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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A banda do Titanic: A música a bordo do mais famoso navio da história


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1: Violino - Wallace Henry Hartley, 34 anos, líder da banda com piano (quinteto).....2: Piano - Theodore Ronald Brailey, 24 anos..... 3: Contrabaixo - John Frederick Preston Clarke, 30 anos.....4: Violoncelo -  John Wesley Woodward, 32 anos..... 5: Violino - Georges Alexandre Krins, 23 anos.....6: Violoncelo - Percy Cornelius Taylor, 32 anos.....7: Violino - John Law Hume, 21 anos, líder do trio de cordas....8: Violoncelo - Roger Marie Bricoux, 20 anos.

 Acima - Quarta-feira, 10 de abril de 1912, porto de Southampton, Inglaterra, por volta das 12:25: O RMS Titanic lentamente vai contornando a linha do porto da cidade, auxiliado por pequenos rebocadores; nesta foto tirada a partir do convés do navio Beacon Grange, cerca de 10 minutos após a soltura das amarras do cais, o grande navio faz oficialmente a primeiríssima curva de sua tão esperada viagem de inauguração. Após o embarque dos últimos passageiros na tarde seguinte em sua escala final na Europa, às margens da cidade de Queenstown, na Irlanda, cerca de duas mil e duzentas pessoas fariam a travessia em direção aos Estados Unidos. Para o entretenimento dos passageiros da Primeira e Segunda Classe, oito músicos vão tocar durante os 07 dias planejados de travessia; interrompida tragicamente na 5ª noite, a viagem se tornaria um marco na história da navegação, elevando os músicos à categoria de heróis; em um surpreendente gesto de bravura e abnegação, eles tocaram seus instrumentos até os momentos finais.
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Seja bem vindo ao Titanic em Foco

Você sabia que a banda do Titanic era composta por oito músicos e que eles tocavam em dois grupos sempre separados? Você sabia que os músicos não faziam parte da tripulação, pois foram oficialmente embarcados como passageiros da Segunda Classe? Você sabia que havia seis pianos no Titanic distribuídos na Primeira, Segunda e Terceira classe?

Se suas respostas para as perguntas acima foram “Não”, acompanhe então a matéria a seguir, que faz um passeio pelos aspectos musicais da primeira, única e inacabada viagem do Titanic. O texto central aqui apresentado foi trazido da revista norte-americana especializada em piano "Clavier Companion", em seu número publicado em janeiro de 2012, como parte dos memoriais do centenário do naufrágio do Titanic.

Pela primeira vez disponível em português, siga esta viagem musical pelos acordes da curta existência e imortal legado deixado pelo Titanic.

Acompanhe
A história da música a bordo do RMS Titanic
Artigo original de Rebekah Maxner para Revista Clavier Companion,  Janeiro/Fevereiro de 2012
Acima - Um grupo de cinco músicos uniformizados posa para uma foto no Hall de Música a bordo do navio RMS Aragon por volta de 1906, construído pela Harland and Wolff para a Companhia Royal Mail Steam Packet. Considerando a ausência total de fotografias dos oito músicos em suas funções a bordo do Titanic, esta foto ilustra com proximidade as condições de trabalho que este tipo de banda encontrava a bordo dos navios daquela época.

Era para ser uma viagem inesquecível. O RMS Titanic (Royal Mail Steamship Titanic / Navio a Vapor do Correio Real Titanic) foi orquestrado para ser o maior navio do que qualquer outro já criado até então. Para aqueles que o projetaram ele era uma conquista dos tempos modernos. Para os cidadãos de Belfast, Irlanda, que o construíram, ele era motivo de orgulho. Para aqueles que reservaram passagem, ele lançaria uma nova vida na América, ou seria o lar provisório de férias da Europa. Mas ninguém poderia imaginar que o Titanic se tornaria o palco principal de uma grande tragédia. A música teve um significante papel na história do Titanic, desde a época de sua projeção até os momentos de seu naufrágio. O seu legado musical se estendeu até a arrecadação de fundos para concertos prestados no pós tragédia. E é através da música do Titanic que agora nós revisitamos esta história em seus mais de 100 anos.
Para reiniciar a animação abaixo, atualize a página. 
(Arte gráfica original de  "alotef", deviantart.com / animação por Rodrigo, Titanic em Foco)

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A música estava impregnada em cada estrutura do navio. Haviam seis pianos a bordo: um na Terceira Classe, dois na Segunda Classe, e três na Primeira Classe. O piano da Terceira Classe era de modelo vertical, de origem e fabricação desconhecidas. Os pianos na Segunda e na Primeira classe foram comprados diretamente da fábrica Steinway ainda em estado de “crus”, o que quer dizer que suas caixas de ressonância vieram sem acabamento e componentes faltantes como o tampo, a lira, o estande e as pernas.
 
Estes eram especialmente trabalhados por carpinteiros, que depois do enviados, os finalizaram com madeira de qualidade, ou laminado, para combinar com a decoração da sala na qual cada piano seria instalado. Considerando que os músicos contratados nunca tocavam na Terceira Classe, um piano vertical foi fornecido para que os passageiros pudessem tocar para seu próprio entretenimento. Ele era localizado no Salão Geral (Convés C, na popa), um lugar alegre com longos bancos de madeira, paredes brancas e ladrilhos de linóleo com um padrão vermelho.


Ao lado - Eugene Patrick Daly

Haviam partituras musicais de todo tipo naquele tempo, e era comum às pessoas se reunirem ao redor de um piano para tocar e cantar suas canções favoritas. Muitos passageiros da Terceira Classe viajaram com seus próprios instrumentos também. Eugene Daly, um irlandês, trouxe para bordo sua gaita de foles irlandesa e foi visto na popa do Titanic tocando a canção “Erin’s Lament”, enquanto o navio deixava a cidade de Southampton.

OUÇA AO LADO...

Na programação do navio, as apresentações musicais na Primeira e Segunda Classe eram localizadas em áreas onde a música pudesse ser ouvida o mais distante possível, e os pianos Steinway foram instalados nestes lugares. Quando os construtores e carpinteiros completavam os detalhes de última hora no Titanic, os pianos foram trazidos para bordo, alguns em 14 de março de 1912, outros em 18 de março, cerca de três semanas antes da data da partida para a viagem inaugural.

