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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Os "fantasmas" do Titanic

Seja bem vindo ao Titanic em Foco

Por definição, a palavra FANTASMA significa:

"Uma imagem não correspondente à realidade, ou seja, uma ilusão visual, produto da fantasia. Por extensão, o termo designa espíritos de pessoas que supostamente permaneceram na Terra depois de sua morte.
"

Ao ler o título desta matéria, certamente passa-se pela mente que aqui será tratado uma série de eventos para-normais relacionados ao Titanic, no entanto esta matéria especial fará uma citação que muito mais tem a ver com fotografia, eventos, arte e curiosidades. O motivo é simples: fiz aqui uma lista de imagens relacionadas ao Titanic, onde todas têm algo a mais para mostrar do que apenas seu foco principal.

Siga então o que há por detrás destas imagens "fantasmas".

Acompanhe
O "efeito fantasma"

O Início do século XX - Numa época em que a fotografia era algo reservado quase que em sua exclusividade à profissionais, o ato de se fazer uma foto era algo bem mais complexo do que apenas pressionar um pequeno botão, algo tão banal e comum nos dias de hoje, especialmente após o surgimento da fotografia digital.

Para fotografar a construção do trio de navios-irmãos da chamada Olympic Class, ou seja, o Olympic, o Titanic e o Britannic, a construtora de navios Harland and Wolff contratou para este serviço o renomado fotógrafo Robert John Welch, o qual foi incumbido de eternizar em grandiosas imagens todo o processo de construção dos gigantes navios encomendados pela Companhia White Star Line.


Esquerda: Robert John Welch, o fotógrafo. Direita: Uma das cenas do documentário Titanic, Birth of a Legend, de 2005. No centro da imagem Robert J. Welch (interpretado por Frank Grimes) opera sua câmera fotográfica, no lado esquerdo da imagem Thomas Andrews ( Damian O'Hare ), o projetista do Titanic.

Robert John Welch trabalhou durante todo o processo de construção do Olympic, Titanic e do Britannic. A prova registrada de seu trabalho está nas impressionantes imagens coletadas durante este processo, mas também nos rodapés das fotografias por ele feitas. Em cada negativo fotográfico individual Robert Welch registrou à mão as iniciais de seu nome e um código de controle sequencial, veja pelas imagens a seguir.

LinkA fotografia na década de 1910 não era algo raro e nem uma inovação, naquela época já haviam muitos profissionais que dedicavam-se à esta área, mas a fotografia amadora era algo ainda muito pequeno e restrito apenas para as pessoas com maior poder aquisitivo, pois os equipamentos e insumos fotográficos eram itens de valor ainda elevado.

Nesta época, para se fazer uma boa fotografia eram necessárias algumas condições específicas: boa luminosidade, bons materiais fotográficos e um ambiente preferencialmente estático, ou seja, sem movimento.

Porque sem movimento?

As câmeras fotográficas de modelo tripé - com a qual Robert Welch trabalhava - eram equipadas com lâminas de vidro, nas quais era aplicada a solução fotográfica onde a imagem seria registrada. Esta lâmina registrava a imagem fotografada, tal qual acontece em um negativo de uma máquina atual (máquina com rolo de filme fotográfico).



As duas imagens acima são ilustrativas, exibem o processo e o aparato de fotografia utilizado na mesma época em que o Titanic foi construído.

Para que a imagem fosse gravada na superfície emulsificada do vidro (superfície recoberta com a química fotográfica onde a imagem era "queimada com a luz") era necessário que se expusesse esta placa fotográfica durante alguns poucos segundos, de modo quase idêntico ao que ocorre com um filme numa máquina convencional de hoje.

A montagem acima ilustra a aparência de um negativo em placa de vidro, onde o contraste entre o branco e o preto é registrado invertido, daí vêm o nome "negativo".

O que isto tem a ver?

Durante esta exposição de alguns segundos, a imagem à frente da câmera seria fixada na placa de vidro, o que significa que qualquer movimento da câmera ou do objeto fotografado, causaria o aparecimento de fantasmas: tudo que se movesse na imagem durante estes segundos de exposição acabaria aparecendo como um borrão. Portanto era especialmente recomendável que tanto a câmera quanto o objeto fotografado estivessem estáticos, a fim de que a imagem final saísse em perfeita condição.
Para exemplificar este "efeito fantasma" segue uma foto anterior à construção dos navios da White Star Line, onde os trabalhadores da Harland and Wolff ainda preparavam o estaleiro para que os navios pudessem enfim começarem a ser construídos.



