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| Ken Marschall, 1992 |
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Seja bem vindo ao Titanic em Foco
Mais de 100 anos depois que o Titanic afundou no Atlântico, provavelmente a primeira fotografia autêntica do iceberg fatal veio à tona, a imagem permaneceu não publicada sob propriedade privada, até que foi redescoberta em abril do ano de 2000. A fotografia mostra cicatrizes de danos causados à um iceberg fotografado nos arredores do naufrágio no dia 20 de abril de 1912, apenas 5 dias após a catástrofe com o Titanic. Combinando todas as indicações descritas no estudo abaixo, pode-se praticamente afirmar que esta fotografia de fato mostra o iceberg real. A cópia original da foto principal desta matéria agora é mantida segura em um cofre de um banco em Munique.
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Acompanhe
O "iceberg fatal" fotografado por Stephan Rehorek
O "iceberg fatal" fotografado por Stephan Rehorek
Ao lado -
O navio alemão SS Bremen, de onde foram vistos corpos das vítimas e
destroços do Titanic. Stephan Rehorek fez as fotografias dos icebergs a partir deste navio. Um passageiro nascido na região da Boêmia, Europa, chamado Stephan Rehorek estava a bordo do navio alemão SS Bremen em 20 de abril de 1912, quando este, com destino a New York, Estados unidos, passou pela área do naufrágio do Titanic. De seus conveses as pessoas a bordo do Bremen avistaram parte dos destroços do Titanic, e os corpos de centenas de vítimas flutuando na água.
Nas águas circunvizinhas um iceberg foi avistado e os oficiais do Bremen suspeitaram de que aquele seria o iceberg no qual o Titanic havia colidido e afundado menos de uma semana antes. Fora cogitado um plano de resgate dos corpos pelos oficiais do Bremen, mas o plano foi cancelado com a informação de que o navio CS Mackay-Bennett já havia sido fretado para os trabalhos de resgate de corpos e que estava apenas a duas horas de distância do local.
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Ao lado - O barco lança cabos CS Mackay-Bennett
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Stephan Rehorek foi testemunha das consequências terríveis da tragédia e acabou tirando uma foto do iceberg avistado nas águas circunvizinhas. Depois de sua chegada em Nova York enviou um cartão postal para casa, carimbado com a data “25 de abril”. Na frente deste cartão havia uma imagem do Titanic, e atrás os seguintes dizeres:
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"Querido Pai e Mãe, cumprimentos de Nova York. Estou lhes enviando uma foto de um transatlântico que afundou em sua viagem inaugural. Ele era o maior do mundo. A dois dias de distância de Nova York, ele colidiu com um iceberg e navio foi seriamente danificado em uma lateral. Quase 1.600 pessoas morreram e cerca de 670 foram resgatadas. Tenho uma fotografia do iceberg e vou enviá-lo para vocês (...) Eu também vi os corpos dos afogados e os destroços do navio. Foi uma visão terrível."
Algumas semanas depois ele revelou as cinco fotografias em forma de cartões postais, e de Cherbourg, França, enviou um deles aos seus pais, e escreveu:
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"Querida Mãe e Pai, (...) Este cartão é uma visão do iceberg que colidiu com o navio e afundou o Titanic. Vou enviar um cartão ao Josef também."
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O cartão postal enviado a seu irmão Josef também sobreviveu, mas mostra uma imagem do Titanic e não de um iceberg. A partir da mensagem do cartão parece que Stephan Rehorek só tinha uma única cópia feita da fotografia do iceberg, porque ele disse a seu irmão o seguinte:
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"Caro Josef, estou lhe enviando, também, um cartão postal do navio que afundou (...) Da próxima vez que você vir à casa nosso irmão irei mostrar-lhe fotos dos icebergs que foram fotografados a partir de nosso navio. "
Stephan Rehorek manteve outras duas fotografias que mostravam um outro iceberg. Uma das fotos mostra parte do navio a partir do qual Rehorek fez as fotografias. Obviamente Rehorek não enviou as fotos com esse iceberg flutuando ao fundo no horizonte, nem a fotografia que mostra o iceberg nas proximidades, porque ele não achava que o iceberg por ele fotografado era o famoso que afundou o Titanic. Estes postais permanecem até agora em propriedade privada.
Ao lado - Uma das outras fotos feitas por Stephan Rehorek, vê-se parte do navio SS Bremen e ao fundo um iceberg à deriva.
