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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

CS Mackay-Bennett, o barco que resgatou 306 corpos do Titanic

Seja bem vindo ao TITANIC EM FOCO

Das mais de 2.200 pessoas a bordo do Titanic em sua viagem inaugural em 1912, apenas cerca de 700 sobreviveram à catástrofe ocorrida entre a noite de 14 de abril e a madrugada de 15 de abril. 1513 pessoas pereceram no naufrágio, e deste total apenas 334 corpos foram resgatados nos dias subsequentes à tragédia. Sete barcos estiveram envolvidos no resgate de corpos, sendo apenas quatro deles especificamente contratados pela empresa White Star Line para atuar no resgate das vítimas.

Barcos contratados para o resgate dos corpos: CS Mackay-Bennet (306 corpos), CGS Montmagny (04 corpos), CS Minia (17 corpos) e SS Algerine (01 corpo).

Barcos não contratados que resgataram corpos ao passar pelo local: RMS Oceanic (03 corpos), SS Ilford (01 corpo) e SS Ottawa (01 corpo).

Dentre os quatro barcos contratados para o resgate, o primeiro a partir em direção à área da catástrofe foi o CS Mackay-Bennett, o qual resgatou a maior parte dos corpos, um total de 306. O Mackay-Bennett poderia ter passado quase despercebido diante dos registros históricos caso sua história não tivesse “cruzado” com a tragédia do RMS Titanic. Conheça este pequeno barco e o processo de resgate dos que pereceram no naufrágio do Titanic em 15 de abril de 1912.

BOA LEITURA


Nome: CS Mackay-Bennett - Tipo: lança-cabos - Peso: 2.000 toneladas - Comprimento: 82 metros - Largura: 12 m.

A história do Mackay-Bennett

O CS Mackay-Bennett era um navio usado na reparação de cabos telegráficos submarinos no Oceano Atlântico entre a América do Norte e a Europa, ele foi registrado em Londres, Inglaterra, era de propriedade da empresa Commercial Cable Company.

O barco teve uma longa carreira de consertos de cabos submarinos, e apesar de baseado principalmente em Halifax, Nova Escócia, ele também foi muitas vezes usado para as operações no lado europeu do Atlântico. Seu porto de atracagem na Europa a cidade de Plymouth, Inglaterra.

O Mackay-Bennett atracado em doca seca na cidade de Halifax, Nova Escócia.

A tripulação do Mackay-Bennett, fotografia feita em data imprecisa entre 1910 e 1915.


O escritor canadense Thomas Raddall trabalhou como operador de telégrafo a bordo do Mackay-Bennett e baseou algumas de suas histórias em suas experiências neste barco.

O Mackay-Bennett foi aposentado em maio de 1922 nas águas de Plymouth Harbour, na seqüência começou a ser usado como barco armazém. Durante a Blitz na Inglaterra ele foi afundado num ataque alemão, mas resgatado na sequência, sua demolição final ocorreu em 1963.

O envolvimento no resgate dos mortos na tragédia do Titanic

O Mackay-Bennett foi o primeiro de quatro navios fretados pela White Star Line para procurar corpos do naufrágio do Titanic. Ainda quando o navio Carpathia estava a todo vapor carregado de sobreviventes em direção à New York, o Mackay-Bennett já estava sendo contratado pela White Star Line a uma taxa de 550,00 dólares por dia para atuar no resgate dos mortos no naufrágio.

Frederick Harold Larnder, o capitão do Mackay-Bennett no resgate de corpos do naufrágio.

O barco navegava sob o comando do Capitão Frederick Harold Larnder, a bordo estavam também o clérigo Canon Kenneth Cameron Hind da All Saints Cathedral (Catedral de Todos os Santos), da cidade de Halifax, e John R. Snow Jr., o embalsamador chefe da empresa John Snow & Co., da província de Nova Escócia, contratado para o trabalho de embalsamar as vítimas ainda no barco.

Abaixo um pequeno filme do Mackay-Bennett gravado em 17 de abril de 1912, a legenda diz o seguinte: "O Mackay-Bennet partindo de Halifax em busca aos mortos".

O Mackay-Bennett zarpou do cais de Halifax, Nova Escócia, às 12:28 da quarta-feira, 17 de abril de 1912, dois dias depois do naufrágio, ainda antes que os sobreviventes à bordo do Carpathia desembarcassem em New York.