Observe que a figura de todos os trabalhadores apresenta-se borrada, de modo que se assemelham à fantasmas, enquanto que a imagem do cavalo permaneceu intacta, o motivo é óbvio: os trabalhadores moviam-se durante a tomada da fotografia, enquanto que o cavalo permaneceu imóvel.


Na foto seguinte, que na realidade foi feita no convés do Olympic (o navio-irmão do Titanic) ainda em construção, repare no detalhe dos dois operários que movem-se ao longo do bote salva-vidas de nº 15.

Durante a tomada da fotografia houve um movimento dos trabalhadores, o que acentuou o "efeito fantasma", fazendo os dois indivíduos aparecerem como espectros ao redor do bote.



Ainda sobre este efeito fantasma há mais um ótimo exemplo: a foto seguinte é a única existente da sala de telégrafo do Titanic. Nela o operador Harold Bride está sentado de costas enquanto opera o aparelho de telégrafo. Nota-se claramente que toda a imagem está registrada em duplicata, de modo que o efeito fantasma neste caso não foi causado pelo movimento do ambiente fotografado, mas sim da própria câmera fotográfica.

Aparições de pessoas

O Titanic fora construído por 14 mil operários, assim como registrado nas fontes documentais. Muitos destes operários são vistos nas fotografias, e grande parte destas imagens foram propositalmente compostas de modo a exaltar o tamanho gigantesco do navio em relação à pequenez de um ser humano. As duas imagens abaixo demonstram a enorme quantidade de operários e também as imagens intencionalmente feitas para ressaltar a enormidade da obra.



Haveria então alguma imagem curiosa feita durante a construção?

Sim.

O primeiro destes casos é de uma bela imagem tomada enquanto o gigantesco casco do Titanic, ainda no estaleiro, aguarda pelo lançamento ao mar. A foto em questão parece não revelar nada demais, e com razão, afinal só se pode enxergar algo mais através de uma versão em tamanho e resolução muito grandes.

O que se pode notar é que pelo menos dois rostos de trabalhadores podem ser vistos através das portinholas do navio, em um ponto muito próximo ao nome "TITANIC" escrito na proa de bombordo.



Logicamente esta aparição é nada mais do que a simples presença de operários, que durante mais um dia de trabalho estão a observar curiosamente o movimento exterior no estaleiro Harland and Wolff.
A segunda imagem a ser destacada foi feita durante os trabalhos no eixo da hélice de estibordo do Titanic. Repare que a fotografia não parece revelar nada de incomum, mas ao analisar a mesma foto em maior resolução é possível notar que há algo diferente: à esquerda do trabalhador na extrema direita da imagem há uma silhueta desfocada de um homem.



O motivo pelo qual este trabalhador fora "deletado" é, até então, desconhecido. Mas o modo com qual foi apagado é bem simples: o negativo das imagens fotográficas da época se compunha de uma placa de vidro - como já descrito anteriormente no texto - então bastava-se que o fotógrafo agisse diretamente sobre a superfície da placa de vidro para que a imagem fosse manualmente alterada. Numa época em que a fotografia digital estava há décadas de surgir e os programas de edição de imagem eram algo totalmente impensável, este era o meio com qual as fotografias eram corriqueiramente - e grosseiramente - alteradas pelos fotógrafos, um processo ancestral do programa Photoshop tão utilizado nos dias atuais.

O mistério neste caso centra-se no motivo pelo qual este operário fora apagado da imagem, afinal a sua silhueta em nada interferia na composição da cena, tampouco na grandiosidade do navio.

Qual é sua opinião?

No terceiro caso, uma impressionante foto do casco de estibordo do Titanic parece não revelar nada em específico, mas em sua versão de alta resolução surgem duas figuras interessantes.
Olhando curiosamente para o exterior do navio vê-se a face de dois homens (um deles muito desfocado) , dos quais não tenho informação da identidade, mas que certamente despertam a atenção.