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O cartão com foto do iceberg suspeito mostra o lugar onde o gelo foi quebrado durante a colisão. Uma borda arrancada é visível exatamente do lado da colisão com o Titanic. É claro que os danos no iceberg foram maiores abaixo da linha de água, mas isso não é visível na fotografia. Apesar disso ainda não podemos deduzir com certeza o quão grande o iceberg era, não há qualquer referência comparativa na foto para que se possa entender qual é o real tamanho do iceberg na imagem.
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Acima - O destaque à direita evidencia as "cicatrizes" de danos recentes, um grande indício de que este seja o exato ponto onde o Titanic colidiu. No entanto, a grande porção "lascada" do iceberg pode também ter sido ocasionada pela simples perca de massa durante o derretimento natural do bloco de gelo.
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Relatos de testemunhas oculares
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Relatos de testemunhas oculares
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Poucos dias depois da tragédia, na Comissão de Investigação do Senado que reuniu-se em Nova York para descobrir os detalhes do que aconteceu exatamente, uma após a outra, as testemunhas foram solicitadas a descrever o que aconteceu durante a colisão.
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Poucos dias depois da tragédia, na Comissão de Investigação do Senado que reuniu-se em Nova York para descobrir os detalhes do que aconteceu exatamente, uma após a outra, as testemunhas foram solicitadas a descrever o que aconteceu durante a colisão.
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A maioria delas estava dormindo no momento e só muito poucas tinham realmente visto o iceberg. A colisão fatal em si durou apenas alguns segundos aconteceu em uma noite sem lua. Assim, as descrições do iceberg foram todas muito diferentes umas das outras. Foi Frederick Fleet, o vigia no cesto da gávea quem primeiro avistou o iceberg e, portanto, teve a melhor visão dele, mas ele falhou miseravelmente em seu depoimento quando foi convidado para descrever o iceberg à comissão de investigação.
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Ao lado - Frederick Fleet (*1887 - †1965), o vigia que avistou o iceberg e o Senador Willian Alden Smith (*1859 - †1932)
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Ele foi incapaz de fornecer respostas satisfatórias para a maioria das perguntas feitas pelo senador Smith:
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Smith: Quanto tempo antes da colisão ou acidente você exclamou "Iceberg em frente!” ?
Frederick: Eu não tenho idéia.
Smith: Qual velocidade que o navio desenvolvia no momento?
Frederick: Eu não tenho idéia.
Smith: Quão grande o objeto era quando você o viu pela primeira vez ?
Frederick: Não era muito grande quando vi pela primeira vez.
Smith: Quão grande era?
Frederick: Eu não tenho idéia de distância ou espaço.
Smith: Era do tamanho de uma casa comum? Era tão grande quanto esta sala?
Frederick: Não, não. Não parecia muito grande.
Smith: Era tão grande quanto a mesa em que eu estou sentado?
Frederick: Seria tão grande quanto duas mesas juntas no primeiro momento em que o avistei.
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Essa última resposta, em parte, ainda é muito mal interpretada hoje. Em primeiro lugar, o que Frederick disse é geralmente considerado sua própria descrição, mas, na verdade, a idéia de compará-lo com o tamanho de uma mesa foi-lhe sugerida pelo senador Smith, as palavras foram mais ou menos postas em sua boca. E a interpretação que ainda persiste é de que a citação de Frederick, quando ele falou de "duas mesas juntas", estava descrevendo a forma do iceberg. Na verdade, o marinheiro estava se referindo ao tamanho aparente do iceberg, e ele não disse absolutamente nada sobre a sua forma.
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O Senador Smith queria saber o tamanho exato do iceberg e continuou:
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Smith: Quão grande ele era, finalmente, quando o navio o atingiu?
Frederick: Quando estávamos ao lado, era um pouco maior do que o castelo de proa.
Smith: E o quanto o topo da proa é elevado acima da água?
Frederick: 50 pés eu devo dizer. (cerca de 15 m.)
Smith: Assim a massa negra quando finalmente atingiu o navio, acabou por estar cerca de 50 pés acima da água?
Frederick: Cerca de 50 ou 60 pés. (entre 15 e 18 m.)
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Abaixo - Composta através da fusão digital de duas fotos verídicas, a imagem abaixo faz uma co-relação aproximada das proporções do iceberg discutido nesta matéria comparado ao tamanho do Titanic. De acordo com os depoimentos de Frederick Fleet o iceberg parecia pouco maior que o castelo de proa, entre 15 m e 18 m de altura acima da linha d'água, ou seja, o bloco de gelo não ultrapassava a altura do Convés de Botes (o Convés de Botes situava-se a exatamente 18.44 metros acima do nível da água).