Ao lado - Nesta cena excluída do filme "Titanic" (1997), a personagem Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet) vai ao Salão Geral da 3ª classe, situado na área dianteira do Convés D do Titanic, na proa. No animado salão movimentado pelos passageiros que ali se reuniram, um sujeito é mostrado junto ao piano tocando uma melodia qualquer. Considerando que a cena representa com perfeição a alegria dos mais humildes viajantes do Titanic, o piano como mostrado neste local é uma gafe histórica: A Terceira Classe no verdadeiro Titanic possuía um só piano, que foi instalado um andar acima (Convés C) e a dezenas de metros daqui, no extremo oposto do Titanic, na popa. O Titanic contava com dois Salões Gerais para a Terceira Classe - um no Convés C, na popa, e outro no Convés D, na proa - e o piano estava disponível apenas no Salão Geral na extrema ré do navio.

Em 10 de abril de 1912, o RMS Titanic partiu da cidade de Southampton, Inglaterra. Cada passageiro na Primeira e Segunda Classe recebeu um pequeno panfleto intitulado White Star Line Music”. Comumente conhecido como “White Star Line Songbook” (foto abaixo), ele listava os títulos e compositores de 341 números. Além destes, haviam categorias musicais como “National Anthems”, "Hinos etc., de todas as nações” e “Strauss Waltzes” (Valsas de Strauss). É desconhecido quantos títulos no panfleto os músicos tinham disponíveis para si.

Entre os que embarcaram estavam oito músicos que viajavam como passageiros da Segunda Classe, homens que carregavam caixas de instrumentos com sua bagagem. A banda foi especialmente selecionada por uma agência chamada C. W. & F. N. Black. Alguns tinham experiência em outros navios, e outros colocavam os pés no convés do Titanic para sua primeira experiência no mar aberto. Passagem gratuita e alimentação eram parte de sua compensação, além de um pequeno salário mensal. Seus verdadeiros ganhos viriam através de gorjetas.

Abaixo - O imponente perfil dos conveses do Olympic, navio-irmão do Titanic, aqui fotografado no porto de New York, Estados Unidos, em 21 de junho de 1911, por ocasião de sua primeiríssima chegada à América. O círculo vermelho destaca a posição das duas portinholas (janelas) da chamada "Sala dos Músicos", localizada no lado de estibordo do navio, no Convés E, área da Segunda Classe. Nesta sala os músicos poderiam guardar seus instrumentos e repousar apreciando um boa conversa no intervalo entre as apresentações. Os planos do Titanic demonstram que a sala correspondente se localizava precisamente no mesmo local. O mesmo momento de júbilo registrado na foto abaixo fatalmente não se repetiria 10 meses depois com os passageiros do Titanic: A viagem de estreia que deveria terminar de maneira esfuziante na manhã da quarta-feira, 17 de abril, no cais de New York, teve como ato final uma irreparável tragédia consumada às 2:20 da madrugada de 15 de abril, segunda-feira, a cerca de 1.550 Km de distância do porto de destino pretendido.

Em 1912 era típico que músicos de hotel tocassem onde não pudessem ser vistos pelos seus ouvintes, até mesmo atrás de plantas (por isso existia o termo “Músico de Palm Court”); Este não era o caso do Titanic. Os pianos eram peças de destaque, em plena exposição em cada sala. A intenção era de que os músicos fossem ouvidos e vistos, a música era parte do luxo do navio. No entanto havia uma distância profissional entre a banda e os passageiros, que poderiam conhecer os músicos de vista, mas não por nome. 

A Segunda Classe possuía uma área para apresentações localizada no saguão de entrada do Convés C. Uma banda de cinco membros tocava aqui três vezes por dia: entre 10:00 e 11:00, entre 17:00 e 18:00 e entre 21:15 e 22:15. O piano era um modelo vertical K Steinway, comprimido ao lado da base do mastro do navio, fora do caminho dos passantes, mas em local privilegiado para concertos. Quando as portas eram abertas a música poderia se derramar pelo convés, para a Biblioteca da Segunda Classe, e descer os lances da escadaria de carvalho para os outros conveses. Era o chamado para que os passageiros se reunissem para distraírem suas atenções por alguns momentos.


Kate Buss, uma passageira da Segunda Classe, relembrou um concerto que ela e um amigo ouviram nas escadas. Kate desenvolveu um carinho pelo celista da banda e queria pedir para que ele tocasse um solo, mas ela teve um problema ao ficar nervosa em falar com ele diretamente. Ela escreveu, “O homem do celo (violoncelo) era o meu favorito. Toda vez que ele finalizava uma peça ele olhava para mim e sorria”. Outra passageira, Juliette Laroche, relembrou em uma carta, “Eu estou escrevendo na Sala de Leitura: há um concerto aqui, perto de mim, um violino, dois celos, um piano”.

Os passageiros da Primeira Classe também ouviam a apresentação de uma banda de cinco membros três vezes por dia, mas em dois locais diferentes: a primeira era no topo da famosa Grande Escadaria dianteira. O piano era um modelo vertical R. Ele possuía deslumbrantes detalhes e um banco com estofamento que combinava com as cadeiras do saguão. A banda se apresentava aqui todo dia das 11:00 até após o meio dia. Nesta hora do dia a luz do sol brilhava através do domo de vidro ornamental acima. Esta era a entrada a partir do Convés de Botes, e novamente, acordes da música poderiam ser ouvidos do lado de fora e pelas escadas abaixo.