Note que pelo menos um dos indivíduos olha diretamente para a câmera, eles estão atrás das duas portas de entrada da primeira classe, no lado estibordo do navio, dentro do hall para a recepção no convés D.

A quarta fotografia foi feita enquanto o Titanic esteve atracado ao longo da cidade de Queenstown, Irlanda, no dia 11 de abril de 1912, seu segundo dia de viagem e sua segunda e última parada no continente europeu.

Às 12:30 min de 11 de abril, momentos antes do Titanic levantar âncora e finalmente seguir rumo à New York, algo inusitado acontece: um fornalheiro com rosto enegrecido de fuligem sobe pelo interior do quarto chaminé - que media 22m de altura - e do topo olha para os passageiros abaixo. A atitude gera alguma comoção, e algumas mulheres interpretam a estranha aparição como um mau presságio.



A fotografia acima é citada como sendo deste exato momento curioso momento, pois observa-se claramente que no topo da quarta chaminé do Titanic há um ponto que muito se assemelha à cabeça de uma pessoa. E é totalmente correto afirmar que os trabalhadores poderiam escalar até o topo da chaminé, pois em seu interior realmente havia uma escada e uma plataforma superior onde se poderia ficar de pé.

A quinta imagem foi feita já durante o penoso processo de resgate das vítimas do naufrágio. Num dia que parece ensolarado, a bordo do navio SS Minia, que fora fretado pela White Star Line para atuar no resgate dos corpos do desastre, dois indivíduos trabalham no processo de embalsamamento do corpo de um dos passageiros, enquanto ao fundo no lado esquerdo, um tripulante observa a cena.



A cena por si só apresenta um cenário de choque de realidade, ressalta as consequências da tragédia, mas há algo de curioso que esconde-se na fotografia e que só revela-se aos olhos através de sua versão em grande resolução.



A imagem de um 4º tripulante que esconde-se atrás de um aparato de convés e, estranhamente, denota um ar sorridente que destoa por completo do cenário apresentado. Novamente nada de fantasmagórico, mas puramente um registro histórico que contém em sí "algo mais" que foge do sentido central da imagem.

Um outro interessante caso é o da foto abaixo, ela têm sido erroneamente registrada através das décadas como verídica do Titanic, porém mais uma vez, trata-se do Olympic, atracado na doca seca Thompson na cidade de Belfast, Irlanda do Norte, onde os dois navios foram equipados.

Pode-se notar claramente que à esquerda do pequeno grupo de trabalhadores ao fundo, próximos à hélice central, há a figura desfocada de um trabalhador que, ao que parece, não é a repetição espelhada de nenhum indivídio na cena. Neste caso específico não há uma explicação óbvia para o "fantasma", mas certamente trata-se de uma falha durante o processo de manipualação da placa de vidro com o negativo fotográfico, ou mesmo possa ter sido causado pelo movimento do próprio trabalhador que durante a fotografia saiu do lugar, deixando apenas seu espectro fantasmagórico desfocado.

Imagens controversas

Na fotografia a seguir, vê-se caminhando pelo convés A em direção à popa do Titanic um homem que parece ser um oficial, figura frequentemente citada nos livros como sendo Edward John Smith, o Capitão do Titanic.



É notável que a figura do indivíduo que caminha solitário guarda muita semelhança com a silhueta de E. J. Smith, mas o que estaria ele fazendo solitário no convés?

Alegações recentes dão conta que a foto foi tirada em águas da cidade de Southampton, Inglaterra, portanto tornando impossível a presença do capitão num local tão distante da ponte de comando, dado que especialmente em águas costeiras era indispensável a presença da figura do comandante na ponte do navio. Cogita-se que a figura que caminha pelo convés A seja a do 4º Oficial Joseph Boxhall que faz seu trajeto até a popa.

Respondido ou não, certamente a figura causa boas reflexões...

Durante um tempo indeterminado, a fotografia a seguir fora considerada como sendo a imagem do Capitão Edward J. Smith presente na ponte de comando do Titanic e ao seu lado um garoto que aparenta ter aproximadamente 5 anos de idade.

Esta imagem surgiu até mesmo em um livro infantil e foi registrada como sendo o Capitão Smith junto de Douglas Spedden, um garoto de 06 anos de idade, passageiro de primeira classe que embarcou junto com seus pais na cidade de Cherbourg, França, mas que escapou do naufrágio porque a família conseguiu embarcar no bote salva-vidas Nº 03.