Alguns outros também viram o iceberg passando e descreveram suas impressões à comissão de investigação. Joseph G. Boxhall, um dos oficiais à postos no momento da colisão foi questionado pelo senador Smith.
Smith: Você o viu? (o iceberg)
Boxhall: Eu não estava muito certo de estar vendo-o. Parecia-me ser apenas uma massa negra pequena elevada não muito alto para fora da água, um pouco à estibordo do navio.
Smith: Até onde você acha, em seu julgamento (...) Será que ele se estendia até o convés B?
Boxhall: Oh não, o navio o ultrapassava, ele parecia para mim ser muito, muito pequeno na água.
Smith: O quanto você acha que ele se elevava acima da linha da água? (...) Acima da amurada do navio?
Boxhall: Não.
Smith: E quão alta era a amurada acima da linha da água?
Boxhall: Provavelmente, cerca de 30 pés. (9 metros)
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Um relato notável foi dado à Comissão britânica. O marinheiro do Titanic Joseph Scarrott tinha visto o iceberg naquela noite fatídica..
Joseph Scarrott (*1878 - †1938)
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Mr. Butler Aspinall: Qual era a forma deste iceberg?
Scarrott: Bem, ele me surpreendeu no momento porque se assemelhava a Rocha de Gibraltar olhando para o rochedo a partir do Ponto da Europa. O iceberg parecia muito ter a mesma forma que o rochedo, só que muito menor.
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Abaixo: O comparativo entre o iceberg fotografado por Stephan Rehorek e o Rochedo de Gibraltar (Estreito de Gibraltar, Europa) denota a grande semelhança entre ambos, tal qual foi relatado no inquérito Joseph por Joseph Scarrot.


Icebergs na área do desastre.

Não muito longe da cena da tragédia, em 15 de abril o navio alemão Prinz Adalbert passou por um iceberg com sinais de cor vermelha em sua base. A fotografia foi tirada apenas por curiosidade pelas incomuns marcas de tinta vermelha. Como se sabe, isto aconteceu depois que a tripulação descobriu que o Titanic, cuja quilha era pintada de vermelho, havia colidido com um iceberg. Isto significava que este iceberg se tornou um dos "principais suspeitos". A notícia do desastre ainda não havia chegado ao navio, mas o comissário-chefe notou tinta vermelha no iceberg e tirou a foto por curiosidade. Não se vê a tinta na foto. Ela é descrita em uma breve declaração assinada pelo comissário-chefe e três outros tripulantes: "No dia seguinte ao naufrágio do Titanic, o vapor Prinz Adalbert passou pelo iceberg mostrado nesta fotografia. O desastre do Titanic ainda não era conhecido por nós. De um lado, a tinta vermelha era claramente visível, o que dava a impressão de ter sido feita pela raspagem de um navio no iceberg. SS Prinz Adalbert Hamburg America Line”. Não era incomum que navios roçassem em icebergs e, portanto, ver tinta na lateral de um iceberg não era ago inédito.
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Acima - O iceberg fotografado a partir do navio Prinz Adalbert, a suposta marca vermelha em sua base chamou a atenção e fez com que este iceberg fosse considerado o "iceberg fatal" durante décadas.
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Acima: O navio de passageiros alemão SS Prinz Adalbert.
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Mesmo que o quebra-cabeça da tinta vermelha não possa ser resolvido, este dificilmente teria sido o iceberg com o qual o Titanic colidiu: sabe-se que o Titanic arrancou pedaços grandes do iceberg e não simplesmente deixou algumas cicatrizes de tinta vermelha. Não se pode dizer nada sobre a origem real da cor vermelha, talvez tenha vindo de um navio, talvez fosse uma camada colorida, visto que icebergs com camadas de cores diferentes (principalmente marrom) não são raros. Mas não há nada na fotografia do iceberg feita a partir do navio Prinz Adalbert que sugere o impacto de forças violentas.
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O navio CS Minia foi fretado para pegar os corpos dos mortos e o outro iceberg foi fotografado a partir deste navio, mas também aqui não há nenhum dano de raspagem reconhecível, nem há qualquer semelhança com os desenhos das testemunhas e nem com os dados fornecidos pelo depoimento de Joseph Scarrott. O mesmo é verdadeiro para todas as fotografias previamente conhecidas de icebergs tomadas nas proximidades da cena da tragédia.