As apresentações na Primeira Classe também aconteciam na Sala de Recepção do lado de fora do Salão de Jantar no Convés D, das 16:00 às 17:00 e das 20:00 às 21:15. Aqui estava a jóia da coroa do Titanic: um piano de cauda Steinway ‘Modelo B Drawing Room’. O piano em si era uma obra de arte dos artesãos, finalizado com laminado de mogno harmonizado com outras madeiras exóticas em um desenho de marchetaria requintada. Ele contrastava vivamente contra as paredes apaineladas brancas da sala, e era complementado por estandes musicais e um gabinete para guardar partituras, todos combinando com a decoração do piano. Assim como os demais pianos e móveis do Titanic, este piano de cauda estava firmemente atado ao piso do convés, neste caso através de estirantes afixados diretamente abaixo do piano; detalhe que pode ser visto na fotografia abaixo. A fixação rígida de móveis nos interiores de navios continua a ser um segredo crucial de segurança, considerando que o balançar da embarcação em mares bravos faz com que todo objeto móvel em seu interior se movimente sem controle caso esteja solto.
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Ao lado - Helen Churchill Candee

Helen Churchill Candee, uma passageira escritora americana que se hospedou na Primeira Classe, publicou e suas memórias sobre ter escutado a banda na Sala de Recepção: “... depois do jantar quando o café era servido para todas as mesas ao longo da grande sala geral de descanso, era por aqui que a orquestra tocava. Alguns disseram que ela era ruim em seu Wagner, outros disseram que o violino era fraco. Mas isso era falatório, nada a bordo era mais popular que a orquestra. Você poderia notar isso pela maneira com que todos se recusavam sair. E todos pediam por algum hit favorito. A garota mais bonita pediu música para dançar, marcando o passo com seus saltos de cetim e balançando seus braços adolescentes no ritmo. Ele, de dois que tinham andado no convés [Hugh Wollner] pediu por Dvořák, enquanto ela pediu por Puccini, e ambos tiveram seus gostos atendidos, porque a orquestra era hábil e disposta”.

Havia também uma apresentação adicional no Titanic que não era equipada com um piano. O Titanic tinha uma segunda banda que se apresentava na Sala de Recepção da Primeira Classe no Convés B do lado de fora do Restaurante à La Carte e do Cafe Parisiense. Esta banda era um trio de cordas, e seus músicos se apresentavam exclusivamente na área da Primeira Classe. A Grande Escadaria traseira se abria para a Sala de Recepção, que era um amplo lance fora do Restaurante. Os passageiros da Primeira Classe ao descer as escadas poderiam ouvir a música do trio antes mesmo que sentissem os aromas da cozinha. Apenas a elite da Primeira Classe do Titanic escolhia jantar nesta área, e estas refeições eram cobradas em separado sobre os bilhetes de embarque que já tinham refeições incluídas.

Abaixo -  A Sala de Recepção da Primeira Classe do Restaurante à La Carte e do Cafe Parisiense do Titanic, aqui representada em uma ilustração oficial publicitária de época. A porta dupla ao fundo era de acesso direto ao Cafe Parisiense, enquanto o Restaurante à La Carte poderia ser acessado através de um pequeno corredor à direita da porta dupla. Considerando que não existem fotos conhecidas deste ambiente no Titanic, a ilustração sugere com perfeição a aparência geral do local e sua bela decoração. Este era o palco das apresentações do trio de cordas do Titanic.

Além das apresentações de pianos, ambos os salões de jantar, da Primeira e da Segunda Classes, eram equipados com pianos Steinway verticais; o piano da Primeira Classe era um Modelo R vertical, e o piano da Segunda Classe era um modelo K. Estes também eram pianos decorados, com acabamento que combinava com a decoração de suas respectivas salas. Como as bandas não se apresentavam nos salões durante as refeições, estes pianos eram ali alocados especialmente para o culto religioso nos domingos.


No domingo, 14 de abril, havia várias coisas nas mentes dos passageiros: a súbita queda da temperatura, um concerto beneficente que seria prestado na segunda-feira, 15 de abril, em nome das crianças órfãs que perderam seus pais no mar; mensagens telegráficas escritas e enviadas para parentes e amigos; e cantos de hinos e cultos que estavam sendo celebrados na Primeira e Segunda Classe. As 10:30 da manhã os passageiros da Primeira Classe assistiram um culto religioso em seu Salão de Jantar. O Coronel Archibald Gracie relembrou ter cantado o hino “Oh God Our Help in Ages Past” e de ter sentido a pungência das palavras.  

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Ao lado - Joseph Bruce Ismay, diretor administrativo da White Star Line, o "dono do Titanic".

Os passageiros passaram a tarde na sala de leitura e livraria, discutindo a velocidade do Titanic e quando ele poderia aportar em New York, na quarta-feira de manhã, ou antes, na noite de terça-feira. Haviam rumores na Primeira Classe que Bruce Ismay, diretor administrativo da White Star Line, havia mostrado uma mensagem telegráfica que alertava para icebergs, e feito uma brincadeira dizendo que eles poderiam “... aumentar mais o vapor e fugir deles”. 

Dependendo de onde os passageiros estivessem no domingo a noite, eles poderiam cantar hinos ou bebericar bebidas quentes enquanto escutavam a banda. Robert Norman, um engenheiro escocês, tocou piano para um hino informal no domingo a noite no Salão de Jantar da Segunda Classe. Lawrence Beesley relembrou os tons sussurrados com o qual a congregação cantou o hino “Eternal Father, Strong to Save”, que possui um verso que termina com a frase “... para aqueles em perigo no mar”........ 

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 Ao lado - Archibald Gracie

A banda de cinco membros apresentou seu concerto noturno na Sala de Recepção da Primeira Classe do lado de fora do Salão de Jantar. O Coronel Gracie estava assistindo com seus amigos, onde ele escutou a “sempre agradável música” e apreciou o desfile de muitas mulheres bonitas que estavam vestidas em plenos trajes formais. A Condessa de Rothes notou que a última canção tocada foi uma peça de Offenback, “Os Contos de Hoffman".

.......OUÇA AO LADO....

No final da apresentação Helen Churchill Candee relembrou, “O povo se dirigiu para suas cabines, com um alegre ‘vejo você de manhã’, até que o grupo ficou sozinho, a os únicos sons que faziam era aquele dos instrumentos sendo depositados em seus leitos de veludo”.

 Ao lado - Kate Buss

O quinteto então se apresentou no saguão de entrada da Segunda Classe. Kate Buss fez seu caminho até a apresentação depois de comparecer ao cântico do hino. “Naquela noite”, Kate relembrou, “o pianista me perguntou se eu me importaria de coletar contribuições, caso eu tivesse gostado da música”. Depois “Eu vi o pianista quando eu estava indo para cama, e eu prometi” (as contribuições eram então presenteadas aos músicos no último dia da viagem).