Abaixo: Em uma foto realmente tirada à bordo do Titanic, o garoto Douglas Spedden se diverte ao brincar com um pião acompanhado de seu pai, Frederic Oakley Spedden, e outros dois passageiros da 1º classe.

A fotografia foi tomada pelo missionário jesuíta Francis Browne, às portas de entrada para as duas salas Palm Court, localizadas à ré do Convés de Passeio (convés A) da primeira classe. O "padre Francis Browne" (como ficou conhecido posteriormente) se salvou da tragédia ao desembarcar na cidade de Queenstown, Irlanda, em 11 de abril de 1912, levando consigo as últimas fotografias verídicas conhecidas dos conveses do Titanic.


O mito da fotografia do garoto na ponte de comando começou a ser derrubado quando as análises comparativas comprovaram que o local da imagem quase em nada encaixa-se com o design da ponte de comando do Titanic, a não ser pelo típico modelo de telégrafo de comunicação. Como pode ser constatado na foto abaixo, do verdadeiro Comandante Edward John Smith a bordo da Ponte de Comando do Titanic.



Algumas análises fotográficas feitas entre a face de Edward John Smith e o capitão na foto em questão, também revelaram que os traços não correspondiam entre os dois homens.

Por fim, o surgimento de um segunda fotografia (abaixo, direita) que foi feita no mesmo momento da foto misteriosa que gerou a polêmica, veio a revelar a verdade identificando o garoto, o capitão e até mesmo o navio onde fora feita a imagem.



A legenda da foto diz:

"Partida do Príncipe Arthur de Connaught de Cape Town: O Capitão D. Hoskins, do Kinfauns Castle, explica para o Conde de Mc Duff os dispositivos na ponte."

Na foto abaixo, o navio SS Kinfauns Castle, de 9,964 toneladas. O barco pertencia à Companhia de Navegação Union Castle e operou em 1899 e 1927. Na foto o lado, o pequeno garoto Alastair Windsor, conde de Mc Duff, nascido à 09 de agosto de 1914, exatos 02 anos e 04 meses após o desastre do Titanic, portanto ele é a criança na fotografia misteriosa tirada a bordo do navio Kinfauns Castle.

Mistério solucionado.

Uma face nas profundezas do mar

Nas cenas iniciais do filme Titanic (1997 ) vê-se uma imagem que fala por sí só: iluminada pelas luzes de um dos submarinos, a face de uma boneca de porcelana surge lentamente da escuridão, em seguida desaparece novamente nas trevas.

Esta delicada, mas significativa cena, foi feita em estúdio, não foi gravada nos arredores do naufrágio real, mas sim em tanque especificamente construído para algumas das tomadas subaquáticas do filme Titanic.

*** Para congelar esta cena clique ESC em seu teclado.

A questão neste caso, é que esta aparição foi diretamente inspirada por um acontecimento real, ocorrido com a equipe de Robert Ballard, o oceanógrafo que em 1º de setembro de 1985 conseguiu redescobrir os destroços do Titanic a 3,800 m. de profundidade.

A cabeça fantasmagórica de uma boneca deitada sobre o leito marinho nos arredores do naufrágio causou arrepios quando foi avistada a partir do submarino Alvin da equipe de Robert Ballard.

A presença solitária da cabeça da boneca indica que o corpo foi consumido pelos microorganismos marinhos, responsáveis por corroer rapidamente os materiais mais sensíveis. Ela
foi apontada como uma cabeça de cerâmica de origem francesa ou alemã. As proporções do rosto indicam que é uma boneca de uma senhorita, uma vez que não têm traços de criança, ou seja, bochechas
salientes. Estas bonecas eram mais populares a partir de 1860 a 1890, mas também foram feitas no século XX. As fotos abaixo representam bonecas bem similares do mesmo período.



A "arte fantasma"

Ken Marschall (ao lado), nascido em 1950 é um ilustrador náutico norte americano, cuja arte de desenhar o Titanic está representada nos melhores livros sobre o tema e serviu como guia de inspiração visual para as cenas de Titanic em 1997. Suas pinturas são executadas de modo tão realista que algumas por vezes passam-se por fotografias reais, tão grande é o nível de seu trabalho e habilidade de retratar o navio.

