feitos para as telonas do cinema.

Cada uma destas produções dramatizadas feitas desde 1912 (que hoje já chegam a dezenove) retrata a epopéia trágica do Titanic e de seus passageiros e tripulantes de um modo único: algumas delas com teor altamente ficcional (como o filme Resgatem o Titanic, 1980), e outras deitando maior concentração sobre os aspectos verídicos da história.

A despeito das muitas variações dramáticas, melodramáticas e liberdades artísticas com que a trajetória do Titanic perenemente têm sido recontada à grande massa, há em todas estas produções 1 ponto em comum: as impactantes cenas em que o grande navio atinge o iceberg.
Acompanhe então as cenas de dois campeões, os dois maiores clássicos sobre o Titanic, que recebem ainda hoje o grande reconhecimento do público: A Night to Remember e Titanic (1997), que em suas recriações retratam, cada qual à sua maneira, “o início do fim”, o momento em que o Titanic colide com o iceberg às 23:40, de 14 de abril de 1912.
Abaixo, esquerda: O conhecidíssimo iceberg fotografado a partir do navio de passageiros alemão Prinz Adalbert (na foto ao lado) na manhã de 15 abril de 1912, a poucas milhas do local da tragédia.
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Este iceberg foi creditado por décadas como o causador do naufrágio, devido ao fato de que que houveram relatos dos passageiros do navio Prinz Adalbert de que em suas bases haviam marcas vermelhas, e esta era mesma cor da tinta aplicada ao fundo do casco do Titanic, exatamente na área em que ocorreu o impacto com o iceberg.
Acima, direita: A cena de "A Night to Remember" demonstra que a produção artística deste filme baseou firmemente o formato de seu iceberg cenográfico na fotografia de 1912, que já era reconhecida há mais de quarenta anos quando o filme foi gravado na Inglaterra na década de 1950.
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Confira as cenas da colisão em "A Night to Remember"
(A partir de 31:50 min.)
Abaixo, esquerda: Esta é a conhecida fotografia que o passageiro Stephan Rehorek tirou a bordo no navio SS Bremen (na foto ao lado) no dia 20 de abril de 1912, cinco dias após a tragédia, quando passou pela área do desastre.
O iceberg na imagem é hoje amplamente creditado como o verdadeiro, com o qual o Titanic colidiu. Durante o choque com o imenso bloco gelo na noite de 14 de abril, o Titanic arrancou uma grande porção de gelo do iceberg, que desabou sobre o piso do Convés C no navio; a porção "lascada" do iceberg da imgem é uma das intrigantes evidênias que hoje o tornam o principal suspeito como causador da tragédia.
Acima, direita: Em 1996, quando o filme "Titanic" ainda estava sendo produzido e gravado, aparentemente esta foto não havia ainda sido descoberta e/ou divulgada ao público. Pura coincidência do destino ou não, o formato do iceberg nas cenas da colisão de "Titanic", o megasucesso do diretor James Cameron, segue quase à perfeição a fotografia tirada por Stephan Rehorek.
Confira as cenas da colisão em "Titanic" (1997) video
Simulações da colisão e naufrágio

Como complementa à matéria, siga abaixo a mais recente simulação em Computação Gráfica que demonstra como se deu o naufrágio do Titanic. Diferente de qualquer dramatização para o cinema, este é um trabalho absolutamente concentrado em informações históricas e técnicas. No entanto não se concentra no iceberg e tampouco em seu formato, mas sim no processo pelo qual o Titanic passou desde a colisão até o momento em que encontrou o fundo do Oceano Atlântico, onde repousa e se desintegra lentamente, há 100 anos,

Esta teoria é a mais recente de todas, foi formulada por uma junta de especialistas reunida e liderada pelo cineasta James Cameron (de Titanic e Avatar) e apresentada no documentário "Titanic: The Final Word With James Cameron", divulgado em abril de 2012. A simulação gráfica foi elaborada após grande levantamento focado no mais recente mapa fotográfico completo dos destroços do Titanic divulgado em março de 2012, e nos depoimentos cedidos pelos sobreviventes da catástrofe.
1. Pode-se notar que o 1º Oficial William McMaster Murdoch ordenou rapidamente para o timoneiro Robert Hichens para que executasse uma manobra com intuito de contornar o iceberg, evitando a colisão das hélices com o bloco de gelo / 2. Durante o naufrágio o Titanic inclinou-se cerca de 9 graus para bombordo, causando a queda da chaminé frontal para o lado esquerdo, sobre a asa da ponte de comando / 3. A ruptura do navio deu-se logo à frente da chaminé nº 03; e não entre a nº 3 e a nº 4, como antes se pensava / 4. A inclinação vertical da popa ocorreu em um ângulo ligeiramente menor do que antes se acraditava. A popa então executou meio giro ao redor do sí antes de desaparecer sobre as ondas / 5. A proa se desprendeu da secção da popa e desceu em posição inclinada até o fundo do oceano, endireitando-se levemente antes de colidir com o leito marinho / 6. A popa sofreu uma explosão durante o início do mergulho e perdeu boa parte dos aparatos e parte do casco, arrancados pelo fluxo de água, chegando ao fundo do oceano depois da parte frontal do navio / 7. Enquanto a secção da proa desceu em queda livre quase na posição correta, a popa sofreu um contínuo processo de giro, lançando milhares de peças, secções estruturais e artefatos ao fundo do mar / 8. Ambas as secções, proa e popa, receberam uma grande onda de choque ao chegar ao fundo, provocada pela enorme fluxo de água deslocada durante a queda de pouco mais de 3.800 metros.