O Cafe Parisiense e o Restaurante à La Carte estavam sempre abertos. Mahala Douglas jantou no restaurante naquela noite de domingo, indo para lá por volta das 20:00 e ouvindo os músicos tocando no corredor externo. 

Violet Jessop, uma camareira da Primeira Classe, também ouviu a apresentação do trio ao passar pelo local. “Oh naquele domingo à noite a música era a mais alegre, liderada pelo jovem Jock, o primeiro violinista; quando eu me dirigi a ele durante o intervalo [pausa para fumar] ele se dirigiu sorrindo a mim em seu sotaque escocês, dizendo que ele estava pronto para oferecer uma ‘canção real, uma canção escocesa, para finalizar com chave de ouro”.
Ao lado - Violet Jessop

Depois que o trio finalizou sua apresentação de rotina, os afortunados se demoraram no restaurante e no café. Hugh Woolner relembrou de ter sentado com cerca de seis colegas, bebendo Hot Whisky e água. "Repentinamente se tornou muito frio na Sala de Recepção e no Restaurante à La Carte e as senhoritas se dirigiram para suas salas. Então nós homens fomos para a Sala de Fumantes diretamente acima onde ficamos sentados apenas poucos minutos quando veio um pesado triturar, como um tipo de choque a partir de um ponto ao longe à nossa frente, na proa, e rapidamente passou ao longo do navio e distante abaixo de nossos pés. Todos se levantaram e correram para a porta giratória à ré. Um homem em minha frente havia visto um iceberg se elevando 50 pés acima do convés, que estava a 100 pés acima do mar, e desapareceu à ré".

Às 23:45 no domingo, 14 de abril, uma quietude súbita preencheu cada cabine do grande vapor. Foi o silêncio das máquinas que haviam parado. Violet Jessop, que havia se retirado para dormir, se vestiu novamente e fez seu caminho ao longo do corredor. “Quando virei, eu topei com Jock (o líder da banda de cordas) e sua turma com seus instrumentos. ‘Engraçado, eles devem estar indo tocar’, pensei eu, e à estas horas! Jock sorriu ao passar, parecendo bastante pálido, comentando, ‘Apenas indo oferecer a eles uma canção para animar as coisas um pouco’, e se distanciou". 
Os músicos começaram a tocar por volta das 00:15 no topo da Grande Escadaria dianteira. Eles estavam vestidos em seus uniformes normais com lapelas verdes, dando a impressão de que tudo estava normal. Apenas para sua apresentação as luzes estavam todas acesas e havia apenas a noite negra cheia de estrelas além do domo de vidro ornamental, acima da escadaria. Jack Thayer relembrou que as pessoas estavam inquietas, perambulando para dentro e fora do saguão, não dando muita atenção para a música. Ela se infiltrava pelas escadas abaixo e fora nos conveses externos. O Coronel Archibald Gracie, no Convés A, ouviu muito bem a música.

Ao lado - Harold Sydney Bride

Havia uma porta no topo da Grande Escadaria dianteira que acessava a parte dianteira do navio, onde os oficiais trabalhavam. Apenas uma curva adiante neste corredor estava a Sala de Telégrafo, onde os operadores estavam enviando os sinais de socorro CQD e SOS. Desde as 23:55 Harold Bride, operador assistente, ouvia e música da banda “... primeiro enquanto estávamos trabalhando no sem fio (telégrafo), quando havia um ragtime para nós...”.


Ao lado - Lily May Futrelle

A maioria dos passageiros refletia o estado do navio, calmo na superfície, mas com um profundo turbilhão agitando por dentro. A banda estava tocando Alexander’s ragtime enquanto Lily May Futrelle em pé discutia a situação com seu marido e outros passageiros da Primeira Classe. De repente um grupo de carvoeiros de caras enegrecidas surgiu repentinamente pelas escadas das profundezas dos porões. “Em um instante nós entendemos que a situação era desesperadora, que os compartimentos haviam falhado em segurar a invasão da água".

Ao lado - Charles Herbert Lightoller

A ordem foi dada para que as mulheres e crianças fossem para o Convés de Passeio, o Convés A. Quando o Segundo Oficial Lightoller preenchia o bote salva-vidas Nº 06 ele “... podia ouvir a banda tocando um tipo alegre de música. Eu não gosto de jazz à princípio, mas eu fiquei grato de ouvi-la naquela noite. Eu acredito que aquilo ajudou a nós todos”. A filantropista americana Margareth Brown estava no bote 06. Quando o bote foi baixado ela estava “... atenta aos acordes musicais que flutuavam no ar da noite...”.

Ao lado - William Thompson Sloper

Às 1:45 os músicos haviam colocado seus coletes salva-vidas e continuavam a tocar. Enquanto isso, a cena se desenrolava como em um sonho. As mulheres e crianças foram separadas dos homens, Os botes eram preenchidos, baixados, muitos com espaços vagos. E a banda se mantinha tocando. Eles tocaram além do ponto de esperança por sobrevivência. William Sloper relembrou, “Algumas das pessoas resgatadas que foram as últimas a deixar o navio me disseram que quando elas partiram a banda estava tocando... e que foi bravo, mas medonho ouvi-los”

O Capitão Smith liberou os operadores do telégrafo de suas funções às 2:10. Harold Bride lutou com outros para libertar um dos últimos botes desmontáveis. Às 2:17 o Convés de Botes foi inundado e o bote flutuou livre de cabeça para baixo com Harold Bride em seu topo. “Ele [o navio] era um bela visão então”, relembrou Bride ao olhar para o navio. “Fumaça e fagulhas estavam saindo de sua chaminé... O navio estava gradualmente virando seu nariz... A banda ainda estava tocando. Eu acho que toda a banda naufragou. Eles estavam tocando então Autumn".

...............................OOUÇA AO LADO....

Ao lado - Algernon Henry Wilson Bankworth

Ao menos dois homens que afundaram com o navio (e sobreviveram) notaram que a banda havia parado de tocar momentos antes do mergulho final: “quando eu fui pela primeira vez ao convés” escreveu A. H. Bankworth, “a banda estava tocando uma valsa. A próxima vez que eu passei.... os membros haviam deixado seus instrumentos e não estavam a vista”.