Dentre os mais significativos trabalhos do artista estão as imagens da noite em que o Titanic naufragou, dado que neste caso existe uma ausência completa de qualquer registro fotográfico. Entre outras tantas, também as imagens onde os destroços do Titanic são vistos em amplas ilustrações são de extrema importância, em vista que a escuridão em que o navio se encontra e as enormes dimensões dos destroços impedem que seja feita qualquer fotografia que mostre o panorama por completo, ou seja, numa imagem só.

Dentre as dezenas de imagens executadas por ele, uma delas chama a atenção e encaixa-se plenamente no assunto desta matéria. Datada de 1967, esta pintura é registrada como o primeiro trabalho de Ken Marschall relacionado ao Titanic, por isso o detalhe que chama a atenção: um esqueleto observa o Titanic bem de perto enquanto cruza o Oceano, possivelmente personificando a figura da morte.



Sem necessitar de grandes explicações, a pintura faz pensar naqueles dias de 1912, onde ninguém jamais poderia prever que a morte rondava aquela viagem, onde muitos encontrariam o mesmo fim.

A segunda imagem, que também é uma criação de Ken Marschall, contém uma perspectiva rara, onde o Titanic segue o curso diretamente para o iceberg, enquanto a figura de um esqueleto é formado no céu, no horizonte do mar.

Do mesmo modo que Ken Marschall, numa das milhares de recriações artísticas espalhadas pela Internet, me deparei com uma imagem curiosa, cuja qual não sei da real procedência, mas que certamente faz pensar, não pela excelência do trabalho de pintura, mas sim pelo detalhe ficcional adicionado à imagem.



Logicamente também não é preciso muita explicação para a composição, dado que sabe-se que os icebergs presentes na área onde o Titanic naufragou dispersavam não só o perigo e o frio, mas também a morte por hipotermia; carregada deste mesmo sentido, a imagem idealizada da própria MORTE, que em sua mão carrega uma gadanha, aguarda por sobre um iceberg enquanto vela o destino do navio e de seus passageiros.
Um "chapéu fantasma"

Os inúmeros admiradores do filme Titanic, dirigido por James Cameron em 1997, certamente sabem de duas coisas:

Titanic é um filme ricamente povoado de grandes efeitos especiais e é o filme que se encontra na lista dos que mais contém erros: erros históricos, erros de continuidade, erros de edição e de efeitos especiais.

Dentre as tantas cenas marcantes que podemos assistir, uma delas entrou para a longa listagem de 242 erros de Titanic que se pode encontrar no site FALHA NOSSA.

O erro de Nº 36 desta lista diz o seguinte:

"Muitas cenas usaram gráficos de computador para mostrar o comprimento do navio. Foram adicionados passageiros caminhando sobre o deck. As sombras dos passageiros nem sempre emparelham. Há a sombra de uma mulher que usa um chapéu grande e na realidade a mulher não está usando nada".

Segue então esta cena, que está entre as tomadas mais impressionantes, mas que um pequeno e passageiro detalhe chama a atenção e encaixa-se nesta matéria.

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Ao observar com muita atenção fazendo-se o congelamento da imagem de um DVD, observa-se que a passageira que caminha tranquilamente ao sol na parte frontal do convés B está com o que parece ser um chapéu de pequena proporção em sua cabeça, enquanto que a sua sombra projetada na parede está usando um grande chapéu, de estilo muito recorrente na moda daquela época.
 .
Um chapéu fantasma?

Brincadeiras à parte, este é um curioso detalhe que mostra que todo e qualquer componente tem que ser cuidadosamente trabalhado numa tomada de efeitos gerados por computador, caso contrário os "fantasmas" podem surgir.
Ghosts of the Abyss - Fantasmas do Abismo

Para fechar com chave de ouro, cito o documentário Ghosts of the Abyss (Fantasmas do Abismo) também do diretor James Cameron, produzido em 2003. Neste documentário, que executa a exploração visual e histórica dos escombros do Titanic, as imagens produzidas através de efeitos gráficos descrevem o que se passou na noite em que o Titanic afundou. De modo muito inovador James Cameron utiliza-se de um tipo de "efeito fantasma" que funde ações tomadas em estúdio às imagens do Titanic naufragado. O resultado não poderia ser mais impactante. Acompanhe uma destas cenas no vídeo abaixo.