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Ao lado - O iceberg fotografado pelo Capitão De Carteret a bordo do navio Minia. O navio chegou ao local 11 dias após o naufrágio do Titanic e o iceberg foi avistado próximo ao local do naufrágio, com corpos e destroços nas proximidades. Ainda assim, este iceberg não se enquadra na descrição dos depoimentos prestados posteriormente.
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Acima: O navio extensor de cabos anglo-americano CS Minia.
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Quantos icebergs estavam na área da tragédia?.
É sabido que o Titanic afundou-se perto de um grande campo de icebergs. Arthur Rostron, o capitão do navio de resgate Carpathia, relatou à comissão de investigação dos EUA:
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"No
momento em que pegamos o primeiro bote estava amanhecendo o dia, e
então eu podia ver os barcos restantes em uma área de cerca de 4
quilômetros. Eu também vi icebergs ao meu redor. Havia cerca de 20
icebergs que estavam na área, com alturas entre 150 a 200 pés e
numerosos icebergs menores.” (entre 45 m e 60 m)
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Arthur Rostron (*1869 - †1940)
Arthur Rostron (*1869 - †1940)
Esta afirmação só parece estar em contradição com as imagens que temos da operação de resgate: em alguns retratos que mostram os botes salva-vidas e sobreviventes logo antes de seu resgate pelo Carpathia não há sinais de qualquer iceberg.

Acima - As imagens do resgate evidenciam a completa ausência de icebergs na área.
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Deve ter acontecido simplesmente de que o fotógrafo estava de costas para o campo de icebergs, o que significa que o campo de gelo estaria do outro lado do Carpathia. Neste contexto, vale ressaltar uma observação feita pelo navio a vapor alemão Rhein: o navio cruzou a área alguns dias depois da catástrofe e relatou não apenas corpos e destroços à deriva na água, mas também apenas três icebergs maiores nas imediações do desastre.
Abaixo: Um vasto campo de gelo fotografado em 15 de abril pela jovem passageira de 18 anos, Bernice Palmer, a bordo do Carpathia durante os procedimentos de recolhimento dos sobreviventes. Confirmando a impressão anterior de que o campo de gelo só não é visto em nenhuma das fotos com os botes salva vidas ainda no mar em função de que a zona de longas banquisas de gelo apenas estava fora de quadro. Embora impossível determinar se o grande bloco de gelo na imagem teria sido "o real iceberg", o fato é que a área estava crivada por blocos de gelo de formas e dimensões muito variadas, como descrito pelo Capitão Arthur Rostron, do vapor de resgate. Ao lado: A jovem e sagaz fotógrafa de ocasião Bernice Palmer (direita, em pé) e sua mãe (esquerda, em pé), fotografadas no convés do Carpathia junto de amigas passageiras daquela viagem que ganhou contornos dramáticos na manhã de 15 de abril.
Abaixo: Outra foto de Bernice mostrando os icebergs ao longe e um dos botes salva-vidas do Carpathia. Ela afirmou mais tarde que este era o maior iceberg da região naquele momento.
Abaixo: Mais um registro da manhã de 15 de abril - neste caso feito por James e Mabel Fenwick, um casal de passageiros a bordo do Carpathia - que também capta a presença de icebergs na área. James e Mabel estavam iniciando uma viagem de lua de mel de três meses pela Europa a bordo do Carpathia. Eles partiram de Nova York em 11 de abril de 1912, sem saber que apenas quatro dias depois o Carpathia viria salvar os pouco mais de 700 sobreviventes daquele desastre marítimo. Na manhã de 15 de abril Mabel foi acordada pela voz de um homem gritando: "O Titanic afundou!", e então correu para o convés com sua câmera e começou a tirar fotos.
........................Desenhos feitos pelas testemunhas
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Dois desenhos mostram a forma básica do iceberg da colisão, uma vez que
ele foi visto por testemunhas oculares. Um deles é um esboço rápido da
memória de Joseph Scarrott. O que é característico do iceberg são os
dois picos laterais e cada extremidade do iceberg cai abruptamente para a
água.
Ao lado - O esboço feito pelo marinheiro Joseph Scarrott.