Crédito
Pesquisa, composição de texto e reedição de imagens - Rodrigo, TITANIC EM FOCO

11 comentários:

James Araújo disse...

ótimo post, bem detalhado, parabéns!

Rodrigo disse...

Olá James, agradeço a atenção ao blog. Seja bem vindo.

Lucas disse...

Rodrigo, Parabens pelo ótimo Blog! Conteúdos muito bem explicados! A propósito, este video foi o melhor e mais detalhista que vi até hoje sobre o desastre! Parabens pelo acervo Titanic!

Rodrigo disse...

Oi Lucas, obrigado pela atenção ao blog. Vou seguindo, tentando manter e expandir o conteúdo.

marcelo disse...

cara maravilhoso o conteúdo do seu blog, acho que deve ser um dos mais completos sobre o titanic, recentemente fui prestar um concurso público, e para minha surpresa o texto que teriamos que comentar falava do titanic, vivo procurando na web, algo de novo sobre o assunto, acho que esse tema nunca vai ter fim, sempre aparecendo coisas novas, pra quem gosta do assunto, o seu blog é um prato cheio, sobre a teoria de que se ele tivesse colidido de frente com o iceberg, li em algum lugar que é muito provavel que não teria afundado, a terori é de que o proprio iceberg o impediria de ir a pique, a proa entraria no bloco de gelo, e devido a massa do gelo dentro da agua o iceberg não se partiria, ou seja no texto que eu li, o proprio iceberg apoiaria a parte danificada da proa do navio, pelo menos até chegar o socorro de outros navios, se essa teoria é valida ou não dificil saber, mais da até para se pensar no assunto, um abraço a todos que como eu somos fã do titanic.

Rodrigo disse...

Oi Marcelo, agradeço a atenção ao blog, sempre bom saber que o conteúdo tem utilidade.

Sou apenas mais um dos muitos que têm encanto/curiosidade pelo Titanic e seu história, criei o blog justamente para não deixar morrer meu contato com isto tudo.

Sobre esta teoria da colisão de frente e um "aprisionamento" da proa no gelo, esta é a 1ª vez que "ouço". Ela parece um pouco fantástica, mas pode ter algum fundamento, afinal nenhum de nós pode prever o que aconteceria a um navio que batesse de frente... A única coisa realmente certa é que os estragos seriam muito grandes. É é interessante imaginar o que poderia acontecer.

Até mais, novamente grato pela atenção ao blog, seja bem vindo.

Mr. Zé Ninguém disse...

Bem, o destino da proa até que foi simples: ela não se desmontou muito.
Mas a popa, vixi, a popa se f...
desmontou tudo e agora no fundo do mar parece ate uma pilha de ferro retorcido...

Anônimo disse...

Olá! Gostaria de saber onde encontro esses vídeos de simulação do navio chegando ao fundo do mar? Seu blog está de parabéns.

Rodrigo disse...

Olá.

Os vídeos nesta página já foram todos repostos, obrigado por perguntar. Isto é causado pela tradicional retirada de vídeos do You Tube.

Se você está se referindo às imagens apresentadas nas três simulações da colisão (animações em GIF)... Todas elas são provenientes do 3º e último vídeo desta matéria.

Grato

olympic class disse...

ola rodrigo sempre acompanho seu blog e é o melhor que conheço parabens. tenho uma pergunta, falam que se o titanic batesse de frente com o iceberg ele não teria afundado o que vc acha

Rodrigo disse...

Oi, obrigado, tento publicar da melhor forma, a história merece ser recontada com dignidade.

Já me fizeram esta pergunta anteriormente aqui no blog, e minha resposta foi sim, eu acredito que o Titanic não naufragaria se colidisse de frente... ou ao menos levaria muitas horas, talvez até dias para naufragar.

O que me leva a dar crédito a esta teoria é que hoje se sabe que, tecnicamente, foi a extensão exagerada dos danos que provocou a entrada de água em mais câmaras estanques do que o navio era capaz de suportar. Havia sim vários tipos de combinações previstas de inundação que o Titanic suportaria, isto foi previsto desde a fase de projetos. O grande provocador do naufrágio foi o tipo específico de danos sofridos. Tivessem sido os danos concentrados apenas nas câmaras frontais ou “tecnicamente pré-estabelecidas”, o Titanic não naufragaria. Evidentemente dezenas de pessoas morreriam no impacto, afinal era um navio de 46 mil toneladas navegando à mais de 40Km/h projetado de frente contra um paredão de gelo, dificilmente todos sairiam ilesos, e certamente a frente do navio seria parcialmente destruída.

Um exemplo real e prático disto aconteceu em 1911, quando o Olympic colidiu com o Hawke: Os danos foram muito graves à ré do navio, no lado de estibordo... MAS apenas duas câmaras estanques foram gravemente inundadas com toneladas de água; o resultado foi que o Olympic resistiu primorosamente, e prosseguiu para reparos sem necessidade de auxílio externo, com um rombo enorme na área acima e abaixo da linha d’água.

Tecnicamente o Titanic foi projetado para resistir a determinadas combinações de inundação, isto é fato público hoje, a maioria dos estudiosos tem conhecimento deste aspecto e aceitam isto. Se os danos no casco tivessem cerca de metade da extensão que tiveram, creio que hoje não estaríamos aqui dialogando e o Titanic seria não muito mais que um longo artigo na Wikipedia, alguns raros livros e boas memórias apenas.

Bem, isto é até onde eu posso dizer. Eu não posso responder tecnicamente porque não estudo o Titanic, eu faço uma leitura geral de todo o legado sem me concentrar especificamente em aspectos técnicos: sou um entusiasta, não um estudioso. Até mais.