Observe esta imagem da verdadeira escadaria do Titanic em sua situação atual, totalmente deteriorada e recoberta de detritos e incrustações (com leve efeito gráfico sobreposto das escadas intactas). A imagem de fundo (real) está fundida à ação ao vivo, gravada em estúdio, de atores que representam alguns dos passageiros de 1ª classe descendo pelos elegantes degraus, tal qual ocorreu em 1912.

Hoje a majestosa Grande Escadaria do Titanic não vai além de um gigantesco buraco vazio, por onde as dezenas de equipes de exploradores conseguem fazer imagens dos interiores do navio naufragado através da utilização de robôs-câmera, teleguiados remotamente pelos submarinos que "pousam" sobre as bordas deste "precipício", onde antes ficava a bela escadaria de madeira de carvalho polido e grades de ferro forjado e bronze.

Siga o trailer deste documentário, que mistura a arte de se recontar uma história com imagens fantasmagóricas que fundem o "ontem e o hoje".
.


Conclusão

Um aspecto é notável: "fantasma", no sentido mais amplo da palavra, pode referir-se à uma vasta gama de acontecimentos visuais, eventos, aparições, distorções fotográficas, liberdades de criação artística, ou mesmo fatos que seguem sem grande explicação. Tudo isto independe de estar, ou não, relacionado a eventos sobre-naturais.

Qualquer evento anômalo, que ocorra sem que haja uma explicação clara e concisa, pode gerar especulação sobre sua ligação com aspectos sobrenaturais. É especialmente recomendável que em qualquer história com estes aspectos haja especial atenção e estudo, para que a mesma não entre para a enorme galeria das muitas lendas que crivam a história da humanidade.

Manifestações sobrenaturais podem possivelmente ocorrer, porém, para que um fato seja declarado sobrenatural é indispensável que seja atenciosamente analisado a fim de que se eliminem as suposições causadas pelas impressões primárias, abrindo espaço para que venham à tona os aspectos físicos e factuais. Simples manifestações físicas podem, por vezes, serem confundidas com eventos sobrenaturais inexplicáveis, mascarando fatos que podem ser facilmente entendidos, para isto basta um estudo mais atencioso.

Crédito

Pesquisas, composição de texto, traduções e edição de imagens: Rodrigo, TITANIC EM FOCO

21 comentários:

Lucas Rubio disse...

Nossa Rodrigo, quando vi este post parecia que você tinha lido minha mente! Justamente hoje eu estava vendo sobre os corpos do acidente do Titanic e estava vendo fotos no convés do Mackay-Bennett, que está aqui no post (a do homem escondido e sorridente). Não tenho esta foto grande, realmente ela é muito pequena, só dando para ver o básico do básico. Aquela pintura do Ken Marshall, do Titanic indo em direção do Iceberg e a caveira no céu, eu já havia visto e acho curioso e meio "dark". Realmente algumas imagens eu já havia visto e não tinha reparado nesses detalhes, justamente por não tê-las em tamanho grande. O post ficou esplêndido e com uma excelência de legendas produzidas por você!!!
Até mais, parabéns e SUCESSO (mais do que você já tem, hehe)

saulo disse...

muito bom o post.... alem de muitas curiosidades a respeito do navio e de como funcionava o processo fotografico por voltade 1912... traz muitas informações interessantissimas a respeito desse que foi um dom mais bonitos.. e jamais esquecido por seua adimitadores.... vc sempre de parabéns... a cada texto mostrando nuances e historias verdadeiramente facinantes.

Rodrigo disse...

Agradeço a atenção dos amigos Lucas e Saulo. Conforme vou "juntando e colando" estas pequenas informações eu sigo também aprendendo coisas que jamais estavam gravadas na mente, deste modo também se pode notar que estas curiosidades sobre o Titanic expandem-se muito além do ponto central, ou seja, dá pra aprender sobre muita coisa interessante. Agradeço as visitas.

Marlon Delano disse...