Não
é realmente possível identificar mais detalhes do desenho, mas a forma
básica descrita neste desenho se aproxima de um dos outros desenhos
testemunhais: na manhã após a tragédia, Colin Campbell Cooper, um
passageiro do Carpathia, fez um desenho do iceberg com seus dois picos,
tal qual reportado pelas testemunhas oculares.
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Ao lado - O desenho feito pelo artista Colin Campbell Cooper.
Como
Cooper era um dos pintores mais conhecidos da América, sua imagem pode
ser tomada como uma descrição muito próxima da forma do iceberg. Não
apenas os dois picos são claramente reconhecíveis em seu desenho, em seu
esboço há ainda um detalhe pouco notado: na borda inferior do desenho
de Cooper há uma área que mostra a parte do iceberg que foi lascada.
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Conclusão
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Acima: O plano original dos compartimentos estanques do Titanic, aqui destacados em vermelho. As discretas linhas e pontos em verde destacam o que hoje acredita-se serem as áreas de danos causados pela colisão com o iceberg.

Finalizando a matéria, estes dados depõem com grande possibilidade de que estamos olhando para o iceberg mais famoso na história da navegação, cada pista descrita nesta pesquisa por si só não prova o suficiente, mas a soma de todas as pistas aponta fortemente para a conclusão de que a fotografia feita por Stephan Rehorek realmente mostra o iceberg fatídico com o qual o Titanic colidiu.
A forma e os detalhes do iceberg de Stephan Rehorek coincidem com os desenhos feitos por testemunhas oculares. E as formas combinam perfeitamente com o Rochedo de Gibraltar, que havia sido comparado com o iceberg pela testemunha ocular Joseph Scarrott. Além de que os danos vistos no iceberg da imagem coincidem com os relatos de que durante a colisão o Titanic arrancou uma grande porção de gelo. Portanto, pode-se afirmar que esta fotografia, que foi feita em abril de 1912, a partir do navio Bremen pelo passageiro Stephan Rehorek, têm importantes indícios de que realmente seja o iceberg com o qual o Titanic colidiu em 14 de abril de 1912, resultando na morte de mais de 1.500 pessoas.
Ao lado - Necessariamente desculpada por "licença poética" devido ao fato público e notório de que a colisão do Titanic na realidade ocorrera durante a noite, a montagem ilustra de maneira aproximada as possíveis dimensões de "vilão e vítima"; analisando-se todas as circunstâncias e descrições apresentadas nos depoimentos, hoje acredita-se que estas eram as proporções aproximadas do iceberg com o qual o Titanic colidiu às 23:40 de 14 de abril de 1912. Cientificamente se sabe que apenas 1/7 da altura total dos icebergs aflora à superfície da água, 6/7 de sua altura, por regra, ficam sempre imersos. Considerando que historicamente calcula-se que o "iceberg do Titanic" tinha aproximadamente 18 metros de altura acima da água, é possível que cerca de 108 metros de sua extensão estavam submersos... Dados que fazem constar que possivelmente o bloco de gelo que causou o desastre do Titanic teria aproximadamente 126 metros de altura total desde o extremo final imerso até o extremo do seu topo visível acima da água.
A forma e os detalhes do iceberg de Stephan Rehorek coincidem com os desenhos feitos por testemunhas oculares. E as formas combinam perfeitamente com o Rochedo de Gibraltar, que havia sido comparado com o iceberg pela testemunha ocular Joseph Scarrott. Além de que os danos vistos no iceberg da imagem coincidem com os relatos de que durante a colisão o Titanic arrancou uma grande porção de gelo. Portanto, pode-se afirmar que esta fotografia, que foi feita em abril de 1912, a partir do navio Bremen pelo passageiro Stephan Rehorek, têm importantes indícios de que realmente seja o iceberg com o qual o Titanic colidiu em 14 de abril de 1912, resultando na morte de mais de 1.500 pessoas.Ao lado - Necessariamente desculpada por "licença poética" devido ao fato público e notório de que a colisão do Titanic na realidade ocorrera durante a noite, a montagem ilustra de maneira aproximada as possíveis dimensões de "vilão e vítima"; analisando-se todas as circunstâncias e descrições apresentadas nos depoimentos, hoje acredita-se que estas eram as proporções aproximadas do iceberg com o qual o Titanic colidiu às 23:40 de 14 de abril de 1912. Cientificamente se sabe que apenas 1/7 da altura total dos icebergs aflora à superfície da água, 6/7 de sua altura, por regra, ficam sempre imersos. Considerando que historicamente calcula-se que o "iceberg do Titanic" tinha aproximadamente 18 metros de altura acima da água, é possível que cerca de 108 metros de sua extensão estavam submersos... Dados que fazem constar que possivelmente o bloco de gelo que causou o desastre do Titanic teria aproximadamente 126 metros de altura total desde o extremo final imerso até o extremo do seu topo visível acima da água.