Pode ser notado que quando a banda parou todos os botes já haviam partido e eles tinham apenas três minutos restantes. O RMS Titanic afundou aproximadamente às 2:20. Todos os membros da banda foram perdidos. Até o fim, naquele momento, a banda permaneceu anônima. Em nenhum relato dos passageiros eles foram mencionados por nome. Mas nos primeiros dias da cobertura da imprensa, eles emergiram como heróis, tendo sacrificado tudo em favor dos outros. Muitos sobreviventes testemunharam que de seus botes salva-vidas puderam ouvir “Nearer My God to Thee” como o número final. Isto deu a medida de conforto para todos aqueles que perderam alguém. O público queria saber "quem eram estes bravos homens?".

.........................OUÇA AO LADO....

Abaixo - O violinista Wallace Hartley e a banda do Titanic representados no filme "Titanic" (1997), dirigido pelo canadense James Cameron. Hartley aqui foi interpretado pelo ator Jonathan Evans-Jones e a banda foi interpretada pelos músicos verdadeiros da banda "I Salonisti", fundada em 1983.
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Ao lado - A banda "I Salonisti" posa para uma fotografia nos cenários de "Titanic" (1997). Aqui os músicos aparecem na Grande Escadaria dianteira da 1ª classe, posicionados em seu lance mediano central, entre o Convés de Botes e o Convés A. Atrás do grupo se destaca o famoso relógio esculpido "Honor and Glory Crowning Time" (Honra e Glória Coroando o Tempo). Ainda que ficcional, a imagem sugere o orgulho que os oito membros da banda original do Titanic teria sentido ao tocar na viagem inaugural do que era então o maior navio do mundo.

Quando as semanas se passaram, o público ficou sabendo que a banda que admiravam não estava coberta pelo “Workmen’s Compensation” (seguro contra acidentes dos trabalhadores). Como passageiros da Segunda Classe, eles não navegavam como tripulantes. Na noite do naufrágio o capitão Smith não havia dado a ordem para a banda tocar, nem mesmo os liberado de seus postos, porque eles não estavam sob seu comando. O público entendeu que a banda escolheu agir da maneira que agiu. Houve um clamor público para que fosse dada alguma compensação para as famílias dos oito músicos que haviam morrido. Concertos beneficentes foram organizados nos dois lados do Atlântico. O que foi prestado no Royal Albert Hall, Londres, em 24 de maio de 1912, foi apresentado por uma união de sete orquestras e sete condutores se revezando. Sir Edward Elgar sendo um deles.
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Abaixo - O impressionante concerto memorial às vítimas do Titanic prestado no Royal Albert Hall em 24 de maio de 1912, pouco mais de um mês depois do naufrágio. O concerto teve como maestro Sir Edward Elgar e arrecadou dinheiro para as famílias dos membros da banda que morreram no desastre. A legenda do cartão traz a descrição "A MAIOR ORQUESTRA PROFISSIONAL JAMAIS REUNIDA... 500 músicos". [Curiosamente cem anos depois deste concerto o Titanic voltaria a ser atração neste palco, foi aqui que em 27 de março de 2012 o diretor James Cameron apresentou a concorrida premiére do relançamento mundial do filme "Titanic" em 3D junto do elenco original de seu filme de 1997].

Abaixo, foto de fundo - A entrada de bombordo para a famosa Grande Escadaria da 1ª classe no Convés de Botes do Titanic em sua condição real atual, a 3.800 metros no fundo do Oceano Atlântico Norte, onde os escombros do navio repousam desde a madrugada do naufrágio em abril de 1912 (imagem extraída do documentário "Ghosts of the Abyss", 2003). Os "espectros fantasmas" na fotografia mostram 05 dos 08 músicos em sua "tarefa final", executando músicas alegres enquanto o navio era tragado pelas águas geladas e os botes salva-vidas eram lotados pelos passageiros e tripulantes. A grande destruição desta área, especialmente pelo desaparecimento completo da Grande Escadaria, não impede a identificação das conhecidas janelas arcadas e da porta de entrada para a 1ª classe. Foi exatamente aqui onde Wallace Hartley e parte da orquestra tocou naquela madrugada. Todos os 08 músicos pereceram com o navio. Direita - O mesmo local aqui visto em uma maquete do Titanic.

 As ações altruístas da banda do Titanic tocaram um profundo acorde em muitas pessoas. O Titanic, inicialmente um símbolo da mais alta conquista do homem, acabou se tornando um símbolo do orgulho antes da queda. Mas para além desta situação desastrosa havia surgido esta nova esperança para a humanidade. As histórias que foram contadas eram de que Wallace Hartley acreditava que a música poderia elevar os espíritos e manter a calma em face do desconhecido, restaurando fé na natureza humana. Se as ações normais humanas frente à adversidade são “lutar ou fugir”, a banda do Titanic demonstrou que, através da música, há uma terceira escolha mais elevada. Em face da morte eles deram seu dom, sua oferta musical, na esperança que outros fossem salvos.

Abaixo - Nestas emocionantes cenas de "Titanic" (1997) os músicos do Titanic tocam "Nearer My God To Thee" junto à entrada  para a Grande Escadaria dianteira da Primeira Classe.
Crédito
Fonte - Artigo original de Rebekah Maxner para Revista Clavier Companion,
janeiro/fevereiro de 2012, páginas 18 a 28.
Pesquisa, tradução e adaptação de texto e imagens - Rodrigo, Titanic em Foco

21 comentários:

jose.a disse...

oi rodrigo. vamos ver ...

Peço desculpas, se eu não me expressei bem.
quando eu digo que eu sou um historiador visual, é uma maneira de dizer.

Eu não sou ninguém, eu sou como você, uma pessoa normal que tem pesquisado estas questões. Agora, se eu penso, eu sou muito habilidoso, como eu digo em todos os assuntos do mar, especialmente no Titanic, e especialmente em seu aspecto visual que eu tenho estudado tanto. mas como uma pessoa normal, como tantos outros no mundo que também têm investigado estas questões nos navios.