Rapá que vasta pesquisa vc fez heim, eu nunca havia reparado nesses minimos detalhes das fotos originais, ate ja tinha imaginado se teriam roistos ou não nas portinholas do navio mas não cheguei a pesquisar mais a fundo, esse documentario "Ghosts of the Abyss" me causou muitas sensações fantásticas acho que foi a única vez que me emocionei chorei de verdade vendo o fantasma do capitão enquanto o submarino emergia, outra vez que chorei foi quando a velhinha do Britannic foi ver o navio naufragado no documentario alguma coisa Calypso. Mas enfim lindo post como todos os outros.

daniloogato007 disse...

Muito bom e interessante...rs

André disse...

Olá Rodrigo!

Realmente este tema sobrenatural do Titanic é uma das marcas registradas do navio. Como se não bastasse a horrível tragédia que o destruiu, ainda tem seu registro associado ás mortes em seu convés com fantasmas.

As imagens do filme de Cameron são a aberração atual em relação aos erros de produção de imagem, assim como acontecia com Robert. A evolução tem dessas! Quero chamar atenção para que o que vemos com o Titanic não é um caso isolado. O mesmo acontece com o edificio Joelma em São Paulo: um prédio que "abriga" fantasmas por ter sido pauco de uma grande tragédia em 1974. Alías, se as lições do Titanic fossem aprendidas, esse última tragédia teria sido evitada, ou pelo menos controlada. O mesmo se repete com o recente acidente com um ônibus que caiu no trilho do trem da CPTM: o piso da ponte é derrapante, o que significa que medidas de segurança são negligenciadas até hoje. O que nos leva a concluir que a perda de tantas vidas no Titanc não tem nem o consolo de não ter sido em vão.

Criar ilusões fantasmagóricas parece ser uma forma da mídia chamar antenção para o fato que envolve o fenômeno. Pessoas mal intencionadas podem usam de hipóteses muitas vezes absurdas para dizer que se trata de algo do outro mundo usando essas imagens distorcidas como pretesto. O titanic não afundou por causa de problemas dessa natueza, por que é muito fácil culpar algo que não pode ser consultado. O problema é foi humano!
Em relação á suposta foto do capitão no convés não é algo importante a ser discutido.
belo trabalho Rodrigo!

Rodrigo disse...

É isso aí André, acredito que toda história trágica é facilmente associada à eventos sobrenaturais. Só não sei ao certo porque isso acontece: Necessidade humana de acreditar no "algo mais" ( muita gente é assim ) , ou eventos reais ( sobrenaturais ou não ) mal explicados? Enfim, a resposta é aberta e pode ser respondida de inúmeras formas.

De qualquer modo, neste post eu poderia ter jogado um monte de informação mal respondida sem esclarecer as reais procedências, certamente ficaria a grande suspeita de que o navio é assombrado. Como não creio nestes eventos sobrenaturais, fiz questão de um post que esclarece algumas destas imagens "fantasmas".

E, por fim, a palavra NEGLIGÊNCIA é a palavra fatal no RMS Titanic, é notável e inegável.

Até mais.

Mário disse...

Meu amigo, dos melhores posts que alguma vez pude ver em toda a minha vida! o seu blog está se alicerçando como o terceiro blog que faltava no grupo titanico! Já não existem dúvidas TitanicFans, TitanicMomentos, TitanicEmFoco! Era este o meu sonho!

Rodrigo disse...

Oi Mário, muito obrigado pelas palavras de apoio, isto é um grande incentivo para que eu siga tranquilamente com o TITANIC EM FOCO, principalmente vindo de você, que juntamente com o amigo Alencar são as duas inspirações responsáveis pela criação deste blog.

Fico feliz em saber que gosta do conteúdo, acho que encontrei a boa fórmula para que o blog siga com tranquilidade.

Nos últimos tempos entendi coisas muito importantes para que um blog siga sem reviravoltas, ou seja, um blog precisa de bons assuntos, dedicação e nunca "entulhar" tudo como se fosse um banco de informações desencontradas, pois isto transforma boa pesquisa em lixo.

Ainda falta-me muito assunto básico para ser editado e divulgado, mas como eu mesmo disse em meu perfil: eu não tenho a menor preocupação com frequência de postagens, mas sim com a qualidade delas. Se preciso for eu posto, corrijo, corrijo denovo e tantas vezes quanto for necessário; faço isto para que eu não me torne mais um "lixo da Internet", algo tão comum atualmente.