"Uma colisão frontal que poderia mudar o desfecho da história..."
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| Ghosts of the Abyss, Facebook |
Você sabia que é bastante provável a possibilidade de que se o Titanic tivesse colido de frente com o iceberg ele poderia não ter afundado, ou ao menos afundaria mais lentamente?
Projetado com 16 compartimentos à prova d'água isolados uns dos outros no sentido do comprimento do navio através de portas de aço estanques, desde a fase dos projetos o Titanic foi de fato concebido para suportar a entrada de água em qualquer combinação de 2 compartimentos simultaneamente inundados, suportaria também determinadas combinações de 3 compartimentos inundados, e até mesmo resistiria com 4 compartimentos dianteiros tomados pela água.
A água retida nos compartimentos invadidos numa eventual infiltração ficaria isolada dos demais, e deste modo então o navio permaneceria flutuando indefinidamente à espera de socorro ou mesmo poderia prosseguir viagem em marcha reduzida até o porto mais próximo para que fosse reparado. Às 23:40 de de 14 de abril, quando colidiu com um raspão grave contra o iceberg, os 6 compartimentos dianteiros do Titanic foram invadidos pela água, selando então o destino do navio que não foi projetado para esta extensão de danos. Após uma breve inspeção para conferência de danos o transatlântico foi condenado pelo veredito do engenheiro Thomas Andrews, que em seus cálculos constatou que o navio teria não mais do que 1 hora e meia até afundar.
Acima: O plano original dos compartimentos estanques do Titanic, aqui destacados em vermelho. As discretas linhas e pontos em verde destacam o que hoje acredita-se serem as áreas de danos causados pela colisão com o iceberg.Andrews, ao ver a extensão dos danos, apenas confirmou com suas próprias palavras aquilo que já se sabia desde os projetos da construção, ou seja, que o Titanic não flutuaria com 6 compartimento afetados. Com a água tomando 2 compartimento além da margem de segurança, o navio se assentou inclinando para frente devido ao peso adicional, e a água seguiu o curso transbordando para os demais compartimentos secos, num efeito irreversível visto que os compartimentos não eram selados junto aos seus topos [o mesmo efeito pode se verificar no transbordo de água de um compartimento ao outro numa forma de gelo comum ao ser colocada embaixo da torneira].
No momento da colisão acredita-se que o Titanic estaria a uma velocidade de 39,9 Km/h (a velocidade máxima do Titanic era de 44Km/h); em um eventual impacto frontal a esta velocidade os danos seriam consideravelmente grandes, e o navio com peso de 46.328 Toneladas (46 milhões de quilos) seria brutalmente danificado ao chocar-se contra o massivo iceberg inerte na água, como uma muralha. Neste hipotético panorama haveria um incerto número de vítimas, especialmente as alojadas na área dianteira, e centenas de outras mais por todo o navio que muito provavelmente seriam feridas ao caírem ou serem lançadas pelo impacto, ou mesmo ao serem atingidas por componentes soltos do interior do navio.
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| Titanic Empire, Facebook |
Muito se especula ainda hoje sobre essa possível sobrevivência do Titanic em caso de colisão frontal, e talvez um dos mais eloquentes exemplos deste tipo de impacto aconteceu trinta e três anos antes, em 1879, com o navio SS Arizona (acima) da empresa inglesa Guion Line, que atingiu um iceberg no Atlântico quando em rota para Liverpool. O Arizona media 140 metros de comprimento e o choque foi bastante violento, jogando no chão os passageiros do salão e da sala de fumantes, que ficaram bastante machucados. O transatlântico com a proa esmagada no entanto conseguiu chegar a St. John's na Terra Nova e após um ligeiro reparo pôde partir para Liverpool.
Abaixo: O SS Grampian, que colidiu com um iceberg em 1919 enquanto em rota para Liverpool.

Ao lado: A proa do Grampian após a colisão.
Outro caso de colisão que merece ainda ser lembrado ocorreu em 1919, com o transatlântico SS Grampian, um navio de pequeno porte operado pela Allan Line. Em julho daquele ano, o Grampian estava em viagem com destino à Europa saindo de Montreal em direção à Liverpool, carregando 750 passageiros e uma tripulação de 350.