Eu sou normal, não um especialista ou historiador oficial, eu sou uma pessoa normal como você, mas que tem amplo conhecimento que sabe muito, muito, muito, muito, muito, destas questões, entendeu?.

Eu também gosto de sua modéstia, que você faz você parecer admirador com um conhecimento comum. Desculpe, mas não, eu acho que você, como eu, tem um vasto conhecimento do Titanic em geral. Modéstia é bom, mas você tem que ser realista.

Eu acho que você me levar muito a sério. eu, como eu sempre disse dar a minha opinião, eu tento trazer o conhecimento para você, se eu conseguir ótimo, se não eu vou ter tentado. o importante é fazer avançar o nosso conhecimento e continuar a aprender.

Eu apenas tento contribuir com meu conhecimento e dar a minha opinião, e contribuir com coisas interessantes para surpreender o público e que eles gostam e aprendem. é uma opinião. só isso.

você pode ignorar, responda o que você acredita. Eu apenas tento trazer para você outros pontos de vista.

Eu só estou apaixonado com o Titanic, a máquina mais perfeita que pisou o mar.
o melhor sempre. antes, agora, e para sempre Titanic. para sempre o deus dos navios.

sobre superlativos, é difícil, muito difícil, não utilizar no titanic. pois o Titanic é superlativo em si. porque é a alma do Titanic, o que significou este navio, como contribuiu para o avanço tecnológico da civilicación. a marca deixada no mundo. e essa é a verdade absoluta.

mas eu entendo o que você quer dizer.

bem resolvida esta questão. continuar.

Quanto à questão de o carro o renault, eu estava pesquisando e você está certo.

mas atenção, eu descobri muitas coisas e testemunhos que mudou meu pensamento. vamos ver, eu confio muito no ken marschall ele mostra em seus quadros nos porões do navio o carro inteiro amarrado com cabos, e também no filme 1997. agora eu acho que talvez isso não é verdade.

em minha pesquisa, eu ouvi comentários sobre a possibilidade de que o navio poderia até mesmo transportar ver outros carros, que não só tiveram a renault, e também havia outros, eu não penso assim.

ninguém sabia ao certo como o carro estava com exceção billy carter, ele infelizmente não deixou descrições, muitos não acreditam 100% no registro de carga, dizendo que o carro foi desmontado e embalado. pode não ser confiável com certeza. eu compartilho essa visão.

tudo o que eu pesquisei eu realmente gostei desta teoria. e agora eu acho que foi realmente assim. assim eu vou explicar.

o carro não iria ser desmontado por assim dizer, nem a lataria nem o motor foi desmontado, só teria retirado as rodas e todo o carro teria ficado ancorado em seus eixos na plataforma de transporte, ea rodas presas aos lados da gaveta. em seguida o carro pode ter sido coberto com roupa de cama ou qualquer outro revestimento macio, para proteção contra poeira, arranhões, etc. então tudo é embalado para o envio. eo carro não estava dentro de uma caixa de madeira.

Eu acredito 100% x 100% nesta teoria.

bem, todas as coisas esclarecidas.

jose.a disse...

James Cameron, estava procurando o carro em ano 2001, mas ninguém nunca descobriu o carro nós nunca saberemos a verdade. o Titanic guarda muito bem seus segredos ele não os revela facilmente.

sobre esta nova matéria: a banda do titanic.
Eu honestamente pensei que não haveria mais matérias este ano quase no fim deste ano de 2013,e ainda assim você continuar a sua grande trabalho.

isso está se tornando um blog maravilhoso. esta matéria é muito importante, a banda do Titanic é um símbolo que tem sido muito impregnado no inconsciente coletivo de todas as gerações.

eu li esta matéria com cuidado e muito lentamente, eu ia dizer algumas surpresas, mas de acordo continuava lendo tudo desmontado, perfeito novamente. não tenho nada a dizer-lhe tudo o que traduziu bem com o resgate da revista.

muita reflexão a este assunto, como o desprezo, a mesquinhez, a ganância, o maldito dinheiro, e como a white star line tratou os seus próprios músicos, muito ruim.

mas o público é soberano, e mostrou-lhe o amor e apreciação no em sepultamento do Wallace Hartley, onde havia mais pessoas estrangeiros do que a própria cidade, e é um exemplo do que o público em geral pensa.

"Eles se tornaram heróis imortais deste desastre marítimo".

Don Lynch acredita que eles tocaram até quase o final:(nearer my GOD to thee) mais perto de você meu Deus.

meu lugar favorito no navio para a música era a grande escadaria, quando eles tocaram na recepção e como a música subiu as escadas para a cúpula, mágico.

Eu descobri recentemente à Helen candee. eu não sei se você sabe sua história.

ela tinha escrito um livro muito revolucionário para a época de opressão das mulheres. ela havia escrito como uma mulher pode fazer bem na vida sem um homem.

o último amanhecer do Titanic ficou sozinha na ponta da proa, ela diz que a beleza ea força do navio parecia maior do que a própria natureza, talvez maior do que o mesmo Deus, e em seguida se sentir desconfortável como se ela tivesse feito algo sacrílego.

mais adiante se você tocar na questão do hmhs Britannic, eu vou falar e dizer coisas e segredos da Argentina Violet Jessop. sua história é fantástica demais e está conectada mais do que qualquer outro navio ao britannic.

e finalmente. á foto onde você mostrar o Olympic em New york, em ela olhar para diferenças visuais exteriores de que falei com você recentemente. janelas retangulares do convés B. no final, é a plataforma de passeio 2 classe foi mais reduzida na remodelação do Titanic. Esta foi outra diferença externa do titanic e olympic.

forte abraço.

e os melhores desejos a todos e um feliz ano novo 2014.

Saudações a todos. Obrigado.
jose aurelio.
da Europa.

Anônimo disse...

Oi,Rodrigo!Sou eu,a Dharana! =)

Nossa...estou sem palavras...AMEI A
MATÉRIA ^^ Para mim foi uma das mais emocionantes.

Continue sempre assim,com matérias sempre inovadoras!

Feliz Natal para vc e um próspero Ano Novo!

Rodrigo disse...

Oi Dharana

Obrigado, é sempre bom saber que o conteúdo agrada, o meu esforço é de publicar da melhor maneira possível.