À procura da morte: o Mackay-Bennett deixa o cais de Halifax no dia 17 de abril de 1912. O barco estava carregado com aproximadamente 100 caixões de madeira, os quais seriam insuficientes para os 306 corpos recuperados nos esforços de resgate.

Mapa referencial com os locais relacionados à viagem, naufrágio e resgate dos corpos do Titanic.

Ao chegar ao local do naufrágio, logo se percebeu que havia muito mais corpos flutuando no oceano do que qualquer um esperava. Não demorou muito para os funcionários da White Star Line concluirem que um segundo navio seria necessário para auxiliar no resgate e os arranjos foram feitos para fretar o navio lança-cabos CS Minia para ajudar.

Às 7:00 da manhã em 23 de abril de 1912, o Mackay-Bennett recostou lado-a-lado do navio Sardenha da Companhia Allan Line, para coletar lona adicional para embalar os muitos corpos que seriam resgatados.

Logo após a meia-noite de sexta-feira, 26 de abril, ele se reuniu com o navio CS Minia e transferiu mais suprimentos de embalsamamento, então partiu. Após sete dias de busca, o Mackay-Bennett recuperou um total de 306 corpos. 116 corpos foram “sepultados” no mar e 190 corpos permaneceram a bordo, quase o dobro do que havia de caixões disponíveis.

Fred Hamilton
, o maquinista do Mackay-Bennett escreveu em seu diário:

“O badalar do sino chamou toda a tripulação ao castelo da proa, onde se encontravam 30 corpos que iam ser lançados ao mar, cada um deles cuidadosamente envolvido em lona e com um peso, para ir ao fundo. Era um estranho espetáculo. A Lua em quarto crescente derramava sua luz tênue sobre nós, enquanto o navio rolava nas ondas. O serviço fúnebre foi conduzido pelo reverendo Canon Hind; durante cerca de uma hora, repetiram-se as palavras: ‘Pois é vosso desejo... entregamos seu corpo à profundezas’. Depois, à intervalos regulares, ouvia-se o ruído de um corpo que mergulhava no oceano, o qual, naquela zona, tem um profundidade de 3.000 m.”


O processo de sepultamento no mar: depois de envolto em saco de lona, onde é acrescentado um peso de ancoragem ( geralmente peças de ferro) o corpo é apoiado sobre uma plataforma deslizante e, sob as preces de um clérigo ou do capitão, é entregue ao oceano. (Imagens ilustrativas, não se tratam de imagens diretamente relacionadas ao Titanic)


O Mackay-Bennett chegou de volta à terra em Halifax na manhã de 30 de Abril de 1912, onde começou a desembarcar os corpos por volta das 09:30 da manhã.


Acima, esquerda: Do diário de Frederick Hamilton, um marinheiro do Mackay-Bennett. Acima, direita: Um relato do jornal Nova Scotia Evening Mail do mesmo dia, 30 de abril de 1912.

Há relatatos que para pôr os corpos nas macas e, posteriormente nos caixões, muitos dos membros congelados tiveram que ser quebrados.
Os corpos dos passageiros de segunda e terceira classe foram costurados em sacos de lona, ​​e estes foram trazidos para terra logo em seguida. Os corpos dos passageiros da Primeira Classe estavam todos dentro de caixões na popa do Mackay-Bennett e foram os últimos a serem trazidos para terra.

Carruagens funerárias no porto de Halifax a espera dos corpos resgatados, a imagem é datada de 06 de maio de 1912

O Mayflower Curling Club (clube de esporte com pista de gelo) havia sido preparado como um necrotério temporário, sua pista transformou-se num grande “expositor de corpos” para serem identificados.

O Mayflower Curling Club em Halifax, o ginásio de esporte para onde os corpos das vítimas foram levados, nesta fotografia vê-se uma pequena multidão curiosa que se acerca nos arredores do clube por ocasião do resgate e identificação dos corpos.

Na chegada todos os corpos foram levados para uma secção de embalsamento, havia uma mulher para embalsamar apenas as mulheres e crianças. Uma vez embalsamados os corpos foram colocados em plataformas feitas especialmente para que qualquer identificação pudesse se realizar. Muitos já tinham sido identificados a partir do conteúdo de seus bolsos e pelo vestuário.