No começo da noite de 9 de julho ele estava em meio à neblina a cerca de 83 Km de Cape Race, Terra Nova, quando a tripulação avistou um iceberg. Estavam muito próximos para evitar a colisão, então o timoneiro decidiu deixar o navio em curso e atingir o iceberg de frente.
A proa do Grampian foi danificada em 12 m de sua extensão, matando dois marinheiros no extremo frontal e ferindo um camareiro e um carvoeiro. Mas os danos não se estenderam abaixo da linha d'água, e o iceberg assim não atingiu a lateral do casco do navio, o que poderia ter rompido compartimentos suficientes para afundá-lo.
O Grampian foi então desviado para St. John's, Terra Nova, para reparos emergenciais. Os passageiros foram transferidos para o navio RMS Empress of Britain para completar a viagem até Liverpool. O Grampian foi precariamente reparado com uma proa de madeira para que alcançasse um porto e recebesse reparos.
É imprescindível no entanto observar com atenção as diferentes proporções entre os casos citados, visto que o Titanic pesava 46.328 toneladas e estaria a uma velocidade de 39,9 Km/h, enquanto o Arizona pesava 5.147 toneladas e sua velocidade máxima certamente era inferior à do Titanic. Enquanto o Grampian contava com 10 mil e media pouco mais que metade do comprimento do Titanic.
O que parece provável é que se a colisão fosse frontal, um número menor do que 5 compartimentos estanques teriam sido afetados, e isso eventualmente causaria uma inclinação menos acentuada, permitindo que o Titanic continuasse flutuando indefinidamente, mesmo gravemente danificado e com eventuais muitos feridos e mortos a bordo. De todo modo o caso do Arizona e o Grampian criam precedentes levando à suspeita - que nunca poderá ser respondida a contento - de que uma colisão frontal poderia de fato não ter motivado o naufrágio, ou ao menos permitiria que naufragasse num ritmo mais lento. E assim a história, quem sabe, teria sido outra.
Abaixo: Em algum momento de abril de 1912, o Titanic vagarosamente segue o curso para New York... Uma colisão frontal e talvez, quem sabe... Este teria sido o desfecho daquela malfadada viagem que deveria durar sete dias, mas que em seu infeliz desfecho entrou para a história percorrendo o século XX e entrando para o XXI despertando ainda hoje tantas teorias.

As “muitas caras” de um mesmo iceberg
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Ao lado: Cenas do documentário "Titanic: The Final Word with James Cameron", National Geographic, abril de 2012..
Desde a tragédia do Titanic, ocorrida entre a noite de 14 e a madrugada de 15 de abril de 1912, sua história vêm sendo recontada através das dezenas de dramatizações feitas ao longo dos anos, sejam elas no formato de filmes para o cinema, filmes para a TV, mini e microsséries. Estas produções obviamente variam entre projetos de baixo orçamento, à recriações com o mais alto padrão de pesquisa e qualidade; à exemplo de A Night to Remember de 1958 (no Brasil: Somente Deus por testemunha), e de Titanic, de 1997, que são reconhecidos hoje como clássicos, são os dois melhores e mais bem produzidos filmes sobre o Titanic. Ambos feitos para o cinema.
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Cada uma destas produções dramatizadas (que hoje já chegam a dezenove) retrata a epopéia trágica do Titanic e de seus passageiros e tripulantes de um modo único e particular: algumas com teor altamente ficcional (como Resgatem o Titanic, 1980), outras deitando maior concentração sobre os aspectos verídicos da história. A despeito das muitas variações dramáticas e melodramáticas com que a trajetória do Titanic perenemente têm sido recontada à grande massa, há em todas estas produções 1 único ponto em comum: as dramáticas cenas em que o grande navio colide com o iceberg. Acompanhe então as cenas de dois campeões, os dois maiores clássicos sobre o Titanic, que recebem ainda hoje o grande reconhecimento do público: A Night to Remember e Titanic (1997), que em suas recriações retratam, cada qual à sua maneira, “o início do fim”, o momento em que o Titanic colide com o iceberg às 23:40, de 14 de abril de 1912.
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Abaixo: O comparativo entre o iceberg fotografado em abril de 1912, a partir do navio Prinz Adalbert e a cena de "A Night to Remember" demonstra que a produção artística deste filme baseou firmemente o formato de seu iceberg cenográfico na fotografia de 1912, que já era reconhecida há mais de 40 anos quando o filme foi gravado na Inglaterra.