Feliz Natal atrasado, e um Feliz Ano Novo a você e a todos os seus familiares. Abraço.

Rodrigo disse...

Oi Jose

Obrigado pelas suas observações. Seus comentários são sempre muito bem vindos e estão sempre perfeitamente dentro do contexto, e seus pontos de vista coincidem quase sempre com os meus pontos de vista sobre os vários assuntos.

Sobre a situação do Renault naquela viagem você observou de maneira correta, o carro realmente poderia estar sem as rodas e apoiado sobre uma plataforma, coberto com lona protetora contra danos. O que eu esqueci de comentar é que carros “novos em folha” eram, em alguns casos, despachados totalmente desmontados em caixas para serem então montados apenas em seu local de destino. Em outros casos de já estarem montados, retiravam-se as rodas, como você mencionou.

Bem, enfim não cabe a mim solucionar a dúvida. Esta questão sobre o carro foi levantada pelos estudiosos/entusiastas especialmente para derrubar o mito criado por James Cameron, de que o carro estava plenamente montado e exposto sem nenhuma proteção.

Sobre Helen Candee ainda preciso pesquisar com calma, mas lembro de vê-la numa cena dramatizada no documentário “Ghosts of the Abyss” no extremo da proa do navio, admirando o mar; lembro de ter pensado o quanto a cena estava errada ou mal entendida, considerando que ao que se sabe a proa do Titanic era vetada ao acesso de passageiros, havendo inclusive uma nítida placa situada junto ao quebra-mar alertando sobre a não permissão de passageiros a aquela área...

Enfim, preciso entender se é uma dramatização errada e mal interpretada por James Cameron, ou se há realmente um relato preciso de que este fato é verídico... Por hora ainda sou partidário de que ela jamais esteve no extremo da proa do Titanic...

Até mais, Feliz 2014 para você.

Gabriel Sena disse...

Olá, eu admiro muito o blog Titanic em Foco, queria fazer uma parceria entre nossos blogs, o nome do meu é Titânicos do Brasil, o blog oficial da White Star Brasil, o link do blog estará aqui, espero que atendam a meu pedido, e obrigado.
http://titanicosdobrasil.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

ola rodrigo,tudo bem? quero desejar um feliz ano novo, e agradecer pelo blog,cada vez melhor!!!! nos titanicos adoramos saber mais e mais... e perguntar tbm.. sempre tive uma duvida... a mulher com quem benjamin gungenheim embarcou q era amante dele era cantora neh? vc nao sabe dizer se ela gravou algo? se a um registro da voz q a gente possa ouvir... seria bem legal...

Anônimo disse...

oi rodrigo gostaria de saber o que foi feito com os botes salva-vidas do titanic que resgatou as pessoas se eles ainda existem já que são algo fundamental que não pode ser esquecido na história obrigado a aqui é a elis

Rodrigo disse...

Oi Elis

A resposta para sua pergunta sobre os botes está no rodapé do blog faz algum tempo, é a penúltima curiosidade. O texto é longo, mas explica tudo. Sugiro que você leia.

Até mais.

Rodrigo disse...

Oi "Anônimo", td bem... Um Feliz Ano Novo para ti também, e agradeço a atenção ao blog, fico feliz em saber que gosta do conteúdo.

Léontine Pauline Aubart, a amante de Guggenheim realmente foi cantora. Não tenho informação de que ela fosse uma cantora "comercial", por isso acredito que ela não teria gravado discos na época. Aparentemente ela era cantora de palco/teatro/cabaré/clube/festas... Se ela gravou algo, deve estar muito bem escondido ou perdido, porque não há qualquer coisa disponível na Internet...

Se houver algo gravado certamente com o tempo vai surgir... Até mais.

Anônimo disse...

oi rodrigo aqui é a elis você acha que ainda existe alguma chance de se encontrar algum bote salva vidas já que o violino e outras peças foram encontrados tanto tempo depois grata pela atenção

Rodrigo disse...

Oi Elis

Pessoalmente eu acredito que não há nenhuma chance de que algum bote seja encontrado. Isto porque a White Star Line evidentemente não teria preservado estes botes, já que eles eram o espólio de uma tragédia de responsabilidade da empresa. A White Star certamente fez tudo o que pode para livrar-se de qualquer coisa que remetesse à tragédia, em nome de preservar o status da empresa. Ela jamais preservaria botes de uma tragédia para que eles se transformassem em uma espécie de artigo de “adoração”. Nenhuma empresa faz este tipo de bobagem.

Mas o que mais me leva a crer que estes botes realmente se perderam para sempre é que hoje acredita-se que eles foram sucateados, ou reaproveitados em outros navios ou vendidos na época.

Com relação aos 06 botes abandonados no mar, é evidente que eles desapareceram para sempre, ou, na remota possibilidade de algum deles ter sido encontrado, não fora lhe dada a devida importância na época. Segundo o que posso me lembrar vagamente, os tripulantes do Carpathia aparentemente afundaram os botes que não puderam resgatar para bordo.

Durante estes 102 anos já houveram vários alardes de que botes do Titanic haviam sido encontrados... todos estes alardes - e os respectivos botes suspeitos - foram comprovados como falsos.

Enfim... Isto é minha opinião, baseada naquilo que eu acompanho durante estes anos de interesse.

Rodrigo disse...

Oi Gabriel, vou adc seu blog a "Minha Lista de Blogs" logo mais. Muita boa sorte e sucesso no trabalho com o seu blog.

Até mais.

Anônimo disse...

Olá! Parabéns pelo Blog. Mas como super admirador do Titanic, gostaria de deixar uma sugestão: você poderia fazer uma matéria falando sobre a SEGUNDA classe, pois de todas as três que o Titanic e o Olympic tinham, esta é a menos comentada. Mais uma vez parabéns por seu excepcional trabalho sobre este magnífico navio. Abraço, Arthur.

Rodrigo disse...

Oi, agradeço a atenção ao blog e a dica. Não tenho pretensão de expandir mais o blog, acredito que neste ano vou estacioná-lo... Seja como for, há uma descrição geral de alguns dos ambientes mais importantes da 2ª classe na matéria "Dentro do Titanic, uma visão geral"; nela há fotos e descrição das cabines, Sala de Jantar, Sala de Fumantes, Biblioteca, Gabinete de Informações...