E vamos em frente, Titanic Fans, Titanic Momentos e Titanic em Foco, uma jornada de cultura, boa informação e curiosidades que trazem denovo à tona o mais fascinante navio de todos os tempos.

Abraço amigo.

Luciano Spears disse...

Muito, muito bom o post

Wesley disse...

Adorei seu post, acompanho sempre seu blog. Trazem informaçoes legais, atrativas e importantes sobre a historia desse explêndido navio que mantem sua historia a 99 anos.

Rodrigo disse...

Obrigado Luciano e Wesley pelas visitas e pelo apoio, vamos seguindo descobrindo sempre mais.

Rodrigo, Titanic em Foco disse...

Para Cesar Augusto:

Obrigado pela visita ao Titanic em Foco.

Para responder sua pergunta fiz uma pesquisa nos arquivos, não tenho todos estes dados gravados em mente, mas aí está:

O Titanic partiu na 4ª feira, dia 10 de abril de 1912 às 12:15, da cidade de Southampton, na Inglaterra.

A distância total a ser percorrida era 2.894 milhas, ou seja 5.354 Km até a cidade de New York. A previsão de chegada era para a 4² feira, dia 17 de abril.

( 1 milha marítima equivale à 1.852 m.)

A colisão aconteceu no domingo às 23:40, 14 de abril de 1912 e o naufrágio final foi às 2h 20 min da madrugada da segunda feira, 15 de abril, ou seja, 2h e 40 min depois da colisão.

O Titanic já tinha percorrido 3.346 Km da distância total, assim sendo faltavam 2.008 Km para a chegada.

Bem, é no que posso contrubuir, espero que ajude.

Anônimo disse...

Muito obrigado por sua resposta. Vou continuar pesquisando sobre outros aspectos. Muito bom seu trabalho de pesquisas... Cesar Augusto

Kelvin Xavier disse...

Rodrigo,gostaria de saber onde assisto ghosts of the abyss(com legendas se possível).Não importa se download ou on line.
Obrigado

Rodrigo disse...

Oi Kelvin

Infelizmente nunca encontrei o documentário em português, mas aí vai um link para o youtube de alta qualidade.

Lembrando que este documentário é absolutamente indispensável, ele está na lista dos 10 melhores que já foram feitos sobre o Titanic, vale a pena ver cada cena.

http://www.youtube.com/watch?v=FAVEEaV2QDE

(Caso não copie o link por aqui, clique em "Postar um Comentário" e copie o link na nova janela que abrir).

Alice disse...

Amei o post, eu sabia que o R.M.S Titanic tinha a ver com fantasma mas não tanto assim. Vocês reparam em tudo, eu nunca ia descobrir aquela cabeça na 4ª chaminé. Beijos.

Profeta Diário disse...

TITANIC EM FOCO, vocês estão de parabens, suas matérias são incriveis e cheias de detalhes

Rodrigo disse...

Olá Profeta, grato pela atenção ao blog e pelas palavras. Eu edito o blog sozinho, sem qualquer grande habilidade; mas o que desperta minha atenção e emoção é o que será publicado aqui. A jornada desta história é emocionante por sí só, vale a pena saber um pouco mais. Eu aprendo muito a cada pesquisa.

Até mais

Anônimo disse...

Oi Rodrigo!

É a Meg
Desculpe te incomodar novamente, mas descobri seu blog a pouco, e não consigo parar de ler (e me gerar dúvidas de tão bom que é!).

Gostaria de te pedir uma ajuda (para quem não entende muito de inglês...).Documentário confiável, dos três gigantes da white stars. Principalmente do Titanic, com certeza.

Obrigada!

Steh_OliNehls disse...

Olá Rodrigo
Queria saber ..
Eles encontraram o corpo de Jack Dawson?
Uma ve já tinha ouvido falar disso que eles conseguiram achar mais faz tanto tempo e nunca vi nenhum video sobre isso nem nada queria que tirasse essa minha dúvida. E porque eles não registraram isso em video ou fotos sei lá. E se não acharam porque tem o túmulo dele??
Obrigada pela atenção e felicidades ao seu blog que admiro tanto.
Viva o TITANIC!!