. Confira a colisão em "A Night to Remember" (1958)
A partir de 1min 37s
Abaixo: Em 1996, quando o filme "Titanic" estava sendo produzido e gravado, a fotografia de Stephan Rehorek aparentemente não havia ainda sido descoberta e/ou divulgada ao público. Pura coincidência do destino ou não, o formato do iceberg nas cenas da colisão no megasucesso do diretor James Cameron, segue quase à perfeição a fotografia principal apresentada nesta matéria.
.Confira a colisão em "Titanic" (1997)
Simulações da colisão e naufrágio
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O vídeo abaixo, que é uma simulação em computação gráfica, ilustra como se deu a colisão e o naufrágio do Titanic. Esta simulação foi apresentada no documentário "Last Mysteries of Titanic" de 2005, no Brasil "Os Últimos Mistérios do Titanic", produzido e protagonizado pelo diretor James Cameron (de Titanic e Avatar).
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O vídeo abaixo, que é uma simulação em computação gráfica, ilustra como se deu a colisão e o naufrágio do Titanic. Esta simulação foi apresentada no documentário "Last Mysteries of Titanic" de 2005, no Brasil "Os Últimos Mistérios do Titanic", produzido e protagonizado pelo diretor James Cameron (de Titanic e Avatar).
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A teoria abaixo é a mais recente de todas, foi formulada por uma junta de especialistas reunida e liderada pelo cineasta James Cameron (de Titanic e Avatar) e apresentada no documentário "Titanic: The Final Word With James Cameron", divulgado em abril de 2012. A simulação gráfica foi elaborada após grande levantamento focado no mais recente mapa fotográfico completo dos destroços do Titanic divulgado em março de 2012, e nos depoimentos cedidos pelos sobreviventes da catástrofe.
Destaques deste estudo
1. Pode-se notar que o 1º Oficial William McMaster Murdoch ordenou rapidamente para o timoneiro Robert Hichens para que executasse uma manobra com intuito de contornar o iceberg, evitando a colisão das hélices com o bloco de gelo / 2. Durante o naufrágio o Titanic inclinou-se cerca de 9 graus para bombordo, causando a queda da chaminé frontal para o lado esquerdo, sobre a asa da ponte de comando / 3. A ruptura do navio deu-se logo à frente da chaminé nº 03; e não entre a nº 3 e a nº 4, como antes se pensava / 4. A inclinação vertical da popa ocorreu em um ângulo ligeiramente menor do que antes se acreditava. A popa então executou meio giro ao redor do sí antes de desaparecer sobre as ondas / 5. A proa se desprendeu da seção da popa e desceu em posição inclinada até o fundo do oceano, endireitando-se levemente antes de colidir com o leito marinho / 6. A popa sofreu uma explosão durante o início do mergulho e perdeu boa parte dos aparatos e parte do casco, arrancados pelo
fluxo de água, chegando ao fundo do oceano depois da parte frontal do navio / 7. Enquanto a seção da proa desceu em queda livre quase na posição correta, a popa sofreu um contínuo processo de giro, lançando milhares de peças, seções estruturais e artefatos ao fundo do mar / 8. Ambas as seções, proa e popa, receberam uma potente onda de choque ao chegar ao fundo, provocada pela enorme fluxo de água deslocada durante a queda de pouco mais de 3.800 metros.
fluxo de água, chegando ao fundo do oceano depois da parte frontal do navio / 7. Enquanto a seção da proa desceu em queda livre quase na posição correta, a popa sofreu um contínuo processo de giro, lançando milhares de peças, seções estruturais e artefatos ao fundo do mar / 8. Ambas as seções, proa e popa, receberam uma potente onda de choque ao chegar ao fundo, provocada pela enorme fluxo de água deslocada durante a queda de pouco mais de 3.800 metros.
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FontesGhosts of the Abyss, Facebook
Texto original de Henning Pfeifer, para Encyclopedia Titanica, 28 de agosto de 2003 / theblogidentity.wordpress.com / Raise RMS Titanic Foundation, Facebook
Pesquisa, tradução, adaptação e reedição de texto e composição de imagens - Rodrigo, TITANIC EM FOCO
Pesquisa, tradução, adaptação e reedição de texto e composição de imagens - Rodrigo, TITANIC EM FOCO