Mas veremos o que o futuro promete para o blog. Até mais.

Ricardo disse...

Oi Rodrigo
Tenho uma pergunta a fazer:
No filme de James Cameron é representado apenas 5 dos 8 músicos tocando perto da escadaria dianteira da primeira classe (dois contrabaixos e três violinos incluindo Hartley), e, em quase todas as reproduções, há um contrabaixista sentado. Gostaria de saber quem eram esses cinco músicos exatamente e porque os outros três não se juntaram aos colegas nos momentos finais.
Obrigado pela atenção.

Rodrigo disse...

Oi Ricardo...

Bem, quanto à identidade dos músicos, aí fica por conta de que você compare o visual dos músicos nos filmes e os visual dos músicos na vida real. O que restar de dúvida pode ser quebrado simplesmente analisando que instrumento o músico estiver tocando no filme em questão.

A única regra que não muda, é que em todos os filmes Wallace Hartley é o líder, portanto fácil de ser identificado. Nem James Cameron se preocupou rigorosamente com a verossimilhança de toda a banda com os músicos reais; em parte porque os intérpretes dos músicos no filme foram os membros da banda real "I Salonisti", que evidentemente não são atores, mas profissionais de música reconhecidos.

Wallace Hartley foi interpretado por Jonathan Evans-Jones, este sim um ator e músico.

Os 8 músicos não estavam reunidos simplesmente porque nunca tocavam juntos, estavam sempre separados em dois grupos: Um quinteto com piano e um trio de cordas, sempre tocando em locais separados do navio.

E é por isso que nenhum filme mostra os 8 juntos, e sempre há uma variação grande dos que são mostrados.

Apesar de que ao que tudo indica não estavam os 8 juntos na madrugada do naufrágio... os 8 se tornaram vítimas, e o conjunto todo é celebrado até hoje como banda heróica.

Não sei te dizer quem foram e quantos foram os que tocaram durante o processo de evacuação do navio... Mas posso palpitar que é bem provável que pelo menos 4 membros estariam tocando, de um total de 5 que sempre tocavam na área principal da 1ª classe.

Se o 5ª músico não tocava além de piano, dificilmente ele teria acompanhado a banda no convés de Botes, já que não há relato algum de que os músicos arrastaram o piano para fora. Eles aparentemente estavam tocando no Lounge antes de se direcionarem para o Convés de Botes... E há de se lembrar que no Lounge não havia piano.

MAS: Se estes cinco prováveis músicos estavam rigorosamente juntos o tempo todo depois de saírem do Lounge, é bem possível que tenham tocado dentro do saguão de entrada da Grande Escadaria no Convés de Botes, pois era justamente ali que estava o piano vertical fixo, no lado de bombordo, ao lado do lance de escadas, bem perto do relógio esculpido.

Saíram mesmo para fora no convés de botes? Tocaram apenas dentro do saguão? Estavam juntos 5, 6, 7 ou 8?

Não sei dizer...

Bem, isto é até onde minha memória serve. Até mais, agradeço a questão, muito interessante.

Kaio Alan disse...

Oi Rodrigo, muito bom seu blog acho o melhor sobre o assunto!!!
Sou fascinado pelo navio desde meus 5 anos, e desde então vivo lendo e pesquisando cada vez mais, só consegui comprar 3 livros, não achei mais...
Vc poderia me mandar todas as fotos do interior do Titanic? (Sei que a maioria são do Olympic)

Henrique disse...

Oi Rodrigo, gostaria de saber qual é a última música tocada, dada como oficial.

Rodrigo, Titanic em Foco disse...

Oi Henrique,

olha, o que eu sei é que não há resposta definitiva para isso, mas várias possibilidades de música. Eles eventualmente poderiam ter tocado uma das muitas versões de Nearer my God to Thee, ou mesmo Autumn.

Segundo o operador de telégrafo Harold Bride, que permaneceu até os últimos momentos perto daquela área onde estavam os músicos (e do mesmo lado do convés), a banda estava tocando Autumn.

Mas... através das atitudes dele com relação às "tramóias" nas quais ele foi metido para vender sua história aos jornais, sabe-se que ele não era alguém de muita confiança, além de que segundo o que eu li ele foi a única pessoa a dizer que teria ouvido esta música em específico.

A música Nearer my God to Thee foi citada por várias testemunhas aparentemente. Só que esta canção tem três ou quatro variações bem diferentes um das outras, e não há consenso sobre qual teria sido a versão tocada. Enquanto uns afirmam tê-la ouvido, outros afirmavam que não a ouviram em momento algum.

Enquanto estava respondendo sua pergunta encontrei o relato de que em 1906 no naufrágio do navio SS Valencia os passageiros teriam cantado Nearer My God to Thee enquanto o navio naufragava, e que esta lenda da música teria sido muito simplesmente emocionalmente transportada para o Titanic deixando tudo ainda mais grandioso.

Se a gente analisar que a antiga lenda de que no Titanic havia uma múmia (lenda que durou muitos anos), e que a história da múmia foi copiada do navio SS Beatrice que naufragou enquanto transportava uma múmia para o museu britânico... Dá pra gente pensar que no caso da música pode ter ocorrido o mesmo, e que nenhuma das duas músicas teria sido tocada, nem Nearer, nem Autumn.

Ou na contramão... pode ser que alguma das duas foi de fato tocada, ou mesmo alguma outra qualquer, que não teria um apelo romantizado como a gente costuma acreditar.

O certo é que a banda tocou de fato, isso vem de muitas testemunhas. Seja lá qual for a última música, de fato houve uma última em algum momento, ainda que muito provavelmente esta visão romantizada monumental seja apenas a poluição depositada na história durante estas décadas todas. Vai saber?

O Titanic é ainda hoje um grande mito em parte porque por mais que se vasculhe tentando encontrar respostas sobre tudo o que o cerca, não se encontra respostas até mesmo para coisas muito simples.

Até mais

Henrique disse...

Valeu mesmo Rodrigão, você é muito inteligente. Seu blog é o melhor que já vi, é tudo muito bem explicado e detalhado. :)