Um dos mortos da tragédia, o corpo de nº 296 era de um bombeiro com idade aproximada de 28 anos, cujo qual não foi reconhecido, hoje encontra-se sepultado no cemitério Fairview, em Halifax

Um coveiro, o senhor Newell de Yarmouth, de Nova Escócia, ao executar seu trabalho corriqueiro acabou identificando de forma inesperada o corpo de seu tio entre as vítimas, AW Newell (passageiro de Primeira Classe) e desmaiou pelo grande choque de encontrar um membro de sua família morto, sem sequer saber que seu parente estava a bordo do Titanic.

As autoridades de Halifax também forneceram uma estação de primeiros socorros para o consolo e conforto dos parentes que vieram fazer o reconhecimento de corpos, esta estação estava sob a supervisão da enfermeira Nellie Remby, e provou ser uma dádiva de Deus a alguns dos que sucumbiram à dor da tragédia.

Os cemitérios em Halifax

121 vítimas do naufrágio do Titanic estão enterradas no Cemitério Fairview, em Halifax, o cemitério com maior número de vítimas do Titanic no mundo.

A maioria das vítimas é lembrada com uma simples lápide de granito cinza, nelas há o nome e a data da morte, em todas há a inscrição 15 de abril de 1912, apenas algumas famílias pagaram por lápides maiores. Aproximadamente um terço dos túmulos, no entanto, nunca foi identificado, dado que muitos corpos nunca foram reconhecidos. Estas lápides contém apenas a data da morte e o número do corpo, ou seja, o número sequencial pela qual o corpo foi resgatado.

Dois casos que servem de exemplo, um túmulo de uma vítima identificada e o outro de uma vítima não identificada. A esquerda o túmulo de Alma Paulson, passageira de 29 anos da 3ª classe. A direita a lápide 281, cujo corpo só se sabe que era de uma mulher, possivelmente da 3ª classe.

A lápide da “criança desconhecida”, positivamente identificada como bebê Sidney Leslie Goodwin, é uma das mais visitadas. Esta lápide é do corpo de um bebê resgatado pelo navio Mackay-Bennett que foi sepultado sem identificação pela tripulação que sentiu-se muito comovida em encontrar uma criança tão jovem entre os corpos. Como ninguém reivindicou ou reconheceu o corpo, então ele foi sepultado com o dinheiro arrecadado pelos marinheiros do Mackay-Bennett. Na lápide há a inscrição:

Erigido em memória de uma criança desconhecida, cujos restos foram recuperados após o desastre do "Titanic", 15 de abril de 1912

Em novembro de 2002, a criança foi finalmente identificada através de um complicado teste de DNA como o bebê de 13 meses de idade Eino Viljami Panula, da Finlândia. Eino, sua mãe e quatro irmãos, todos morreram no desastre do Titanic.

Após novos testes de DNA a criança desconhecida foi re-identificada corretamente como o menino de 19 meses de idade, Sidney Leslie Goodwin, o filho mais novo de uma família inglesa da terceira classe, da qual ninguém sobreviveu.

A esquerda o pequeno Eino Viljami Panula, o bebê primeiramente apontado como a "criança desconhecida" enterrada em Halifax. A direita Sidney Leslie Goodwin, o bebê corretamente identificado pelos testes de DNA, portanto ele é a "criança desconhecida" sepultada em Halifax.

Uma sepultura marcada com "J. Dawson" ganhou fama breve após o lançamento do filme Titanic, de 1997, uma vez que o nome do personagem de Leonardo DiCaprio no filme é Jack Dawson. O túmulo na verdade pertence a Joseph Dawson, um irlandês que trabalhou na sala das caldeiras do Titanic como carvoeiro.

O diretor de cinema James Cameron confirmou que o nome do personagem não foi inspirado pelo nome no túmulo, e verdadeiramente não foi, Jack Dawson é um personagem fictício, como já se sabe há tempos. Muitos cinéfilos comovidos ou mal informados da história real, depositam flores neste túmulo frequentemente.

Vinte e nove outras vítimas do Titanic também estão enterrados em Halifax, dezenove no Cemitério Mount Olivet e dez no Cemitério Jewish Baron de Hirsch.

A esquerda outdoor do cemitério Mount Olivet, e a direita os 10 túmulos de vítimas do Titanic no cemitério Baron de Hirsch, ambos em Halifax.

Abaixo: Imagens das sepulturas das vítimas do Titanic no cemitério Fairwiew na cidade de Halifax, Canadá.


Crédito

Pesquisas, traduções e reedição de texto e imagens - Rodrigo, TITANIC EM FOCO